Uma paixão, uma guerra — Dramione / Capítulo 7 — Papo cá, papo lá

Draco encarou com desprezo a figura parada na porta.

– Olá maninho!

– Nott.

–Nossa quanta secura — Disse fazendo beiço e fechando a porta atrás de si — Nem um abraço no seu irmão?

– Você não é meu irmão — disse Draco caminhando de volta em direção ao seu quarto, talvez passar o dia deitado esperando as dores passarem não fosse má ideia.

– O que isso! Por que me tratar assim?! Eu sou seu irmão você querendo ou não.

–Sai de perto de mim Theodoro! — Gritou Draco ja na escada e Theo dois degraus mais a baixo

– Como queira maninho. — Theo disse sorrindo contente por ter conseguido tirar Draco do sério, e saindo da casa logo em seguida.

Draco subiu as escadas, sabendo que era capaz de sair-lhe fumaça pelas orelhas de tanta raiva que sentia.

–Não tinha como esse dia ficar pior!- Gritou e batendo a porta do quarto.

Narcisa voltou a sentar no sofá novamente respirando fundo, se todos estivessem ali na hora do jantar, alguém iria sair ferido.

~*~

Hermione esperava que Draco surgisse entre as arvores e a encontrasse ali, tudo o que podia fazer era esperar, sabia que ele ainda poderia estar muito machucado, mas talvez se ela estivesse por perto poderia tentar anima-lo e faze-lo se sentir melhor. Não havia falado com Gina desde a festa, e também não pretendia tão cedo, tudo o que menos esperava era encontrar o irmão da amiga.

Sentou em baixo da mesma arvore que conhecera o menino que ansiava em ver e abriu um livro, pensou que aquilo a acalmaria, mas não deu muito certo. As palavras de Weasley não saiam de sua cabeça.

Eu só não acabei com você hoje, por causa da sua namoradinha, não vai ter tanta sorte na próxima vez.

O que ele queria dizer com isso? Draco poderia ter falado dela ao ruivo?Não, o fato dela ser uma menina acompanhada de um menino poderia se deduzir que ambos estavam juntos?

"Eu não acabei com você hoje [...]"

O que isso significava? Ele iria atrás de Draco de novo? E se ele tivesse a intenção de vê-la hoje e esbarrasse no ruivo?

~*~

Theo estava contente, conseguira voltar ao Vale, seu pai o mimava mais do que o comum, já havia conseguido acabar com a manhã de seu irmão, andava com tanta paz que ficou pasmo ao encontrar Hermione em baixo da arvore.

E já foi se pronunciando.

–Hermione?

Hermione se assustou e se levantou em um salto, o livro sendo abandonado displicentemente no chão. Ela só poderia estar sonhando

–Theo?

~*~

Draco já se preparava pra sair, tinha que falar com Mel e mostrar que ainda estava vivo depois da noite anterior, mas antes que ele tocasse na maçaneta da porta seu pai o chamou.

– Draco — disse seco como sempre.

Draco fechou os olhos, suspirando enquanto se virava a contragosto e caminhava na direção do pai.

– Sim.

– Você já viu o seu irmão hoje?

– Sim.

– E?

– E o que? Quer saber se eu o abracei e disse que jamais viveria sem ele?! Não inventa! — E já foi se encaminhando pra saída.

– Draco!

O rapaz parou, sem se virar, sem olha-lo.

–Pois não Sr. Malfoy?

–Você não tem o direito de falar comigo assim!

– Então por que trouxe aquele idiota aqui?! — Virou-se com brusquidão, os punhos cerrados pela raiva.

Aquilo havia sido a gota d'água para Lucius, acertou um tapa na cara de Draco que ambos sabiam que ficaria estampado uma marca ali. Draco ficou imóvel, absorvendo todos os últimos segundos antes de olhar na direção de Lucius.

– Eu odeio você.

E desviando da figura autoritária, saiu.

~*~

– O que — A voz da garota falhou — O que esta fazendo aqui? — Hermione pronunciou com dificuldade.

–Então foi pra cá que você veio — Theodoro cruzou os braços com um sorriso travesso

– Sabe o porque de eu ter me mudado, eu não sei o que você está fazendo aqui.

– Meu pai mora não muito longe daqui, pediu pra que passasse um tempo pra que ele abaixasse a bola do meu irmão.

– Você nunca me disse que tinha um irmão.

– Você nunca perguntou. — El deu de ombros irônico.

Hora de ir embora.

– Acho melhor eu ir — Recolheu o livro com rapidez Eu nem deveria estar aqui na verdade–.

