Uma prova de amor
17 Aproveite esse dia como se fosse o último
Notas iniciais
Emma
Que coisa louca. Como é difícil entender as pessoas né? O ser humano é tão complexo. Juro que não sei porque fui estudar medicina ou enfermaria. Talvez eu quisesse ajudar as pessoas de alguma forma. Sempre fui assim então olhando por essa lado eu até entendo. Agora se fosse psicologia aí eu não ia fazer ideia mesmo.
Num minuto Regina, uma mulher que apareceu do nada na minha vida, faz de tudo pra me ver bem e no outro ela ataca minha melhor amiga. Seria crise de ciúmes? Eu não iria querer ficar com alguém doente de ciume jamais. Não gosto das coisas exageradas, prefiro o centro em tudo. Um equilíbrio. Afinal é assim que tudo devia ser.
Não vejo outro motivo porque Mulan nunca foi violenta ou de provocar as pessoas. Não consigo entender mas não quero estar perto de Regina e nem ninguém que dê surtos dessa maneira agressiva do nada. De pessoa com problemas já basta eu.
— Bom dia flor do dia! — Me despertei dos meus pensamentos ao ver Mulan chegando com um sorriso e uma marmita na mão.
Ontem foi péssimo ter que tomar banho com a minha mãe. Quando que isso vai acabar e eu vou poder pelo menos tomar um banho em paz?! O pior de tudo é não lembrar porque eu tô aqui nesse estado.
— Trouxe almoço! — Se aproximou colocando a marmita em cima do apoio móvel da maca.
— Quanta gentileza hein.. — Olhei pra ela um pouco desconfiada.
— O que?
— Não lembro de você ser tão gentil antes.
— Ah então eu não posso agradar minha amiga quando ela está mal no hospital.
— Pode... eu só não sei..
— O que?
— Se é certo eu comer muita besteira sabe? Quer dizer vai saber se eu ficar mal?
Notei que ela ficou sem graça.
— Bom.. desculpa Em. Eu vou tirar.
— Espero que entenda Japinha.. eu só quero me recuperar logo sabe?
— Claro eu entendo. Só pensei em fazer um agrado e sabemos que nada melhor pra te deixar bem do que comida. — Sorriu sem graça, tirou o pacote da mesa e guardou.
— Sim verdade, eu adoro comer sabe né!?
— Sei. Tudo bem loirinha acho que deve se cuidar por enquanto.
— Mas cê sabe que é a melhor amiga de todas não é?
— Claro que sei. — Sorrimos mas ela tossiu e passou a mão no pescoço devagar.
— Tá doendo ainda?
— Sim.. mas vai passar.
— Ainda não entendo porque ela fez aquilo.
Claro que eu não conheço ela bem mas.. ela não parece ser do tipo assim.
— Sabemos que você só se mete em encrenca em questão de relacionamento não é Emma?
— Como assim? — Estreitei as sobrancelhas.
— Você nunca deu sorte. Sempre indo atrás das mulheres que nunca se quer ligavam pra ti.
— Bom, parte disso pode ser verdade. Mas teve o lado bom também.
— Quando elas estavam sozinhas e precisavam de alguém que sobrava e esse alguém era você?
— Não é bem assim.. — Ela ergueu as sobrancelhas. — Mais ou menos..
— Acho que você nunca encontrou alguém que mereça de verdade. Alguém que se esforce por ti do jeito que você é esforçada também.
— Nem sei se vou encontrar Mulan.. meu cupido é fudido.
— Olha a Emma voltando aí. — Abriu um sorriso e pegou minha mão. — Talvez quem a gente mais precise esteja bem do nosso lado. Só não conseguimos enxergar.
Ela me olhou diferente. Um olhar bem intenso e eu achei estranho aquela atitude. Mulan sem dúvida era muito bonita mas não era meu tipo até por ser minha amiga. Não iria rolar, parecia fácil demais e eu nunca gostei disso. Enfim.. sou complicada.
— Eu soube que tem alguém dodói por aqui! — Quando olhei pra porta dei uma leve risada. — Eu trouxe o melhor presente pra quem tá no hospital. — Ruby mostrou a garrafa de vinho colocando sobre a mesa mais no canto e veio me abraçar.
— Você não perdoa nem o hospital né? Mas adorei o presente.
— Minha filha a vida tá aí pra ser vivida e não perdoada. — Desfizemos o abraço e ela sentou se jogando do meu lado.
— Ruby essa é minha amiga Mulan. — A morena se virou e quando fixou os olhos na outra vi na hora que brotou um interesse.
