Uma vida NADA normal!
1 Não deveriamos ter começado...
Notas iniciais
– Sarah, eu já disse que não gosto que mexam nos meus livros, principalmente os de Percy! – exclamei tirando-a de perto dos meus bebês, pode parecer exagero, mas eu NINGUÉM mexe nos meus livros.
– Mas eu queria ver como termina O Ultimo Olimpiano... – choramingou ela.
– Não, leia o seu. – falei e sentei na minha cama enquanto sentava na dela e ficamos assim, esperando Helena sair do banheiro.
Bem, eu sou Alice, prazer. Alta, olhos azuis, cabelos loiros cacheados e longos. Dezesseis anos divando e treze aturando a Sarah como melhor amiga. Melhor amiga que agora decidiu vim morar na minha casa, onde eu moro com sua prima que é minha meia-irmã. Detalhe: veio de surpresa.
Confuso? É, também acho.
Sarah é prima da Helena, o pai de Helena se casou com a minha mãe fazendo dela minha meia-irmã. Isso há uns quatro anos, mas nós já nos conhecíamos antes.
– Ok, nem queria ler mesmo... – disse Sarah dando os ombros enquanto se levantava e se dirigia ao meu notebook – vou procurar algo útil aqui.
Sarah. Sarah é ruiva, com o cabelo mais cacheado que o meu e mais curto. Olhos verdes se destacando no seu rosto. Ela é meio... bem digamos que eu sou a razão do grupo e não ela.
Revirei os olhos e me deitei.
Após uns dez minutos, Helena saiu do banheiro secando os cabelos ruivos.
Helena também é ruiva, mas seus cabelos são lisos e compridos. É alta e adora se arrumar, principalmente quando é para ir para uma festa.
– Oh meus Deuses! – gritou Sarah de repente. – Eu não acredito! Para o mundo que eu quero descer!
– O que foi? – perguntamos eu e Helena juntas.
– Cadê o ar? Como se respira? Deuses, obrigada! Isso é um sinal divino! – ela continuou com o escândalo. Virou-se para nós: – Aconteceu simplesmente a melhor coisa da minha vida!
– Melhor do que a vez que você ganhou o premio do sorvete? – perguntou Helena
– Nem se compara! – Sarah falou com um grito.
– Melhor do que quando você ganhou o Sr. Boboo? – perguntei apontando para a sua cobra em seu terrario em um canto do meu quarto.
Sim, a Sarah tem uma cobra de estimação, corn snake para ser mais exata. E sim, ela tinha trazido para minha casa. O grande problema é que eu tenho uma coruja, a Palas.
– Muito! – ele disse com um pulo, depois olhou para a cobra. – Ainda te amo Sr. Boboo.
– Então fala logo, criatura! – gritei para ela.
– Estão prontas? – ela perguntou sorrindo.
– Estamos Capitão! – Helena gritou.
Olhei para incrédula até que ela se tocou e ficou quieta.
– Fala logo Sarah... – disse já impaciente.
– Então tá... – ela respirou fundo – Micha Collins postou seu numero no twitter! – ela gritou e começou a rir feito a louca que era. [N/Sarah: Ei! Eu não sou louca, sou excêntrica u_u]
– Era só isso? – perguntou Helena.
– Você quase nos matou de susto e fez TODO esse escândalo por isso? – falei tentando me acalmar.
– Como assim “só isso”? – ela disse indignada – Se a guerra no Iraque tivesse acabado seria “só isso”! Se encontrasse a cura do câncer seria “só isso”! – a histeria andava de um lado para o outro enquanto reclamava – É o meu futuro marido querendo se comunicar comigo!
Reviramos os olhos para ela.
Sarah tem uma obsessão pelo Misha Collins que ela insiste em chamar de “saudável” mesmo não sendo.
A ruiva 1, mais conhecida como Sarah, pegou o celular e começou a digitar rapidamente um numero.
– Não se preocupe Misha, eu entendi seu recado! Já vou te ligar! – a louca falava indo em direção ao banheiro.
– Agora endoidou de vez... – comentei
– Esse cara não é tipo, casado? – Helena perguntou ao mesmo tempo em que arrumava a cama para dormi
– Yep, mas quem disse que ela liga ou se importa? – respondi rindo – Uma vez eu usei esse argumento e a resposta dela foi: “ele não a ama! É só fachada, ele esta esperando por mim!”.
