Uma nova vida

16 Capítulo 14 - Beijar nunca foi tão estranho


Notas iniciais
Volteiiiiii meu povo! Oiiie. Se demorei ou não me desculpe. Obrigado por comentar no ultimo capítulo: Katniss e Pimentinha ♥ ♥. Boa leitura...

Capítulo 14 – Beijar nunca foi tão estranho.

Sentir falta de quem você ama é uma coisa normal, certo? Mesmo que eu ache que a vida que eu tinha antes era medíocre eu sinto falta dela. Sinto falta daqueles que me ignoravam porque me achava incapaz de ser uma boa amiga, falta dos meus dois melhores amigos que eu amo mais que tudo, até da minha vizinha que era uma velha que só sabe falar “chata” eu sinto falta. Sinto falta da minha casa, do meu quarto, da minha coleção de mosquitos (eu sei que é anormal, mas eu nunca fui normal!).

Acredita que eu quero meu pai de volta? Quero que ele me ajude nas atividades de casa como fazia antes, quero que ele me ensine coisas novas, quero que ele me apóie na ginástica. Por que ele simplesmente me abandonou? Eu nem deveria estar pensando nele. Ele foi incapaz de continuar com uma família que ele formou.

Quando me mudei pensei que não sentiria tanta falta dessas coisas. Mas agora minha vida só piora com os dias. É um namorado de mentira, uma amiga que dizia me amar e que agora me ignora, é uma escola onde as pessoas são julgadas e uma vizinhança que eu conheço apenas duas pessoas. Talvez não piore, á não ser pelo fato de meu irmão vir passar o fim de semana aqui junto com sua nova namorada. A última namorada dele era uma maluca psicótica, que me fazia passar álcool gel para tocar nela.

Ouvi a campanhinha tocar e passei a mão no meu cabelo dando uma última olhada no espelho. Espero que a garota não seja uma doida varrida que dá medo. Eu sou ciumenta então, se prepare! Desci as escadas correndo e parei um pouco antes da porta. Meu irmão estava nela com uma garota ao seu lado. Uma garota que pelo menos a aparência parecia ser normal. Cabelos negros, olhos caramelo perfeitos, a pele bronzeada, os lábios carnudos e em um tom avermelhado, covinhas fofas, os olhos em um formato pequeno e fechado e um corpo de dar inveja.

– Irmã! – Liam exclamou vindo até mim e me envolvendo em um abraço apertado e doloroso.

– Liam. – falei soltando um risinho fraco.

– Essa é a Lizzie. – ele disse apontando para a garota que estava ao seu lado. Ela me mandou um sorriso e eu devolvi.

– Prazer, Brianna! – disse levantando minha mão em sua direção. É melhor apertar!

– O prazer é todo meu. –falou colocando sua mão com a minha e á apertando.

– Mas pode chamá-la de Bia. – Liam comentou passando o braço pelo ombro exposto dela.

– Vamos te mostrar a casa Lizzie. – minha mãe disse indo até a cozinha e nos chamando com o dedo indicador. Nós vamos? Meu quarto odeia visitinhas.

Mamãe a mostrou a cozinha e disse que era ali que eu passava o maior tempo que eu tinha. Esqueci de mencioná-los que minha mãe adora me fazer passar vergonha na frente dos outros. Principalmente quando se trata de comida. Ela já me chamou de obesa na frente de suas amigas no natal do ano passado.

– Liam, a Bia te disse que tem um novo boy? – minha mãe perguntou tentando puxar assunto. E é por isso que eu odeio, ela.

– Um novo namorado? – ele perguntou como se não tivesse entendido. Agora nos paramos no meio da escada e todos estão me olhando.

Só pra lembrar que se eu beijar um mosquito minha mãe descobre. Desta vez eu contei pra ela, porque não tive outra escolha. Eu pedi pra ela me deixar ir, na quadra onde o Mike vai jogar basquete e ela proibiu. Então só me restou mencionar meu “namoro” e ela surtou. Surtou mesmo! Faltou pular da porcaria da janela.

– Isso! – ela exclamou dando um leve empurrãozinho no meu ombro. Esse empurrãozinho vai virar um soco um dia.

– Quem é o cara? – Liam perguntou olhando de mim para minha mãe. Lizzie continha uma expressão de puro desentendimento.

– Um cara do colégio. – respondi subindo as escadas correndo. Eles me acompanharam e meu irmão passou por mim revirando os olhos.

Entramos no quarto dele que estava em uma organização total. Bom ele não fica muito aqui então isso explica a diferença entre nossos quartos. Ele pulou em sua cama e Lizzie o ficou olhando como se dissesse para se comportar. Ele está na casa dele, querida!

