Uma parte de mim
1 Capítulo 1
Peguei-me só e deitei-me em cama a procura de conforto no peito, o mesmo cujo há nos braços de minha mãe. O cigarro queimando e nem ao menos um trago, e o céu tem chorado por um dia inteiro. A escuridão do cômodo tem me acalmado, até o momento em que ouvi o barulho da porta em um pequeno rugido, com um vestido vermelho longo se sentou na beirada da cama, fumando um charuto recém ascendido, e não fará muito tempo que me observaste pela fresta da porta. Cabelos louros e comprido, cheiro que me traz lembranças do amor feminino. Com chifres avermelhados e afiados, uma parte do seu rosto era vermelho sangue. Eu saberia o que viria pela frente, mas a mantive ali por saudades.
— Sentiu minha falta? Eu sei que sim. Sinto seu coração pulsar um pouco mais forte antes de eu me sentar aqui. — disse ela, sem mudar um sequer movimento. Olhos fixados aos meus, um sentimento quente percorreu por todo o meu corpo e a culpa me tomou por inteira.
— Eu senti. — Respondi de imediato. — Mas não a quero de volta, é passado e eu me prefiro agora.
— Respondeu rápido demais, está incomodada com a minha presença. E eu sei que se prefere agora, mas eu sempre lhe vejo cabisbaixa e estou amargurada por vê-la assim. Me entristeceu. Sabe, és tão forte e esbelta, leva a coragem no peito e se diz ser feita de aço. E na verdade és, mas não queres dizer que és inatingível. Não deixem que lhe digam tudo o que pensam minha criança, por mais que se mostre valente o tempo inteiro. Desta forma, os petulantes acham que estão no direito de lhe dizer tudo o que a atinge. Eu sei que não me amaste mais, que sempre que podes me deixas de lado sem ao menos sentir-se culpa, tudo por causa de um homem insolente! Uma obra do diabo que ele ousaste a por na terra sem nascer sabendo amar. Me recuso a ser descartada por um qualquer que lhe suga o amor e a fortaleza de ser você. Exijo que me traga em seus dias novamente de imediato.
— Não posso.
— Não me desafie criança! — Eu sou a sua criadora, como ousa!?
Ela flutuou com seus braços estendidos para baixo e ao levanta-los, senti algo esmagar o meu coração com toda a fúria que o mundo é capaz de transmitir: o amor de uma mulher rejeitado. Não poderia respirar, não havia forças em meus pulmões e nem a lugar nenhum. Eu apenas gritava, era como se tivesse uma espada cravada em meu peito com o meu corpo em chamas, minha pele ardia em fogo e tudo parecia explodir em questão de segundos, eu estava perdendo a noção do local onde estava, era o meu fim. Aos poucos senti o alívio em respirar, a pele esfriar e minha consciência voltar.
— Ouça, lhe dei a vida e posso tirar quando bem entender. Mas lhe deixarei na terra com tuas irmãs, e eu irei me divertir em ver a sua audácia em amar um homem. Apenas uma mulher é digna do amor de uma outra, pois nascemos sabendo amar, ao contrário dos homens que aprendem com o tempo, além de serem lentos no processo, quando aprendem, amam um pouco abaixo deles. Nós somos capazes de nos amar mais do que qualquer coisa que tenha vida, somos divinas e donas das criações que habita neste mundo. Nós geramos! parimos! lutamos e caçamos para sobreviver sozinhas! Os homens são procriação sua menina mimada e rebelde. Sabes que o toque é diferente, o sexo e as caricias. Tudo pulsa com mais intensidade, e saberás disso quando não puder mais ama-lo como amou um dia.
Permaneci em um silêncio profundo, não podia vê-la porque havia uma luz branca tomando conta do cômodo deixando-me cega, podendo apenas a ouvir. Quando a iluminação apagou-se aos poucos tornando-se apenas em uma bola de energia flutuando ao alto da cama, semicerrei os olhos, a vi indo embora janela a fora desaparecendo entre as nuvens cinzas. E o quarto voltou a escuridão, assim como minha alma, senti um vazio e abandono, ela me deixou com uma dor a rasgar o peito, um amor digno e puro de mim mesma acabará de desaparecer, trancafiado debaixo da minha pele. Então eu soube: Era um presente dela para mim.
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