Uma vida após a morte.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Espero que gostem da minha história, eu gostei muito de escrever ela.
E O FINAL VAI SER MUITO BOM, adoraria dar spoilers, mas eu estaria sendo muito boazinha com vocês.
DIVIRTAM-SE!
“Há muito tempo atrás, a vida e a morte se apaixonaram, desde então a vida envia incontáveis presentes para a morte... E ela os guarda para sempre.”
Essa foi a ultima coisa que eu pensei antes de morrer. Eu sei, deveria ter pensado em todos que iria deixar para trás, todas as minhas coisas que sempre guardava com tanto amor e carinho, e era egoísta o suficiente para não dividir ou emprestar. Mas essa frase, que li a tanto tempo atrás me veio na cabeça como um tiro... Bom, a dor veio logo depois, até eu estar fora do meu corpo, vendo minha mãe chorar em cima de mim, teria ficado triste por ver essa cena, mas o que mais me incomodava era: por que eu estava vendo aquilo? Era pra eu estar morta, tipo, super morta, no céu ou no inferno, ou talvez só na escuridão eterna. Decidi andar um pouco, mas não conseguia, será que vou ficar aqui pra sempre?, pensei, até eu sentir alguma coisa me puxando pra trás, e continuava puxando e puxando, logo estava fora do hospital. Comecei a subir no ar, e cada vez mais eu era puxada para cima, comecei a ficar sem ar e me sentir sufocada, mas espera, eu estou morta, não preciso respirar então comecei a me sentir melhor, talvez eu não estivesse acostumada com essa coisa de estar morta. Agora eu já estava tão alto que conseguia ver a circunferência da Terra, e eu continuava a subir. Não sabia se eu tentava lutar ou se simplesmente aceitava o que estava acontecendo, mas ai que estava o problema, eu não sabia o que estava acontecendo. Já estava no espaço e ainda continuava a ser puxada, comecei a chegar perto da lua até que eu pousei nela.
Havia uma estranha civilização ali, e a coisa ia ficando cada vez mais estranha. A civilização não era de pessoas eram umas criaturas medonhas, o corpo era de um ser humano normal, pernas, pés, braços... Mas o rosto era uma mistura de humano com lula. Eram todos carecas, e abaixo da boca havia vários tentáculos, como se fosse uma enorme barba de tentáculo. Se não fosse por isso eles seriam bem normais.
— Você deve ser nova aqui, certo? – escutei uma voz atrás de mim, estremeci, virei e era uma daquelas criaturas
— s-s-sou – respondi com certo medo
— Relaxa, não vou te comer nem nada, — ele parecia acostumado a falar isso — sou o Bob e vou ser seu instrutor por aqui.
Passei de aliviada para confusa em questão de segundos.
— Mas como assim instrutor? Era pra eu estar morta
— E você está morta, bom, não é bem morta, mas é quase isso, você está passando por uma mudança, você está evoluindo. Vocês humanos acham que morte é a mesma coisa que fim, mas não tem nada de fim, só uma civilização na lua ajudando vocês a evoluir. Quando um humano morre, ele vem pra cá, e evolui, é simples.
— então vai nascer esses... – comecei a entrar em pânico, não queria um monte de tentáculos em mim.
— Por favor, não fale tentáculos, — ele me interrompeu — estou cansado de ouvir isso de humanos.
— desculpa, mas é inevitável
— humanos... – ele disse com um tom de desprezo – Mas não, não vai nascer pulpa em você. – mais uma vez fiquei aliviada.
— Você fala como se não fosse humano, o que é você?