– Vamos, no quarto da Bia. – minha vontade era de gritar “NÃO”, mas eles já estavam lá. Quando você não quer as pessoas viram o flash.

– Nossa que organizado! – Liam comentou dando uma breve olhada em volta. Entrei e tentei arrumar o máximo que conseguia.

– Oi Brianna. – ouvi Jacob falar do outro lado. Não tinha como ser pior.

– Quem é esse? – Liam perguntou indo até a janela.

– Um amigo. — falei dando um empurrão nele e ficando em seu lugar na janela. – Oi Jack!

– Vejo que está acompanhada. – ele disse dando uma olhada para as pessoas no meu quarto. Os três me olhavam como se fosse crime conversar com seu vizinho por sua janela.

– É por isso que você queria uma cortina? – minha mãe perguntou e eu assenti.

Jacob que estava do outro lado sorriu pra mim e eu sorri de volta. Ouvi um som de celular tocar e logo percebi que era o meu. Probleminha básico: Cadê meu celular? Não é que esteja tão bagunçado meu quarto, mas eu não sei onde está meu celular.

– Tem um celular tocando. – Lizzie disse e me deu uma vontade de falar “Não me diga! Isso na verdade é um mamute chorando...” E mamutes então extintos.

– Esse? – Liam perguntou apontando meu celular pra mim. Corri até ele e peguei atendendo logo em seguida:

– Olá! – exclamei e esperei a pessoa do outro lado da linha responder.

– Oi Bri. – Mike disse soltando uma risada baixa.

– O que você quer?

– Vou ir te buscar um pouco antes do jogo.

– Ta! – eu disse e percebi o olhar de Liam sobre mim.

– Tchau!– ele se despediu e logo em seguida desligou. Educação mandou lembranças.

– Seu namorado querida? – minha mãe perguntou dando pulinhos de alegria.

Vendo minha mãe e ainda dou brinde!

– Isso mesmo mãe! – exclamei colocando o celular no bolso do meu short.

– Quero conhecer ele. –Liam disse no típico tom de ciúmes. Igualdades a parte. Eu tenho ciúmes então ele também tem.

– Eu também. – minha mãe adora criar caos.

– Depois vocês conhecem. – falei saindo do quarto, depois de mandar um aceno para Jacob que continuava do outro lado da janela.

************

O almoço teria sido bem melhor se Liam não tivesse perguntado sobre Mike o tempo todo. Eu não fiquei perguntando sobre Lizzie! Teve uma hora que eu quase joguei a travessa de salada no rosto dele. Quem merece esse tipo de irmão? Minha sorte deve ter sido sucumbida pelo diabo.

Subi as escadas correndo indo direto para meu quarto. Faltava apenas meia hora para Mike vir me buscar, se é que ele não queira fazer uma surpresinha para minha família. Acho que não é o caso.

Vesti um short branco rasgado nas pontas e um cropped cinza. Peguei uma sapatilha florida e coloquei-a em meu pé. Deixei alguns fios do meu cabelo presos por uma presilha e o resto solto. Peguei uma bolsa pequena marrom e coloquei meu celular. Fui até meu closet novamente e procurei qualquer, óculos de sol. Achei um preto e o coloquei.

Desci as escadas correndo, mas fui parada por uma mãe sorridente. Parecia até que tinha ganhado na loteria. Olhei ao redor da casa e percebi que só tínhamos nós duas, presentes ali. Conselho de mãe, na área!

– Já vai? – ela perguntou sorridente e eu assenti. A campanhinha tocou e nós duas disputamos uma corrida para ver quem iria ver Mike primeiro.

E essa pessoa não fui eu!

– Mike Hamilton! – minha exclamou como se conhecesse Mike á anos. Ele a olhou desentendido, mas depois sorriu mostrando os dentes.

– Temos que ir! O Mike que vai jogar, então... – comecei e ela concordou abrindo espaço na porta. Passei por ela, mas antes ela sussurrou “Usem camisinha”. Qual o problema da minha família?

– Tchau Sra. Clarckson! – Mike se despediu com um aceno antes de entrarmos no carro.

– Desculpa. Minha mãe é meio biruta. – falei e ele deu partida no carro.

A brisa que batia em meu rosto devido ao vento que vinha por causa da velocidade do carro, era relaxante e confortável. Apoiei minha cabeça na janela e observei a rua. Uma criança que brincava com seu cachorro caiu no chão e seu pai a veio ajudar. Sorri ao ver aquilo, pois até hoje me lembro do dia em que eu andei de bicicleta pela primeira vez e meu pai estava lá para me levantar caso eu caísse. Uma lágrima intrusa caiu sobre minha bochecha e eu a limpei a rapidamente.

– Tudo bem? – ouvi Mike perguntar e assenti. – Então vira para mim.

