Notas iniciais
Espero que gostem, esta fic já estava pronta há um bom tempo, só tive que fazer algumas modificações.

Com amor: Mike.

Para mim tudo se iniciou naquela manhã de segunda. Sem saber o que estava por vir fui a escola com o mesmo mau-humor e desânimo. Mas foi apenas depois da primeira aula que as surpresas me afligiram, lembro-me perfeitamente do som das batidas na porta, das palavras usadas pela coordenadora para nos dizer que um novo aluno havia chegado a nossa turma. Ao te ver entrar na sala, todo amiúde e com aquela grande mochila pendurada ao ombro direito... Não pude deixar de sorrir.

Por uma mera coincidência, ou obra do destino, já nem sei mais, o único lugar vago foi ao meu lado. Enquanto compartilhávamos a mesa, compartilhamos também sorrisos, histórias, e tudo o que nos era permitido pela tão prestigiada amizade, sentimento este que nasceu tão rápido como o meu coração bate agora, e tão singelo como o sorriso que me dirigi sempre que olho em seus olhos.

Mas foi num dia qualquer, de uma semana aparentemente simplória como qualquer outra que meu mundo virou de cabeça para baixo. Andávamos pelo pátio, ríamos, conversávamos, éramos nós mesmos. Mas foi aquela pedra, tão comum, que a anos jazia no mesmo lugar a responsável por sua queda, tentei lhe segurar, impedir que se machucasse, mas hoje vejo que se tivesse conseguido lhe segurar, amargamente arrepender-me-ia. Fui ao chão contigo, sobre seu corpo, te vi corar, e assim tomei a decisão mais louca que podia tomar: Eu te beijei!

Não foi bem um beijo, se assim podermos dizer, éramos inexperientes... Apenas duas crianças brincando de serem adultos, mas aquele rápido selinho de cinco segundos foi o bastante para disparar nossos corações, nublar nossas mentes e desesperarmos. Você me deu um tapa, que de fato doeu, e me empurrando, correu. Te vi correr com o coração errando uma ou duas batidas, senti-me como fosse te perder. Mas logo uma chama brotou na minha cabeça, uma ideia.

Ignorando os comentários, as chacotas e o circulo de pessoas que apontavam e riam, eu só conseguia pensar em você. Te procurei por todos os cantos, perguntei por você a todos que conhecíamos, mas no fim te encontrei a chorar no fundo da sala já vazia. Abraçado a aquela tão grande mochila, afundando seu rosto nela tentava a todo custo abafar os soluços.

Fiquei sem palavras, meus olhos marejaram ao te ver assim... Corri até você, e te abracei. Não disse nada, não pensava em nada, e também não esperava ser correspondido. Mas... Não imagina a minha alegria, ao te ver aos poucos por suas mãos em minhas costas, apertando-me cada vez mais contra si. Eu senti teu calor, eu sabia que te amava, e sabia que também estava sendo amado.

Pensei que ali se iniciaria nossa historia de amor, mas como em tudo na vida, nada é fácil. Éramos dois meninos, dois homens... E tínhamos medo. Medo do mundo, medo dos nossos amigos, medo de nossos pais, e acima de tudo, medo de nós mesmos. Estaríamos enganados? Aquilo seria realmente "amor"? Era possível que eu estivesse a amar um homem? Era possível eu, logo eu, ser amado por ti?

Duvidas nublavam nossa mente, questões nunca antes apresentadas a nós, coisas que pensamos que jamais sofreríamos. Mas agradeço a todos os nossos amigos, que nos apoiaram, aos nossos parentes que sorriam ao me ver andar de mão dadas contigo. E principalmente, agradeço a você. Agradeço por sua coragem, por sua capacidade de sempre me entender, e agradeço muito mais a ti, por cada sorriso que me dirigiu.

Ainda me lembro do nosso primeiro encontro, aquele ao qual nós iríamos como namorados, aquele ao qual mostramos a todos que queriam ver a nossa felicidade. Fomos a um parque de diversões, sabíamos que mais clichê que isso só o cinema, mas não me arrependo de ter sido este o escolhido.

Nos divertimos muito, rimos, gritamos, e as únicas lagrimas que derramamos foram de alegria. Quando você me obrigou a ir ao "Trem Fantasma", morri de medo, mas você gargalhava de mim, sim... Valeu a pena.

Mas foi na roda gigante que vivi minha melhor lembrança deste dia. No alto, bem lá no alto... Um frio na barriga, uma prazerosa sensação de solidão, um beijo, um sentimento e uma palavra: "Amor", tu me chamaste assim, sem mais nem menos, senti em sua voz uma certeza, certeza essa que aqueceu meu coração. E como o louco que sou, gritei para todos que quisessem ouvir, o quanto eu te amava.

