Uma prova de amor

19 É melhor assim


Notas iniciais
Volteeeei. Tudo bom com vocês? Senti saudades Música do final do capítulo: Empty Space = James Arthur

Sabe aquela cena de nascer do sol? Passarinhos cantando, céu limpo e claro.
Parecia um dia bonito comum.
Mas pra Regina não estava despertando um dia típico, e sim um dia novo, pra um novo começo uma nova vida.

Pelo menos era assim que ela queria que fosse.

Fazia alguns minutos que ela já havia abrido os olhos e acordado. Emma, do contrário estava atirada nos seus braços e respirando leve que mal dava pra ouvir.

Os cabelos loiros jogados pelo travesseiro, parecia um anjo dormindo de tão tranquila.

A morena a observava sem parar por um minuto aquele belo rosto com traços suaves.

— Será que isso tudo é um sonho? — Sussurrou pra si mesma enquanto resolveu fazer um carinho com o polegar no rosto da outra.

O maior medo da morena era de acordar daquele suposto sonho e toda aquela vida "fake" que tinha tornasse realidade de novo.

A noite anterior tinha sido algo incrível pra ela de uma forma que ela nunca imaginou que seria. Estar num contato tão íntimo com Swan foi o paraíso. Nunca tinha sentido algo do tipo e como tudo na sua vida, pensou que estava bom demais pra ser verdade.

A loira se espreguiçou bem devagar e com uma manha fofa. Logo depois se aconchegou mais pra perto do corpo de Regina como se quisesse juntar os dois corpos num só.

E óbvio que ela não perdeu a oportunidade de agarrar mais ainda aquele corpo escultural de Emma. Era tão aconchegante aquele abraço e gostoso que ela só queria morar ali pra sempre.

— Eu.. te.. amo... — Sussurrou pausadamente no meio de um sorriso.

— Nossa... — Swan abriu os olhos retribuindo o sorriso. — dá vontade de acordar assim todos os dias.

— Se você querer eu topo.. — Passou a mão pelos cabelos dourados.

Ficaram perdidas como sempre no olhar uma da outra por uns longos segundos.

— Regina já tá na hora de acordar né!? — A porta se abriu bruscamente.

No mesmo momento elas se apavoraram e se cobriram com o lençol.

— AI MINHA NOSSA! — A mulher pequena berrou de susto e quase caiu pra trás. — Ai me desculpa eu não pensei que..

Emma soltou uma risada colocando a mão no rosto. Regina queria se enfiar dentro da cama.

— Tinker sai daqui!!

— Mas olha não foi intenção, é que eu chamei chamei e você não atendeu, achei que tinha acontecido alguma coisa..

— TINKER SAI!

— Tá to saindo, também não precisa disso tudo. Eu hein... — Fechou a porta e a morena conseguiu tirar a cabeça pra fora do lençol.

— É.. pra que isso hein.. — Cutucou a loira tirando sarro da vergonha da outra. — Aí não... que horas são?? — Arregalou os olhos e procurou o celular.

— O que foi Emma?

— Preciso estar em casa em 10 minutos pra seguir com o horário daquela tornozeleira se não vão me colocar na cadeia! — Começou a tacar as roupas e colocar depressa quase caindo no chão.

— Calma eu te levo!

— Não eu tô com meu carro eles precisam ver que tá na minha casa.

— Tudo bem mas.. Não precisa que eu vá junto?

— Não eu não preciso. — Respondeu de uma forma mais ríspida terminando de por a roupa.

— Certo. — Ficou pensativa.

— Preciso ir. — Deu um selinho em Regina e saiu correndo dali.

Mills achou estranha a atitude da loira mas resolveu colocar a roupa e descer as escadas. O que achou a pior coisa que devia ter feito pois encontrou sua melhor amiga sentada no sofá com um sorriso malicioso pra ela.

— Me conta tudo! Pode ir contando..