— Eu sou um Ordin, é a raça dessa civilização que vive na lua, ficamos responsáveis por cuidar da evolução de vocês desde – ele fez uma pausa e começou a contar nos dedos, percebi que ele tinha somente quatro dedos – é, acho que desde sempre. há muito tempo atrás, quando a Terra mal tinha vida, os primeiros habitantes da lua ficaram observando ela, dia após dia, sem parar um segundo sequer. E então a Terra começou a mudar, primeiro só fogo, depois só gelo, e depois vocês. Quando o primeiro humano evoluiu, ou seja, veio para cá, livros antigos dizem que foi uma bagunça, pois ele era muito primitivo ainda, e aqui era tudo novo de mais pra ele, então, os habitantes daqui sedaram ele e começaram a estudar o primeiro humano a evoluir, e descobriram como aquela estranha criatura da Terra veio para aqui, ele só estava evoluindo. Então eles perceberam que a Lua não estava ali só para iluminar a noite, ou outra coisa qualquer, ela estava ali para ajudar os humanos com sua evolução, desde então nós ajudamos vocês. – eu estava impressionada, mas como ninguém havia descoberto isso antes?
— Mas e quando Neil veio pra lua? Como ele não descobriu vocês?
— Bem, toda a lua é coberta por um tipo de tecnologia que nos deixa imperceptíveis, ou seja, mesmo que um humano venha pra cá, ele não poderá nos ver, ele não conseguirá nos ver, é como se nos camuflassem. – ele falava como se fosse a coisa mais obvia do mundo — Mais alguma pergunta?
— Acho que não...
— ótimo, então pode começar a falar de você. – e ele indicou um caminho para nós caminharmos
— achei que você já sabia tudo sobre mim...
— eu só sou seu instrutor, não um stalker, sem contar que é mais fácil você falar do que eu ler um livro inteiro sobre a sua vida.
— um livro?
— sim, aqui temos uma área dedicada ás pessoas que anotam momentos importantes na vida das pessoas, como aniversários, dentes que caem na infância, e essas coisas de humanos. – ele parou e ficou olhando com cara de desconfiado – você ainda não me disse seu nome, disse?
— ainda não, sou a Thalia. Então quer dizer que vocês têm um livro inteiro sobre mim?
— Bom, eu dei uma folheada no seu livro e ele não esta inteiro, você morreu bem jovem, mocinha, 17 anos, certo?
— é – comecei a lembrar de meus amigos e todas as coisas que fazíamos juntos, iria sentir falta daquilo – então, eu posso ficar com o meu livro?
— Ah sim claro, já estava me esquecendo, vamos lá buscar!
Estava começando a me acostumar com essa estranha civilização, vez ou outra eu via alguma pessoa normal, talvez eram recém chegados também, mas não havia muitos. Olhei para tras e a lua já estava apontada para a Africa, até que foi rápido pra quem estava no Brasil minutos atrás. Percebi uma estranha luz mirando na Africa, então, começou a vir os mortos, ou os humanos pré-evolução.
-Você teve sorte de vim na mesma hora que começou a evolução. As vezes os humanos ficam presos no mesmo lugar por horas até que a Lua volte naquele lugar para buscar vocês.
— uau, sou bem sortuda mesmo. – disse sem animo.
— Não fale assim, você tem sorte de ainda estar viva, alguns humanos não sobrevivem a essa evolução e acabam morrendo. Alguns de vocês são fracos de mais, ou simplesmente não acreditam em nada forte o suficiente para que a lua seja capaz de pegar vocês. Você foi bem forte. – Fiquei feliz em saber que eu era forte. Mas mesmo assim ainda estava triste por não poder ver meus amigos e parentes mais. Mas também estava impressionada em saber que afinal de contas, existe sim vida após a morte. E bom, estava empolgada, queria saber tudo sobre aquele lugar.
— uau, vamos com calma Thalia, menos sentimentos, não consigo processar todos eles de uma vez. – ele disse rindo.
— o que? Como assim? Você pode ler meus pensamentos? – comecei a ficar envergonhada
— Seus pensamentos não, mas suas emoções sim, e não precisa ter vergonha, não deve ser fácil perder tudo e continuar existindo.
Abaixei a cabeça e assenti. Mas, será que eu também poderia fazer isso?
— Como você faz isso? Eu posso aprender também?
Ele ia começar a falar, mas fomos interrompidos por um outro Ordin.
— E ai Bob!
Bob acenou para o cara. Ficamos em silencio por um tempo. Passamos por varias coisas estranhas que nem eu mesmo sei explicar o que era. Bob começava a ser mais cumprimentado, ele devia ser popular.
