Uma vida NADA normal!
3 VIP: Vamos Invadir o Pub
Notas iniciais
Morar sozinho –ou quase- tinha suas vantagens e desvantagens. Era extremamente prazeroso dormir até a hora que quiser, sem ao menos ser interrompido por qualquer barulho externo, mas cozinhar para mim mesmo era uma chatice. Mylo não comia nada além de ração. Tentei reeducá-lo desde quando o tirei da lixeira do prédio. Ele era o pior vira-lata que eu já havia visto e possivelmente acho que o fiz um favor, e ele retribui sendo o melhor amigo de todos. Suas pequenas orelhinhas de um típico Jack Russel Terrier me encantaram e hoje dividimos um apartamento. Costumava então, comer fora ou preparar a comida divina, o manjar dos deuses, mais conhecido como miojo.
Desci do terceiro andar, pela saída de emergência. Evitava ao máximo sair pela frente do prédio, era sempre cheio demais e o porteiro era um chato. Ou vai ver que, talvez por eu ser russo, eles não vão muito com minha cara. Avisando logo, sou contra qualquer tipo de terrorismo. Exceto o psicológico. Andei pelas ruas frias, com as mãos no bolso da jaqueta, tentando avisar um lugar possivelmente decente e divertido para ir. Letreiros e mais letreiros chamavam a atenção, nada como a Sunset Stip ou Vegas... Um intermédio entre esses. Whatever, finalmente um me chamou mais atenção do que os demais, um pub, com uma placa grande onde se lia “Gen sis”. Deveria fazer algum significado para o dono, mas ao chegar perto notei o “e” apagado no meio do letreiro. Gênesis. É aqui que fico.
A fila de entrada estava grande, e eu repudio filas. Olhei o pequenino segurança de apenas 2 metros de altura e quase o mesmo de largura e comecei a me aproximar dele, nada de suborno, olhei para ele sério e tentando não aparentar que estava me cagando de medo.
– Entrega de bebidas – ele nem ao menos se moveu. Olhou para baixo na minha direção e voltou ao seu posto normal.
Ele Fez um gesto com a cabeça, insinuando, talvez, que as entregas eram pelos fundos. Bem, eu encaro isso como uma entrada VIP. Ele me entregou as chaves dos galpões e eu fui. Não pensei que pudesse ser tão rápido, fácil e efetivo. Entrei no pub sem esperar nem você dizer FESTA. Sentei no bar, com as chaves nos bolsos, dois caras que estavam ali, notaram que eu havia saído dos fundos, mas logo pararam de se questionar. Musica boa e a bebida era completamente atrativa. Um murmurinho chamou minha atenção na porta, um grupo de amigos tentando entrar, sem estar na fila. Passei minha mão nos meus cabelos e andei até lá.
– Entrega pelos fundos, já os avisei. Estou esperando lá. – Eles me olharam com uma cara de “WHAT?”, mas não pareciam tão idiotas, sinalizei com a cabeça para que eles fossem e os mostrei a chave. De volta aos fundos, eles estavam lá, aguardando o acesso – Entrada vip por aqui.
Eles riram e, bem, isso era um avanço. Não era legal com muitas pessoas, mas tentei ser diferente desta vez. Novamente tudo muito fácil. Mas antes que pesasse pro meu lado, fui devolver as chaves pro grandão lá na porta. Sentamos todos em uma mesa, os dois garotos e as três meninas. Uma das ruivas chamou minha atenção, ela não parava de olhar fixamente para mim. Como se me secasse com os olhos.
– Á proposito, sou Nichollas, mas podem chamar de Nick. – um a um eles se apresentaram. Sarah, Dave, Diego, Alice e Helena. Meu drink havia sido levado do balcão quando eu fui resgatá-los, então pedi outro.
Sarah continuava me olhando, até que meu olhar encontrou o dela e ela tentou desviar. Não por muito tempo, mas conseguiu. Ela fuxicava algo com a loira do lado dela, enquanto ela ria, Alice revirava os olhos e parecia reprovar cada palavra.
– Hey Nick – Sarah disse – você...
– Sarah não! – Alice a segurou pela boca, tapando-a. A ruiva mordeu a mão da garota que gritou. – AII! Não sabia que vacas mordiam. Assim vou pegar lerdisse. DEUSES! NÃAAAAO.
Dei um sorriso de lado, os garotos pareciam ter seus próprios assuntos. Conversavam e riam sem parar. Helena, olhando para o nada com o queixo apoiado na mão. Voltei a olhar pra Sarah e Alice. Sarah virou-se pra mim de novo, e continuou.
– Então, você é um Shadowhunter*? Eu sei que vocês não podem sair contando a qualquer um assim, mas reconheço um quando o vejo. – Por um momento, achei que fosse algo natural, uma cantada ou qualquer costume estranho. Mas ela falava sério.