— Você ainda tá aqui é? — Regina sorriu envergonhada e caminhou até a cozinha pra pegar um copo de suco de laranja.

— Claro que eu to, eu até ia embora mas vi que a diversão tinha acabado de sair pela porta. — Sentou em frente ao balcão num tom irônico.

— Não é só diversão... — Bebeu devagar com um olhar suspeito.

— Mentira.. Regina Mills você ta.. ta mesmo apaixonada?

— Eu acho que sim.. provavelmente. Não sei talvez.. é acho que sim. — Se atrapalhou percebendo que sua amiga segurava o riso.

— É com certeza você está. — A loirinha apoiou o rosto entre as mãos como se esperasse por alguma coisa.

— Eu não vou entrar em detalhes contigo Tinker...

— Não precisa entrar em detalhes mas me fala se foi bom.. Como foi a experiência?

— Sinceramente...

— Já sei foi ruim não é? Normal teve uma vez que eu fiz com uma colega na faculdade e foi de curiosidade mesmo mas não foi como eu esperava... sei la a garota era bem esquisita, gostava de umas fantasias doidas e..

— Foi incrível.

— O que?

— Foi maravilhoso Tinker.. Foi perfeito.

— Não é possível.. de primeira assim?

— Foi, me senti muito confortável... — Regina tomou outro gole do suco imaginando algumas cenas da noite passada. — confortável até demais..

— Já entendi! — Interrompe tirando a morena dos seus pensamentos. — Achou melhor do que com homens?

Mills desviou o olhar e caminhou até a sala.

— O que foi Regina?

— Nada.

— Então responde a pergunta. — Sentaram no sofá.

— Eu.. eu nunca me relacionei com homens.

— Jura?? Mas mas..

— Eu fingia, fingia ser a pessoa que a minha mãe queria que eu fosse. Nunca me apaixonei por um homem, então nunca aconteceu. E depois disso, depois de Emma eu não quero mais.

— Nossa que loucura. Essa mulher mudou mesmo a sua vida.

— Você nem faz ideia.

— Fico feliz que tenha corrido atrás, e agora está tudo bem.

— Eu não sei Tinker. Minha mãe continua na cidade. Tenho medo do que ela possa fazer. Com a minha empresa e agora Emma.

— Mas ela nem sabe da loira não é?

— Não e espero que continue assim.

— Vamos torcer.

— Mas e você como está?

— Eu ando bem.. tô saindo com um carinha.

— Hummm olha ela!

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— Tá na hora Srta Swan. — O detetive falou com a tornozeleira na mão. A loira estava um pouco ofegante ainda pela correria de chegar na hora.

— Certo. — Se aproximou e ele colocou no seu tornozelo.

— Lembre-se. Verde está na área, vermelho fora e passando três minutos do vermelho uma viatura vem atrás de você. Pode ir no máximo até a entrada la de baixo se quiser.

— Quanto tempo essa tortura, detetive?

— Se você se comportar.. uns três meses.

— Então prefiro me comportar.

— É o recomendado. — Sorriu e caminhou até a porta acompanhado de Mary e David. — Vai acabar logo logo. Boa sorte!

— Obrigada. — Emma agradeceu com um sorriso meio torto e desanimado.

Ele saiu pela porta que logo foi fechada.

— Gente. — Chamou a atenção dos pais.

— O que foi filha?

— Eu lembrei de tudo!

— Mesmo?? — Mary perguntou surpresa e abraçando a loira.

— Sim eu consegui lembrar de tudo e como aconteceu, como vim parar nessa situação.

— E de Regina? Você lembrou?

— Sim.. na verdade eu estava com ela. — Os dois me olharam parecendo duas crianças curiosas.

— Eu não vou ter essa conversa com vocês. Me recuso. — Emma se virou pra subir as escadas.

— Filha só queremos saber se está feliz. — David comentou.

— Sim eu estou muito feliz com esse treco no meu tornozelo sem poder nem sair de casa. Que aliás não sei como vamos nos manter agora.

