Uma patricinha de outro jeito.
3 Capítulo 3
– Vestido ou saia? – digo para Patrícia que está sentada na minha cama.
– Vestido. – ela diz com cara de tédio.
– Liso ou estampado?
– Estampado Carol. Porque você está tão interessada no seu look.
– Porque por mais que seja um encontro com Erick. É um encontro.
– Sim Sra. Sabichona.
Fui para o Closet e peguei um vestido estampado azul com margaridas branquinhas e uma sapatilha preta. O cabelo loiro com baby lis.
Saio do closet.
– Assim? – digo dando uma rodadinha.
– Carol você está perfeita.
– Que horas são?
– 6h
– Vamos. Já estou atrasada.
Ela me acompanha até perto do Café & Afins e depois vai embora.
Erick está sentado com uma calça jeans azul e um casaco xadrez vermelho. Ele levanta a me ver.
– Nossa, você está linda.
Coloco uma mecha atrás da orelha e respondo.
– Obrigado. Você também está.
– Linda? – ele diz com um sorriso.
– Bonito. – digo.
– Obrigado.
Ele puxa a cadeira e eu me sento. Fred vem atender nós.
– O que desejam? – diz ele.
– Um Frozen de chocolate. – digo.
– Um Cappuccino tradicional, por favor.
Ele coloca a conta e depois trás os pedidos.
– Você contou para alguém aquilo? – digo para quebrar o gelo.
– Do seu lado geek? Não.
– De a sua opinião sobre isso. Pela sua cara você acha isso idiota.
– Porque é.
– Eu tenho vergonha Erick.
– Você? Com vergonha?
– Minha mãe.
– O que tem ela.
– No diário dela está escrito: Eu quero que um dia minha filha seja igual a min.
– E sua mãe era? – diz ele em dúvida.
– Uma legitima Patricinha. E eu sei que você me acha patricinha Erick.
– Oras você parece.
– Mas sendo assim eu me sinto mas próxima da minha mãe.
– Ela e seu pai se separaram?
– Ela foi morta. Em um assalto.
– Desculpe eu não sabia. Mas vocês não acha que deveria ser você mesma?
– Acho. Mas...
– Tudo bem. – ele diz me olhando com compaixão.
– Não precisa ter pena de min Erick. Eu não preciso disso.
– Não estou com pena.
– Tá mudando de assunto. Você gosta de ler né?
– Sim.
– Então porque não leu o livro de Literatura?
– Eu li.
– O que? Como assim? Você não sabia nada!
– Sabia sim. – ele diz me olhando sério.
– Então porque você precisou da minha ajuda.
– Em primeiro lugar: Medo de falar em público.
– Sabia. – eu disse rindo.
– Em segundo lugar: Eu travei quando fiquei cara a cara com você.
Aquilo me calou. Isso foi uma indireta dele me dizendo que está afim de min?
– Que?
– Sei lá. Meu corpo travou.
Nós terminamos o café em silêncio. E depois saímos da cafeteria.
– Você quer que eu te leve para casa?
Caminhamos um pouco em silêncio até chegar na praça, onde tudo estava iluminado com luzes brancas. Então entramos na praça.
– Você já leu Jogos Vorazes? – digo tentando cortar o gelo denovo.
– Sim. Mas a minha trilogia favorita é Divergente.
– Eu gosto das duas. São ótimas. Mas me identifico muito com as Tris.
– Você tem um pouco de Tris Prior.
Dou risada.
– Isso é um elogio? Ou não?
– Os dois.
– Você é muito parecido com o Tobias. Então.
– Tris e Tobias são namorados Carol.
– Eu sei. – digo com as bochechas rosadas.
– Viu até as bochechas vermelhas vocês tem igual.
– Você tem quatro medos Tobias? – digo.
– Não sei. – ele da risada. — Mas eu acho que somos Tris e Tobias separados.
– Por quê?
– Porque não somos namorados Carol.
– Então já sei por quem você parece.
– Quem?
– Dean Winchester.
– Não me diga que...
– Sim eu sou viciada nessa série. E eu amo o Dean e o Castiel.
Ele fica quieto. E para de caminhar.
– Meu corpo travou Carol. Porque você me tocou. Travou quando você me beijou. Travou quando você me olhou. – ele diz olhando para baixo.
– Seria estranho eu falar que o meu também travou? – eu digo me aproximando dele.
Ele olha para cima.
– Que vergonha. – diz ele.
– Vergonha do que? – digo.
– De falar isso. Desculpe-me.
Antes que ele fale qualquer outra coisa eu o beijo.
O primeiro beijo que eu dou em alguém depois de Christopher. Quando nossos rostos de afastam eu olho para baixo, meu corpo está tremendo.
– Ou. – ele diz.
Depois disso tudo ele só diz “ou”?
Nós continuamos andando até em frente ao meu apartamento.
– Então é aqui que você mora...
– É.
– Então foi bom sair com você.
– A maior parte do tempo eu fiquei falando de min. – digo.
– Foi bom saber mais sobre uma Caroline que eu não conhecia.
– Ninguém conhecia.
Então dessa vez ele me beija. Por muito mais tempo. As pessoas que passam na calçada parecem apenas vultos e flashbacks. Está tudo concentrado ali. Em min e Erick. O garoto que eu considerava um geek nada popular e que agora eu estou gostando.
Ele coloca a mão na minha cintura e eu em seu cabelo. Macio e fino.
Nossos rostos se afastam. Ele encara minha boca.
– Eu gosto de você seu geek. – digo com um sorriso no rosto.
Ele olha nos meus olhos.
