Unbreak Me, Unchain Me.
8 “Possibilities I've never considered."
Notas iniciais
O título era pra ser "Synyster Gates um cara culto? - Possibilities I've never considered!", mas sacomé...
Me desculpem por esse negócio aí em baixo, escrevi em um momento tão insano quanto ao que um ser perturbado disse "I'm Synyster Gates and I'm fucking awesome!".
conclusão: não use dorgas ;P
Avistei o casarão, que tinha gigantescos portões de ferro descascado e torcido, formando desenhos que não faziam sentido, mas que tinham o poder de amedrontar qualquer um que chegasse mais perto e ouvisse os rangidos que faziam, como se estivessem lutando contra o vento, ou em sincronia com ele na intenção de nos expulsar, mostrando o perigo do local. SINISTRO! É, essa palavra descreve perfeitamente. Não é à toa que meu pai apelidou o lugar de "Synyster Gates", o que acabou virando nome de palco de Brian, apelido pelo qual hoje é conhecido no mundo inteiro.
Encostei o carro, peguei minha bolsa e desci, agradecendo mentalmente a todos os deuses por Brian estar me esperando do lado de fora.
- Oi, Audrey. — ele falou primeiro, enquanto eu caminhava em sua direção.
- Oi, Brian. — me aproximei e de repente uma vontade imensa de abraçá-lo veio a mim. E assim o fiz.
Ele ficou imóvel diante de minha reação, mas depois retribuiu o abraço e acariciou meu cabelo. Afastei-me dele, meio vergonhosa. Não sabia porque tinha feito isso, se por medo ou outra razão que não sabia. Vendo meu embaraço, Brian apenas sorriu sem nada dizer, fez uma curva com o braço esquerdo para que eu enganchasse o meu e seguimos para dentro, atravessando o lugar. Não usamos os portões para entrar. Acho que ninguém nunca ousou, com medo de morrer de tétano imediatamente. Passamos por um buraco no muro.
Já na própria casa, as portas grandes estavam abertas e seus mosaicos rugiam com o passar do vento, que agora era bem forte. Ao passar por elas, Brian acendeu as luzes. Luzes? Como assim uma casa abandonada há séculos tem energia elétrica funcionando? Quem paga essa conta? Mas logo deixei de me importar com isso ao perceber o quão incrível aquele lugar é. Havia muito tempo que Jimmy me apresentara o local, e à luz do dia, e eu não estava nem aí, não tinha reparado em nada naquela oportunidade. Mas agora parecia que a luz artificial revelava mais detalhes. Não havia um só lugar mal iluminado e tudo era lindo, mesmo estando em partes coberto por poeira.
- Está gostando do que está vendo? — perguntou Brian tentando desvendar o que estava passando por minha mente. Eu devia estar com a pior cara de espanto, parecendo à figura do quadro "O grito", de Edvard Munch.
- Claro, é incrível! — me voltei a ele e novamente virei. — Mas um pouco assustador também, tenho de admitir. — Brian riu maliciosamente, como se sua intenção fosse realmente me deixar amedrontada.
- Esta é uma casa do século XIX.
- Mas vai dizer que todas as casas daquela época são perfeitos cenários para filme de terro como esta? — perguntei interessada.
- Não, não... — ele disse abrindo um sorriso. — Esta ficou assim pelo tempo e pela falta de cuidado mesmo.
- Mas ainda assim conserva traços muito bonitos.
- É verdade. São influências inglesas. Naquela época, os E.U.A estavam começando a comemorar o famoso 4 de julho, o dia de nossa independência, e estava recebendo turistas e imigrantes de todo o mundo, o que consequentemente influenciou a cultura e a arquitetura. — explicou ele como se houvesse vivido na época.
Percebeu meu rosto formando uma máscara de incredulidade, que eu não fiz questão de disfarçar. Ele sorriu e se manifestou:
- O que foi, Audrey?