— Eu posso fazer umas faxinas ou arrumar um emprego.

— E eu posso trabalhar de vendedor. É só pegar o computador e vender na internet. É o que mais ta dando dinheiro no mundo.

— Pai tu mal sabe ligar o computador.

— Mas eu aprendo, ouvi dizer que minerais se vende bastante no E-bay.

— Eu não to ouvindo isso. Gente eu não quero ver vocês se matando pra por comida na mesa por algo que eu fiz.

— Filha não nos importamos. Você sempre esteve aqui pra nós e agora é a nossa vez. — Mary se aproximou e pegou nas mãos de Emma.

— Mãe na sua situação não tem como trabalhar.

— Mas eu estou me tratando com o Dr. Archie e ele é muito bom. Vamos dar um jeito.

— Eu queria poder ajudar e sair daqui.

— Mas a realidade agora não é essa e devemos aceitar.

— Tudo bem.

— Agora me conta como foi ontem a noite. — Sussurrou pra loira que quase corou.

— Mãe eu preciso tomar banho e ver como ta meu quarto que tá um caos. — Disfarçou subindo as escadas. — Então... eu vou indo.

— Vou fazer o almoço não esquece de descer pra me ajudar.

— Pode deixar. — Subiu até seu quarto e deitou na cama respirando fundo.

Olhou pro teto e depois pra tornozeleira.
— Porra! — Revirou os olhos.

Nem imaginava como iria ser os próximos meses. Ficar infornada naquela casa seria o inferno pra ela e sem poder ajudar em casa pior ainda.

Olhou pro celular e sorriu ao ver uma nova mensagem de Regina.

Oi eu achei esse contato aqui no meio dos meus números e estou retornando pra confirmar se é de uma loira linda que conheci.

— Olá Madame. Com certeza é de uma loira mas o linda já fica de fora.

— Verdade.. ela é mais que isso. Fez a minha noite ser a melhor de 30 anos acredita?

— Acredito por que eu sei como é. Ontem tive uma noite assim também e foi maravilhoso. Com uma morena gata pra caralho (desculpa o termo).

— Geralmente não gosto do termo mas dessa vez eu vou deixar passar.

— Claro que vai, sei que por mim você dá o braço a torcer.

— Não sonhe tão alto Swan.

— Só de pensar em você eu já sonho.

— Quero te ver de novo e logo. Eu poderia?

Depois disso o sorriso da loira caiu e ela largou o celular na cama. Resolveu ir pro banho pra relaxar e processar tudo que estava acontecendo.

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Regina estava em frente ao prédio do seu trabalho pensando no que fazer assim que chegar. Era assim que ela organizava tudo, pensando sempre antes.

Tinha se despedido de Tinker e logo se aprontou pra começar um outro dia em que ela teria que se esforçar muito pra erguer a empresa do zero de novo. Não estava fácil nenhum pouco e pra não surtar ela se consultava com o Doutor Archie semanalmente.

Até mesmo pra tratar sua mente de todo o trauma do acontecido e não ter mais surtos de adrenalina. Estava ajudando aos poucos.

Por fim ela respirou fundo e foi até o elevador.

Quando abriu se deparou com uma surpresa. Robin estava escorado numa das mesas dos funcionários com um sorriso pra ela. Quase levou um susto.

— Minha nossa Robin. O que faz aqui?

— Eu vim te ver gata. — Sorriu daquele jeito cafajeste que era.

— No meu trabalho?

— Não sabia mais onde te encontrar você não responde mais minhas ligações e nem as mensagens. — Regina olhou em volta e notou que seus funcionários estavam olhando de canto fingindo que mexiam no computador.

Ela não precisava desse tipo de situação, não agora.

— Podemos conversar na minha sala?

— Claro princesa. — Caminhou ajeitando o casaco e com a maior postura do mundo. Se achando o galã.

