Uma vida resumida em um diário
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Acordei 6:07.
Sem despertador.
Fiquei um pouco animada demais, tive que tomar calmante pra conseguir dormir.
Levantei, e como já tinha arrumado as malas no dia anterior, não precisei me preocupar.
Coloquei uma blusa de botões e um shorts, escovei meus cabelos, escovei os dentes e desci pro café da manhã.
-Filha! Acordou cedo hoje! Soube que teve que tomar calmantes para conseguir dormir. — falou minha mãe, preocupada.
-Não se preocupe, mãe. É só ansiedade — tranquilizei — a.
-Mione, querida. Poderia acordar Fábio e Ana, por favor? — perguntou meu pai, com sua expressão calma, como sempre.
-Claro, já estou indo — obedeci, indo em direção ao quarto de Fábio.
Abri a porta, o quarto cheio de posters de bandas de rock enchia o quarto, e no criado-mudo havia uma foto da família.
Fábio dormia silenciosamente, cheguei a ter pena de acorda-lo.
Me aproximei da janela e abri as cortinas, a luz do sol adentrou o ambiente.
Fábio gemeu, virando-se pro outro lado.
-Ei! Acorde, preguiçoso! já são 6:15!
-Você acordou cedo hoje. Animada pra ir na casa do Fred e do Jorge? — ele bocejou.
-É. Mal conseguia dormir, tive que tomar calmante.
-Não fez muito efeito, não? — ele sorriu e se levantou.
Fábio tinha os mesmos cabelos que eu, herdou do meu pai, e tinha os olhos cor de mel, como os da minha mãe.
Já Ana era o oposto. Tinha os olhos do meu pai que são identicos aos meus e cabelos escuros, da minha mãe.
Mostrei a língua e saí em direçao ao quarto de Ana.
Ela permanecia acordada, os olhos muito azuis fixados no chão, como fazia ultimamente.
-Ana? — perguntei, assustada.
-Ah, oi Mione — ela falou, com os olhos ainda vidrados.
Me aproximei silenciosamente e me sentei ao seu lado.
-Ana, o que esta acontecendo? Você anda meio... estranha ultimamente.
-Mione, ele voltara esse ano, ela vai ser aberta.
Congelei. Ana nunca falara assim.
-O que vai ser aberta? Quem voltará?
-Não posso dizer — ela sussurrou. Arrepiei.
-Ana, por que você não contou pros nossos pais?
-Mione, você é a única que entende, nossos pais, Fábio, só nós duas podemos saber o futuro, só nós podemos ver pistas sobre ele — ela segurou meu braço.
-Espera aí! Você anda tendo esse poder??
Ela assentiu.
Eu mesma adquiri esse poder a dois anos atras. Agora sei que Ana também tem isso.
Entao.. eu poderia ver o que ela estava vendo.
-Ana, segure minhas mãos, tente ver o que você viu olhando nos meus olhos.
Ela obedeceu. Me concentrei.
Me vi num lugar diferente, eu estara no banheiro feminino de Hogwarts, mas não era um banheiro que eu conhecia, olhei pra Ana, nós parecíamos fantasmas, flutuavamos e eramos transparentes.
Ouvi um choro baixinho vindo de um box. Me aproximei lentamente, seguida de perto por Ana. Eu podia ver atraves das paredes e portas.
Entao eu vi uma garota. Ela tinha cabelos negros, prendidos com maria chiquinhas, e com um óculos identicos aos de Harry.
Ela chorava baixinho, podia ver suas lagrimas.
De repente um barulho atras de nós nos assustou e a menina apurou os ouvidos.
O barulho parecia ter vindo da porta. Então eu o vi. Tinha cabelos pretos, e olhos escuros, parecia ter mais de 15 anos. A menina se escondeu e ficou ouvindo.
O menino falou: Abra!
Ana franziu as sobrancelhas como se não tivesse entendido. E a menina fez o mesmo.
O menino apontava para as torneiras. Parecia concentrado.
Então outro barullho. Uma porta se abrindo, e uma coisa gigante rastejando no chão.
Então a coisa apareceu. Ao mesmo tempo, a menina colocou a cabeça pra fora do box pra ver a coisa.
Eu só consegui ver dois olhos grandes e amarelos que miravam na direção da menina.
Os olhos da fera brilharam quando encontrou os da menina, que congelou e caiu no chão. Morta.
Então me vi de novo no meu quarto, com uma Ana tremendo na cama.
-Ana...
-O que era aquela coisa?
-Eu...eu não sei.
Ela parecia pensativa.
-Quem era aquele garoto?
-Eu acho que já vi a foto dele em algum lugar... — pensei em voz alta.
-O que será que ele falou?
Virei a cabeça rapidamente. Como assim? Ela não ouviu o que ele falou?
-Ele falou ''abra''.
-Você conseguiu ouvir??? — perguntou ela, assustada.
-Sim. Você não?
-Eu já vi essa memória varias vezes, me esforçava pra saber o que ele falava, mas só ouvia uma lingua estranha numa voz muito assustadora...
-É, eu também achei que não era uma voz normal..
-...parecia outra língua...
-...
-...como se fosse uma lingua de cobra.
Congelei.
-Você tem razao. Parecia mesmo uma voz de cobra.
-HERMIONE!!!!
-Que foi?
-Lembra que tu falou que entende a língua de vários animais?
-Lembro mas o que...
Então tudo ficou claro. Ele falou em lingua de cobras, aquela coisa...era uma cobra gigante. E o que ele estava abrindo era um esconderijo pra aquela cobra.
Mas eu não podia deixar Ana preocupada.
-Ana, escute. Algumas prevenções não são verdadeiras, isso já aconteceu comigo. Ana, não fique assustada, foi só um pesadelo.
Mas eu sabia que não era.
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