— Prazer Mulan. — Deram as mãos.
— O prazer é meu Ruby. — Ficaram se olhando por uns segundos BEM longos. Fiquei só de canto olhando a cena. — De onde conhece a Emma?
— Nos conhecemos num bar. — Interrompi recebendo um olhar repreensivo de Ruby. — Eu vi ela caindo de bêbada e fui ajudar.
— Peraí que não foi bem assim! Eu estava bem tranquila. — Se defendeu provavelmente querendo causar boa impressão.
— Tranquila quer dizer caindo no colo das meninas e não falando coisa com coisa?
— Emma!? Já deu de difamar minha pessoa? Que amiga hein.. — Colocou as mãos na cintura e eu tive que dar risada com aquilo.
— Tá bom agora ela tá mais controlada. — A japa olhava com um sorriso meio bobo pra ela é aí eu já pensei "hummmmm".
— Me parece que você gosta de beber então.
— Eu gosto bastante mas sempre separo minha vida pessoal profissional e de bar. As vezes junto tudo mas tá tudo certo.
— Quem nunca né? — Elas conversaram e esqueceram que eu estava ali só pode.
— Será que dá prestar atenção na dodói aqui? — Brinquei.
— Aí meu Deus mas é carente essa garota não é? Toma o vinho querida toma. — Pegou a garrafa me entregando enquanto eu ria.
— Eu não.. preciso melhorar, ta loca?
— Que? Álcool é bom pra limpar pode beber.
— Passo.
— Mas vai beber depois que sair daqui porque eu paguei caro nessa bagaça.
— Vou pensar no seu caso.
— Ah metida. Se ela não querer a gente bebe não é Mulan?
— Talvez.
— Tá vendo só.. ela pareceu mais convincente que você. — Ruby me olhou com cara de vítima.
— Larga dessa garota.
— Eu espero que se recupere bem viu loira!? Eu soube que deu um surto de amnésia em ti.
— Eu perdi a minha memória. Mas eu tô lembrando das coisas aos poucos. Até lembrei de você viu?
— Mas é claro eu sou inesquecível meu bem.
— Ha-ha-ha. — Forcei a risada.
— Com licença. — Uma enfermeira entrou pra me analisar.
Quando fui ver Ruby e Mulan trocaram outro olhar bem longo e a porta se abriu.
Uma pessoa com um buquê enorme tapando seu rosto.
— Oi Emma. — Ao ouvir aquela voz eu não entendo como mas meu coração acelerou do nada.
Era Regina com um sorriso tímido.
— O que faz aqui? — Congelei.
— Regina? — Ruby perguntou.
— Ruby?
— Emma? — Ruby.
— Ruby? — Eu.
— Emma? — Mulan.
— Mulan? — Eu de novo.
— Izabety. — A enfermeira do nada falou. Todas olhamos pra ela. — O que foi? Todo mundo estava falando o nome.. ta eu já vou. Você ta ótima Emma. — Saiu rapidamente pela porta.
Voltamos a nos olhar.
— Regina? Você por aqui? — Ruby parecia perplexa.
— E você também. Não sabia que conhecia Emma.
— Sim nos conhecemos tem um tempo já. Que mundo pequeno mesmo não é chefe?
— Chefe? — Mulan perguntou confusa.
— Pois é. Eu.. trouxe essas flores pra você. — Colocou as flores no meu colo. — Quer dizer se quiser.
— E Se eu não querer?
— Olha Emma.. eu preciso conversar com você e Mulan. Eu sinto muito pelo que aconteceu. — Olhou pra mim e a japa. — Com o trauma que passei eu tive alguns distúrbios e alucinações. Mas ja vou começar a ir no médico psicólogo e fazer o tratamento pós trauma. Me desculpa por ter agarrado seu pescoço de verdade Mulan.
Ruby arregalou os olhos e colocou a mão na boca. — Gente...
— Não tem perdão o que você fez. Poderia ter me matado. — Mulan revidou com raiva.
— Eu sei e peço desculpas não vai mais acontecer.
— Desculpas? Desculpas não vai me livrar da dor do pescoço que ainda to sentindo.
— Eu acho que você também ficou me
provocando e falando coisas horríveis como "você não é bem vinda" "porque não vai embora" parecia que estava com ciúmes, não estava?
— Eu só quero o melhor pra Emma e até agora estar com você não foi bom e qualquer um pode reparar isso. E eu não disse nada dessas coisas.