- Desde quando Synyster Gates, famoso guitarrista de uma banda de Metal, que todos julgam não saber mais que tocar guitarra e encher a cara sabe tudo isso sobre o país?
- Poxa, Audrey. É isso o que pensa de mim? Que eu só sei fazer isso? — disse fazendo um biquinho e fingindo estar ofendido.
- Não, eu conheço você, sei que é muito inteligente, apesar de não usar essa condição fora dos palcos... — eu ri. — Brincadeira! — eu falei enquanto ele planejava se manifestar. — Você é muito inteligente. Mas daí sair dando aula de História da América? É realmente surpreendente! — rimos juntos.
- Isso também é um mistério pra mim. Frequentar as aulas sempre e participar delas sóbrio não eram meus pontos fortes na época de escola.
- Então como aprendeu isso, senhor autodidata?
- Não sei, devo ter lido em um livro qualquer...
- Sei... — falei meio desconfiada.
- Que foi? Eu sou alérgico a abelhas, não a livros, tá?! — gargalhamos.
- Mas não foi pra isso que viemos até aqui. — disse animado.
- Ah, não? — perguntei pensando se ele conseguiria me mostrar algo mais interessante que aquela casa.
- Não.
- Então pra quê?
- Sabe que eu também não sei!
- O quê?
- É, eu estou tão curioso quanto você.
- Ah, Brian. Pare de ficar tirando uma com a minha cara! — disse em falso tom bravo.
- OK, tudo bem. — levantou as mãos, se rendendo. — Vamos para o segundo andar e eu te mostro. Mas juro que é verdade, eu também não sei do que se trata ao certo.
Era só o que me faltava! Já passei um dia com surpresas demais e agora o que Brian me daria seria surpresa até para ele mesmo? Fiquei muito confusa, mas o acompanhei.
As escadas rangiam um pouco com o nosso peso, mas por estar de mãos dadas à Brian não tive medo. Ao chegarmos no segundo andar, nos deparamos com várias portas, e ele abriu a segunda do corredor.
- Entre. — disse fazendo o gesto para que eu fosse primeiro. Fiz como ele pediu.
Aquele quarto era bem diferente do resto do casarão, as paredes tinham o mesmo estilo de revestimento e padrão de cores, mas algo dava um ar mais atual e informal. Me senti bem ali.
Brian me guiou até um puff preto gigante que estava ao lado de frigobar. Era tudo o que eu via naquele imenso cômodo. Sentamo-nos e ficamos algum tempo sem falar.
Pude sentir que aquele momento seria importante para mim. Mas parecia ser ainda mais para Brian, que tinha uma expressão de concentração e tensão, que a todo custo tentava disfarçar. Então se levantou e foi até o frigobar, de onde tirou duas garrafas de Heineken.
- Cadê a comida? — disse voltando-se a mim e sorrindo. Abri minha bolsa e tirei tudo o que havia lá.
- Bom, eu não trouxe comida de verdade... — comecei a me explicar quando vi que ele olhava de forma estranha para os chocolates. — porque nem tinha pronta em casa e...
- Não. — ele me interrompeu. — De repente me deu vontade de comer isso mesmo!
Ele veio até o pufe e se sentou a meu lado. Entregou-me a Heineken e pegou um chocolate. Comemos e bebemos quietos por algum tempo. Fiquei feliz porque a bebida aliviou um pouco minha preocupação. Mas resolvi por fim ao silêncio.
- Brian, é muito bom estar aqui com você. Mas chega de rodeios, me fale porque me trouxe aqui e porque dessa forma tão discreta. — deixei a bebida de lado e ele fez o mesmo.
- Certo. Me desculpe, Audrey. Eu só estava me preparando para fazer tudo do jeito certo.
Ai meu deus. O que é isso?!Notas finais
haha brincadeiras a parte, mistério praticamente todo desvendado no próximo capítulo. C ya.
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