– O que você quer? – perguntei um pouco estressada. Sua mão foi para meu queixo e virou meu rosto para olhá-lo. Olhei em seus olhos, mas o desviei rapidamente.

– Por que está chorando? – ele perguntou colocando a mão no volante novamente.

– Nada. – disse olhando para fora. Ouvi o bufar e revirei os olhos.

Percebi que estávamos parando e olhei em volta do local. Uma quadra bem grande por sinal. Composta por várias arquibancadas pintadas de vermelhas e grades separavam-na do campo. Várias pessoas já estavam habitadas nas arquibancadas, algumas comendo pipocas e outras conversando. Parecia até um campeonato.

– Bonita... – comentei para Mike que estava abrindo a porta do carro para mim.

– Também acho. – ele disse sorrindo e entrelaçando nossas mãos. Neste ato todos os meus cabelinhos arrepiaram-se.

Andamos até uma das arquibancadas onde Sierra estava sentada conversando com Bob. Mike tirou sua mão da minha e me deu um beijo na bochecha indo em direção a quadra. Ouvi uma vaiada de Sierra e girei sobre os calcanhares.

– Que beijão! – ela disse sarcástica. Se depender dessa maluca nós seremos descobertos.

– E você e o Bob? – perguntei mandando um sorrisinho sínico. Bob a olhou e depois saiu indo em direção a quadra.

– Chata! – sorri e sentei-me ao seu lado. Ela estava vestindo um macacão florido e uma sapatilha preta. Reparei em seu rosto e percebi que estava com mais maquiagem que o necessário.

– Isso tudo pro Bob? – perguntei me referindo á maquiagem.

– Fica quieta, Brianna! – ela exclamou e eu me virei para frente. Estavam com os times formados e começariam a jogar. Até um juiz tinha!

– Em New York era que jogo? – Sierra perguntou virando-se para mim.

– A onde eu morava, era vôlei. – falei relembrando do meu ultimo jogo de vôlei que eu havia ido com minha antiga escola.

– Tédio total! – exclamou e eu revirei os olhos a empurrando pro lado. Ela bateu em um garoto que parecia ser dá nossa idade e ele a olhou com raiva. – Ui! – ela sussurrou no meu ouvido e eu sorri olhando pro garoto.

Tirei meus óculos de sol e coloquei pendurado em minha blusa. O jogo já havia começado e como eu não entendia nada fiquei só observando. Sierra olhava tão atentamente que pensei que seus olhos sairiam pra fora.

– Não entendo nada disso! – exclamei e Sierra tirou seus olhos do jogo os voltando para mim.

– Olha querida, internet serve pra isso! – mau-humor total! Nunca fique perto de Sierra Queen quando ela estiver assistindo um jogo de basquete.

Voltei a prestar atenção no jogo que estava a minha frente. Garotos suados e fedidos. Acho que vou querer voltar para casa a pé. Antes de eu nem mesmo perceber, estavam todos pulando na arquibancada e eu aqui sentada olhando todo mundo com cara de paisagem.

– Marcaram um ponto. – Sierra explicou e eu fiz um “há” movimentando meus lábios. – Fim do primeiro tempo!

–Tem quantos tempos? – perguntei olhando de soslaio para ela.

– São quatro tempos de dez minutos. – respondeu se sentando novamente.

**********

Faltam apenas três minutos para o ultimo tempo do jogo acabar. E eu posso dizer que esses trinta e sete minutos foram os piores da minha vida. Assistir um jogo em que você nem sabe como marcar pontos é uma das coisas que entrará para minha lista negra. O time do Mike está ganhando e eu não vejo o momento desse jogo acabar para mim poder ir para casa.

Sierra está do meu lado roendo as unhas de nervosismo. Isso porque Bob está no time! Pessoas apaixonadas são tão bobinhas. Ela ficou quase o jogo inteiro me perguntando como tomar iniciativa com Bob. Na maioria das vezes respondi que ela deveria partir pra cima e desabafar seus sentimentos. Bom a única coisa que eu ganhei ajudando-a foi um tapa no ombro.

O apito do arbitro ou juiz (que tanto faz pra mim) soou pela quadra e os garotos pararam de jogar. Suor era a única coisa que eu enxergava ali. Eu até entendi algumas coisas do jogo, como que cada time tem cinco jogadores e que tem que acertar a bola na cesta (Isso era obvio). Quando as pessoas perceberam que nosso time ganhou correram para quadra, principalmente Sierra que faltou pular a grade. E novamente eu fiquei ali com cara de paisagem.

– Oi. – ouvi alguém falar e me virei para traz. Um garoto estava me olhando com um sorriso estampando no rosto. Os cabelos negros, olhos castanhos claros e a pele tão branca que me deu medo.

– Oi. – respondi soltando um sorriso fraco.