— Então você consegue mentir na cara dura pra sua amiga? — Regina revidou ficando nervosa. Ruby só olhava de canto assistindo a discussão.
— Podem parar vocês. — Mandei. — Mulan deixa eu falar com Regina por um minuto.
— É sério?
— Sim por favor. — Pedi. Ruby e ela saíram juntas do quarto.
— Emma olha eu...
— Não fala mais nada Regina. Leva essas flores por favor. São lindas mas eu não gosto de rosas vermelhas e não é necessário você fazer isso.
— Mas eu quis fazer, eu não vou desistir de ti fácil assim ainda mais por um erro.
— Olha.. eu já tenho tantas coisas pra processar. Eu não consigo lidar com isso agora e do jeito que você agiu ficou mais difícil.
— Eu sei que agi errado e nem sou de fazer
Isso jamais. Mas Mulan veio com unhas e dentes pra cima de mim. Eu juro. Ela quer me ver longe de ti porque tem ciúmes.
— E pelo jeito você também sente muito ciúmes. — Cruzei os braços analisando ela. Nossa como ela tá linda. De calça Jeans, saltos e uma jaqueta preta.
— Eu só estou cansada de perder tudo de bom que a vida me trás e no momento a única coisa boa é você. Eu surtei e me arrependo muito. Só deixa eu te provar que pode se deixar permitir dessa vez.
Flashback
— Blá blá blá.. Eu não quero transar com você, só um cinema.
— Você é louca.
— A escolha é sua, seu dinheiro está a um passo de ti. Vai rejeitar por não querer ir num cinema? Quem não gosta de cinema?
— Você nem me conhece.
— E se eu quiser conhecer?
— Que atrevimento!
— Okay. Mas.. um cinema e depois nunca mais eu quero te ver na minha vida!
— Fechado então. Vou entrar em contato
Flashback off
Eu consegui lembrar. Lembrar de como nos conhecemos. Da sensação de estar ao seu lado e sentir aquele cheiro maravilhoso de maçã suave. Lembrar em como fiquei nervosa mas tentei ao máximo transparecer. Que fazia frio. Lembrava de tudo naquele dia.
— Eu... eu..
— O que foi.. tudo bem? — Ela se preocupou e se aproximou.
— Sim tudo bem. — Voltei ao meu estado normal. — Eu vou pensar no que você disse. Agora eu preciso que você vá.
— Primeiro preciso saber se me desculpou.
Caramba seu corpo tão perto e aquele olhar marcante. Eu só queria sorrir que nem uma boba mas é o coração falando mais alto.
— Aceito suas desculpas mas preciso de um tempo pra processar.
— É claro. — Seu olhar correu pelo meu rosto. — Pode me tirar uma dúvida?
— Pode.
— Qual seu tipo de flores? — Segurei o riso.
— Gosto de lírios.
— Certo. Vou levar essas e..
— Não! Pode deixar.. Eu gostei. — Emma você não se controla mesmo não é?
Regina sorriu com aquele puta sorriso sedutor e perfeito.
— Ótimo. Posso vim te ver amanhã?
— Bom.. não sei.. quem sabe.
— Vou considerar um sim. — Se afastou. Não sei se isso é ruim ou bom. — Fique bem Emma. Saiba que qualquer coisa pode me chamar.
— Obrigada Regina. Se cuida.
Assim que ela saiu respirei fundo e deixei meu corpo cair na maca.
Logo depois Ruby apareceu toda curiosa no quarto.
— Menina do céu o que tá acontecendo? Isso aqui tá parecendo novela indiana!?
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Aquele dia inteiro se passou e eu já me sentia definhando naquele quarto. Meus pais apareceram um pouco depois de Regina ir, tentando entender a situação. Expliquei tudo assim como tinha explicado pra Ruby. Óbvio que ela ficou chocada. Mulan parecia tensa e nervosa e foi tomar um café, Ruby não perdeu a oportunidade de acompanha-la.
Fiquei pensando naquela lembrança que tive a primeira vez que vi a Madame Mills e repassando várias vezes na minha cabeça pra ver se lembrava de mais alguma coisa mas não rolou.
Ruby ficou mais algumas horas e Mulan já tinha ido embora. Depois fiquei um pouco com meus pais e eles insistiram em dormir comigo no hospital. Não consegui convencer eles do contrário.
Custei a dormir pensando em tudo que tinha acontecido e por fim Regina com aquele sorriso e aquele buquê.
