(Un)Lucky Lily

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Olá pessoas, como disse no disclaimer da fic, esta faz parte do concurso promovido pelo @fanctions. Tá um pouquinho grande, acho que me empolguei demais escrevendo haha. É a primeira +18 que escrevo, então peço desculpas se o erotismo aqui não está devidamente erótico (?) hahaha, enfim, boa leitura :)

Lily Evans não era supersticiosa. Pelo contrário, na verdade costumava ser bastante cética com relação aos acontecimentos e rumos que embalavam a sua vida, embora as coisas sempre dessem certo para ela. Mas naquele dia, naquele específico, fatídico e fantástico dia, ela teve que rever os seus conceitos.

A data ficou marcada por vários motivos, dentre eles, quando Lily soube que o tão famoso “amor à primeira vista” era real. Ou quase isso... É mais cabível nomear o que ela sentiu como “tesão-paixão-amor à primeira vista”. Mas espere, não vá pensando que tudo aconteceu como em um conto de fadas. Não, não.

O dia 1º de outubro começou a impressioná-la logo ao alvorecer, e de uma maneira negativa para início de conversa. Naquela manhã, um dos passos mais importantes da carreira dela seria dado. Literalmente, pois sem ele, Lily ao menos teria uma carreira. Era o dia de sua primeira e única entrevista de emprego para a renomada revista de moda Composure. Era sua chance de trabalhar para a revista no departamento em que suas faculdades de Publicidade e também Jornalismo, realizadas em Oxford, permitiam. Era um grande dia e tudo daria certo para Lily, mas ao que parece, ela era a única a pensar desse jeito.

— Como você pôde marcar a sua entrevista de emprego nessa data?! – perguntou Marlene, no dia anterior, enquanto as duas caminhavam apressadas pelo centro de Londres, ocupadas em conseguir realizar todas as “tarefas de início de mês”. Uma delas? Pagar contas.

Lily soltou uma risada nervosa no meio daquela gente agitada com os afazeres diários.

— Lene, o entrevistado não marca o dia da sua própria entrevista de emprego. – Lily ajeitou a bolsa no ombro direito depois de um cidadão apressado esbarrá-la. – É claro que você não sabe disso já que nunca precisou trabalhar na vida – revirou os olhos, embora sorrisse feliz pela amiga.

— Tenho culpa de nascer em uma família rica com dinheiro para as próximas dez gerações? – Marlene deu de ombros nem um pouco preocupada.

Realmente não tinha. A verdade era que Marlene era uma McKinnon e os McKinnon eram muito influentes pela Inglaterra, por serem donos de uma das mais prestigiadas marcas de automóveis esportivos que já existira.

— De qualquer forma, qual é o problema da entrevista ser amanhã? – perguntou a ruiva assim que entraram em uma agência bancária. As duas sendo banhadas imediatamente pelo ar gélido provindo dos ares-condicionados.

Passaram pela porta giratória (Marlene sempre se demorando mais por gostar do efeito que o objeto causava) e foram ao encontro das inúmeras caixas eletrônicas. Por sorte encontraram duas vagas, uma ao lado da outra, assim podendo prolongar a conversa.

— É dia 1º de outubro. Começa o mês do Halloween. – Marlene sibilou enquanto manuseava com seu cartão de débito.

Lily depositou a bolsa em cima de um suporte ali perto e encarou a amiga com uma ruga bem desenhada no meio da testa.

— E...?

— Ah, você sabe, a maioria das coisas costuma dar errado e bizarrices acontecem.

Depois de ouvi-la, Lily não pode se conter e soltou uma gargalhada alta dentro do estabelecimento quieto, atraindo a atenção de muitos ali presentes. Em seguida tapou a boca com uma das mãos e tentou terminar a operação no caixa da maneira mais normal possível, enquanto Marlene fingia que nem a conhecia.

Depois que retornaram as ruas londrinas, Marlene questionou realmente intrigada:

— Posso saber qual foi o motivo daquela gargalhada inapropriada Lily Evans?

— Desculpe, não pude evitar. Realmente acredita nessas superstições malucas, Lene? – foi uma pergunta retórica. Lily sabia muito bem que sua amiga acreditava em todos os bordões, ditados e mitos da vida. O que era um dos alicerces extremamente forte para a amizade delas, já que nesse quesito, as duas divergiam bastante.

— Nunca se sabe... Como se diz: melhor prevenir do que remediar. É bom não marcar nada de importante nesse dia. – citou com o dedo indicador levantado.

Lily sorriu e colocou o braço em volta do pescoço de Marlene, agora as duas caminhando em um mesmo ritmo.

— Deixa disso, Lene. Amanhã vai dar tudo certo e eu vou conseguir arrumar um emprego na Composure antes que meu último salário se esgote. Além do mais, você disse que “a maioria das coisas pode dar errado”, quem sabe eu não sou a exceção fazendo parte da minoria?

E não foi. Lily Evans não foi a exceção em 99% das coisas que aconteceram com ela no dia seguinte. E aquele 1%? Conta-se depois. Mais tarde naquele mesmo dia, ela foi dormir confiante, afinal superstições de 1º de outubro nem de longe eram verdades. Até que...

CRACK!

Esse foi o barulho que a despertou violentamente na manhã seguinte interrompendo seu deleitoso e estranho sonho que tivera com um moreno gostoso de óculos, onde eles faziam maravilhas juntos. Ora, Lily nem sequer o conhecia para sonhar com tal sujeito! Foi realmente bastante bizarro, mas ela não se deixou acreditar.

Levantou-se assustada com o som violento vindo de algum lugar e, ainda com a visão embaçada, notou uma intrusa bola de futebol em seu quarto. Pelo o que se lembrava, ela nunca teve uma bola de futebol. Próximo ao objeto redondo, pôde notar um rastro de pedaços de vidro quebrados o que a levou a seguir com o olhar esse caminho e deparar-se com o que supostamente causou o tremendo barulho. O vidro de sua janela, agora com um buraco redondo no centro, acabara de se tornar vítima de uma bola de futebol provavelmente arremessada por crianças levadas.

Com certo horror, Lily correu em direção a janela a abrindo e olhando para a rua onde se deparou com uns cinco ou seis garotos com olhares estupefatos e sorrisos amarelos.

— Aí, foi mal tia, pode devolver a bola? – o mais alto se pronunciou coçando a nuca.

Aquilo foi demais.

— TIA?! Ora seus... – mas o possível xingamento foi interrompido quando seu celular vibrou em cima do criado-mudo ali perto. Lily o encarou, ainda com as palavras presas na garganta e notou que era seu alarme.

Na tela do aparelho, liam-se os seguintes dizeres:

10:00 A.M

Alarme não finalizado.

Adiar Desligar

Aquilo não podia ser verdade. Não era verdade que já eram dez horas da manhã. Não era verdade que Lily estava completa e absurdamente atrasada para a sua entrevista de emprego. Não era verdade que ela não conseguira ouvir o alarme tocando. Não era verdade que era verdade que ela possivelmente perdera de vez a entrevista de emprego. E, céus, não era verdade que o vidro da sua janela estava quebrado!

— PUTA QUE PARIU! – ela soltou alto o suficiente para se comparar a sua frustração. Sua raiva e atenção para com os meninos lá embaixo foram totalmente esquecidas e Lily foi tomada por um desespero completo.

Voou em direção ao seu guarda roupa pegando as primeiras peças que enxergou pela frente, com o coração em disparada. A palavra “merda” foi a que saiu de seus lábios nos próximos vinte segundos enquanto se arrumava às pressas. Depois que estava vestida com as roupas ligeiramente tortas, Lily amarrou os cabelos ruivos em um coque frouxo, pegou todos os pertences que precisava e os enfiou na bolsa e é claro, apanhou a maldita bola intrusa.

Desceu as escadas do apartamento quase correndo, pegou as chaves para abrir a porta (sabem-se lá quantos minutos já não haviam se perdido) e passou por ela esquecendo-se de apanhar as chaves ao sair, trancando-se do lado de fora.

— Ah não! Merda, merda, merda! – praguejou querendo morrer. Que horas são mesmo? Ela precisava correr. – Depois o chaveiro me ajuda. – e dizendo isso, saiu às pressas para fora do prédio.