Depois daquilo evitamos um contato visual direto. Estávamos com vergonha, parecíamos duas crianças fazendo arte. Mas não posso negar que curti cada desviada de olhar seu, cada sorriso tímido, e todas as vezes que apenas olhava minha mão, com vergonha para pega-la.

Já estava ficando tarde, e cansados decidimos deixar o parque para trás e retornar para nossas casas. No ponto de ônibus você brincava com minhas mãos, abrindo e fechando-as, contando quantos dedos tinham, e apoiando sua cabeça no meu ombro. Palavra nenhuma talvez possa explicar o que senti por ti, e talvez seja essa a razão de nenhuma ter sido pronunciada.

Chegamos a sua casa, tua mãe permitiu a mim lhe por na cama. Onde pela segunda vez me chamou de "amor", e onde de maneira calma lhe dei um beijo de boa noite na testa, pois teu pai estava plantado na porta a nos observar com uma grande carranca.

Quando finalmente voltei para minha casa, sorria de orelha a orelha, corri para o meu quarto e joguei-me na cama. Em meu peito eu senti um inexplicável calor, posso jurar que estava com o rosto vermelho. E lembrando-me de vossos sorrisos eu também me permitia sorrir. Não havia jeito, eu estava apaixonado, apaixonado por você, por seus sorrisos, por seus olhos, pelo seu corpo. É possível sentir saudade de alguém que acabou de ver? Sim, é possível. Pois você, e apenas você, me faz sentir-se assim.

Quando você ficou doente, eu entrei em pânico. Sinto-me tão infantil agora, era apenas uma simplória gripe. Mas lembro que na época não quis sair do seu lado, seu pai me expulsou de sua casa tantas vezes que acabou desistindo. Quando você ficou bem eu me senti a pessoa mais sortuda do mundo.

No nosso terceiro mês de namoro, nos entregamos um para o outro. Quando fecho os olhos ainda consigo sentir a sensação de tocar em sua pele, do seu cheiro, seus apelos. Os sentimentos expressos em palavras, atos, sons... Quantas vezes eu disse "eu te amo", quantas vezes eu te beijei, quantas vezes me senti embriagado em você.

Mas talvez seja certo dizer que também tivemos maus momentos, já sentimos ciúmes um do outro. Já brigamos por coisas idiotas, e já duvidamos muitas vezes sobre nossos sentimentos.

Já discutimos ao ponto de ficarmos sem nos falar por dias, mas a cada minuto que passava sem você, meu coração se apertava. Você já me tinha dominado... Peço desculpas por cada palavra ruim que eu lhe dirigi, hoje percebo o meu erro.

Já chorei por você, já me senti um inútil quando lhe via chorar. E muitas vezes cheguei a pensar não ser bom o suficiente pra você, mas em todas as vezes que te vi sorrir, todas as vezes que senti o calor de seu abraço e a delicadeza e sentimento imposta em cada beijo. Por todas as vezes que eu fui o motivo de sua felicidade, e você o motivo da minha, eu percebi que te amo. Percebi, que apenas levanto-me da cama com as esperanças de te ver...

Uma vez me disseram: "Amar, não é olhar um para o outro. Mas sim olhar juntos na mesma direção". E com você aprendi que isso é verdade, somos dois meninos num mundo adulto, dois jovens sonhadores. E sei que se um dia, por azar do destino, nosso amor sofrer tribulações, se um dia duvidarmos sobre o que sentimos, basta olhar para trás, e ver o que construímos juntos. Você não é apenas meu namorado, mas também é meu amigo, meu companheiro para todas as horas, meu diário que guarda meus maiores segredos. Construímos juntos um passado, e espero um dia poder construir junto a ti, um futuro.

Com todos os sorrisos, lágrimas, momentos, sentimentos, carinho e amor: Peço a você que relembre tudo pelo qual passamos, tudo o que sentimos, relembre cada beijo, cada abraço e cada "Eu te amo" e me responda.

Aceita casar comigo? Não tenho como te oferecer riquezas, fama, ou qualquer tipo de certeza, além daquela mesma velha promessa: "A ti nunca abandonarei, a ti sempre amarei, e a ti, apenas a ti, dedicarei cada músculo, cada osso, cada gota de sangue de meu corpo, apenas para te ver feliz", promessa essa que renovo a cada beijo, desejo ao teu lado provar que podemos ser sim felizes. E que nenhum preconceito do mundo poderia superar o som da sua risada quando eu lhe abraço, ou o calor que sinto com seu contato. Você aceita? Aceita casar comigo, não em busca de estabilidade, mas sim em busca de aventuras, pois eu sei que com você ao meu lado, cada dia vai ser único. Eu apenas desejo poder olhar em seus olhos e dizer "eu te amo" todos os dias quando acordar, até que o ar escape dos meus pulmões e além.

Eu te amo, case-se comigo.

Notas finais
E então? Qual nota eu mereço? Sim, não teve Lemon, mas esse nunca foi o meu forte... Então preferi não arriscar. Obrigado por ler.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!