Uma questão de honra
8 Capítulo 7
Um quadro. Era como um quadro. Um quadro natural. Uma paisagem tão bela. Pinceladas de laranja e amarelo aqui e ali. O amarelo avermelhado do sol descia na colina, deitando-se em sua grama. A brisa agasalhava meu rosto. Os fios grudados na testa. Além de corrermos nos cavalos, que agora estavam comendo feno, nós sentamos na grama macia e pós-cortada, tentando ao máximo tirar o assunto Suzanne da cabeça do Patrick. Nós estávamos suados, e cheios de grama nas calças.
– Não é lindo? – Alex interrompeu minha observação.
– O quê?
– Isso – Alex apontou. – Esse pôr do sol maravilhoso.
– Não sou de reparar essas coisas.
– Ao seu contrário, eu sou. Adoro as coisas simples da natureza. Como esta, por exemplo.
– Você é exagerado.
– Não, eu sou compreensível.
– Compreensível? Por quê?
– Porque me contento com as coisas simples e poucas. Eu me agrado facilmente.
– Me deu uma ótima ideia, agora posso te chantagear.
– Que engraçado. Patrick, porque está tão quieto?
– Não estou com muita vontade de falar. A garganta também está seca.
– Acho que está na hora de você visitar sua namorada. Ela deve ter algo pra conversar.
– Tipo o que?
– Não sei. Mas vocês tem que conversar.
– Eu vou sozinho, valeu?
– Você é quem sabe disso.
– Obrigado. Tchau amigos. Agradeço a ajuda.
– Que nada, Patrick. Vamos, Alex. Está tarde.
Alex me seguiu até o quarto, é começou a arrumar sua cama.
– O que acha que eles devem estar conversando? – Alex me perguntou.
– Olha, eu não faço a mínima ideia. – dei de ombros. – Mas não deve ser coisa pra lá de agradáveis.
– Gostaria de saber como Patrick está se sentindo nesse momento.
– Eu não conseguiria explicar, mas aposto que é algo muito ruim. Ele deve estar bem mal.
Deitamos e os outros garotos começaram a entrar nos chuveiros. Eu não me senti desconfortável muito menos constrangido. O único problema era Ferdinand. Ferdinand era um garoto bem gordo, que comia muito e treinava pouco. Ele era ruivo e usava óculos redondos que pairavam sempre na ponta do seu nariz. Enquanto eu tomo banho, ele me encara. Por exemplo, ele está lendo um livro, eu resolvo fazer minha higiene, ele desvia o olhar do livro e começa a me secar arduamente. Não, ele não é gay. Tem uma namorada que está gravida, Mas eu não entendo porque raios Ferdinand permanece a me encarar. Seja tomando banho ou mijando, ele me encara. Já o xinguei mentalmente, mas nada que adiante.
– O que vai ter amanhã?
– Uma tal de segunda fase de treino. Os escolhidos irão ter livre arbitro de fazerem sua escolha; digamos que a sua função.
– E o que acontece?
– Eu não sei. Mas não deixarei aqueles garotos se safarem. Não deixarei mesmo.
– O que pretende fazer?
– Eu ainda não pensei direito. Mas não irei me rebaixar ao nível deles. Nada como a maldita “vingança”. Mas eles têm que pagar pelo que fizeram.
– Tá, resolve essa vingança que não é vingança amanhã, tudo bem? Vamos dormir. Obrigado, de nada.
– Tem razão, desculpe.
– Não peça desculpas, não fez nada. Boa noite.
– Boa noite.
Eu confesso que não dormi aquela noite. Patrick invadiu meus pensamentos. A noite parecia muito calma para mim, e eu tive que sair do nosso dormitório. Fui para o lago, como é o termo? “Refrescar as ideias”.
Alguns esquilos habitavam aquele terreno, e agora se encontravam dormindo. Estava tarde, mas não tanto para os primeiros raios de sol aparecerem. Mas logo eles estariam ali, me avisando que a minha noite de sono tinha acabado. Uma melodia me veio à cabeça. A música que minha mãe me cantava quando eu chamava meu pai, ou quando eu chorava dizendo que queria lutar na guerra.
Você é meu pequeno herói
E sabe como ninguém
Mostre ao mundo seu valor
Dê o amor que no seu peito contém
Mas antes durma e sonhe com crianças
Que estão sorrindo felizes
Observe que em seus corpos
Escondem-se cicatrizes
Eu infelizmente não pude lembrar o resto. Mas lembrar-se de uma parte me fez deixar as bochechas molhadas. As sequei rapidamente e voltei para o quarto. Aproveitar as horas que ainda me restavam. Amanhã – ou hoje – era outro dia.
Patrick quem acordou Alex. Eu estava ocupado encarando as minhas olheiras no espelho. Minha barba estava crescendo e eu estava sem tempo para fazê-la. Resolvi deixa-las assim e continuei a me trocar. Lá estava Ferdinand, encarando minha bunda.
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