– Vestido ou saia? – digo para Patrícia que está sentada na minha cama.

– Vestido. – ela diz com cara de tédio.

– Liso ou estampado?

– Estampado Carol. Porque você está tão interessada no seu look.

– Porque por mais que seja um encontro com Erick. É um encontro.

– Sim Sra. Sabichona.

Fui para o Closet e peguei um vestido estampado azul com margaridas branquinhas e uma sapatilha preta. O cabelo loiro com baby lis.

Saio do closet.

– Assim? – digo dando uma rodadinha.

– Carol você está perfeita.

– Que horas são?

– 6h

– Vamos. Já estou atrasada.

Ela me acompanha até perto do Café & Afins e depois vai embora.

Erick está sentado com uma calça jeans azul e um casaco xadrez vermelho. Ele levanta a me ver.

– Nossa, você está linda.

Coloco uma mecha atrás da orelha e respondo.

– Obrigado. Você também está.

– Linda? – ele diz com um sorriso.

– Bonito. – digo.

– Obrigado.

Ele puxa a cadeira e eu me sento. Fred vem atender nós.

– O que desejam? – diz ele.

– Um Frozen de chocolate. – digo.

– Um Cappuccino tradicional, por favor.

Ele coloca a conta e depois trás os pedidos.

– Você contou para alguém aquilo? – digo para quebrar o gelo.

– Do seu lado geek? Não.

– De a sua opinião sobre isso. Pela sua cara você acha isso idiota.

– Porque é.

– Eu tenho vergonha Erick.

– Você? Com vergonha?

– Minha mãe.

– O que tem ela.

– No diário dela está escrito: Eu quero que um dia minha filha seja igual a min.

– E sua mãe era? – diz ele em dúvida.

– Uma legitima Patricinha. E eu sei que você me acha patricinha Erick.

– Oras você parece.

– Mas sendo assim eu me sinto mas próxima da minha mãe.

– Ela e seu pai se separaram?

– Ela foi morta. Em um assalto.

– Desculpe eu não sabia. Mas vocês não acha que deveria ser você mesma?

– Acho. Mas...

– Tudo bem. – ele diz me olhando com compaixão.

– Não precisa ter pena de min Erick. Eu não preciso disso.

– Não estou com pena.

– Tá mudando de assunto. Você gosta de ler né?

– Sim.

– Então porque não leu o livro de Literatura?

– Eu li.

– O que? Como assim? Você não sabia nada!

– Sabia sim. – ele diz me olhando sério.

– Então porque você precisou da minha ajuda.

– Em primeiro lugar: Medo de falar em público.

– Sabia. – eu disse rindo.

– Em segundo lugar: Eu travei quando fiquei cara a cara com você.

Aquilo me calou. Isso foi uma indireta dele me dizendo que está afim de min?

– Que?

– Sei lá. Meu corpo travou.

Nós terminamos o café em silêncio. E depois saímos da cafeteria.

– Você quer que eu te leve para casa?

Caminhamos um pouco em silêncio até chegar na praça, onde tudo estava iluminado com luzes brancas. Então entramos na praça.

– Você já leu Jogos Vorazes? – digo tentando cortar o gelo denovo.

– Sim. Mas a minha trilogia favorita é Divergente.

– Eu gosto das duas. São ótimas. Mas me identifico muito com as Tris.

– Você tem um pouco de Tris Prior.

Dou risada.

– Isso é um elogio? Ou não?

– Os dois.

– Você é muito parecido com o Tobias. Então.

– Tris e Tobias são namorados Carol.

– Eu sei. – digo com as bochechas rosadas.

– Viu até as bochechas vermelhas vocês tem igual.

– Você tem quatro medos Tobias? – digo.

– Não sei. – ele da risada. — Mas eu acho que somos Tris e Tobias separados.

– Por quê?

– Porque não somos namorados Carol.

– Então já sei por quem você parece.

– Quem?

– Dean Winchester.

– Não me diga que...

– Sim eu sou viciada nessa série. E eu amo o Dean e o Castiel.

Ele fica quieto. E para de caminhar.

– Meu corpo travou Carol. Porque você me tocou. Travou quando você me beijou. Travou quando você me olhou. – ele diz olhando para baixo.

– Seria estranho eu falar que o meu também travou? – eu digo me aproximando dele.

Ele olha para cima.

– Que vergonha. – diz ele.

– Vergonha do que? – digo.

– De falar isso. Desculpe-me.

Antes que ele fale qualquer outra coisa eu o beijo.

O primeiro beijo que eu dou em alguém depois de Christopher. Quando nossos rostos de afastam eu olho para baixo, meu corpo está tremendo.

– Ou. – ele diz.

Depois disso tudo ele só diz “ou”?

Nós continuamos andando até em frente ao meu apartamento.

– Então é aqui que você mora...

– É.

– Então foi bom sair com você.

– A maior parte do tempo eu fiquei falando de min. – digo.

– Foi bom saber mais sobre uma Caroline que eu não conhecia.

– Ninguém conhecia.

Então dessa vez ele me beija. Por muito mais tempo. As pessoas que passam na calçada parecem apenas vultos e flashbacks. Está tudo concentrado ali. Em min e Erick. O garoto que eu considerava um geek nada popular e que agora eu estou gostando.

Ele coloca a mão na minha cintura e eu em seu cabelo. Macio e fino.

Nossos rostos se afastam. Ele encara minha boca.

– Eu gosto de você seu geek. – digo com um sorriso no rosto.

Ele olha nos meus olhos.