Chegamos na porta de um prédio, não era muito grande, deveria ter uns 5 andares. Entramos e fomos direto para a recepção, era de tamanho normal. Bob falou com a senhora que estava atrás do balcão, ela parecia humana, porem ela era rosa. Enquanto ela entrou numa salinha para pegar a chave de um quarto. Bob me explicou que ela era a mistura de humano com Ordin, e por algum acaso essa mistura faz os filhos nascerem coloridos. Até que era um rosa bonito. Bob pegou a chave e seguimos para o elevador. Entramos e era impossível de acreditar.
— Sem chance.
— O que é sem chance? — Bob perguntou confuso.
— Isso é simplesmente impossível. Sem nenhuma sombra de chance disso tudo ter aqui.
— Da pra me explicar o que esta acontecendo, por favor? Estou mais confuso que você quando chegou aqui.
— É impossível esse prédio ter 400 andares, ele mal tem 5.
— Ah isso, melhor se acostumar mocinha, muitas coisas aqui parecem impossíveis. Esse prédio tem uma tecnologia de outra espécie, mas que é bem útil, pequeno por fora e grande por dentro.
— Impossível. – disse ainda impressionada.
— Então vamos la fazer seu cadastro. Andar 14 ai vamos nós.
Enquanto estávamos no elevador Bob me explicou que cada andar era um setor diferente, um era de cadastros, outro da biblioteca (que era onde iriamos pegar meu livro), outro dos quartos, e assim por diante. Cada vez mais eu ficava impressionada.
Chegamos no andar dos cadastros e era uma verdadeira confusão, parecia um grande escritório, porem com varias pessoas-lulas correndo de um lado para o outro, com vários papeis na mão. Logo quando entramos uma senhorinha veio falar com a gente, e nos indicou uma mesa. Sentamos e esperamos a mulher que ia fazer meu cadastro desligar o telefone.
— eu odeio esse andar, — disse Bob – é caótico.
— Sabe, vocês não são tão diferente dos humanos...
— Mais respeito, por favor – ele disse sério, mas com tom de brincadeira
A mulher desligou o telefone. Ela era como qualquer outro Ordin, só que com um longo cabelo preto, e bom, ela tinha peitos.
— Vejamos o que temos hoje, ah, olá Bob. Como está seu pai?
— ah bom, você sabe, sempre com aqueles livros.
— e vejamos... você é...?
— Thalia, ela se chama Thalia, vim fazer o cadastro dela, ela é nova aqui. – Bob disse.
— Ah sim, então vamos começar Thalia – Ela sorriu com seus dentes que achei que iria precisar de um óculos escuro pra olhar para eles. – para fazer seu cadastro é fácil, é como em qualquer outro lugar, vamos precisar de seu nome, idade, nome de pai e mãe, e essas coisas básicas.
Enquanto eu ia falando ela ia digitando, mas não com os dedos, com os tentáculos, ou pulpa, tanto faz. Parecia que a pulpa dela tinha vida própria, e enquanto isso, as mãos dela ia arrumando papéis. E eu respondendo inúmeras perguntas, até sobre o tamanho do meu sapato.
— Bom, acho que terminamos com você, eu sou a Roberta, como eu sou quem fez o seu cadastro, eu tenho que lidar com problemas que você possa ter ou causar, então, por favor, não cause problemas. E aproveite.
— Tchau Roberta. – eu e Bob dissemos juntos.
Voltamos pro elevador e fomos pro andar 230.
— E é aqui que pegamos o seu livro – disse Bob, e a porta do elevador se abriu.
Era maravilhoso e perfeito, pela primeira vez naquele lugar eu me senti completamente feliz e maravilhada. Era uma biblioteca enorme, as estantes era o dobro do meu tamanho e... era impossível estar ali. Aquele lugar era maior que o prédio inteiro.
— Como isso é possível? Aqui é maior que o prédio todo.
— Eu disse para você se acostumar com coisas maiores por dentro.
— uau – eu estava sem palavras.
— Olá filho – havia um senhorzinho parado na minha frente, ele era bem menor que eu, ele tinha a altura de uma criança.
— Olá pai, como está os livros?
