Unbreakable Curse -Alícia-
2 Turn Off
Notas iniciais
Acordei em um solavanco tentando pôr ar em meus pulmões, minha garganta ardia e meus olhos queimavam. Me sentia fraca, um lixo, estava caída no chão dessa vez sem as cordas pra me prender. Minha camisola estava toda suja de sangue e terra, olhei em volta e vi várias das meninas em lugares totalmente diferentes mas diferente de mim elas não estavam acordadas e nunca mais acordariam, notei que Kedelaine não estava ali e foi então que tentei me levantar. Fracasso total, caí como um chumbo, levantei me apoiando na árvore e comecei a andar lentamente, minhas pernas tremiam, a cada passo que eu dava ficava mais fraca, minha visão embaçada e minha garganta ardia mais a cada segundo.
Andei muito pela floresta em busca de Kedelaine, a procurei por horas e horas mas nem sinal de Kedelaine, rua, ou pessoas. Não sabia mais de onde estava tirando forças, o sol forte batia em meus olhos e me forçava a fechá-los por causa da claridade. Depois de um tempo anoiteceu, comecei a sentir um cheiro estranho, igual ao de ontem a noite. Sangue. Em um segundo estava no lugar de onde vinha aquele cheiro, me perguntei como mas, assim que vi aquele corpo caído no chão com todo aquele sangue comecei a perder os sentidos.
O cheiro me embebedava, sentia dores na gengiva e meus olhos queimavam levemente. As veias abaixo de meus olhos pulsavam, minha cabeça latejou forte e alguma coisa me atraia para o corpo, em minha cabeça foi travada uma luta entre a razão e meu instinto. Ele ganhou, fui até o corpo e toquei seu pescoço, frio mas ainda sentia leves pulsações. E foi quando coloquei meu dedo sujo de sangue na boca que percebi o que tinha me tornado. Mas, na hora, nada mais importava, eu queria aquele sangue e nada nem ninguém poderia me impedir. Morta de fome avancei em seu pescoço mas antes que pudesse cravar meus caninos nele, alguém me empurrou para longe ficando de frente comigo.
Caí deitada e já não tinha forças pra me levantar, a pessoa que me empurrou se abaixou e me olhou atentamente. Passou a mão por meu rosto e me pegou no colo, não consegui ver seu rosto direito mas vi suas orbes azuis. Senti o cheiro de sangue de novo,meus olhos foram diretamente para seu pescoço, ele me olhou e sorriu.
XXXX: Tudo bem, eu sei que você quer mas não é do meu que você precisa! -ele disse, sua voz era uma mistura de rouca com macia, não dava para explicar
Alícia: Quem… Quem é… Você? -minha voz falhou e saiu fraca
XXXX: Pode me chamar de Adrien, mas agora temos coisas mais importantes pra resolver! -ele disse e parou de repente -Lá vem uma carroça, parece que esse vai ser fácil!
Então Adrien saiu correndo em direção a carroça, gritando por ajuda. A carroça parou assim que nos alcançou, pude ver dois homens e uma mulher lá dentro mas não os reconheci, minha vista estava turva e eu estava quase desmaiando.
Adrien: Me ajudem, achei minha prima na floresta e não vou chegar a tempo!!
Estranhei ele ter dito que éramos primos, mas nos deixaram entrar na carroça. Adrien sussurrava coisas no meu ouvido como: Você vai ficar bem, apenas não desmaie. Ele os guiava para dentro da floresta, assim que eles perceberam que estavam indo muito além pararam.
Homem1: Desculpe mas não vamos além daqui!
Mulher: Não podemos nos arriscar e entrar mais ainda neste lugar.
Adrien: Não será preciso! -ele se aproximou da mulher a olhando nos olhos -Você não vai fugir!
E então a mordeu, ela gritava e se debatia mas não tentava escapar. Os dois homens entraram em desespero e tentaram sair da carroça mas Adrien os barrou, ele me levou até o pescoço da mulher e então só me lembro de sentir aquele gosto meio adocicado.
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Olhei em volta e pude ver o que eu havia feito, a mulher e os dois homens estavam jogados no chão, suas roupas e o chão em volta de si banhados em sangue. O sangue deles pingava de minha boca, escorria por meu pescoço e percorria meu busto até chegar na camisola branca e manchá-la com aquele vermelho. Minhas pernas vacilaram por um instante e eu cai sentada no chão daquela floresta. Adrien se abaixou na minha frente, me olhou terno e sorriu levemente, encostou nossas testas. Minha respiração totalmente descompassada, não apenas pelo que eu havia feito mas também por sua proximidade.