Surpreendeu-se ao se deparar com os meninos levados que quebraram sua janela que ainda esperavam no mesmo lugar o qual ela tinha os visto pela última vez.

— Eu só não tiro satisfações com vocês agora porque estou mortalmente atrasada, mas ainda não terminamos! – gritou lançando a bola para um deles e correu em direção a um ponto de táxi mais próximo.

Enquanto corria, seu cabelo desmanchou do coque e por conta das correntes de vento vindas detrás, as madeixas ruivas colocaram-se por sobre seus olhos atrapalhando boa parte de sua visão. Ocupada em tirá-las do rosto, no minuto seguinte, Lily foi de encontro a um velho e conhecido amigo seu: o chão.

— Ah, meu Deus você está bem? – uma voz soou próxima de si, assim que Lily se esparramou no solo depois de pisar em falso em algum desnivelamento da calçada.

A ruiva sentiu uma pequena ardência nas palmas das mãos, depois de usá-las como freios, o que não deu muito certo. A alma boa que veio ajudá-la era uma gentil idosa que passava por perto.

— Estou sim, estou só um pouco atrasada – Lily sorriu agradecendo pela ajuda. A velhinha apanhou alguns pertences da ruiva espalhados pela calçada enquanto Lily podia sentir o olhar dos espectadores sobre si causando um tremendo rubor em seu rosto. Depois de retomar a compostura, voltou ao seu caminho apressado, na busca por algum táxi.

Era só o que faltava. Mesmo que talvez, por algum milagre, não tivesse perdido completamente a sua entrevista de emprego na sede da revista mais exigente e sofisticada de Londres, iria comparecer com os cabelos embaraçados, a roupa amarrotada e com as palmas das mãos sangrando.

Dados mais alguns minutos, finalmente avistou o miraculoso táxi mais a frente. Estava prestes a agradecer as forças superiores por ter o encontrado quando o veículo ligou os faróis e fez menção de dar partida.

— Oh, não! ESPERE! – o som saiu como que em súplica de seus lábios e ela correu tão rápido que nem sabia que era possível atingir tal velocidade.

Ao atravessar uma avenida movimentada, não se deu ao trabalho de olhar para os carros que iam e vinham pelo asfalto, recebendo de brinde várias buzinadas indignadas por parte dos motoristas. Levantou uma das mãos como forma de se redimir e pedir desculpas. Realmente não tinha se lembrado de olhar para os lados.

Ao finalmente alcançar o táxi, que pareceu ouvir seu chamado, ela sentou ofegante no banco detrás.

— A-avenida Cheksburg, por favor – disse com a respiração entrecortada – e se puder ir um pouco rápido eu agradeceria – pediu com um sorriso de lábios secos por conta da situação pela qual passara no trânsito.

O motorista a encarou com o cenho franzido, mas não a questionou.

Enquanto tentava se acalmar, organizou os pertences dentro da bolsa e avaliou o estrago em suas mãos. O sangue tinha parado, ao menos.

Calma Lily, respire, respire. Tudo vai dar certo. Pensava consigo mesma.

O enigma sobre como não conseguira ouvir o despertador tocar ainda matutava sua mente e as possíveis respostas em seus devaneios foram interrompidas pelo motorista que afirmou:

— Olha moça, o mais próximo que consigo chegar da Avenida Cheksburg é aqui, o resto está tudo engarrafado.

Ela teve vontade de bater com a cabeça no vidro do carro.

— Só podem estar de sacanagem comigo. – sussurrou com os olhos fechados. Ainda estavam duas longas quadras longe de seu destino e Lily não podia estar mais atrasada do que aquilo.

— Okay, vou descer aqui mesmo, obrigada – disse entregando o dinheiro da corrida e nem se preocupando com o troco. Cambaleou para fora do carro, correndo em direção ao prédio da Composure, torcendo para conseguir chegar logo em seu destino.

Depois de passar as duas quadras, agradeceu por estar na frente do prédio sem sofrer nenhum tombo ou quase atropelamento durante o percurso. Foi ao encontro imediato da recepcionista que, ao contrário dela, estava perfeitamente arrumada com uma maquiagem esplêndida, cabelos comportados e semblante despreocupado.

— Oi, meu nome é Lily Evans e eu vim para a entrevista de emprego para trabalhar no setor de Propaganda e Coluna da revista – Lily teve dúvidas se a recepcionista entendeu suas palavras devido à rapidez como foram ditas.

A mulher a analisou de cima a baixo com um olhar avaliativo.

— Só um instante, por favor – pediu educadamente.

— Claro, sem pressa – Lily sentiu suas pernas tremerem conforme ganhava estabilidade.

Olhou ao redor percebendo que todas as pessoas ali se encontravam bem vestidas e portadas, o que a fez sentir-se como um vira-lata sarnento dentro de um restaurante chique esperando por uma alma bondosa que lhe desse comida e torcendo para não ser pego pelos seguranças do local.

— Srta Evans, sua entrevista estava marcada para às nove horas da manhã, não? Sua hora de chegada ultrapassou esse limite em um nível consideravelmente alto, levando em conta que já são quase onze horas. – a recepcionista a encarou como se quisesse dizer “o que você está fazendo aqui à uma hora dessas, sua destrambelhada?”.

— Eu sei, eu sei, sinto muito. Eu tive muitos empecilhos até chegar aqui e quase fui atropelada. Olhe só as minhas mãos! – ela mostrou as palmas das mãos para a recepcionista que recuou um pouco devido à atitude inesperada. – Por favor, não tem um jeito de reconsiderarem isso? – o que ela estava fazendo? Já era um caso perdido.

A recepcionista demorou alguns segundos para responder.

— Certo, vou ver o que posso fazer por você.

Lily conteve-se para não abraçá-la ali mesmo, tamanha era a chama de esperança que acendeu em seu interior. A mulher discou alguns números no telefone e trocou algumas palavras discretas com alguém. Foi rápido.

— Srta Evans, eles a aguardam no sétimo andar, sala 702. Pode subir, por favor – anunciou de modo tranquilo indicando o elevador mais próximo.

— Certo, muito obrigada.

Era quase que inacreditável, eles afinal, reconsideraram o seu atraso e o dia não estava perdido completamente. Com a adrenalina efervescendo em seu sangue, ela entrou no elevador que por sorte estava vazio e horrorizou-se com a sua imagem refletida no espelho do compartimento.

Seu cabelo estava jogado em todas as direções, seus olhos tinham olheiras consideráveis devido à falta de maquiagem e sua boca encontrava-se seca. Lily analisou suas roupas que também não estavam arrumadas de maneira apropriada para uma entrevista de emprego.

Merda! – praguejou alto aproveitando a solidão dentro do elevador.

Rapidamente passou as mãos pelos cabelos e buscou dentro de sua bolsa a pequena escovinha que sempre carregava com si, para a sua salvação em momentos como esse. Penteou os cabelos de maneira breve e fez uma trança lateral. Umedeceu os lábios com a língua e apertou as bochechas na tentativa de trazer alguma cor a elas, obtendo resultados. Fez isso no intervalo de tempo em que o elevador subia para o sétimo andar.

Quando as portas se abriram, ela procurou com certa ansiedade a sala de número 702, encontrando-a no fim daquele corredor iluminado. A porta estava aberta e Lily pode visualizar uma sala ampla com um mesa ao fundo, tendo um casal de avaliadores por trás dela e a frente de uma imensa vidraça de onde se tinha uma vista panorâmica da nublada Londres naquele agitado dia.

— Com licença – pediu despertando a atenção dos avaliadores que a fitaram com interesse. Ambos pareciam ter seus quarenta e poucos anos de idade e tinham as expressões faciais ligeiramente carrancudas.

— Bom dia. Srta Evans, não? – quis confirmar o homem calvo.

— Sim, senhor – Lily respondeu sentando-se a única cadeira disponível à frente deles. – Desculpem o meu notável atraso.

— Sem problemas – garantiu a mulher – E então, vamos começar?