— estão bem como sempre, e essa deve ser Thalia, certo?
— C-certo, como sabia? – perguntei
— Meu pai é o mais sábio daqui, ele sabe praticamente de tudo. – disse Bob dando de ombros
— nada disso, a Roberta me ligou avisando que vocês estariam vindo aqui. Suponho que queira o seu livro, certo Thalia?
— Isso mesmo, senhor.
— Ah, por favor, não me chame de senhor, sou muito novo ainda! Me chame de Jota. – E ele seguiu para uma estante e pegou um livro na primeira prateleira. – Aqui está, Thalia Maria Johnson.
Era um livro normal, na capa havia uma foto minha, pelo jeito era a que eu mais gostava, e embaixo tinha meu nome completo e a foto dos meus pais. Meus olhos se encheram de lagrimas.
— Obrigada. – disse, segurando as lagrimas.
— Não tem de que, como eu sou o responsável pela biblioteca, quando quiser qualquer livro, pode vim aqui pegar, temos vários. Vez ou outra vou à Terra comprar alguns para os humanos que chegam aqui. Agora que tal levar ela para o quarto dela Bob? Acho que ela precisa de um pouco de descanso para assimilar tudo isso.
— Claro pai, vou leva-la.
Eu estava bem cansada mesmo, morrer não é muito fácil.
— estou curioso para saber como é seu quarto – Disse Bob, enquanto caminhávamos para o elevador.
— Como assim curioso? Você não sabe?
— Ah não, aqui não é igual pra todo mundo. – Ele começou a explicar – Quando um humano chega aqui, um quarto é criado para ele, algo bem personalizado, algo único. É diferente pra todo mundo.
— Como isso é possível?
— eu também não sei, é algo natural daqui. Há lendas de que quando os primeiros habitantes daqui chegaram, os quartos deles foram criados a olhos nus, eles ficaram encantados. Ao passar dos tempos, nós fomos transferindo essa energia para o topo do prédio, que é onde fica o andar dos quartos. Até hoje ninguém sabe ao certo o que é essa coisa que faz os quartos, só sabemos que é algo que cria coisas novas e diferentes o tempo todo, parece um grande artista. – disse apertando o botão numero 400 do elevador.
— Isso é maravilhoso. E um pouco assustador também, mas maravilhoso. – Disse encantada.
— Você tem muito que aprender aqui ainda, tem muitas coisas que você ainda não sabe da Lua.
— Estou ansiosa para aprender! – Estava maravilhada e empolgada com tudo.
— Feliz ou infelizmente eu serei seu instrutor, terei que te guiar durante uma semana, então você terá que me aguentar e eu vou ter que te aturar. Aqui o tempo passa diferente, uma semana é equivalente a um mês na Terra. Ah olhe, chegamos ao andar do seu quarto.
Era um grande corredor cheio de portas, em cada porta havia nomes, provavelmente das pessoas a qual pertenciam os quartos.
— Como esse corredor pode ser tão grande? O prédio não é tão largo assim. – Disse incrédula.
— Se acostume.
— Estou tentando.
Depois de andar muito pelos corredores, e ver varias portas de vários tamanhos e cores, chegamos a uma porta vermelha de tamanho normal. Havia minha foto e meu nome pendurado na porta. Havia um numero também, 333.
— Aqui é seu quarto, quarto numero 333, meio besta não acha?! – Bob disse e deu uma gargalhada.
— Não entendi a risada.
— Esquece, foi uma piada. – ele virou os olhos – Bom, abra a porta! Lembrando que só você pode abrir ela, ela só funciona com o seu DNA. E bom, obvio que temos uma chave mestra que abre todas as portas né, mas ela é guardada pelo meu pai.
Achei bem legal isso, pelo menos ninguém poderia entrar sem minha permissão. Abri a porta e mal conseguia falar. Era, definitivamente, o quarto dos meus sonhos. Entrando no quarto havia um sofá com uma televisão na frente, com um grande tapete de pelos no chão. Logo mais a frente tinha uma pequena escada de dois degraus que dava em uma enorme cama de casal. A minha mesa de computador ficava num canto atrás do sofá. Não sabia se realmente iria funcionar ali, ou se poderia usar a internet, mas se atualizasse meus jogos e series que eu assistia enquanto estava viva já seria o suficiente. Perto da televisão havia uma estante cheia de jogos, e um console, eu estava no paraíso, só podia ser.