– Eu também gosto de você patricinha.

Então ele me beija de novo. E depois nos despedimos.

– Então você tá com o Erick? – diz Patrícia enquanto voltávamos da aula.

Hoje eu vi Christopher com Maria, mas não senti raiva. Aliás, eu sorri para eles dois. Erick e eu ficávamos trocando olhares nas aulas que somos colegas. Não o encontrei no armário e nem durante o almoço. No final da aula vi ela e Erick conversando, fiquei irritada e quando ele percebeu que eu estava olhando me seguiu mas eu me escondi na sala de música.

No treino das líderes hoje a Maria acabou me substituindo na primeira fila porque eu tinha recuperação em Matemática. Chris disse que ela está tomando meu lugar. E eu estou começando a acreditar nisso.

– É eu acho que estou.

– Ele é legal?

– Sim.

– Carol o que foi?

– Maria.

– O que tem ela.

– Erick e Maria.

Então uma ideia veio na minha cabeça. E se Maria não armou um plano para min? Junto com Erick.

– O que?

– Nada.

Patrícia foi pra casa dela e eu fui andando até a minha. Então ouvi alguém correndo atrás de min.

– Carol. Espere. – disse Erick.

Eu me virei.

– Sim? – disse com frieza.

– Que cara é essa?

– A única que eu tenho.

– Sobre a Maria desculpe ela veio conversar comigo, mas eu vi que você nos viu e deixei-a falando sozinha.

– E ela veio falar o que?

– Pediu como eu estava.

– Ata.

– Você esta com ciúmes? – ele disse dando uma risadinha.

– Não!

– Estava sim! – ele me da um beijo e eu relaxo.

– Tomara que esses beijos virem rotina. – digo.

– Isso é um pedido de namoro?

– Não sei? Você precisa ter iniciativa afinal você é o príncipe aqui.

Ele me agarra e me da outro beijo.

– Você quer ir pra minha casa? Sem más intenções, apenas um filme.

– Pode ser. Aonde é sua casa?

Nós andamos de mãos dadas até minha casa.

– Mas?

Então ele vai em direção ao prédio ao lado. Ao qual meu quarto fica na frente.

– Você é meu vizinho e não me falou? – digo.

– Sou mais que seu vizinho.

Nós subimos para o apartamento dele. A janela do seu quarto e da sala da direta para o meu quarto.

– Então era você que estava me vigiando segunda quando eu estava ensaiando?

Ele fica vermelho.

– Era.

– E ai?

– E ai o que?

– Eu danço bem?

– Do mesmo jeito que beija. – ele diz me dando outro beijo. – E ai qual filme você quer assistir.

– Seus pais. Você não me falou deles.

Ele olha para o lado.

– Abandonado e criado pela tia. Não sei se eles estão vivos ou não.

– Desculpe. Que tal A Mentira?

– Você gosta desse filme?

– É um dos meus preferidos. Ou também Os Vingadores.

– Capitão América?

– Sim. – digo sentando no sofá.

Ele abre o sofá fazendo com que fique maior. Liga o ar-condicionado, traz um cobertor e pipoca e coloca o filme. Senta ao meu lado e eu deito a cabeça em seu ombro.

– Quem diria. Eu estou com Caroline Kirsten.

– Porque você está falando isso? – digo.

– Eu ainda não acredito. Seu pai é tipo o dono da maior parte de escritórios de todo o país.

– Mas eu não sou meu pai.

– Ele é metido? – isso faz com que eu levante e fiquei o encarando.

– Não. Ele é muito legal. Mas rígido e ausente. Eu acho que só o vejo chegar a casa há noite.

A porta abre. Uma mulher de mais ou menos uns 45 anos entra na sala e se da de cara com nós dois.

– Bom dia! – ela diz com uma mudança drástica de tristeza para felicidade.

– Oi. – digo me levantando. – Sou Caroline. Amiga do Erick.

– Prazer Caroline eu sou a tia dele Iara. – ela diz me dando um beijo na bochecha.

– Tia. A Carol vai assistir a um filme comigo.

– Sim. Claro. Eu preciso ir ao mercado então cuide para ver se o Percy não vai ficar sem água. E faça a janta porque acho que eu não vou voltar tão cedo.

Eu volto para sofá e dês pauso o filme. Ele senta no meu lado e coloca a mão sobre meu ombro e eu encosto a cabeça no seu.

– Quem é Percy? – pergunto.

– Meu cachorro.

– Oh Deus você tem um cachorro? Onde ele está?

– A gente não vai assistir ao filme?

– Eu olhei esse filme 800 vezes.

– O.K.

Ele vai para seu quarto e eu o sigo. Um São Bernardo castanho claro está deitado em cima da cama olhando para a parede.

– Ele é bravo? – pergunto.

– Não. Só se ele não gosta de você.

Eu me aproximo devagar e ele se vira na minha direção.

– Oi Percy! – digo passando a mão em sua cabeça e ele vira de barriga para cima. – Que fofo que você é Percy.

– Eu acho que ele gostou de você. – Erick diz deitando em cima do cachorro.

– Ai coitadinho. Você sabia que é gordo né? — eu digo colocando a cabeça de Percy em cima da minha perna.

– Mas gordo que o Percy não. – ele diz dando risada.

– Eu queria um cachorro. Agora eu vou roubar o Percy de você.

– Pode levar ele é chato. – ele diz apertando as gordurinha de Percy.

– Olha que eu levo.

Eu me aproximo de Erick e dou um beijo nele. Percy começa a lamber a minha cara. Eu caio na gargalhada.