A entrevista foi tranquila levando em consideração os acontecimentos que atingiram Lily pela manhã. Conforme as perguntas eram feitas e as respostas dadas, os avaliadores foram sentindo-se cada vez mais à vontade com a presença de Lily e enxergando certo potencial nela. No final das contas, aquela correria toda teria valido a pena e tudo não passaria de uma simples maratona na qual, no final, Lily venceria. Mas ainda era muito cedo para comemorar.

— Perfeito Srta Evans. Eu e minha esposa avaliamos as suas respostas e pode se considerar com sorte. – proferiu o homem com um sorriso triunfante.

— Decidimos que vamos contratá-la. – a mulher anunciou com satisfação.

Lily mal pôde acreditar em sua sorte. Já contratada? No mesmo dia, sem nenhuma avaliação de longa data? “Ah, Marlene... Depois que eu lhe contar essa você vai ter que desacreditar dessas coisas de 1º de outubro”, pensou ela.

— Poxa, sério? Nossa, obrigada – ela sorriu gratificada.

— Para estar oficialmente contratada, só precisamos da sua identidade e do comprovante de residência, por favor – a mulher pediu, pacientemente, separando os papéis em cima da mesa e acessando alguns dados no computador.

— Claro, só um instante. – Lily trouxe sua bolsa até o colo para pegar a identidade e o comprovante de residência que certamente estariam ali dentro. Passados alguns segundos de procura, ela achou a identidade ao fundo da bolsa, mas demorou um pouquinho mais para encontrar o comprovante.

Não, não, não pode ser...

Lily começou a tremer da cabeça aos pés ao notar que o documento não estava presente em sua bolsa. Fitou os avaliadores que aguardavam pacientes e lhes lançou um sorriso amarelo voltando a procurar.

Tem que estar aqui, tem que estar aqui...

Não estava. Lily quase colocou a bolsa de cabeça para baixo enquanto procurava e mesmo assim não encontrou o bendito comprovante. Sentiu o coração falhar uma batida ao recordar-se que poderia ter o deixado por engano com Marlene no dia anterior enquanto pagavam as contas. Em meio a tantos papéis era viável esse pequeno deslize.

Seu sangue gelou.

— Peço desculpas, mas, meu comprovante de residência ficou por engano com uma amiga minha enquanto pagávamos as contas ontem – ela tentou se explicar – se permitirem, eu posso remediar isso. Ela mora aqui perto, eu o pegarei e então retornarei para finalizarmos o contrato – disse mordendo o lábio inferior e querendo atirar-se para fora do prédio. Só podia ser brincadeira.

Os avaliadores se entreolharam, perspicazes, tentando considerar a situação. Realmente Lily Evans era uma forte candidata para o trabalho, excedendo expectativas nas respostas que dera e seria realmente um desperdício deixá-la escorregar pelos dedos deles por causa de um deslize daquele porte. Mais um. Impontualidade e desorganização, mas o que custava dar uma terceira chance? Afinal a moça parecia estar mesmo precisando do cargo.

— Certo, se conseguir chegar aqui até às 13h30min – condicionou o homem um pouco cansado.

Que mistura de azar e sorte estava sendo aquele dia maluco?

— Vou conseguir, obrigada e desculpa mais uma vez – disse levantando-se da cadeira tentando não soar tão apressada enquanto saia da sala.

Assim que entrou no elevador novamente, teve que dividi-lo com dois acompanhantes. Poderia ser impressão sua, mas quando as portas se abriram, pareceu que os dois homens foram interrompidos de algo e separaram-se abruptamente. Poderiam eles estar fazendo coisas dentro daquele elevador?

Um tinha cabelos pretos e compridos, e o outro cabelos claros com alguns machucados no rosto. Lily teria investigado mais se não estivesse tão apressada. De qualquer forma, segurou a vontade de rir e achou que faziam um belo casal.

Saindo do elevador praticamente correndo, só percebeu que estava com fome e que não tinha comido nada até agora quando sentiu o delicioso aroma de café assim que passou pela majestosa Starbucks pelo caminho e seu estômago implorou para que ela comprasse um café expresso.

— Bem, saco vazio não para em pé mesmo – disse convencida de comprar aquela bebida estimulante.

Conseguiu ser atendida em um tempo consideravelmente rápido, não acreditando na sorte que tivera. Pegando a bebida em mãos, tomou as ruas londrinas a passos rápidos para, no segundo seguinte, a desgraça cair sobre si novamente.

Colidiu de forma violenta com alguém que surgiu do nada, fazendo a preciosa bebida derramar sobre ambos e causando em Lily um aperto no coração ao presenciar aquele desperdício.

— Wow, ruiva, vai com calma aí – uma voz masculina soou logo em seguida, provinda do homem com quem ela colidira.

— Ah, por Cristo! Será possível? – ela olhou para o céu, em súplica, e percebeu que o mesmo encontrava-se mais escuro e nublado do que antes e alguns respingos de chuva caíram em seu rosto. – Desculpe, desculpe mesmo, ai, eu to ferrada – ela quase deu pulinhos de desespero. Trocou um breve olhar com o homem e pareceu reconhecê-lo de algum lugar. Se possível, dos seus sonhos? Ela não tinha tempo para confirmar essa ideia maluca, precisava correr. Precisava chegar até Marlene. Precisava pegar o comprovante. Simplesmente precisava.

Não demorou muito até chegar à casa dos McKinnon, ou melhor, na empresa onde os pais de Marlene trabalhavam e onde ela passava boa parte do tempo fingindo ser uma cliente que ficava aos amassos com os funcionários gostosões às escondidas nos depósitos.

Ao chegar esbaforida, avistou a amiga saindo de uma sala particularmente discreta, com a boca borrada de batom. Lily teria rido se não estivesse tão desesperada.

— Marlene! Marlene! – ela foi de encontro à amiga, às pressas. Olhou no relógio e já eram 13h10min.

— Lily? Credo! O que houve? O que está fazendo aqui? – Marlene a fitou, seriamente preocupada e espantada.

— Não dá tempo de explicar, só me diz que você tá com a minha conta de luz aí contigo, eu preciso de um comprovante de residência imediatamente!

— Meu Deus, Lily, olha só o seu estado! Parece que um caminhão passou por cima de ti. – a morena disse, horrorizada.

— É eu sei, Marlene. Agora, o comprovante? Rápido! – Lily estava com o coração a mil.

— Okay, eu não sei o que está acontecendo, mas eu acho que fiquei mesmo com esse seu treco na minha bolsa. Está lá em cima, espera aí que eu vou pegar – e dizendo isso, correu escada acima para apanhar o que Lily precisava, com a ruiva agradecendo por ter uma amiga como Marlene McKinnon. E ela agradeceu mais ainda quando a morena voltou minutos depois sem demorar realmente. – Tá aqui o que você queria e eu trouxe o seu guarda-chuva também, que você me emprestou aquele dia lembra?

— Obrigada, obrigada, obrigada – Lily tomou as coisas em seus braços e saiu correndo novamente escutando Marlene gritar as suas costas:

— Depois você tem que me contar essa loucura toda, viu?

Quase sem fôlego, com a bolsa saltitando em seu ombro, o comprovante em uma mão e o guarda-chuva em outra, Lily sentiu que ia desmaiar a qualquer minuto. Estava cansada e faminta.

Como se não bastasse essa série de desventuras acontecendo com ela, o tempo resolveu estragar ainda mais o seu dia, e quando se deu por conta, estava no meio de uma forte chuva torrencial que insistia em cair sobre sua cabeça. Colocando o documento entre os lábios, e pensando que não podia estar mais atrapalhada, ela abriu com dificuldade o seu guarda-chuva preto.

O tumulto nas ruas aumentava, devido a frequente agitação das pessoas em irem para locais mais seguros para se abrigar da chuva que se intensificava a cada instante. Sentindo as pontas dos dedos congelarem enquanto segurava o guarda-chuva, Lily sentiu uma pontada no peito ao lembrar-se do vidro quebrado de sua janela, onde agora a água desse possível temporal estaria adentrando seu quarto com muita boa vontade e alagando tudo o que visse pela frente.

