Uma paixão entre amigas
2 Capítulo 2 - Alguns anos depois e uma mudança
Notas iniciais
Os anos se passaram. No Janeiro do ano em que eu iria começar o último ano do ensino médio, meu pais pediram para que eu arrumasse minhas malas.
— Pra onde vamos?
Brasil. Foi a resposta da minha mãe. Imaginei que seria por causa do meu pai. Ele viaja a trabalho. Perguntei pra qual parte do Brasil. Sabia muito bem que lá era grande.
— O meu irmão vai também?
Eu queria muito que ele fosse. Ia sentir saudade das competições de jogos. Mas ele já é adulto e já trabalhava aqui. Minha mãe disse que ele ia ficar na casa de algum amigo já que minha mãe queria vender essa casa. Era triste. Aliás, eu passei minha infância nela.
— Em qual estado do Brasil nós vamos morar?
— Rio Grande do Sul! Quer ver o condomínio e o apartamento?
— Sim!
O condomínio tinha vários prédios. Vi a foto de um prédio com uma pequena placa destacando “Bloco 6”. Vi que não tinha elevador. Soltei um suspiro. Em outra foto tinha a entrada do apartamento. Vi o número 402 e imaginei que íamos ficar no quarto andar.
— Esse apartamento é de uma amiga minha. Ela vai vir pra morar aqui durante um tempo. Então a gente vai ficar no apartamento dela.
— Mãe, a gente vai voltar pra cá depois?
— Vai depender do emprego do seu pai.
Não tinha mais nada pra falar. Fui para o meu quarto e comecei a arrumar minhas malas. Também aproveitei e fui dormir mais cedo.
No manhã seguinte, fiquei boa parte do tempo, trancada no meu quarto, tocando violão. Meu notebook estava ligado com o site de uma música em notas de violão. A cada música que eu tocava, eu sentia mais vontade de tocar como se a música tivesse começado a fazer parte de mim. Durante três dias foi assim.
Logo, estava tudo pronto para irmos para o Brasil. Minha mãe tinha comprado as passagens e meu pai já tinha agendado tudo o que tinha que agendar sobre o trabalho dele no Brasil.
No dia seguinte, de madrugada, minha mãe me acordou. Havia chegado a hora de viajar. Enquanto meu pai chamava um amigo dele para nos levar ao aeroporto, passei de cômodo em cômodo da casa, despedindo de cada um. Chegamos lá, faltando meia hora para ir para a sala de embarque. Eu estava com um frio na barriga. Na última vez que viajei de avião, eu tinha só 12 anos. Eu era muito nova.
Foi ao anoitecer daquele mesmo dia, que chegamos no Brasil. A sobrinha da amiga da minha mãe, chamada Karen, nos pegou no aeroporto e nos levou de carro até o condomínio que era ainda mais bonito de perto.
A Karen também ia fazer o último ano do ensino médio daquele ano. Se eu virasse amiga dela, talvez eu conseguiria convencer minha mãe a me deixar a fazer o último ano do ensino médio no mesmo colégio que a Karen.
— Mãe, vou ficar com qual quarto?
— O que você quiser, querida!
Sorri. Peguei minha mala e me despedi da Karen. Subimos as escadas até o quarto andar. Minha mãe pegou a chave e abriu a porta do apartamento. Deixamos as malas na entrada e fomos olhar o apartamento.
O apartamento era médio, tinha uma cozinha, um sala de televisão, 3 quartos, 1 suíte ,1 banheiro e 1 pequena varanda onde ficava o varal e a máquina de lavar roupas.
Entrei em um dos quartos. Era pequeno, parede branca, guarda-roupa de madeira pintada de branco, um pequeno armário e um painel pra televisão, além de uma mesa pequena que dava pra colocar meu notebook e uma janela, perto dessa mesa.Alguns segundos depois, minha mãe aparece ali.
— Esse quarto não é pequeno pra você, querida?
— Não, tá ótimo!
— Tem certeza?
— Mãe!
— Ok, então! Seu pai e eu vamos ficar na suíte e se o seu irmão for vir pra visitar a gente, ele pega algum dos quartos que sobrou. E... tem certeza de que não quer outro quarto? Tem um outro aqui que não é suíte mas tem cama de casal...
— Mãe! É melhor um quarto que não lembre muito o meu antigo. E até aqui, eu prefiro cama de solteira do que de casal porque se não me acostumo com a de casal e quando a gente voltar pra casa, eu vou rolar e cair da cama durante várias noites!
— Certo... só não esqueça, mocinha, aqui não é a nossa antiga casa, é um condomínio, controle o barulho dos seus jogos, principalmente a noite, ok?
— Mãe, eu não sou o meu irmão. Ele pode ser bem mais adulto do que eu e já ter um emprego e tudo mais mas, o viciado em jogos é ele, ok? O único barulho que eu devo chegar a fazer é com o violão. Mas isso nem faz tanto barulho, ok?
— Ok! Agora tome um banho e troque de roupa pra gente jantar. Amanhã eu vou conversar com a mãe da Karen sobre qual colégio ela estuda, pra ver se te coloco no mesmo que ela.
— Ok, obrigada, mãe!
Vou pro banho. Tomo um banho bem rápido e visto uma calça cinza simples e uma blusa preta, pego uma meia preta, calço meu chinelo e vou comer.
— O que tem pro jantar?
— Você está com fome? Você não gosta de comer!
— Pai! A gente ficou praticamente o dia inteiro sem comer porque a comida do avião não deixa a barriga de ninguém, cheia por muito tempo.
— Ok, vamos comer!
Minha mãe serve um macarrão e todos nós conversamos em silêncio. Logo depois, vou pro banheiro escovar os dentes e depois, caio na cama, adormecendo rapidamente por estar cansada da viagem.
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