Algo me diz que ela jamais faria isso se não fosse especial. E pelo que me lembrei dela com certeza ela não era nada fácil.
Acabei pegando no sono.
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Narradora
A semana inteira que Emma passou no hospital foi bem diferente do que ela imaginava que seria. No próximo dia Regina apareceu de novo sendo recebida de braços abertos pelos "sogros".
Nas mãos da morena tinha um buquê de lírios. Pela primeira vez Swan não sabia onde por a cara. Estava muito surpresa.
— Dessa vez eu acertei? — Claro que Regina deu aquele sorriso resplandecente que derreteu Emma na hora.
— Acertou em cheio. Obrigada Srta. Mills.
— Me chame de Regina. — Pegou a mão da outra e abriu outro sorriso confiante.
As duas ficaram se olhando tão profundamente que se perderam por uns longos segundos.
Cada detalhe não escapava da visão de ambas. Cada detalhe parecia importante e lindo. Cada traço do rosto uma da outra.
— Eu posso te abraçar? — Regina perguntou um pouco receosa mas estava com tanta saudade da loira que pediu mesmo assim.
— Ah... — Ficou sem reação. — pode.
Mills abriu os braços e abraçou ela com carinho. Um abraço aconchegante e gostoso. Daqueles bom pra chamar de lar.
— Nossa eu estava precisando disso. — Afundou seu rosto no pescoço de Swan.
Sentiu o cheiro gostoso e respirou fundo.
Emma se arrepiou até a espinha. Passou a mão nos cabelos negros hidratados. Foram se separando aos pouco mas a morena fez questão de ficar com seu rosto perto, muito perto.
A loira sorriu sem graça mas não quis continuar com o contato e se afastou um pouco. Regina fez o mesmo totalmente contra sua vontade.
— Olha só.. Eu trouxe outros jogos dessa vez quem sabe você ganhe de mim.
— Bom, daqui não tem como sair. Então o que resta é tentar se melhor que você.
— Eu sei que é. — A morena sorriu e pegou a sacola com os jogos.
Ficaram jogando por um bom tempo. Emma sempre ficava puta por não conseguir ganhar de nenhuma forma de novo. Regina se divertia muito com a situação.
Entre as partidas muita conversa Foi jogada fora também. Porém perguntas mais banais.
Obviamente elas não eram muito parecidas. Emma gostava de verão, Regina de inverno. Emma de salgado, Regina doce. Emma de cachorros Regina de gatos e assim por diante. Mas mesmo assim a conversa fluía e elas estavam se divertindo muito.
Almoçaram juntas, jogaram mais e conversaram mais.
No outro dia não foi diferente mas naquele dia a enfermeira deixou uma cadeira de rodas pra Emma andar pelo hospital se quisesse.
Regina deu a ideia de as duas irem pra rua respirar ar puro então ajudou a loira a ficar na cadeira e caminhou pelos corredores com ela.
Swan ficou tão feliz em poder sair daquele quarto que parecia uma criança. Pediu pra morena acelerar mais e mais e quando viram eram duas crianças correndo pelos corredores dando risada.
Assim que saíram pra fora, no pátio do hospital sentaram no Jardim e conversaram mais ainda. Estavam cada vez mais se conhecendo melhor.
Mulan tentava se aproximar mas viu que não tinha chance porque sempre Regina estava lá pra "atrapalhar". Não tinha chance. E sua melhor amiga também parecia encantada pela madame Mills. As duas uma com a outra na verdade.
Cora ligava todo dia para se atualizar mas sempre se irritava por Mulan não ter chance de separar as duas. Talvez precisasse melhorar os planos.
A semana foi se terminando e todo dia Regina ficava praticamente o dia inteiro no hospital fazendo as mesmas coisas com a loira que amava.
Parecia um paraíso sem fim pra ela. Tudo que ela precisava era estar com o amor da sua vida. Estavam se descobrindo e se conhecendo e tudo correndo muito bem.
Até que teve fim. No último dia Swan já conseguia caminhar bem e se virar. Estava pronta pra receber a alta.
— Oi.. — A morena apareceu na porta um pouco acanhada.
— Oi Madame Mills. — A loira sorriu enquanto arrumava a mala em frente à maca. Já com suas roupas normais e básicas.
— Nossa.. é um pouco estranho te ver sem o pijama do hospital. — Se aproximou sorrindo de canto.
— Pois é deixei de ficar sexy. Ta na hora de ir pra casa.
— Então.. todos esses dias que passamos juntas, você... você não lembrou de mais nada?