— O dia não pode ficar pior – Lily lamentou consigo mesma, parando em frente à faixa de segurança para atravessar a rua, quando um infeliz carro com seu infeliz motorista passou bem rente à calçada, deslizando suas rodas pela enorme poça d’água que se formava ali e jorrando com abundância o conteúdo em todos que aguardavam na beira do asfalto, incluindo Lily.

O frescor da água gelada atingindo seu corpo quente a fez ofegar profundamente, assim como todos em sua volta.

— Vai se foder! – a mulher ao seu lado gritou para o motorista que já estava longe.

— Já vi que pode. – ela conteve-se para não atirar-se ali mesmo no chão e desistir de viver. Sua cabeça já latejava e o frio começava a tomar conta de seu corpo, limitando suas ações.

Atravessou a rua com menos força e rapidez que tinha antes, torcendo para que “receber um banho” tivesse sido o seu último infortúnio do dia. Adentrou o prédio sem muitas delongas, indo direto até o elevador quando foi barrada pela mesma recepcionista de mais cedo.

— Srta Evans! Srta Evans! Sinto-lhe informar que o Sr e a Sra Johnson tiveram uma emergência e saíram imediatamente precisando resolvê-la, sendo assim, cancelando o seu contrato por hoje.

Lily sentiu as pernas tremerem.

— Eles ligarão para você para remarcar o encontro. – voltou a dizer – E, cá entre nós, sugiro que esteja mais apresentável da próxima vez. – piscou de um jeito amigável.

Lily tentou sorrir em resposta, mas o que se formou em seus lábios foi uma pequena curva trêmula.

Ela estava acabada.

Toda essa correria para nada. Suas mãos estavam machucadas, sua roupa ensopada e cheirando a café, (o que a fazia ficar ainda mais faminta), sua cabeça estava latejando sem parar, seu corpo tremia de frio e parecia doer em todas as extremidades.

Ela estava exausta.

Precisava de um banho.

Precisava de comida.

Precisava ir para casa.

Mancando, Lily deixou o prédio e foi recebida mais uma vez pelo temporal que se instalou lá fora. Foi até o ponto de taxi mais próximo, mas nenhum apareceu, e os que circulavam pelas ruas já tinham seus respectivos passageiros. Decidiu ir a pé mesmo para casa, o que seria mais uma caminhada para quem correu o dia inteiro?

Apertou o guarda-chuva na tentativa de ter mais firmeza, tendo em vista o vento forte que soprava contra ela, fazendo suas mãos doerem ainda mais. O ar gélido estava difícil de suportar e ela sentia que a qualquer minuto ia despencar ali mesmo.

Quando seus pés começaram a ficar dormentes, Lily viu-se em frente à portaria de seu prédio e assim que colocou a mão na maçaneta, quase chorou. Esquecera a chave pelo lado de dentro da sua porta e as maçanetas daquele maldito prédio não abriam por fora.

Lily gritou de raiva e saiu mais uma vez em busca de um chaveiro por perto, não se recordando do número de nenhum e percebendo que a bateria do seu celular acabara no momento em que ela decidira ligar para algum socorro.

Ela caminhou mais um pouco, praguejando tudo e a todos, quando um trovão ecoou no céu, seguido de uma rajada de vento que virou completamente o guarda-chuva de Lily do avesso, fazendo-a perder o controle sobre ele.

— Não, não, vem cá! – ela disse tentando mantê-lo estável no meio daquela tempestade e, enquanto travava uma batalha com o objeto (que aos poucos se despedaçava), olhou de relance para um estabelecimento próximo, onde um ser tinha acabado de sair pela porta da frente e, assim que ele também a viu, estagnou no local.

O olhar dele fixou-se nela e Lily se perguntou se aquele embuste ficaria muito tempo ali a analisando e se divertindo com sua situação, visto que um notável sorriso começou a brotar em seus lábios.

A presença do rapaz desconcertou Lily, que afrouxou a mão sobre o objeto e, com mais uma rajada de vento, permitiu que ele voasse para longe de si, desaparecendo pelas ruas de Londres, sem nenhum controle.

Ao contrário dela, o rapaz estava seco, bem agasalhado e com um guarda-chuva resistente em mãos, suficientemente grande para caber duas pessoas.

Eles se encararam por um tempinho, o rapaz ainda rindo, e Lily com a paciência nos limites. Aquela cena pareceu que nunca ia mudar, até o espectador risonho decidir se aproximar de Lily, displicente.

— Está se divertindo muito? – ela perguntou destilando sarcasmo assim que ele se aproximou.

Ao invés de se redimir, o rapaz pareceu se divertir ainda mais.

— Ah, você tem que admitir. Está em uma situação engraçada.

— Estou em uma situação deplorável, digna de pena – ela revirou os olhos, sentindo o corpo estremecer mais um pouco.

O rapaz depositou o guarda-chuva em cima de sua cabeça, protegendo ambos, e dando à Lily, uma melhor visão de seu rosto. E então ela o reconheceu. Era o mesmo cara com quem colidira mais cedo. O cara que a fez desperdiçar aquele delicioso café, derramando-o em ambos, e, acima de tudo, o cara com quem ela misteriosamente tinha sonhado naquela madrugada.

— Espera. Eu já te vi antes – a ruiva expressou em palavras o que estava preenchendo sua mente naquele momento – Você é...

— O cara em quem você esbarrou hoje mais cedo, sim – ele completou a fitando com interesse. E o cara dos meus sonhos, Lily conteve-se para não proferir aquilo em voz alta, mas mesmo assim sentindo-se corar nitidamente. – Você cometeu um crime desperdiçando uma bebida Starbucks daquele jeito – disse parecendo indignado.

Lily se sobressaltou ao ouvir aquelas palavras.

— Acho melhor ressaltarmos aqui que foi você que entrou no meu caminho esbarrando em mim – Lily cruzou os braços em frente ao peito, confiante.

— Ah, eu? – ele sorriu, divertido.

— É, você.

— Tudo bem então, eu não vou contrariar uma ruiva encharcada em uma situação deplorável digna de pena. – brincou a encarando de cima a baixo e vendo como a roupa dela estava em um nível de transparência extremamente proibido para ele. Para qualquer homem na verdade. – Se importa de continuarmos essa conversa em outro lugar? Essa chuva tá foda.

Essa pergunta a fez lembrar-se do real motivo de estar na chuva. Precisava encontrar um chaveiro o mais rápido possível para poder ajudá-la a entrar em casa.

— Na verdade, sabe onde encontro um chaveiro mais próximo? Estou trancada do lado de fora da minha casa – Lily explicou sentindo um rubor novamente se instalar em suas bochechas ao compartilhar com um desconhecido a sua tamanha falta de sorte.

O rapaz, James Potter, ia responder quando mais um clarão foi visto no céu, trazendo consigo uma enorme descarga elétrica que acabou com a luz dos postes ali perto. Lily gritou e levou as mãos aos ouvidos, em reflexo pelo susto. James teria rido da maneira de como ela havia feito aquilo, seu grito conseguindo ser a coisa mais fofa que ele já escutara, se ele mesmo não estivesse com o coração em disparada.

— Seguinte, eu moro aqui perto, vamos até o meu apartamento e de lá eu consigo o número de um chaveiro para você ligar, certo? – sugeriu desta vez sentindo o próprio guarda-chuva balançar em sua mão.

Que loucura era aquela?

Lily tinha que pensar. Não podia ir assim para dentro do apartamento de um estranho em uma tempestade como essa. Era possível que no outro dia nem acordasse viva. Se bem que, ela não tinha muitas opções. Aliás não tinha nenhuma opção. Era isso ou ficar ali na rua, trancada do lado de fora, e entrar em um caso gravíssimo de hipotermia devido ao frio que estava sentindo naquele momento.

E, além do mais, ele era bonito e educado demais para ser um psicopata que a maltrataria. E eles já se encontram hoje mais cedo, então tecnicamente não eram mais estranhos.

Em um lapso de loucura, Lily aceitou.

~*~

Ela quis se ajoelhar e beijar o chão da sala daquele apartamento por finalmente se encontrar em um lugar seco e seguro. Eles entraram de forma rápida, James fechando a porta atrás de si deixando o temporal lá fora. Assim que o ambiente foi iluminado, Lily pode analisar melhor o local. Era amplo, duas vezes maior que o seu apartamento e a ruiva se perguntou se mais alguém morava ali com ele, considerando o tamanho e a organização do imóvel.