– O que você é? Vampiro? Como imaginei... Desculpe, terei que te matar. – Levantei-me de onde estava e pus meus braços para trás. Elas arregalaram os olhos e engoliram secos. Comecei a rir e me sentei de volta. – Não... Não sou. Não que eu saiba.
Elas riram meio tensas, e beberam um gole da bebida delas. Alice ainda olhava para a mão e falava baixo
– Já posso sentir meu lindo cabelo loiro ficando vermelho. – ela parecia estar quase chorando – Olha, Se um dia eu morrer, saiba que não estou mais vivo. – Todos na mesa olharam pra ela. Sem exceções.
– É mais serio do que pensei... – Finalmente disse Helena. – Amiga! Não vá pra luz. – ela gritava segurando o rosto de Alice entre as mãos. Abaixei meu rosto e ri, eles eram divertidos. Ainda bem que os pus pra dentro aquela noite.
–---
Passados alguns drinks, o pub diminuía sua quantidade de pessoas internamente, estava sempre de olho na porta e tentando evitar o contato visual com o segurança. Restavam apenas nós, o Dj, e outro grupo de adolescentes num canto escuro. Eles se divertiam e riam bebendo loucamente. Os observei por alguns momentos e depois me voltei para os demais em minha mesa. Alice ainda fazia lamentos sobre seu dedo e a doença de Sarah está passando pra ela. Era até engraçado, mas um pouco mórbido. Olhei para a ruiva mais próxima de mim, Sarah, ela estava observando o vazio, ou a outra mesa... Não faço ideia. Logo depois, uma das adolescentes olhou para Sarah e sorriu, acenando para ela. Sarah sorriu de volta e Helena revirou os olhos e observou a garota. Provavelmente elas se conheciam, mas não quis entrar em detalhes e deixei para lá. Dave exalava emoção. Olhando sempre pro copo dele, e o mexendo como se não quisesse deixar o liquido parado nem por um minuto.
– Dave, como você conheceu elas? — Alice parecia ter sido curada magicamente. Olhou para Dave, depois pra mim, depois pra Sarah e ficou vermelha. Dave engoliu um gole da cerveja dele e olhou pra mim.
– Cara... Elas moram de frente á minha casa, Sarah foi me dar boas vindas, depois conversamos e cá estamos.
– E assim, se inicia nossa historia de amor... – Diego completou.
Alice olhou para ele, que ria junto com Dave – que estava sem graça e tenso – e chutou diego por baixo da mesa. Nada discreto, afinal o garoto gritou e a mesa tremeu com o chute. Eu ri, Diego era espirituoso, mas mesmo sabendo que Dave era (Nota do Diego: Ainda não temos certeza ok? Posso convertê-lo u-u) hétero, não perdia nenhuma piada. Dave levava na esportiva e apenas ria. Alice, por sua vez ficou inquieta.
– E vocês meninas? — elas se olharam e riram. Dave sacudiu a cabeça fazendo um "não".
– começando de um principio onde, o pai de Helena é casado com minha mãe. A mãe de Sarah, é irmã do pai de Helena, o que faz delas, primas. Diego é irmão de Sarah, Tiago, que você não conhece ainda, é meu irmão. — Alice falou rapidamente e sem pausas.
– E aquela ali é minha meia-irmã... — Helena falou, olhando novamente pros adolescentes no canto.
Era dificil imaginar Helena ruiva, com uma irmã loira... Mas tudo acontece... A garota não veio até nós, ela apenas acenou de lá e sorriu. De inicio, não notei o quanto ela era bonita, mas depois, ao fita-la bastante, vi realmente sua beleza. Continuei olhando pra ela, até ter minha visão tapada por uma bola preta gigantesca. Era a camisa do segurança. Engoli seco, e olhei pra ele sorrindo como um lesado.
– Entrega de bebidas, não é? – ele disse de braços cruzados. Olhei para ele, as meninas já haviam notado ele ali também. Arrastei-me pra trás, Sarah seguiu junto com os demais, saindo pela lateral do banco circular. Comecei a rir, freneticamente. Mas meu peso na consciência falou mais alto, tirei dinheiro do bolso e entreguei ao garçom, antes de derrubá-lo.
– Fique com o troco. – Corremos em direção à porta, todos os demais já estavam lá. O segurança apareceu e nós viramos a esquina.
– Ele. Já. Parou. De. Nos. Seguir. – disse Alice ofegante e apoiada em Dave. Quando ela percebeu que estava praticamente deitada nos braços dele, ela corou. Notei isso por estar olhando pra ela, achei por alguns minutos que ela iria morrer. Helena vinha atrás arrastada por Sarah.
– Estou derretendo! ESTOU DERRETENDO! – ela gritava.
Sarah tirou as chaves do bolso e foi até o Impala, CAAAARA, um Impala! Passei por ela e tomei as chaves.
– Eu dirijo, obrigado. – Abusado, Sim ou claro? Mas o que você faria por um Impala? Entramos todos dentro do carro, de um modo coubemos, mas depois... bem, isso é história pra outro momento.
Fale com o autor