— Seu quarto é bem...
— Maravilhoso? Perfeito? Lindo? Sim, também acho.
— eu ia falar diferente, nunca tinha visto um quarto assim, principalmente para um humano do sexo feminino. Você é uma fêmea, certo?
— que? Ah sim, claro, tenho 17 anos mesmo– eu estava hipnotizada com meu quarto.
— Bom, acho que vou te deixar sozinha um pouco, divirta-se com seu novo quarto.
Então ele saiu, o baque da porta me acordou pra realidade.
Ainda estava com meu livro na mão. Fui para minha cama e me sentei. Definitivamente aquela minha foto da capa estava perfeita, gostava muito dela. Então vi a foto dos meus pais logo abaixo, me veio uma tristeza enorme no segundo que vi o sorriso de minha mãe, não pude conter minhas lagrimas, chorei como nunca tinha chorado antes, só o fato de eu ainda existir, mas nunca mais poder ver ela, nem ela me ver, me fazia a pessoa mais triste do universo. Abri o livro e percebi que tinha apenas umas 15 paginas escritas, e todo o resto do livro em branco, isso por que ele tinha 400 paginas. Tudo bem que eu era nova ainda, mas não era possível eu ter vivido só 15 paginas. Comecei a ler, e obviamente a primeira pagina era do meu nascimento, afinal, nenhum acontecimento mais importante na vida de uma pessoa que o próprio nascimento. Meu nascimento ocupava uma pagina inteira, frente e verso, estava bem detalhado, talvez até de mais. Mudei de pagina e começou as lembranças de quando eu era um bebe. Coisas que eu não lembrava, poucas coisas que eu lembrava. Minhas lembranças de bebe ocupavam três paginas inteiras. Depois passei para minha infância, dos 4 aos 12 anos ocupavam 5 paginas, minha infância foi fantástica. Depois começou a adolescência, essa parte não chegou a terminar, mas mesmo assim, havia 6 dessas paginas. Quem escreveu meu livro devia estar bem entediado com a minha história, da minha adolescência só tinha sobre as séries que eu começava ou os livros que eu lia, e os jogos que eu terminava, vez ou outra havia algo sobre eu e meus amigos saindo e se divertindo. E eu percebi que eu não aproveitei quase nada da minha vida na Terra. Comecei a chorar e simplesmente não conseguia mais parar, acabei caindo no sono.
Eu estava vagando no espaço, sozinha e sem nenhuma proteção, apesar de estar no espaço, conseguia respirar perfeitamente. Virei-me e estava na frente de um buraco negro. O ar que eu conseguia respirar simplesmente se foi, estava sufocando, até que senti uma mão em meu ombro, me virei de novo e era a minha mãe, do lado dela estava a minha irmã e meu pai, conseguia respirar de novo, e eles sorriram para mim. Então eu comecei a ser sugada para dentro do buraco negro, e o controle sobre meu corpo que antes eu tinha, havia desaparecido. Quanto mais eu lutava para voltar para minha família, mais eu era sugada. Quando eu estava perto o suficiente para parar de existir...
Acordei assustada com alguém batendo na porta, cai da cama e bati a cabeça na mesinha que tinha do lado, o chão era incrivelmente duro. Levantei e fui abrir a porta, tinha esquecido os degraus que tinha entre minha cama e a porta, e cai de novo. Se eu continuasse assim iria morrer antes do que eu esperava, de novo. Senti alguma coisa escorrendo na minha testa, passei a mão e era sangue. Perfeito. Primeiro fui abrir a porta, era o Bob.
— Ai meus deuses o que aconteceu com a sua cabeça? Você está bem? Como fez isso? – ele disse examinando minha cabeça.
— Não aconteceu nada, relaxa eu estou bem, só cai da cama. – fui me afastando delicadamente, para não parecer rude.