Adrien: Vai ficar tudo bem! -sussurrou, assenti sentindo minha visão se embaçar
Alícia: Eu sou um monstro… -ele sorriu e fez que não
Adrien: Claro que não, você não escolheu isso! Preferiria ver você me odiando a deixar você morrer na fase de transição
Meu coração acelerou, não sei dizer porque, afinal, nunca o tinha visto antes mas posso dizer que tínhamos certa ligação, mal sabia eu que isso mais tarde prejudicaria a ambos. Comecei a reparar em seu rosto, percorri meus olhos por ele todo, Adrien tinha uma pele alva e traços leves mas masculinos, olhos de um azul gelo vivo, sua boca era levemente avermelhada e tinha dentes estupidamente alinhados e brancos. Aos poucos minha visão foi se embaçando e tudo foi desaparecendo a minha frente.
Quando minha visão voltou ao normal eu estava em frente a minha casa, nos braços de Adrien. Ele me pôs no chão e fomos andando até a porta, assim que a abri o cheiro de sangue invadiu meu nariz. A sala principal estava um caos total, mas não foi isso que me desesperou, foi o que havia bem no centro da sala principal. Meus pais pendurados por uma corda no lustre, totalmente encharcados de sangue com a expressão assustada e pra piorar estavam completamente multilados, apenas com o rosto intacto. Não sei descrever o que senti na hora, só me lembro que no segundo seguinte eu estava destruindo a casa inteira e chorando.
Quebrei todos os móveis possíveis, arranquei madeira das paredes e do piso, atirei louças para todos os lados. Adrien me olhava atônito, caminhei até a sala principal novamente e derrubei o lustre com uma pedrada, assim que ele atingiu o chão eu desabei. Aquela dor me invadiu totalmente, Adrien se abaixou ao meu lado e me abraçou. Acho que ficamos ali por horas e horas, até que não aguentei mais aquela dor, estava insuportável e eu já estava implorando pra morrer.
Alícia: Não dá, eles se foram! Eles foram mortos, Adrien! MORTOS!!! -solucei
Adrien: Alícia, calma… -ele se sentou na minha frente e segurou meu rosto com ambas as mãos -Tem duas maneiras de acabar com essa dor, a primeira: desligar a humanidade -o olhei confusa ainda chorando um pouco -Caso você faça isso, não vai se importar com mais ninguém, não vai sentir mais dor nem nada mas, caso você volte a ligá-la…
Alícia: Caso eu volte a ligá-la… -incentivei-o
Adrien: Vai tudo voltar de uma vez, a dor, o ódio, TUDO! -ele abaixou o olhar -Eu já passei por isso e não aconselho que você o faça!
Alícia: E… Qual é o outro jeito? -ele ergueu seus olhos gelo e tornou a falar
Adrien: Você vai desligar a humanidade mas de um jeito diferente, -franzi o cenho -Afinal, ninguém precisa saber o que você está sentindo! Apenas, finja que não se importa, não demonstre, não sinta. Caso faça isso, vai chegar uma hora que você realmente não vai sentir, não vai se importar, e se você resolver voltar a sentir, a dor não vai te afundar nem te enlouquecer -silêncio, foi isso que se prosseguiu
Fitei-o por longos segundo, travei uma batalha em minha cabeça. Assim que tive a sentença final me levantei indo até o armário dos empregados, peguei álcool e fósforos. Comecei a jogar o álcool por toda a casa sem me importar com o que tivesse lá dentro, a única coisa que peguei foi o dinheiro, um colar de ouro que meus pais haviam me dado, ele tinha dois pingentes, uma cruz e um círculo que caso você o abrisse veria um desenho de nós três, e uma pulseira.
Desci as escadas e encontrei Adrien sentado no sofá, ele me olhou e se levantou estendendo a mão. Andei até ele e a segurei com força, andamos até o lado de fora fazendo uma trilha com o álcool. Assim que chegamos no jardim, joguei as últimas gotas na grama acendendo o fósforo e o jogando.
O fogo fez o caminho que traçamos até chegar na casa, no momento em que ele a tocou senti um aperto enorme em meu peito, aquele era o lugar em que eu havia nascido e sido criada e agora estava se esvaindo em chamas, mas não seria difícil fingir que não me importo afinal isso é o que eu mais fiz enquanto era humana. Fiquei ali, parada na frente da casa até que ela virasse cinzas, não aguentei e dei as costas saindo andando.
Adrien: Aonde você vai? -perguntou, parei e sem olhar para trás respondi
Alícia: Pra algum lugar mais longe o possível daqui, afinal, eu não pertenço mais a esse lugar… -sorri
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