— Desculpa Regina.. Não lembrei de nada. Não consegui.
— Não tem que se desculpar. Ta tudo bem.
Emma terminou de arrumar a mala e deu pra Mary que se aproximou cumprimentando a morena e logo foi pro carro.
— Mas eu.. eu sei que vou estar impossibilitada com a prisão domiciliar mas.. quem sabe um dia desses você possa ir la em casa.
Mills ficou tão feliz com aquilo que não conseguiu disfarçar.
— Claro.. podemos marcar.
— Parece que eu só tenho mais hoje de "liberdade". Amanhã vou ser obrigada a usar aquele treco no tornozelo.
— Bom.. — Caminhou até a porta. — Fico feliz que esteja bem. Eu preciso voltar pra trabalhar. — Olhou dentro dos olhos verdes. — Aproveite esse último dia como se fosse o último Srta. Swan. — Saiu pela porta.
A loira respirou fundo e pegou a última bolsa pra sair do quarto.
— É.. Eu não vou sentir falta nenhuma desse lugar.
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Emma
Mary estacionou o fusca em frente ao nosso prédio. Saímos do carro com as malas. Meu país já estava lá em cima.
Quando abri a porta a mesa estava posta com o almoço e uma plaquinha de "Bem vinda". Achei aquilo tão lindo que corri pra abraçar meu pai que me recebeu de braços abertos.
— Pai! Não acredito.. que lindo, muito obrigada eu adorei!
— Infelizmente seu irmão não pode estar aqui também mas pelo menos pra você conseguimos fazer uma coisinha especial. — Minha mãe entrou falando com um sorriso singelo.
Abracei os dois e fui correndo comer porque caramba que saudade que eu senti da comida da minha mãe.
— Se sente bem filha? — David perguntou enquanto a gente comia.
— Muito bem.
— Isso é ótimo. Aconteceu uma coisa engraçada hoje sabe.. — Minha mãe começou. — Eu fui no mercado comprar o que podia e quando fui ver meu saldo no cartão tinha 1000 dólares a mais. Só pode ser bênção!
— Sério mãe? — Fiquei curiosa. Aquela altura eu estava de boca cheia.
— Sim eu não entendi bem mas pelo menos conseguimos fazer um almocinho especial pra ti meu amor.
— Você merece filha. Todos já passamos o suficiente por agora. — Meu pai atacava uma asa de frango enquanto falava.
Naquela hora percebi a quem puxei.
Fiquei pensando naquilo e achei estranho mas depois resolvi esquecer.
Ajudei a limpar tudo depois. Fiz umas ligações pra Ruby e Mulan pra avisar que estava em casa.
Depois resolvi descansar pra pegar leve no começo. Depois de trinta dias eu preciso voltar pra fazer novo exames de prevenção.
Assim que fechei os olhos eu vi um par de olhos castanhos e um sorriso perfeito pra mim. Não conseguia nem dormir sem ver ela? Não pode ser possível e nem normal.
Regina parecia tão encantadora. Os dias que passamos juntas foi o meu refúgio de toda a situação horrorosa de estar naquele hospital. Foi maravilhoso.
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Acordei num pulo. Olhei pro relógio e vi que tinha dormido demais. Tomei um banho rápido e foi aí que eu caí na realidade. Aquele era meu último pra aproveitar sem estar "presa".
"Aproveite esse dia como se fosse o último Srta Swan".
Foi só isso que apareceu na minha cabeça. E se aquele fosse realmente meu último dia? O que eu iria querer fazer? E se eu quisesse eu deveria fazer certo?
Me arrumei o mais rápido que pude. Desci as escadas correndo.
— Tenho que sair gente. — Passei correndo pegando as chaves do carro e fechando a porta.
Dirigi com pressa até o endereço que tava na minha mente e torcendo pra que fosse o certo.
Parei em frente à mansão e estacionei. Corri direto pra porta ofegante.
Apertei a companhia e bati algumas vezes.
Ninguém respondia.
Tentei de novo e de novo.
— Calma.. já estou indo. — Quando ouvi aquela voz meu coração acelerou eu tava soando pra caralho.
Regina abriu a porta e arregalou os olhos surpresa.
— Emma o que você... — Peguei seu rosto com as mãos e beijei aquela boca gostosa com todo o desejo que eu sabia que tinha dentro de mim.
Regina retribuiu aos poucos da mesma forma. Pegou o colarinho da minha jaqueta e me arrastou pra dentro da casa batendo a porta rapidamente.
Continua....
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