— Vou pegar uma toalha pra você – James disse tirando a jaqueta molhada e a depositando no cabideiro. – O telefone tá ali – completou apontando para o aparelho em uma mesinha de centro daquela espaçosa sala.

Lily mordeu o lábio inferior, agora com a adrenalina já mais baixa em seu sangue e sentindo o estômago roncar. Andou até o aparelho e o pegou em mãos, prestes a discar o seu número salvador quando deu-se por si de que ainda não se lembrava de nenhum número para ligar.

Abriu a boca para chamar pelo rapaz, afinal ele ficara de conseguir algum número para ela, quando deu-se por si de que nem sequer sabia o seu nome.

— Ah, meu Deus, Lily Evans. Você está no apartamento de alguém que nem sabe o nome! – ela sussurrou aquilo e sua voz saiu fina, abismada com aquela audácia.

Olhou para os lados, pensando em ir embora, mas a chuva lá fora parecia nunca querer terminar e ela realmente não tinha forças para aguentar mais desgraças em sua fatídica vida que se tornara aquela manhã.

— Esse costuma ser bom – Lily sobressaltou-se ao escutar aquela voz tão perto de si. Nem reparou a chegada dele, e quando pousou seus olhos em James, notou que ele estava com o peito desnudo por conta da ausência da camisa. Talvez seu olhar tenha demorado um pouco mais naquele abdômen esculturalmente definido, que o rapaz riu ao perceber o que ela contemplava. – Ruiva, o número do chaveiro – ele a despertou do transe ao balançar na sua frente um pequeno cartão amarelo.

Lily o encarou e sentiu o calor subir em suas bochechas em contraste com todo o seu corpo frio. Colocou uma mecha molhada do cabelo ruivo para trás da orelha e apanhou o cartão e a toalha que James trazia consigo.

Talvez fosse a chuva gelada que tinha queimado seus neurônios, mas por alguma razão, James queria que ela não tivesse sucesso ao ligar para o chaveiro. Queria tê-la por mais tempo perto de si. Em seu apartamento, em sua companhia.

O silêncio se instalou no ambiente enquanto Lily realizava as ligações. Ela tentando ao máximo não contemplar a bela paisagem que estava a sua frente, que viria a serem aqueles músculos. Céus! Como podiam ser tão atrativos? Lily tinha vontade de tocá-los.

Ele não estava em uma situação muito diferente. A roupa de Lily estava absurdamente molhada e transparente e, para piorar (ou melhorar) ainda mais, ela estava sem sutiã o que fazia com que James pudesse perceber com clareza que seus seios estavam arrepiados por debaixo daquela blusa preta tomara que caia.

— Eles não estão atendendo – ela informou depois de desistir de ligar.

— Que pena... – tentou soar convincente, mas por dentro estava saltitando de alegria. Como podia sentir-se tão mexido com uma ruiva que nem conhecia? Coisas estranhas acontecem mesmo em 1º de outubro.

— Se importa de eu esperar um pouco aqui, sabe, até o temporal passar e a cidade voltar a funcionar normalmente? – indagou cruzando as mãos atrás de si, um pouco receosa.

— Nem um pouco! – ele deixou escapar a fala um tom mais alto do que pretendia. – Quero dizer, você está toda molhada e se quiser tomar um banho quente... Eu tenho uns casacos que podem servir em você... – deixou a frase morrer. Não sabia se ela iria aceitar essa sugestão tão de repente, tal qual como fizera quando aceitara ir para o seu apartamento. Duas coincidências assim não aconteciam no mesmo dia.

Mas ele estava enganado.

Lily queria recusar. O certo seria recusar. Mas ela não estava em condições de negar roupas secas e limpas e um bom banho quente, e quem sabe, se tivesse sorte (coisa que menos teve no decorrer do dia) até uma bebida calorosa.

Lily não estava em condições de negar a companhia do cara de seus sonhos. Literalmente, pois além daquele sujeito ser completamente e absurdamente lindo, ela havia sonhado com ele. Como isso era possível?

— Olha, esse convite está me tentando muito e eu vou ter que aceitar – rendeu-se, mas quando viu um sorriso começar a se formar no rosto dele, acrescentou: — Não pense que eu sou o tipo de garota que sai por aí aceitando convites de estranhos, é que...

— Não pensei nisso – o outro foi sincero – Mas, tem razão, ainda somos estranhos. Ou melhor – ele posto-se a frente dela e estendeu a mão. – James Potter.

A ruiva sorriu com aquilo e o cumprimentou de bom grado.

— Lily Evans.

Quando suas mãos se apertaram, um arrepio percorreu todo o corpo dela. James estava quente, em oposição a ela, e isso lhe causou uma intensa sensação de prazer. Demoraram um pouco para desfazer o toque, e só o fizeram quando mais um trovão pode ser escutado ao longe.

— É melhor eu ir logo antes que acabe a luz – Lily sorriu sem jeito.

— Certo, vou pegar umas roupas pra você – James recompôs-se limpando a garganta e indo em direção ao seu quarto.

Andou a passos rápidos e ao abrir o armário, procurou por seu moletom vermelho com algumas listras douradas, aquele que sempre estava cheiroso por causa de seu perfume. Pegou uma calça limpa e meias, certificando-se duas vezes se estavam mesmo limpas. Depois da convicção James entregou as roupas a Lily, que sorriu agradecida, indo pela primeira vez naquele dia, deleitar-se com um bom banho quente.

~*~

Teve a sensação de renovação.

Lily permitiu-se demorar um pouco no banho, deixando cair ralo abaixo toda a tensão daquele dia aterrorizante. A sensação dos pingos relaxantes da água escaldante percorrendo seu corpo ainda estava com ela, mesmo depois de terminar de se banhar. Ao ver o seu reflexo, um pouco embaçado, naquele espelho, sorriu como uma criancinha. Estava ali, “hospedada” na casa de James Potter que há pouco nem tinha conhecimento da existência dele, mas depois de vários infortúnios acabara o conhecendo e, por alguma razão, ela não se sentia nem um pouco incomodada em estar ali.

Sorriu ainda mais quando vestiu as roupas que ele a emprestara. O moletom, como ela supôs, ficou grande demais. As mangas encobriram toda suas mãos, fazendo Lily ter que dobrá-las para poder manusear os braços livremente. A base da peça cobria metade das suas coxas, onde o resto de suas pernas era vestido pela calça cinza igualmente larga.

Se ela se importou?

Nem de longe.

Ainda mais porque aquele moletom cheirava tão bem... Céus, que perfume era aquele? Lily tinha certeza de que não conhecia a fragrância. A roupa a deixou confortável e bem quentinha, sendo uma das melhores sensações para ela naquele momento.

Penteou os cabelos com a escovinha que trazia dentro da bolsa e, por incrível que pareça, a água quente dera um trato em seu rosto. Suas bochechas agora estavam ruborizadas naturalmente. Seus lábios, úmidos, carnudos e vermelhos. Sua face estava revigorada.

Lily apanhou seus pertences e certificou-se de não ter se esquecido de nada. Ao passar pela cozinha do apartamento, notou que James estava ocupado, e ao sentir o aroma delicioso do café, soube com o quê.

Guardou as roupas molhadas dentro da bolsa, convencendo a si mesma de que não mofariam, já que daqui a alguns minutos estaria sã e salva em sua própria casa. Bem, era isso o que ela pensava de fato, mas não o que aconteceu.

Apoiou o corpo na parede da cozinha, agora totalmente confortável, e pôs-se a analisar o seu salvador. Ali estava ele, James Potter, assobiando de modo tranquilo em frente ao balcão da pia, preparando o que supostamente seriam duas canecas de café (que Lily já tinha a certeza de que estaria delicioso), usando apenas uma calça jeans folgada.

Lily sentiu sua respiração falhar. Talvez fosse por causa da fome.

Até que James afinal notou sua presença, fitando-a de forma breve e sorrindo, voltando sua atenção para as canecas.