– É verdade! – Sarah gritou do banheiro.
– Claro que é! – Helena respondeu rindo igual a mim.
Ficamos conversando até a futura Sra. Collins (só que não) sair do banho.
– Aleluia! – falei e me dirigi ao banheiro passando por ela que me mostrou a língua.
Tomei meu banho, vestir meu pijama e sai do banheiro. As ruivas já dormiam cada uma em sua cama.
Fui em direção a minha, ao lado da de Helena e mais próxima da janela do lado direito.
Deitei e dormi.
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Acordei com um feixe de luz idota no meu rosto, levantei preguiçosamente e caminhei até a janela: a fonte da luz que me acordou.
Parei na janela, ficando entre as partes da cortina, e fiquei observando a paisagem. Chamou minha atenção um grande caminhão parado na casa de frente, um caminhão de mudança. Vizinhos novos.
Fiquei vendo as pessoas levarem caixas para a grande casa branca, quando percebi um garoto com cabelos castanhos me olhando. Ele deviria ter a minha idade. Assim que percebeu que eu vi que ele me olhava (?), ele sorriu para mim. Sorri de volta e ele acenou, ai me lembrei de que estava de pijama e meu pijama não é muito decente, consiste somente em uma camisa-vestido relativamente curta e minha janela é relativamente grande. Corei e fechei a cortina.
Olhei para as camas, as meninas ainda dormiam... não por muito tempo.
Caminhei até uma das cadeiras e peguei troquei meu pijama por um vestido maior. Voltei até a janela.
– BOM DIA RAIOS DE SOL! – gritei abrindo as cortinas totalmente.
– Cala a boca Alice... – resmungou Sarah se virando.
– E fecha a porcaria de cortina... – Helena completou colocando um travesseiro no rosto.
–Já é quase meio-dia! – falei
– Meio-dia?! – exclamou Sarah – Como ousa me acorda de madrugada.
Encarei-a por alguns segundos e fiz a coisa mais logica, sensata e madura que me veio a mente: empurrei ela no chão.
– Ai! – ela reclamou com a cara no chão – Por que você fez isso?
– Você ia se levantar de outra maneira? – perguntei indo até Helena para tira-la da cama.
– Não, mas por quais motivos racionas você quer me acordar? – ela falou já de pé.
– Sei lá, tem vizinhos novos. – disse e puxei o cobertor de Helena.
– Opa! Onde? É gato? – a ruiva 2 disse pulando da cama.
– Vizinho novo?! Quero ver! – Sarah correu, junto com Helena, para a janela.
– Suas taradas! – exclamei andando até elas – É só falar em homens que se levantam com a maior disposição.
– Quieta virgem. – Sarah disse sem me olhar.
– Onde ele está Ali? – Helena vasculhava toda a grande casa de cor clara em frente a nossa.
– Eu disse VIZINHOS novos. Não que tinha um vizinho gato e gostoso morando ai em frente. – falei empurrando elas e me colocando também na janela – Mas tem sim, um garoto fofo muito lindo! Alto, cabelos escuros e sorriu para mim hoje de manhã.
– Como ele se chama? Tem namora? Gosta de ruivas? – Helena fazia uma pergunte atrás da outra. E gesticulava com as mãos.
– Não sei, não faço ideia e todos gostam de ruivas. – respondi. – Eu o vi durante cinco minutos da janela, não olhei seu histórico!
– Então temos que olhar! – Sarah falou com uma expressão seria. – Temos que descobrir tudo isso! Vamos, eu tenho um plano.
– Por que eu sinto que vai dar merda? – falei sarcasticamente com Lena concordando.
– Ah! Vamos gente! Um pouco de animo! Esse vai dar certo! – Sarah disse.
– Ok gênia, mas primeiro vamos tomar banho e comer alguma coisa. – disse
– Comida! – uma Helena feliz exclamou.
– Ok, comida é mais importante que o carinha novo. – Sarah deu os ombros.
Descemos ainda de pijamas para comer alguma coisa. Fizemos algumas torradas e comemos com bolo de cenoura com cobertura de chocolate, suco e achocolatado.