– Eu também gosto de você patricinha.
Então ele me beija de novo. E depois nos despedimos.
– Então você tá com o Erick? – diz Patrícia enquanto voltávamos da aula.
Hoje eu vi Christopher com Maria, mas não senti raiva. Aliás, eu sorri para eles dois. Erick e eu ficávamos trocando olhares nas aulas que somos colegas. Não o encontrei no armário e nem durante o almoço. No final da aula vi ela e Erick conversando, fiquei irritada e quando ele percebeu que eu estava olhando me seguiu mas eu me escondi na sala de música.
No treino das líderes hoje a Maria acabou me substituindo na primeira fila porque eu tinha recuperação em Matemática. Chris disse que ela está tomando meu lugar. E eu estou começando a acreditar nisso.
– É eu acho que estou.
– Ele é legal?
– Sim.
– Carol o que foi?
– Maria.
– O que tem ela.
– Erick e Maria.
Então uma ideia veio na minha cabeça. E se Maria não armou um plano para min? Junto com Erick.
– O que?
– Nada.
Patrícia foi pra casa dela e eu fui andando até a minha. Então ouvi alguém correndo atrás de min.
– Carol. Espere. – disse Erick.
Eu me virei.
– Sim? – disse com frieza.
– Que cara é essa?
– A única que eu tenho.
– Sobre a Maria desculpe ela veio conversar comigo, mas eu vi que você nos viu e deixei-a falando sozinha.
– E ela veio falar o que?
– Pediu como eu estava.
– Ata.
– Você esta com ciúmes? – ele disse dando uma risadinha.
– Não!
– Estava sim! – ele me da um beijo e eu relaxo.
– Tomara que esses beijos virem rotina. – digo.
– Isso é um pedido de namoro?
– Não sei? Você precisa ter iniciativa afinal você é o príncipe aqui.
Ele me agarra e me da outro beijo.
– Você quer ir pra minha casa? Sem más intenções, apenas um filme.
– Pode ser. Aonde é sua casa?
Nós andamos de mãos dadas até minha casa.
– Mas?
Então ele vai em direção ao prédio ao lado. Ao qual meu quarto fica na frente.
– Você é meu vizinho e não me falou? – digo.
– Sou mais que seu vizinho.
Nós subimos para o apartamento dele. A janela do seu quarto e da sala da direta para o meu quarto.
– Então era você que estava me vigiando segunda quando eu estava ensaiando?
Ele fica vermelho.
– Era.
– E ai?
– E ai o que?
– Eu danço bem?
– Do mesmo jeito que beija. – ele diz me dando outro beijo. – E ai qual filme você quer assistir.
– Seus pais. Você não me falou deles.
Ele olha para o lado.
– Abandonado e criado pela tia. Não sei se eles estão vivos ou não.
– Desculpe. Que tal A Mentira?
– Você gosta desse filme?
– É um dos meus preferidos. Ou também Os Vingadores.
– Capitão América?
– Sim. – digo sentando no sofá.
Ele abre o sofá fazendo com que fique maior. Liga o ar-condicionado, traz um cobertor e pipoca e coloca o filme. Senta ao meu lado e eu deito a cabeça em seu ombro.
– Quem diria. Eu estou com Caroline Kirsten.
– Porque você está falando isso? – digo.
– Eu ainda não acredito. Seu pai é tipo o dono da maior parte de escritórios de todo o país.
– Mas eu não sou meu pai.
– Ele é metido? – isso faz com que eu levante e fiquei o encarando.
– Não. Ele é muito legal. Mas rígido e ausente. Eu acho que só o vejo chegar a casa há noite.
A porta abre. Uma mulher de mais ou menos uns 45 anos entra na sala e se da de cara com nós dois.
– Bom dia! – ela diz com uma mudança drástica de tristeza para felicidade.
– Oi. – digo me levantando. – Sou Caroline. Amiga do Erick.
– Prazer Caroline eu sou a tia dele Iara. – ela diz me dando um beijo na bochecha.
– Tia. A Carol vai assistir a um filme comigo.
– Sim. Claro. Eu preciso ir ao mercado então cuide para ver se o Percy não vai ficar sem água. E faça a janta porque acho que eu não vou voltar tão cedo.
Eu volto para sofá e dês pauso o filme. Ele senta no meu lado e coloca a mão sobre meu ombro e eu encosto a cabeça no seu.
– Quem é Percy? – pergunto.
– Meu cachorro.
– Oh Deus você tem um cachorro? Onde ele está?
– A gente não vai assistir ao filme?
– Eu olhei esse filme 800 vezes.
– O.K.
Ele vai para seu quarto e eu o sigo. Um São Bernardo castanho claro está deitado em cima da cama olhando para a parede.
– Ele é bravo? – pergunto.
– Não. Só se ele não gosta de você.
Eu me aproximo devagar e ele se vira na minha direção.
– Oi Percy! – digo passando a mão em sua cabeça e ele vira de barriga para cima. – Que fofo que você é Percy.
– Eu acho que ele gostou de você. – Erick diz deitando em cima do cachorro.
– Ai coitadinho. Você sabia que é gordo né? — eu digo colocando a cabeça de Percy em cima da minha perna.
– Mas gordo que o Percy não. – ele diz dando risada.
– Eu queria um cachorro. Agora eu vou roubar o Percy de você.
– Pode levar ele é chato. – ele diz apertando as gordurinha de Percy.
– Olha que eu levo.
Eu me aproximo de Erick e dou um beijo nele. Percy começa a lamber a minha cara. Eu caio na gargalhada.
Fale com o autor