— Ficaram bem em você – comentou com sinceridade. Para ele, não havia visão melhor do aquela agora, ter Lily Evans vestida com suas roupas.

Só de pensar que a pele nua dela roçava por debaixo daqueles tecidos, o faziam querer agarrá-la ali mesmo. Não era novidade para ninguém que Lily era bonita e ele, como homem, não podia deixar de ter pensamentos um tanto maliciosos com ela.

Mal sabia ele que a ruiva também pensava assim.

Na verdade até já sonhara com ele, onde juntos faziam coisas um tanto indecentes.

— Claro, se como “bem” você quer dizer “parecendo um saco de batatas”, então está certo – Lily girou os olhos, sorrindo, gesticulando aspas com as mãos o que divertiu James. – Mas obrigada.

— Não me agradeça ainda – James pediu vindo em sua direção com as duas canecas em mãos – Para me redimir pelo desperdício do café mais cedo – disse entregando a ela uma caneca de cappuccino.

Lily quis beijá-lo. Um cappuccino recém-preparado era tudo o que ela precisava naquele momento.

— Não é uma Starbucks, mas acho que dá pra safar – deu de ombros bebericando o seu.

Ela molhou os lábios na bebida quente e quase morreu de prazer, deixando o líquido penetrar por todo o seu corpo trazendo com si uma onda de satisfação, fazendo-a fechar os olhos. Estava perfeito.

— Está perfeito – expressou em palavras o que sentia – Isso definitivamente não entrou para a lista de coisas ruins que aconteceram comigo hoje.

— Como assim? – ele perguntou com o cenho franzido caminhando em direção ao sofá e sendo seguido por Lily.

Os dois sentaram um de frente para o outro no mesmo assento, e então Lily contou para James tudo o que lhe acontecera desde a hora que acordara. Conforme ia se lembrando dos detalhes, parecia reviver tudo outra vez, já sentindo dores no corpo todo.

Em alguns lances, James ria, o que fazia com que Lily o chutasse de leve. Os dois criando uma intimidade totalmente imprevisível. Mas a conversa entre eles simplesmente fluía, algo inexplicável.

— É, Lily Evans – começou James quando o cappuccino de ambos já estava no fim – Parece que você foi a azarada da vez no dia primeiro.

— Ah, não! Não me diz que você também acredita nessa palhaçada? – perguntou, incrédula, começando a pensar que era a única com o juízo perfeito ali.

— Explique tudo isso então – James a desafiou confiante, depositando a caneca vazia na mesa de centro.

A ruiva olhou para cima, parecendo pesar aquele pedido.

— Uma série de acontecimentos infelizes em uma data qualquer. – respondeu, convicta. – Poderia ter sido ontem, ou amanhã.

— Azar de primeiro de outubro.

— Coincidência de primeiro de outubro.

— Azar.

— Coincidência.

— Azar.

— Coincidência.

— Azar.

Nesse momento os dois encontravam-se de pé, a consideráveis centímetros de distância, determinados a vencer aquela batalha de crenças.

— Tudo bem, James Potter – ela também depositou a caneca na mesa e o fitou com interesse. – Pois fique sabendo que o casal de avaliadores vai remarcar a minha entrevista e, também eu conheci você nesse dia, e eu não considero isso como azar.

Lily só percebeu o que disse quando ouviu as próprias palavras serem proferidas por sua boca. Aquilo era a pura verdade. Ter a entrevista remarcada e conhecer James Potter, o cara de seus sonhos (nos dos sentidos), com certeza não poderia ser considerado como azar. Mas daí falar isso em voz alta? Ela queria abrir um buraco no chão e se enfiar ali dentro para não sair nunca mais.

James parou de sorrir aos poucos assimilando suas palavras e arriscou chegar um pouco mais perto dela, receoso para ver se Lily recuaria. Mas, algo dizia a ele, que depois daquela afirmação, essa seria a última coisa que a ruiva faria.

Lily percebeu a aproximação vagarosa dele e não conseguiu mover um músculo. Seus olhos verdes direcionaram-se para aqueles lábios tão convidativos dele. Ela não se mexeu, mas fechou os olhos para recebê-lo de bom grado.

Porém, o beijo não aconteceu.

O clarão que veio em seguida junto com um tremendo estrondo surgiu tão de repente como quando foi embora, levando consigo toda a luz do local.

Os dois se afastaram abruptamente, completamente assustados e agora cegos para os acontecimentos ao redor. O apartamento de James e o que pareceu ser a rua inteira, levando em consideração a proporção do fenômeno, ficaram sem luz.

— Cacete! Lily, você tá bem? – ele perguntou às escuras apertando os olhos tentando ver a silhueta dela. Apenas o céu azul escuro, quase negro, era o que servia de iluminação naquele momento ao fundo. Obteve o silêncio como resposta, e isso o preocupou. – Lily? Responde! Lily?

Até que conseguiu ouvir uma inspiração exagerada e em seguida altas gargalhadas.

— Você tá rindo? – James notou quando a ouviu dando gostosas gargalhadas, atirada no sofá.

— D-desculpa é q-que foi tão... – e voltou a rir novamente, causando risos nele próprio.

Aquilo só podia ser um carma mesmo. Estavam prestes a se beijar, Lily estava prestes a sentir o gosto daquela boca e apreciá-lo quando foram interrompidos por um inútil trovão. Ela gargalhava com tudo isso. Por ter levado um enorme susto outra vez, por se encontrar em uma situação totalmente constrangedora, por ter sido interrompida, por estar começando a acreditar em “coisas de 1º de outubro”.

Sua risada foi diminuindo aos poucos ao notar um estranho incômodo no olho esquerdo, que foi aumentando de intensidade conforme ela piscava. Postou-se de pé com dificuldade, tentando tatear objetos ao redor.

— Ai, ai, ai – reclamou dolorida.

— Que foi? – James aproximou-se dela sendo guiado apenas por sua voz.

— Acho que entrou alguma coisa no meu olho. Tá ardendo.

Sim, ele pensou, Lily Evans era a prova viva de que coisas estranhas aconteciam com alguém nessa data. E esse alguém com certeza era ela.

A ruiva conseguia ser sensual ao mesmo tempo em que completamente engraçada, e isso fez James gostar ainda mais dela.

— Vou pegar uma lanterna. Fique com o olho fechado – disse, segurando a vontade de rir e caminhando até a despensa.

Tateou o ar em busca de algum objeto que pudesse atrapalhar o seu caminho, tomando o cuidado para não esbarrar em nada. Não sabia se torcia para a luz demorar a vir, ou ao contrário.

Com uma dificuldade maior do que imaginara, achou o objeto no alto da prateleira, porém em vão. Quando foi ligá-la a mesma encontrava-se descarregada.

— Maravilha – ironizou indignado. Aquela era a única lanterna que tinha no apartamento, pois no geral não necessitava de objetos desse tipo. No entanto, em uma fração de segundo lembrou que sua mãe lhe trouxera um saquinho de velas, em sua última visita, com o pretexto de que “talvez vá precisar, nunca se sabe” quando na verdade a velha Euphemia Potter sempre arranjava uma desculpa para visitar o filho e certificar-se de que ele estava mesmo vivendo bem sem a ajuda dela. – Salvadora da pátria – sibilou agradecido, enquanto pegava uma vela branca do saquinho e a acendia com um isqueiro.

Com a luz que a chama irradiava, sua visão automaticamente tornou-se mais nítida. Ao chegar à sala, Lily encontrava-se parada em frente ao sofá, com uma mão por sobre o olho esquerdo e apresentava uma expressão dolorida no rosto.

— Você não tem lanterna? – ela estranhou ao fitar o rapaz com o olho direito e vê-lo segurando o pequeno castiçal em uma das mãos.

— Descarregou.

Lily bufou. Será possível que até uma lanterna pode descarregar quando ela mais precisa apenas para prejudicá-la?

— Segura pra mim – pediu James entregando-lhe a vela e examinando-a. Ela conseguia ser ainda mais bonita à meia luz.

Os olhos verdes de Lily pareciam brilhar tão intensos e hipnotizantes. James depositou as duas mãos nas maçãs de seu rosto avistando o pequeno incômodo: um cílio.