— Você precisa cuidar disso! Onde esta os seus antissépticos, algodão e band-aid?
— eu não sei, sou tão nova nesse quarto quanto você. – minha cabeça estava latejando.
— senta ai e me espera que vou procurar! – ele simplesmente me empurrou no sofá, acho que era o delicado dele.
Eu não sei se desmaiei ou se dormi, só sei que acordei por que minha cabeça estava ardendo. Abri os olhos e era Bob passando alguma coisa na minha cabeça, pelo tanto que ardia, só podia ser acido.
— o que é isso?
— é um remédio que peguei com meu pai, logo você vai ficar pronta pra outra.
— melhor não – disse meio tonta.
Ele riu. Ele parecia nervoso, sua pulpa não parava de se mexer.
— Você está bem?
Ele estava tão distraído com a minha cabeça que provavelmente não me escutou falando com ele. Me afastei um pouco e ele parou de mexer no meu machucado.
— Me desculpe, te machuquei?
— Não, mas te fiz uma pergunta, você não ouviu?
— Ah, desculpa, estou um pouco distraído hoje. O que você tinha perguntado mesmo?
— Você está bem?
— Ah sim, estou ótimo, só alguns problemas de sempre. – ele pareceu um pouco triste, talvez decepcionado.
— O que aconteceu? Você tem certeza que esta bem?
— Nah, fique despreocupada, estou perfeito. Agora vá lavar o rosto e escovar os dentes, além do seu bafo de onça você está cheia de ramela nos olhos. – ele riu, confesso que fiquei um pouco envergonhada. – hoje temos um dia cheio! Hoje começa a primeira etapa da sua evolução, ou segunda já que a primeira começou assim que você “morreu”.
— O que vai mudar em mim? Digo, eu vou ter um upgrade? Vou aprender as línguas que existem em todo o espaço? Ou vou aprender a respirar no vácuo? O que vai mudar em mim? – estava muito curiosa, e além de curiosa estava empolgada, queria aprender sobre cada pedaço da lua.
— Bom, assim que você começou a evoluir, você já aprendeu a respirar aqui no espaço, se não tivesse aprendido isso, seria um dos vários humanos que teriam morrido nesse processo, já que foi respirando que você chegou viva aqui na Lua. E aprender todas as línguas é parte do primeiro processo também, a maioria dos humanos que chegam aqui já vem com todas as linguagens existentes no universo na cabeça, isso acontece quando você esta na viagem da Terra para a Lua. É obvio que nós dois não falamos a mesma língua. – Ele parecia menos despreocupado, já estava até falando como se fosse o mais sábio dali.
— É obvio? E qual língua você fala? E como eu estou te traduzindo? Para mim você está falando em Português.
— Bom, nós falamos na língua dos Ordin, os habitantes da Lua. E a tradução do meu idioma para o seu acontece natural e automaticamente. E o mesmo que acontece para você, acontece para nós ou qualquer outra espécie. Você esta me escutando e se escutando em Portugues, e eu estou te escutando em ordinês. É mais fácil se você não pensar muito sobre isso.
— Você disse outras espécies, como assim? Existem outras espécies?
— Mas é claro que existem outras espécies, você acha mesmo que em um universo tão gigante como esse só teria duas espécies? Claro que não!
Eu estava deslumbrada com tudo aquilo, eu aprendi todas as línguas existentes no universo em apenas alguns minutos da minha viagem da Terra para a Lua. E além do mais havia outras espécies pelo universo a fora.
— Eu adoraria conhecer essas espécies. Ver coisas novas e tudo o que existe no universo.
— Isso nós vamos saber no seu teste final, daqui uma semana quando você estiver no estagio final da evolução. Agora vá se arrumar que daqui a pouco temos que ir te ensinar algumas coisinhas.
Estava curiosa, mas decidi não perguntar. Fui para o meu banheiro, ele era simples, do lado da porta de entrada estava uma pia, mais na frente meu vaso e no final um box com o chuveiro.
Notas finais
Um dia, talvez distante talvez perto, eu escrevo mais, por que pelo jeito que eu to imaginando essa história, vai ter muuuitas paginas por vir.
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