Meus pais já tinham saído para o trabalho, o que deixava a casa para nós e Amy, a cozinheira.
–Hupm! – Sarah murmurou olhando a celular – Diego está vindo para cá!
– Go Diego, go! – disse rindo.
– Bem, ignorando a retardada loira ai, isso significa que temos que agir mais rápido! – Sarah continuou.
– Por quê? – Helena questionou tomando café.
– Por que se Diego chegar ao carinha novo primeiro, ele converte-o! – Sarah exclamou.
– Não... o Diego não seria capaz de fazer uma coisa dessa... – comecei falando, mas minha voz foi morrendo com os olhares descrentes das ruivas. – Tem razão, ele faria. Vamos nos arrumar! Rápido!
Subimos correndo e trocamos de roupa.
Quando já estávamos na porta da frente para sair e falar com o garoto novo, acreditando que realmente iriamos conseguir antes de Diego aparecer... eu deveria saber que minha sorte não era tão boa.
– Diego? – Helena perguntou quando abriu a porta e ele estava parado de lado de fora.
– Oi Diego, entre. – Sarah falou puxando o irmão ate a sala.
– Oi meninas, maninha... – ele disse entrando e apertando a bochecha de Sarah, que deu eu tapa na mão dele. – estavam saindo?
– Não! – falei rápido demais, fazendo as meninas se virarem para mim e Diego ergue uma sobrancelha – Não, só íamos ficar na porta, esta um lindo dia não é mesmo?
– Aham, um belo dia... então vamos? – ele disse indo para a porta.
– Para onde? – Helena falou franzindo as sobrancelhas.
– Para a varanda, não era para lá que vocês iam? – Diego falou já desconfiado.
Dei uma cotovelada nas costelas da ruiva.
– É, claro... – ela disse meio sem ar – vamos.
Mas antes que chegássemos à porta, passamos pela janela. Uma grande janela de vidro que dava uma ótima visão da casa em frente. Pedi aos deuses que o garoto não estivesse à vista.
Mas, como já disse: minha sorte não é boa. O moreno estava no jardim de costas para nós.
– Quem é aquele? – Diego disse sorrindo.
– Não! – dissemos juntas.
– Diego não, nós vimos primeiro! – Helena falou, ou melhor, gritou.
– Vocês nem sabem o nome dele não é? – ele disse sorrindo – Como podem saber se ele não vai me preferir?
– Nem vem loiro! Eu o vi antes do todos! Pela regra do manual eu tenho o direito de falar com o ele antes! – eu disse.
– O manual das garotas que não se aplica a mim? Aham, viu... – ele disse e foi caminhado para a porta.
– Ah, você não vai não... – e falando isso, Helena pulou nas costas de Diego que caiu com tudo no chão.
– Sai de cima de mim Helena! – ele grito tentando se soltar.
– Não! Você vai dar em cima do vizinho gostoso! Que é meu! – ela respondeu também aos gritos.
– Seu? Não amora, ele será meu! – disse e fui para a porta.
– Pega ela! – ouvi um grito antes de ser brutalmente derrubada no chão.
Depois de uns cinco minutos de briga, dei falta de um coisa... ou melhor: pessoa.
– Ei! Cadê a Sarah? – exclamei. Eu estava sentada me cima de Diego com Helena tentando me derrubar.
Eles olharam para os lados.
– Ah não... ela não foi... – Helena começou a falar.
– Foi sim. Pode ter certeza. – Diego disse se levantando.
– Não creio, vejam! – disse apontando para a janela.
Sarah estava do outro lado da rua, na casa do vizinho, falando com o vizinho! E pior: eles estavam vindo para cá.
Corremos para o espelho mais próximo e começamos a tentar nos arrumar e voltar a parecer gente.
– Pessoas, venham aqui. – ouvimos a voz Sarah na sala de entrada.
Fomos caminhando lentamente como se não quiséssemos mata-la lenta e dolorosamente.
– Oi Sarah, você sumiu... – falei com o meu sorriso “eu vou te mata, quenga!”
– Ah foi, vocês estavam... conversando, ai eu fui falar com o vizinho novo. – ela disse sorrindo. – Meninas e Diego, este é Dave.
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