Ter o rosto dele tão perto de si mais uma vez fez o coração dela acelerar.

Ele retirou com cuidado o pequeno pelinho preto e mostrou para ela, desta vez não segurando um riso.

Ela retribuiu, rendida.

— Ah, o que eu posso dizer? Desisto. Realmente acontecem coisas péssimas em primeiro de outubro – disse convencida de que aquilo era verdade – Me sinto patética, desastrada e uma grande azarada.

— Então você confessa?

— É eu confesso e quer saber? Eu me sinto ótima!

James ainda ria quando disse:

— Você é doida, sabia? – ele percorreu com os olhos todas as linhas do rosto de Lily, analisando-o centímetro por centímetro e notando cada vez mais sua beleza. Ela o fitou com ternura, sentido-se à vontade ali, tão perto dele. Ele parou seus olhos na boca dela, aqueles lábios vermelhos e carnudos à meia luz estavam convidando James para ir às maravilhas. Fitou-a nos olhos e afirmou convicto: – E completamente linda.

E então, sem aviso prévio e sem pensar em outra coisa, ele colou os lábios dela nos seus em um beijo. Foi tão de repente que Lily estagnou por um segundo, mas depois, ao sentir o toque da boca dele na sua, trazendo à tona um turbilhão de sensações naquele instante, ela fechou os olhos e rendeu-se ao momento.

Não conseguiu ficar muito tempo estática, ainda mais depois que sentiu a língua dele roçar a fragilidade dos lábios dela pedindo espaço para entrar. Ela permitiu, sem pestanejar, e depositou o castiçal em cima de um móvel qualquer para poder deixar suas mãos ocupadas com James e só com ele. Mais especificamente, com o corpo dele.

O toque das mãos gélidas dela em seu corpo quente fez James apertá-la mais contra si, sedento de um contato mais íntimo. Lily agarrou a nuca dele, seus dedos enfiando-se pelos macios cabelos escuros tão despretensiosos e já elevando a sua respiração ao aprofundar o beijo. Puxou de leve com os dentes o lábio inferior dele, ao mesmo tempo em que puxava uma corrente de ar para manter o fôlego.

Ele também recuperou o ar, porém descendo sua boca e depositando beijos suaves e tentadores pela extensão do pescoço dela. Sentir aqueles toques tão leves e demorados fez Lily descer as unhas pelas costas de James, arranhando-as, sem conseguir se controlar.

Aquilo era insano. Beijar um homem que nem conhecia direito em 1º de outubro, uma data completamente imprevisível? Era de fato insano, mas Lily não conseguia se sentir culpada. Na verdade, não conseguia sentir nada naquele momento, apenas uma enorme vontade de explorar cada vez mais o corpo de James.

Ele, por outro lado, tinha seus sentidos e vontades bem nítidos: queria transar com ela. Aquela mulher era única. Apenas com beijos e toques já o fez sentir-se mais excitado do que quando estava com todas as suas outras ex-namoradas no ato do sexo em si. Imagina o que poderia sentir com Lily Evans? E foi pensando nisso que desceu suas mãos para o traseiro firme e redondo dela, automaticamente fazendo com que Lily desse um impulso e contornasse a cintura de James com as próprias pernas.

Eles sentaram-se outra vez no sofá, que de repente pareceu ser pequeno para seus corpos afobados. Ao encontrar-se sentada no colo de James, Lily suspirou com desejo ao experimentar um contato mais íntimo com o membro viril já enrijecido de James mesmo ainda por debaixo daquelas roupas. Ela pôde sentir a ereção perfeitamente salientada naquele momento.

Ambos sabiam onde aquilo ia parar, por isso, James parou de beijá-la distanciando-se poucos milímetros para perguntar.

— Tem certeza? – proferiu com a respiração entrecortada. – Ainda é 1º de outubro... – brincou sorrindo maroto.

— Vou arriscar – Lily respondeu maliciosa, mordendo o lábio inferior e sendo puxada para outro beijo de tirar o fôlego.

James ergueu o corpo dela do seu e a deitou com cuidado no sofá, notando que Lily mantinha-se inquieta, esfregando com a ponta dos pés as pernas dele. Estava impossível de se controlar, tendo uma visão privilegiada daquele homem, somado a meia luz do local, provinda daquela mera vela posta na estante e ainda com seu corpo parecendo explodir a qualquer momento de calor e excitação.

Retirar a calça de Lily foi deveras fácil, já que a peça era dele e era grande demais. O tecido escorregou pelas pernas da ruiva conforme James puxava, e assim que retirou por completo pode contemplar a atraente calcinha de renda preta que ela usava. James podia ficar o resto do tempo ali, só apreciando aquela visão se não tivesse tão sedento pelo corpo de Lily nu por completo.

Lily pôs os braços à cima da cabeça para que James retirasse o moletom e a livrasse da peça já incômoda. Ele prontamente entendeu a indireta e o fez, livrando seu torso da vestimenta. Porém, para frustração dos dois, o moletom não saiu com facilidade.

— Meu brinco – alertou Lily assim que sentiu o pequeno adorno prender no tecido da roupa e interromper aquele momento. – Não acredito – disse começando a rir.

— Por que eu não to surpreso? – James também riu tentando desprender a pedrinha verde do fio maldito. Depois de longos segundos finalmente o fizera, jogando a peça longe e tomando Lily em seus braços.

Sentir os seios agora despidos dela pressionados contra seu peito o deixou ansioso ao mesmo tempo em que relaxado. Aquilo era bom e o contato das peles quentes os fez gemer.

Lily surpreendeu-se ao encontrá-lo apenas vestindo a cueca azul-marinho. Definitivamente não percebeu quando a calça fora removida, pois estava concentrada demais nos beijos ardentes que trocavam.

Antes, porém de retirá-la dali, ela lembrou:

— Precisamos da...

— É eu sei...

Eles se separaram com dificuldade em busca do preservativo, James torcendo para que essa fosse a última interrupção da noite.

Pegou o pacotinho prateado dentro da gaveta na mesa de centro.

— Você guarda essas coisas aí? Assim tão aberto ao público? – perguntou abismada com a transparência com que ele mantinha guardadas as camisinhas.

— Tem por todo o lugar – revelou sem rodeios. Ao ver os olhos arregalados dela ele riu. – É normal encontrar isso em apartamentos de homens solteiros.

Ela balançou a cabeça em sentido negativo embora sorrisse com aquilo tudo. James retirou a última peça que faltava deixando à plena visão de Lily o seu pênis completamente ereto e excitado.

Quando o viu, ela deitou-se mais uma vez no sofá, segurando os próprios seios e vendo-se perdida em um universo paralelo onde só desejos e sensações eróticas existiam. James pôs-se a traçar uma trilha de beijos ao longo do interior das coxas dela. Cada centímetro em que os lábios dele tocavam tornava-se chamas, chamas ardentes que faziam o sangue de Lily pulsar forte nas veias e disparar-lhe o coração.

Ao chegar enfim à intimidade dela, James deslizou a renda da peça preta para baixo, retirando-a por completo. Viu-se maravilhado ao fitar aquela esplêndida mulher nua a sua frente. Mas não pretendia penetrá-la agora, queria prolongar ao máximo aquela situação de sedução e prazer. A atenção de James voltou-se para os seios voluptuosos e intumescidos dela.

Vendo o olhar dele, Lily sentiu o corpo vibrar e seus seios, latejantes, quase se lançaram para fora do corpo em um chamado silencioso. Foi então que James aproximou-se e começou a percorrer com a língua o vale entre eles, deleitando ambos com aquela maravilhosa sensação. Conforme ele lambia, Lily mergulhava cada vez mais em um oceano de erotismo, sendo banhada por uma emoção abrasadora, em especial no centro de sua feminilidade, que de modo instantâneo ficou úmida e pulsante.