Uma das funcionárias olhou e ele imediatamente piscou pra ela que sorriu toda boba.

Entraram na sala. A morena se sentou em frente à sua mesa e Robin na sua frente.

— Anda sumida não é? Tá me evitando?- Seu tom era bem arrogante.

— Robin eu não sei porque você acha que tem algum direito de vir até meu trabalho e exigir a minha atenção. Se eu não te respondi com certeza eu sabia como e onde te encontrar mas que obviamente não queria e não quero.

— Como assim gata? A gente saiu, dançamos e até se curtiu. Você me beijou. Achei que a gente tinha uma conexão.

— Conexão? Não temos nada.. nada!

— Você chama tudo que aconteceu de nada?

— Saímos uma vez Robin. Agora acabou.

— Não, você é muito louca pra achar que pode sair comigo me iludir e agora jogar fora. Quem pensa que é Regina?

— Isso não diz respeito à você. Não damos certo, eu não quero continuar com isso. Não mais.

— Como assim? Conheceu outro é?

— Como eu disse isso não diz respeito à você.

— Tem outro cara eu sabia! Ninguém me rejeita assim por nada gata. — Ele analisou ela com a mão no queixo e um sorriso sádico. — Engraçado não é? Você tem casa, carro e empresa.. sem marido pra te sustentar. Sozinha assim.. parece até um homem.

— Como é que é?

— É isso mesmo. Eu te vi com uma loira. Tá achando que é homem é Regina?

— Só pode estar louco da cabeça. Quem você pensa que é Robin?

— Tá achando que pode assumir um papel que não é seu. Ser o macho. — Gargalhou como se ouvisse a melhor piada do mundo. — Um conselho que eu te dou. Arruma logo um marido se não as pessoas vão pensar que você é daquelas mulheres que não são mulheres se é que me entende. Eu to bem aqui ó. — Abriu os braços. — Disponível. Mas você prefere ficar se iludindo e bancar o papel do homem, me trocar por uma mulher. Credo que nojo.

— Vai embora agora da minha sala e da minha empresa. — Regina se levantou mantendo a postura e o sorriso cheio de ódio. — E nunca mais volte.

— Olha só pessoal. — Levantou e saiu da sala chamando atenção de todo mundo. A morena logo foi atrás pra parar com o circo que o palhaço estava fazendo.

— Robin vai embora logo!!

— Viram só.. a chefe aqui de vocês quer ser homem. Engraçado porque o intuito dessa empresa não era ser contra esse tipo de doença? Irônico não é? — Apontou pra Regina. — A chefe de vocês não tem um marido pra cuidar dela. Agora eu vejo ela beijando uma mulher na rua, pensando que pode ser macho. Ridículo não é?

— Não liguem pra ele. É perturbado e não aceita não como resposta.

— Pensem bem com quem estão trabalhando porque é uma completa hipócrita. E se essa empresa cair vai ser por culpa dela. Quem for esperto vai fazer que nem eu. Cair FORA! — Ajeitou o casaco mantendo o sorriso e saiu pelo elevador.

Todos os funcionários começaram a se olhar e sussurrar uns para os outros.

— Que merda. — A voz de Ruby foi a única ouvida. Todos olharam pra ela. — É... com licença pessoal. — Saiu dali seguindo Regina até a sala e fechando a porta. — Você ta bem Regina?

— Eu não acredito que aquele cretino desgraçado fez isso. — Começou a andar de um lado para o outro.

— Porque não revidou? Eu fiquei com vontade de espremer ele até virar suco!

— Não vale a pena Ruby. Eu não discuto com pessoas totalmente desprovidas de inteligência mental. — A morena respirou fundo olhando pela janela. — E acreditar que eu pensava dessa forma.

— Relaxa não vai ser isso que vai fazer todo mundo ir embora. Estamos com você faz cinco anos.

Ouviram batidas na porta. Ruby abriu e um funcionário entrou entregando o crachá em cima da mesa da morena.

