Uma patricinha de outro jeito.
6 Capítulo 6
Depois eu voltei a minha rotina normal. Escola, ensaio, casa, aula de dança. Mas eu não era a mesma Caroline de antes.
E não era mesmo, afinal, a garota com cabelo loiro comprido e roupas super rosinhas e fofinhas não existiam mais. Agora era cabelo curto e roupas casuais e confortáveis.
Mas eu não mudei só fisicamente como interiormente. Todas aquelas pessoas na minha sala com quem eu não conversava por serem “deslocado do meu antigo mundinho popular” agora eram meus amigos.
Erick e eu passamos a namorar sério, teve até uma janta onde ele conheceu meu pai, e eles ficaram bem amigos.
Chris nunca mais falou comigo, ou estava envergonhada ou com raiva. Patrícia viajou alguns dias para Nova Iorque, mas ela conversava todo dia comigo pelo Skype ou WhastsApp.
Christopher me pediu desculpas, falou que ainda gostava de min, mas sabia que “nós dois” não existe mais.
Eu acordei aquela manhã, fui para a escola. Como era quase final de ano eu havia faltado esses dias precisava recuperar minha nota acabei vindo em dias que quase ninguém vinha.
No recreio sentei na mesa de sempre, agora vazia. Quando faltavam quase dez minutos para bater o sinal, Maria apareceu e pediu se podia sentar do meu lado. Eu assenti.
Fiquemos em silêncio alguns longos segundos até que ela começou a falar:
– Eu sei que você não gosta de min. E com motivo, afinal eu fui uma tremenda vaca com você.
– É.
– Nós éramos muito amigas Carol, e eu queria que esse laço continuasse, mas quando eu cheguei aqui depois de um ano você já estava com novos amigos, com um namorado, com uma vida social nova e eu estava deslocada. Você estava se dando bem e eu continuava na mesma.
– Eu não havia mudado nada Maria, eu continuava a mesma pessoa, só que mais velha e mais inteligente.
– Eu sei! Mas eu não queria aceitar isso Carol, você sabe que eu era muito possesiva e não gostava que ninguém fosse melhor que eu. Mas você era então eu comecei a fazer tudo o que você fazia para se melhor que você.
– E ser melhor que eu consistia em ferrar a minha vida?
– Também. Olha, eu estou me desculpando de tudo. Claro que desculpas não vão mudar muita coisa, mas só queria que você soubesse que eu me arrependo. E eu estou me tornando uma pessoa melhor, eu acho, então, estou tentando.
– Eu te desculpo.
– Então como você não vai me desculpar, queria que não ficasse aquele clima esquisito em nós. Espera o que?
– Eu te desculpo. Afinal não se termina uma amizade de 6 anos assim. Eu acredito que você possa mudar e vou te ajudar a mudar, pode ser?
– Caralho, você mudou mesmo.
– Eu não mudei Maria, eu sempre fui assim, só que vocês não me conheciam direito.
Então ela me abraçou, e nós ficamos assim até ela começar a chorar. O sinal tocou e nós ficamos juntas em todas as aulas que se seguiram. Quando elas finalmente acabaram depois de duas semanas fomos para minha casa com toda a galera e comemos pizza e batata frita a noite inteira, contando histórias, com verdade ou consequência.
Tudo mudou. O garoto que eu nem conhecia direito virou meu namorado, o meu ex-namorado virou meu amigo, minha inimiga virou minha melhor amiga, minha melhor amiga virou minha super melhor amiga, pessoas que eu nem fazia questão em conhecer viraram minha “galera”. E eu? Eu virei a Carolina Kirsten que sempre fui, sempre serei, e nunca vou mudar de novo, jamais.
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