Uma vida nada normal
1 Prólogo
Isso realmente era constrangedor. Estávamos na catequese e o Fred não poderia ficar mais alheio do que já estava. Enquanto rezávamos, ele ficava olhando para o nada, coçando as mãos e estralando os dedos. Parecia desconfortável com algo.Tudo piorou quando ele me pegou encarando ele. Ah, eu não estava encarando, eu estava olhando intensa e atenciosamente... Ok. Eu estava encarando.
Ele sorriu pra mim, e eu não sabia o que fazer. O moreno então pediu que eu sorrisse para ele. "Você tem covinhas, covinhas são fofas", ele argumentou. Todos gostam de covinhas Lucy, não fique pensando que ele pediu pra você sorrir pra ele porque ele te acha especial.
Não estava tão arrumada naquele dia. Normalmente eu não vou arrumada para a catequese. Meu cabelo estava longo, liso e brilhoso. A Ames vive falando que ele é lindo, mas eu sempre discordo veemente. Embora eu normalmente usasse uma calça jeans ou saia na altura dos joelhos para ir na catequese, optei por um vestido florido, de malha. Óbvio que passei a aula inteira de braços cruzados escondendo a linha do Bacon (aquela linha de gordura que rodeia a cintura e que a Ames não consegue ver, porque sempre diz que eu não tenho). Foi meio chato porque não consegui prestar atenção no que o James falava... A Ames chegou a fazer catequese comigo. Ela diz que largou porque não concordava com várias coisas, mas eu sei que era porque o santo dela não batia com o do James. Nem sei o porquê. Acho ele um ótimo catequista.
A prósito, a Ames é uma das minhas melhores amigas, apesar de ser a mais presente. O nome dela é America, mas todo mundo chama ela de Ames. Nos conhecemos a alguns anos, quando eu me mudei pro Colégio Claretiano. Ela era uma garota cheinha, invocada, com cabelo curtinho e a incrível habilidade de andar com gente irritante. No primeiro momento ela me odiou gratuitamente mas como "dividíamos" a Maria Gabriela, nossa melhor amiga, fomos obrigadas a aturarmos uma a outra e daí nasceu nossa amizade. Com o passar dos anos ela perdeu a habilidade de andar com gente irritante e veio andar só comigo. Ficamos ainda mais próximas quando descobrimos que ela se mudaria para a rua ao lado da minha. Eu até que gostei. Mesmo tendo o péssimo hábito de xingar constantemente e falar coisas impróprias em momentos imprórios, ela é uma boa pessoa. Acho engraçado os termos que ela procura e inventa só para não praguejar perto de mim, já que eu não gosto. Suas proezas vão de "disinfiliz" até "gazela das trevas". Sim. Temos um relacionamento meio complicado e a mãe dela nem sempre entende nossas conversas por causa do gigantesco número de piadas internas, mas tudo acaba bem.
Voltando ao assunto, ele continuou me olhando e quando saímos da catequese, ele me lançou um sorriso e foi embora. Yep. Fiquei meio com cara de idiota mas isso não importa. Em um dos meus inúmeros papos sem sentido com a Ames no whatsapp, contei a ela do ocorrido e ela surtou. Começou a shippar a gente quase que instantaneamente e falou em fazer fanarts, fanfics e o escambau. Odiei a ideia. Ela era meio afobada quanto à esse tipo de coisa. Sem contar que eu ia morrer de vergonha se alguém lesse e ligasse os pontos, descobrindo quem eu era. Essa ratinha de livro sempre me deu muito trabalho.... Depois de uma discussão leve e um pequeno nível de bobeira, ela me convenceu a escrever uma fic sobre a minha vida, quase como um diário. Bem, aqui estou.
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