— Desculpa Regina eu não quero fazer parte disso com uma pessoa hipócrita desse jeito. Tô fora.

— Eu também.. — Os funcionários fizeram fila e foram jogando seus crachás um atrás do outro.

Ficaram na empresa um ou dois fora Ruby.

— Quer dizer... retiro o que disse. — A morena dos olhos azuis comentou e a dos olhos castanhos quase largou o corpo na cadeira.

Alguns segundos se passaram no silêncio. Regina olhava um ponto qualquer pensativa.

— Calma..vamos dar um jeito. Esses merdas são tudo falsos. Nos livramos deles. Podemos contratar outros.

— Você pode ir também Ruby.

— O que?

— Está liberada se quiser ir.

— Tá doida? Não, se eu te aguentei até agora eu te aguento por mais tempo e ainda mais melhorada desse jeito namorando a minha amiga. Quer dizer com todo o respeito.

— Não estamos namorando. Enfim.. eu.. eu não esperava por isso.

— Muito menos eu. — Ruby sentou na sua frente com um semblante caído. — O que vamos fazer agora?

Regina respirou fundo segurando com todas as suas forças pra não chorar e manter a postura. Naquele momento estava se sentindo como se tivessem enfiado mil facas no seu peito. A empresa era tudo o que tinha. Era basicamente sua vida inteira.

— Você e os outros tirem o dia de folga. Eu preciso pensar em tudo que aconteceu.

— Regina eu posso ficar e tentar ajudar sabe..

— Agradeço por tudo Ruby. Mas no momento não tem muito o que fazer.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Na cafeteria mais cara da cidade, Cora se encontrava sentada tomando seu café expresso puro e sem açúcar. Junto com isso uma torta de cramberry sem glúten.

Um homem abre a porta do estabelecimento e caminha até sua mesa se sentando a frente dela.

— Deu certo o plano?

— Sim. Acabei com a reputação e a empresa dela. — O loiro tinha um sorriso nos lábios. Fez um sinal de arma pra atirar e assoprou os dedos depois.

— Ótimo. — Entregou a ele um envelope de dinheiro. — Fez bem.

— Mas e a minha outra parte?

— E qual seria?

— Regina. Eu quero ela pra mim. Nenhuma mulher me rejeita assim. Quero que ela seja minha.

— Isso pode apostar que sim querido. Assim que eu acabar com ela.

— Mas já não acabou?

— Ainda não. — Deu seu último gole no café e foi embora.

No apartamento não tão longe dali Emma se encontra na cozinha comendo uma maçã e olhando vagas em casa na internet.

Estava preocupada mais que ninguém em como sustentar a família dessa vez. Era quase impossível. Pensou e pedir ajuda pra Regina mas jamais largaria seu orgulho pra isso.

Antes disso ela tinha ficado mais de meia hora no telefone com o hospital explicando sua situação pra sua chefe.
Depois de muita conversa, chegaram a conclusão de precisar demiti-la pra depois voltarem a contrata-la se assim ela quisesse.

Sem ter muita escolha aceitou. Mas pelo menos com o dinheiro que iria receber dava pra se manter um pouco.

Perdida nesses pensamentos ouviu a campainha tocar. Mary tinha saído pra procurar empregos de faxina e seu pai estava no quarto tentando mexer no computador.

Foi até a porta e abriu observando a mulher a sua frente dos pés a cabeça.

— Pois não?

— Oi querida. Como vai? Gostaria de entrar pra conversar um assunto muito importante com você.

— E quem seria a senhora?

— Cora.. Cora Mills.

Emma engoliu e seco. Estava cara a cara com a querida sogra.

— Precisamos conversar sobre a minha filha.

A loira deu passagem pra entrar já esperando que não fosse nada bom.

A mais velha entrou, olhou para o apartamento e fez uma cara de desgosto.

— Pode se sentar se quiser.

