Uma princesa em apuros
2 Capitulo 2
Só Deus sabe onde estou...
Querido diário,
Eu não faço ideia da onde estou e o que querem comigo, tudo que sei é que quando cheguei na cozinha do palácio homens encapuzados vieram e me seguraram, um homem aplicou uma injeção em meu braço e em questões de segundos minha visão foi ficando turva até que apaguei.
Acordei nesse quarto mal iluminado que mais se parece com um sótão, é bem arrumado e as paredes têm até um papel bonitinho cor de rosa, mas ainda sim se parece com um sótão. Só tem uma janela pequena redonda que fica mais alta do chão do que qualquer outra janela comum.
Já fazem algumas horas que acordei e estou aqui sozinha, não sei porque deixaram meu diário aqui comigo, mas de qualquer maneira isso foi muito bom, já que posso me distrair um pouco. Eu gritei algumas vezes pedindo para me tirarem daqui, mas alguém bateu forte na porta do lado de fora e me disse que se eu não me calasse ele entraria e me apagaria novamente.
Eu só quero ir para casa, meus pais e Jenni devem estar preocupados, tenho certeza que já estão atrás de mim. Vou parar de escrever tem alguém destrancando a porta.
30 minutos depois, dia Quarta – feira, 14 de Março, hora do almoço
Você já encontrou com alguém que nunca imaginaria ver novamente? E pior nem se lembrava mais da existência dessa pessoa? Comigo acabou de acontecer! Klaus, um ex-colega de sala meu, acabou de sair do quarto onde estou. Ele veio trazer meu almoço, perguntei que dia era hoje e porque eu estava ali.
— Hoje é quarta-feira, você dormiu muito sabia? — Ele sorriu. — Você sempre dormiu muito ou fomos nós que exageramos no calmante?
— Porque você está fazendo isso? O que você quer de mim? — Indaguei.
Ele parou de sorrir e andou em minha direção parando para se sentar ao meu lado.
— Ainda é muito cedo para você saber, mas em breve ficará a par de tudo o que está acontecendo. — Ele esticou sua mão para pegar uma mecha do meu cabelo e colocar atrás da minha orelha, eu recuei com medo. — A única informação que eu ache que seja necessária, é que não estamos na Inglaterra e nem temos vizinhos aqui por perto, então não adianta gritar, chorar ou fazer qualquer tipo de escândalo, pois será em vão e vamos te dar outra dose de calmante.
— De quanto você precisa? É só dizer seu valor para meu pai e...
— EU NÃO QUERO SEU DINHEIRO! — Klaus gritou. — Por todos esses anos você sequer me notou, não deu a mínima para mim...
Foi ai que percebi que talvez nunca mais ele me soltaria daqui.
— Eu quero você Isabela. — Eu recuei para trás, mas ele me pegou pelo ombro e me puxou para si. — Eu não quero que você fique com mais ninguém além de mim.
Eu fiquei tão apavorada que comecei a soluçar alto, minhas lagrimas rolavam pelo meu rosto. Eu não queria que ele me tocasse, eu não queria ver ele. Sentia nojo e horror dele.
— Você será minha e de mais ninguém. — Ele me olhava nos olhos, seus rosto estava muito próximo ao meu, eu olhei para baixo deixando meu rosto meio que de lado. — O Arthur jamais roubará você de mim.
Então, Klaus se levantou bruscamente e andou em direção a porta.
— É melhor você comer. — Ele se virou para mim. — Ficará por muito tempo aqui, não quero que fique doente.
Então ele abriu a porta e saiu, me deixando sozinha.
Eu nunca tive muita amizade com Klaus, mas também nunca o destratei ou fiz qualquer coisa que pudesse o magoar tanto a ponto de fazer uma atrocidade dessas. Como ele pode fazer isso como alguém? O que eu fiz para ele de tão grave que eu merecesse ficar aqui, presa neste lugar? Eu não sei o que vou fazer, mas eu vou dar um jeito de fugir daqui.
{...}
Quarta – feira, 14 de Março, á noite
Fiquei o dia inteiro fuçando cada pedacinho do meu quarto temporário, em uma das paredes tem uma estante cheia de livros, e para minha surpresa são os que eu mais gosto. Queria saber o como ele sabe que estes são os livros que eu gosto de ler.
Também tenho meu próprio banheiro aqui, mas não tem janela, então não faço ideia de como é lá fora. Tentei olhar pela janela subindo em uma cadeia, mas descobri que do lado de fora tem madeiras pregadas nelas, só tem uma ou duas frestinhas permitindo que a luz do dia entre, porém não são grandes o suficiente para ver lá fora.
No guarda-roupa haviam vários vestidos, calças, jaquetas, casacos, pares de diferentes tipos de sapatos. Abri algumas gavetas e encontrei de roupas intimas a camisetas e shorts. Será que tudo aquilo servia em mim? Como ele descobriu meu número? Será que o empregado novo tem algo a ver com isso? Só podia! Era a única explicação.
Quando o sol começou a se por um homem mal encarado e tão alto e forte quanto meus seguranças, entrou trazendo uma bandeja com meu jantar e levou a bandeja que nem toquei do almoço.
— O patrão não vai gostar nada de saber que você não almoçou. — O homem falou. — É melhor você jantar.
— Posso saber seu nome pelo menos? — Perguntei.
— Me chame de Tom. — Ele falou.
— Tom, fale para seu patrão que eu mandei ele ir a merda. — Andei batendo meus pés no assoalho de madeira e me tranquei no banheiro, só sai quando ouvi a porta sendo trancada novamente.
Corri para o quarto e fui até a escrivaninha que ficava ao lado da minha cama, onde Tom havia posto a bandeja. Tirei a tampa, e vi que tinha um bife bem passado que parecia estar suculento, purê, pedaços de cenoura em rodela e um copo de suco de laranja. O cheiro estava ótimo, fez meu estomago roncar na hora me lembrando que eu não comia desde terça-feira. Me sentei na cadeira rapidamente e comi minha janta.
Agora estou esperando que alguém aparece para levar a bandeja ou que Klaus aparece para me torturar ou fazer algo do tipo. Nunca imaginei que ele pudesse fazer algo do tipo, ele sempre demonstrou ser o melhor aluno da sala e sempre tinha garotas correndo atrás dele. Por mais cruel que ele está sendo, tenho que admitir que ele nunca foi feio, pelo contrário até que ele é bonito. Ele é alto, tem olhos verdes e cabelos castanhos que caem na frente de seu rosto. Mas agora tudo o que eu sempre vou enxergar quando olhar para ele é um monstro sem sentimentos, que não respeita a realeza de seu próprio país, quanto mais a mim um simples ser humano como qualquer outro.
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