– Não! Hermione, espere. — Ele a segurou pelo braço.

– Não quero conversar com você, não deu pra perceber? — A garota se desvencilhou de forma revoltada — Eu estou aqui pra começar uma vida nova, e já vou lhe avisando que você não está incluído.

– Me desculpe, eu não tinha intenção de ser rude com você-.

–Você não foi — Suspirou cansada — Eu só não estou a fim de conversar. Não acha que está um pocuo tar de pra desculpas?

– Sei que está — Ele voltou a dar de ombros, escondendo as mãos nos bolsos — Não quero brigar com você aqui, só vi quer era você e resolvi dar um Oi

Hermione o observava atentamente, já havia passado por bocados e sofrido muito por causa de Theodoro Nott, cair nos encantos dele era a última coisa que pretendia fazer no mundo. Não poderia simplesmente esquecer tudo o que aconteceu.

– Oi — disse seca, voltando a caminhar.

Theo fiou com raiva de si mesmo, socando uma das arvores ao seu lado, sem se preocupar se havia machucado a mão, seguiu rumo de volta a sua casa.

~*~

Draco estava com a cabeça na lua, aquela sim havia sido uma semana realmente agitada. Procurou por Mel mas não a encontrou, provavelmente deveria estar na praça, e foi pra lá que foi.

Viu-a perambulando sem rumo onde as pessoas dançaram na semana anterior, ela estava cabisbaixa, algo havia acontecido.

–Oi — disse se aproximando da mesma.

–Oi ! — Ela disse sorrindo, realmente contente em vê-lo — Que bom que você está bem!

– Eu disse que estava. — Massageou o único ombro ainda dolorido.

– É, mas eu fiquei preocupada mesmo assim, e eu não soube de você desde então, tive a sensação de que poderia ter piorado.

Ele sorriu e ela também, sentaram em um banco a poucos metros dum do outro, e Draco sentindo a pergunta lhe sufocar deixou a curiosidade lhe transparecer.

– O que foi que aconteceu?

– Nada. — Ela balançou os pés distraída.

– Eu vou perguntar de novo, o que foi que aconteceu?

– Encontrei um conhecido, um que preferia nunca ter conhecido

– Que infeliz coincidência — Draco encostou-se enquanto bufava — O que aconteceu?

– Resumindo a história toda pra você — Hermione cruzou os braços, franzindo o cenho — Ele era o garanhão, e eu a tonta apaixonada. E você?

–Meu irmão. O predileto do meu pai, sempre teve tudo o que quis, era o mimado, e eu sempre deixado de lado. Tudo que ele queria meu pai investia e eu apenas esperava a minha vez. Até perceber que eu não tinha vez, eu era apenas... O outro.

Não tinha como Hermione associar Theo como irmão de Draco, ambos eram completamente diferentes. O sol já estava sumindo e ambos ficaram ali um apoiado no outro, pensando na vida apenas desfrutando de suas companhias.

– O que quer fazer amanhã? — Ele perguntou

– O que você tem em mente?

– Torça para que faça bastante calor.

– Por que? — Ela perguntou confusa.

– Conheço um lugar maravilhoso pra se refrescar, e pra isso também vou precisar que você apareça com um vestido leve, ou qualquer roupa facil de ser tirada. — Sorriu travesso levando um soco no ombro como resposta.

Draco fez uma careta com a dor e ela abaixou o rosto envergonhada.

– Desculpe — Disse sorrindo — Mas você mereceu. É tão bonito quanto os seus olhos dizem ser?

Draco franziu o cenho.

– Eles brilham como se eu estivesse falando de chocolate.

Ambos riram

– Você nem imagina.

– Gosto quando faz isso. — Ele voltou a sorrir.

– Isso o quê? — Olhou para ela

– Sorri assim, como quem vai aprontar, você fica bonito assim.

Ele não conseguiu evitar sorrir novamente, então a abraçou de lado, mesmo com os protestos do ombro.

– Não se preocupe, esse sorriso só aparece com você por perto. — Ele se encolheu debaixo dele e ele encarou a rua vazia — Já está ficando tarde, é melhor você ir pra não encontrar pessoas indesejáveis quando estiver voltando pra casa.

–É verdade, e o senhor também.

Se levantaram, tinham que se despedir, querendo ou não. Ele se curvou se despedindo da mesma maneira que quando se conheceram, ela riu e correspondeu, mas antes que ele erguesse o corpo por um todo ela lhe deu um beijo gostoso na bochecha, antes de realmente dizer tchau.

Ele ficou um pouco sem reação mais conseguiu responder.

–Tchau Mel.