Una lección de vida
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Havia chegado o sábado que seria a festa, mas também a volta de Cecília. Daniela acordou tristonha, mas deu um sorriso, que não chegou aos seus olhos, pois estava com saudades da mãe e finalmente a veria. Foi triste ela ter que contar à Melinda que não poderia comparecer em sua festa. A menina havia ficado triste também, pois considerava Daniela uma grande amiga e lamentava muito a ausência da mesma.
— Que horas chega minha mãe? — Daniela perguntou durante o café da manhã.
Madelaine estranhou, pois ela nunca falava durante as refeições, mas mesmo assim respondeu.
— Ela chega antes do almoço, pequena. — sorriu e Daniela apenas deu de ombros.
Após o café da manhã, Daniela tomou banho e Madelaine a vestiu com um vestido bege de renda e um cinto dourado, meia-calça e sapatos de verniz, como uma boneca. Daniela estava sentada em sua cama torcendo os dedos em seu colo de nervosismo e ansiedade quando Madelaine apareceu na porta com um sorriso, sua mãe havia chegado. Ela respirou fundo e desceu as escadas de mãos dadas com a babá. Olhou na direção da sala de estar e viu uma figura alta, de costas e que falava ao telefone. Trajava roupas elegantes e o longo cabelo loiro como o de Daniela caindo em cascatas por suas costas. Para Daniela, era a mulher mais bonita do mundo, e a pequena desejava ter a aparência da mãe quando crescesse.
— Mamãe. — chamou.
Cecília se virou devagar com um pequeno sorriso e encarou-a. Se despediu no telefone quando sentiu braços em volta de sua cintura.
— Não corra, Daniela. Sabe que não gosto quando faz isso, está amassando minha roupa. — ela afastou a menina delicadamente.
— Desculpe, mamãe. Não fiz por mal. — abaixou a cabeça envergonhada.
— Tudo bem, só não quero que se repita. — Daniela assentiu — Então, como foram seus dias em minha ausência? — perguntou após se sentar em um dos sofás, Daniela a imitou.
— Foram bem, mas estava com saudades. — Daniela piscou devagar e sorriu.
— Ela se comportou, Madelaine? — se dirigiu à babá, que até então estava parada no salão de entrada.
— Como um anjinho, senhora.
— Hmmm... Trouxe presentes de Paris. — Daniela deu um sorriso bonito.
Cecília a entregou as sacolas cheias de vestidos e bonecas de porcelana. Daniela agradeceu e a mãe apenas assentiu. A impressão que dava era que Cecília não suportava a filha, na verdade a amava, só não sabia como demonstrar isso. Era uma pessoa fria, altiva, criada em uma família onde não havia demonstrações de carinho, assim como Fernando. Ambos eram felizes com o casamento, só não demonstravam o carinho à filha, mas a amavam. Porém, uma criança sofre com isso, ela não sabia dos sentimentos dos pais, e mesmo os amando tanto, se sentia rejeitada e não amada, o que era de se esperar. Por causa da frieza, Daniela evitava abraçar os pais com medo da reação, principalmente do pai.
— Senhora, desculpe interromper, já posso mandar servir o almoço?
— Sim, por favor, Madelaine. — se virou para Daniela. — Vá lavar as mãos.
Assim que Daniela saiu, Cecília pegou o celular novamente.
"Alô?" atendeu uma voz masculina.
— Alô, Fernando. Sou eu, amor.
"Ah, oi querida. Como vai? Já está em casa?"
— Estou ótima, já cheguei, sim. E você, tudo bem?
"Tudo. Chego aí na quinta a noite, amor."
— Que ótimo, estou morrendo de saudades.
"Também estou com saudades. Agora tenho que desligar. Nos vemos na quinta."
— Ok, querido. Até, te amo.
"Também te amo, beijos."
Fernando desligou e Cecília se encaminhou para a sala de jantar, onde Daniela já a esperava.
— Seu pai chega na quinta-feira. E na sexta, teremos um jantar de negócios. — informou durante a sobremesa.
Daniela sorriu com a notícia de que o pai chegaria, mas não gostou de saber que ocorreria mais uma festa, ou sei lá o que aquilo significava, ela odiava. Terminou a sobremesa e deixou a mesa com um olhar triste, Cecília estranhou essa oscilação repentina. Chamou Madelaine, que chegou afobada na sala de jantar.
— Chamou, senhora?
— O que houve com Daniela? É sempre uma menina alegre e hoje quase não a vi sorrir.
Madelaine suspirou antes de responder.
— Ela está assim a semana toda, desde que soube que não poderia comparecer à festinha de uma coleguinha do ballet.
— É claro que ela não iria, onde já se viu? Eu sabia que essa escola de ballet só iria atrapalhar. — disse alterada. Madelaine se manteve calada.
No final da tarde, Madelaine estranhou o fato de Daniela ainda não ter saído do quarto. Foi até lá e encontrou a pequena dormindo.
— Acorda, minha linda, você não quer ter insônia esta noite, não é? — falava carinhosamente enquanto passava a mão pelo longo e claro cabelo de Daniela.
— Estou com muito sono. Meu corpo está cansado. — reclamou baixinho, ainda de olhos fechados.
A babá estranhou, pois Daniela não era uma criança de se cansar facilmente, era até forte para uma menina tão pequena. Mas deixou passar, ela poderia estar mesmo triste, e deixou o quarto. Daniela dormiu pelo resto do dia.
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