— Eu não vou demorar muito. — Forçou um sorriso.

— Quer algo pra beber?

— Não obrigada. Vou direto ao assunto. Como você já deve saber Regina Mills minha filha, sempre foi uma mulher esforçada, exemplar inteligente e focada. Mas na realidade ela nunca foi nada disso. Regina tem problemas e digo problemas mentais sérios. Garanto que ela disse que o pai dela nos deixou e eu fiz da vida dela um pesadelo.

— Ela disse inferno, mas tudo bem.

— Sim esses foram os termos usados por ela. Mas ela faz isso, encontra os mais fracos e... bem, doentes, pra se aproveitar. — Emma cruzou os braços e ergueu as sobrancelhas.

— Fui eu quem quis ir atrás dela.

— Foi mesmo? Ou você só entrou no joguinho dela? O pai dela nunca nos deixou. Ele morreu. Eu só estou tentando esclarecer pra você meu bem.. que não se deve meter na vida de alguém como ela. Por isso eu vim pra cidade. Pra dar a ela o devido tratamento que ela sempre deixa de acompanhar. Eu conheço ela mais do que ninguém. Com toda a certeza ela disse que sou terrível e coisas do tipo. Mas não sou eu. A única coisa que sempre fiz foi tentar ajudá-la a se tratar e melhorar. Então sim Regina tem um distúrbio mental gravíssimo.

Swan ouvia com atenção.

Cora respirou fundo com pesar e retirou um cheque da sua bolsa.

— Pelo transtorno e minhas sinceras desculpas eu peço que aceite esse cheque e coloque a quantia que precisar. Sei que estão precisando ainda mais agora considerando sua.. — Olhou pro tornozelo dela. — situação.

— Espera aí... — A loira se afastou pra pensar. — Tá me dizendo que Regina mentiu sobre tudo e que na verdade ela só tem problemas mentais?

— É triste dizer mas.. isso veio de alguns anos pra cá. Você não é a primeira pessoa que ela tenta manipular.

— Eu não consigo acreditar em você.

— Tudo bem. Entendo que possa ser um choque mesmo. É normal já passei por isso várias vezes. Ela não está conseguindo nem manter o próprio negócio.

— Mas ela.. ela disse que mudou que eu fiz ela ser melhor que ela abriu os olhos e..

— que tudo agora faz sentido, não é?

— É Mas..

— Ela é assim Srta. Swan. Lamento mas a minha filha precisa sempre de cuidados. Eu não deveria ter deixado ela sozinha tanto tempo.

— Mas e tudo que ela fez por mim.. salvou minha vida. Porque ela faria isso?

— É tudo um jogo pra ela. É assim que funciona. Acredite, estou te poupando de mais sofrimento. Por favor aceite esse presente de desculpas e não procure mais ela. Ela só vai continuar o jogo e manipular você até te consumir. Não queira arriscar pra ver, eu já vi acontecer e não acabou nada bem.

— Eu... não pode ser possível. Não..

— Imagine pra mim como mãe ter que passar por isso. — Lágrimas começaram a descer dos seus olhos e ela começou a enxugar. — Toda vez é difícil.

Swan observou e se comoveu com aquela cena. Aquilo tinha mexido com ela. Não tinha como alguém fingir aquilo se tratando da própria filha na cabeça dela. Parecia que toda aquela paixão que tinha passado com Regina morreu junto com a farsa dela. Estava mesmo bom demais pra ser verdade. Ainda bem que Cora veio antes que ficasse pior.

— Eu não vou aceitar o cheque mas.. eu preciso pensar sobre isso.

— Claro. É óbvio que ela vai negar e continuar o teatro. Mas enfim.. eu quero que fique com o cheque. — Cora assinou e colocou uma quantia considerável ali entregando pra Emma. — Se não quiser usar pode jogar fora. Mas eu pensaria na minha família primeiro. Igual como estou fazendo agora.