Ouviu sua própria voz sobressaltar-se naquele meio quando não conseguiu conter um gemido, assim que a boca de James fechou-se sobre um dos mamilos rijos. Lily fechou os olhos por completo, apreciando aquela gostosa carícia. Ele sugava com intensidade, vez ou outra tocando o bico rosado e arrepiado do seio com a ponta da língua quente. Lily agarrou a nuca dele, procurando desesperadamente um lugar para apoiar as mãos enquanto quase gozava com aquela deliciosa sucção. James tocou o outro seio, e sem parar o que fazia com o primeiro, começou a estimulá-lo com o polegar, levando Lily ao delírio.

James elevou o olhar para fitá-la e seu membro ficou ainda mais intumescido ao vê-la de olhos fechados com o pescoço um pouco inclinado para trás e com a boca entreaberta como que em um mudo oferecimento. Sorriu com aquilo. Gostava quando dava prazer para sua parceira e estava gostando ainda mais de dar prazer a Lily.

Ao sentir o contato da quente carne do pênis surgir-lhe entre as coxas, Lily viu-se abrindo por completo as pernas, em absoluta entrega. Antes que perdesse o autocontrole, James interrompeu as carícias afastando-se dela e causando um leve incômodo na ruiva. Porém, ela logo soube e com todas as células de seu corpo explodindo de prazer, ajoelhou-se de frente para aquele membro viril e rijo, notavelmente grande.

A visão que tinha era inefavelmente erótica enquanto contemplava a nudez da anatomia masculina.

Dessa vez ela que ergueu os olhos verdes para fitá-lo. James mordia o lábio inferior e o fogo ardia em seu olhar excitando Lily para além dos limites. Então a ruiva fechou a mão em torno do membro dele em seguida movimentando-a para cima e para baixo sobre a carne que latejava. Ao sentir o toque dela, o calor que percorria o corpo de James transformou-se num fogaréu que ameaçava consumi-lo por inteiro.

Ao contrário dela, ele observou-a em cada movimento que fazia, percebendo ser essa uma visão quase tão prazerosa quanto o orgasmo em si. Ela ficava indescritivelmente sexy fazendo aquilo nele. Lily alterou o ritmo dos movimentos, ficando mais depressa até que o tocou com seus lábios. Ele foi tomado por um prazer tão alucinante que todos os pensamentos que preenchiam sua mente foram varridos no mesmo instante.

As carícias que ela fazia continuaram até mesmo quando a sanidade de James retornou e ele pôde sussurrar o nome dela. Só então ele retirou sua mão dali, temendo acabar rápido e a fim de querer possuí-la por completo, não aguentando mais um minuto sequer sem fundir-se totalmente com Lily.

Ela deitou-se, ansiando tanto por aquele contato que levou seus próprios dedos à fragilidade de seu clitóris, tocando no ponto mágico enquanto ele enfim vestia o preservativo.

— Você é linda e eu quero possuí-la por inteiro – murmurou rouco enquanto se deleitava com a imagem de Lily masturbando-se a sua frente.

Ela sorriu para ele o convidando de uma forma desinibida. James inclinou-se sobre ela, acomodando-se entre as macias coxas entreabertas. Lily facilitou sua entrada, movimentando o corpo e sentindo o vigor das pernas másculas e musculosas vindo de encontro às suas. Seu sangue pareceu borbulhar dentro das veias e eles se beijaram calorosamente.

No instante seguinte, James pressionou seu sexo contra o dela forçando passagem. Lily arqueou os quadris facilitando a penetração. A sensação dele fazendo parte de seu corpo a fez sorrir durante o beijo e enroscar suas pernas ao redor da cintura de James. Assim que os movimentos tornaram-se contínuos, James fechou os olhos e deitou a cabeça na curva do pescoço de Lily, enquanto deixava escapar gemidos de prazer.

Voltou a beijá-la, movendo-se para frente e para trás, entrando e saindo da quente e úmida abertura. Íntimos em todos os toques, pernas enroscadas, seios contra peito, línguas provocando-se vorazmente.

Lily o abraçou percebendo os músculos fortes dele enrijecerem e sua respiração tornar-se cada vez mais exaurida. Não aguentando mais aquela posição, James a segurou pelas costas e a trouxe com si, deixando Lily sentada em seu colo.

Começou a sussurrar-lhe coisas eróticas, românticas, entregando Lily ao completo prazer. As estocadas eram agora mais depressa acompanhadas de torturantes carícias. Lily já não tinha sequer um pensamento coerente enquanto gemia e proferia o nome dele. James só conseguia sentir seu corpo invadido por ondas sucessivas de prazer enlouquecido vendo-a em seu colo, tão exposta.

Até que juntos, explodiram em um orgasmo alucinante que os trouxe de volta ao mundo, completamente satisfeitos. Finalizaram com mais um beijo, dessa vez um selinho calmo e demorado.

Aquela fora a melhor transa que tiveram e Lily foi tomada por um pensamento convicto.

James Potter fodia muito bem.

~*~

Encontravam-se deitados e abraçados no sofá, o cheiro de pós-sexo ainda entranhado no ar e os dois riam e conversavam sobre suas respectivas vidas. Lily estava com uma perna em cima dele, enquanto James acariciava seus cabelos acaju que cheiravam de forma inebriante a morangos. Não queria nunca perder aquela mulher. Queria que todas as próximas transas da sua vida fossem com ela. Queria tê-la para ele e somente ela.

— Até que esse primeiro de outubro não foi ruim – Lily comentou sorrindo enquanto deslizava um dedo pela extensão do tórax dele.

— Foi maravilhoso! – ele gritou, fazendo-a gargalhar, e apertou-a ainda mais junto de si.

— Me convenceu a acreditar em superstições – revelou com um meio sorriso enquanto passava um filme em sua cabeça de todas as coisas que aconteceram com ela naquele dia.

— A cética Lily Evans foi derrotada então – ele brincou beijando-a com um selinho estalado.

— Também, depois de eu transar com o homem dos meus sonhos eu tive que acre...

— Como assim? – James a interrompeu, fitando-a com interesse.

Lily fechou os olhos, sentindo as bochechas enrubescerem e revelou tímida:

— Sonhei com você, quero dizer, com um homem moreno de óculos extremamente gostoso.

Ao ouvi-la dizer aquilo ele caiu na gargalhada ao pensar no quanto exótico aquilo era em sua essência. Mas não duvidou dela. Podia ser improvável, no entanto não impossível.

— E o que você fazia com esse moreno de óculos extremamente gostoso? – questionou maroto para ela, sedento por seu corpo mais uma vez.

— Coisas maravilhosas – ela respondeu provocante, mas antes que James pudesse capturar seus lábios com um beijo ardente ela se afastou decidida.

— Não tão rápido – disse se sentando e recebendo um olhar frustrante por parte de James. – A chuva já passou e eu preciso ir para casa consertar minha janela quebrada.

Ele apoiou-se nos cotovelos e a encarou dessa vez com um olhar pidão.

— Ah, Lily, fica... Não vai ser tão má assim e ir embora agora, vai? – ele fez um biquinho fingindo estar abalado.

É claro que ela não iria embora. Aliás, não iria embora tão cedo. Fez aquilo apenas para provocá-lo e, não conseguindo manter a expressão séria por mais tempo, ela sorriu e voltou depressa para os braços aconchegantes dele, que deitou-se de novo abraçando-a imediatamente.

— Certo, mas vamos pedir uma pizza. Estou morrendo de fome.

— Sexo e pizza. Algo me diz que vou adorar essa combinação – disse soando malicioso, fazendo-a rir enquanto a puxava para cima dele, dando início a mais uma seção de prazer e delícias que ambos causavam um no outro.

Eis então o 1% do dia que deu certo para ela: conhecer James Potter e ter uma noite maravilhosa com ele.

Lily tinha que admitir. Aquela data fora a mais bizarra, sortuda e azarada da sua vida. Mas ela reviveria tudinho só para poder no final acabar nos braços de James.

Contudo, Lily não precisou reviver tampouco esperar até o próximo 1º de outubro para encontrá-lo novamente. Afinal, eles se "esbarraram" por aí um número considerável de vezes seguidas depois para que o número delivery da pizzaria mais próxima ocupasse, com frequência, o topo da lista de ligações recentes.

Notas finais
Obrigada por terem chegado até aqui ♥ Espero que tenham apreciado a leitura... Nos vemos por aí ;) Kisses :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!