— Tudo bem. — A loira viu a mais velha terminando de enxugar as lágrimas.

— Obrigada Srta Swan e mais uma vez minha sinceras desculpas. Tenha um bom dia. — Saiu pela porta como se nada tivesse acontecido.

Emma sentiu seus olhos encherem d'água tão rápido quanto respirou. Sentou no próprio chão e colocou as mãos na cabeça começando a chorar.

Não podia ser verdade que a única coisa mais incrível que tinha acontecido na sua vida tinha sido mentira. Era muita coisa em tão pouco tempo, não sabia se podia aguentar.

Da mesma forma se encontrava Regina dirigindo seu carro. Chorava sem parar incessantemente. Era muito difícil ser forte naquele momento. Um simples discurso de um merda tinha acabado com seu sonho de carreira. Parecia que mais nada tinha solução.

I don't see you
You're not in every window I look through
And I don't miss you

Começou a cair uma chuva forte naquela hora e piorava cada vez mais. O único lugar em que pensou ir foi para os braços da sua loira. Quando viu já tinha estacionado na frente do apartamento.

Saiu do carro e andou na chuva até a porta. Chegando perto avistou Emma na entrada.

I won't hear it
Whenever anybody says your name
And I won't feel it
Even when I'm burstin' into flames


— Oi

— Oi Regina.

— Você não faz ideia do quanto eu preciso de você agora. Posso entrar? — Seu corpo foi pra frente pra tentar entrar mas o da loira não deixou. — O que foi Emma? — Ela teve que falar bem mais alto por conta do barulho da chuva.

I'm alone in my head
Looking for love in a stranger's bed
But I don't think I'll find it
'Cause only you could fill this empty space

— Eu e você Regina.. Não damos certo e nunca vamos dar. — A chuva tava tão forte que começou a molhar Swan também.

— Do que está falando?

— Eu não quero mais te ver.

— Eu não entendo Emma. Você disse que me amava.

— Eu menti. — Não dava pra perceber se era as lágrimas caindo ou a chuva no seu rosto.

Space, space
This empty space
Space, space, this
'Cause only you could fill this empty space



— Não... Você não mentiu. Eu vi nos seus olhos.

— Eu não vou mas cair nesses seus jogos. E eu ficando mal por você vir e me ver nesse estado com essa merda no tornozelo. Mas você tá bem pior não é?

— O que... mas eu.. não tem jogo nenhum Emma. — Regina se aproximou e pegou o rosto da loira com as mãos. — Presta atenção, não tem jogo nenhum, eu estou aqui pra ti.

Swan tentou desviar o olhar, aquilo estava sendo muito difícil pra ela. A morena encostou sua testa na dela e fechou os olhos no meio daquela chuva.


Cause only you could fill this empty space
I wanna tell all my friends
But I don't think they would understand
It's somethin' l've decided
'Cause only you could fill this empty space


— Eu te amo Emma Swan. Eu tenho certeza disso. Nada mais. — Aproximou seus lábios e beijou o amor da sua vida com carinho e intensidade.

A loira retribuiu o beijo do mesmo jeito sentindo as lágrimas se misturarem a chuva gelada.

Pegou na cintura de Regina e aprofundou o toque misturando suas línguas. Era tão difícil mas precisava ser feito para evitar mais sofrimento mesmo amando aquela mulher com todas as forças.

Space, space
This empty space
Space, space, this
'Cause only you could fill this empty space


Se afastou do beijo segurando pra não soluçar entre o choro.

— É melhor assim Regina. Adeus. — Entrou pra dentro o mais rápido que pode sem olhar pra trás.

I couldn't make you love me (space)
Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah
I couldn't make you love me (space)
I couldn't make you love me



A morena chorava compulsivamente olhando a mulher da sua vida sumir do seu campo de visão. E o sentimento que estava sentindo era que nunca mais iria ver ela de novo.

Notas finais
Não me matem gente. Calma que tudo vai dar certo kkkk