– Por que está aqui sozinha? – ele perguntou e eu pensei. Eu estava ali porque eu sou totalmente lerda. As arquibancadas estavam todas vazias. Todos estavam na quadra pulando como se fossem cangurus.

– Ela não está sozinha! – ouvi Mike exclamar do meu lado e me virei. Ele está sem camisa! Posso morrer agora? Meus olhos estavam vidrados no peitoral exposto dele. E não saiam.

– Oi Mike. – o garoto cumprimentou. Eles se conhecem!

– Oi Theo. – Mike rebateu e eu fiquei de novo com cara de paisagem. – Vamos Bri!

– Vamos! – exclamei me levantando e o puxando pelo pulso. – Bri? Vai mesmo ficar me chamando assim? – perguntei quando estávamos longe o suficiente do garoto.

– Um apelido carinhoso! – ele respondeu sorrindo sarcástico.

– Claro. – comentei olhando para seu peitoral novamente. Meu Deus me segure!

– Gostou? – ele perguntou e eu o olhei com cara de desentendida. Pigarreei e disse:

– Veste uma camisa. – ele soltou um risinho sínico e vestiu a camisa que estava presa em seu short.

– Vai ter uma festa lá em casa... – ele começou e eu entendi tudo.

– Nem morta! – exclamei e ele revirou os olhos.

– Você tem que ir. – neguei com a cabeça. Odeio festas! E odeio multidão. – Se você não for por vontade própria, eu vou até sua casa e peço sua mãe.

– Isso é chantagem! – exclamei fazendo um biquinho. Golpe baixo!

– Então te pego na sua casa as oito. E vê se veste um vestido! – opinião de homem! Pelo amor.

– Eu vou ir super brega! – exclamei indo em direção ao carro dele que estava estacionado do outro lado da rua.

– Você que vai passar vergonha. – falou e eu revirei os olhos.

Eu tenho todo direito de escolher minhas roupas. E além do mais eu não sou fã de vestidos. Ficam colados em mim e os únicos que eu tenho são que minha mãe comprou para mim. Então imagina o caso.

Entramos no carro e ele deu partida. Coloquei meu ombro na base da janela e observei a rua. O tempo estava ameno. Uma brisa fria entrou pela janela e me arrepiei. A rua estava um pouco mais movimentada, por causa do jogo. Carros passavam e pessoas conversavam nas calçadas. O carro parou e eu olhei para frente. O sinal havia fechado. Um carro preto parou do nosso lado e eu o observei. Parecia familiar.

– Odeio esses sinais. – Mike comentou bufando.

Revirei os olhos e voltei a observar o carro. As janelas estavam fechadas então não dava para descobrir quem estava dentro. O sinal abriu e ele foi embora. Balancei a cabeça ignorando os pensamentos e fechei meus olhos para sentir a brisa gelada que entrava pela janela.

– Chegamos. – Mike falou e eu olhei para minha casa ao meu lado.

– Obrigada. – agradeci e abri a porta do carro.

– Te busco mais tarde. Tchau. – sai do carro e acenei para ele assentindo. Ele foi embora e eu entrei em casa.

Mike ao menos é legal. Pensei que ele seria o típico chato de sempre, mas ele me respeita como “namorada”. Minha mãe estava jogada no sofá enquanto Liam estava na cozinha tentando preparar um ovo mexido. É só mexer o ovo, mas nem isso ele sabe fazer. Lizzie estava sentada na escada falando ao telefone e quando me viu sorriu de lado.

– BRINNA! – minha mãe gritou da sala. Pra que gritar?

– O que? – perguntei indo até a sala e me sentando na poltrona que fica ao lado do sofá.

– Como foi? – ela perguntou como se assistir um jogo fosse legal.

– Divertido. – falei sem animo. Eu só quero minha cama! – E o Mike vai dar uma festa hoje á noite...

– Pode ir! – ela exclamou divertida.

– Vou subir. – falei indo em direção a escada. Lizzie agora não estava mais lá e sim na cozinha ajudando Liam a preparar o ovo. Pelo menos alguém sabe cozinhar nesse namoro.

Subi as escadas e entrei em meu quarto. Joguei-me na cama e fechei meus olhos pensando no que eu deveria vestir nesta festa. Festas + Brianna = Pior dia da minha vida. Uma coisa voou pela minha janela e eu olhei para onde ela tinha parado. Uma folha de papel amassada. Levantei-me e a peguei.

“Olhe pela janela”. Uma frase de Jacob. Revirei os olhos e fui até a janela para olhá-lo. Mas ele não estava do outro lado e sim lá em baixo.

– Oi. – ele disse acenando.

– Oi. O que está fazendo ai? – perguntei jogando o papel para ele, que o pegou facilmente.

– É que meus pais voltaram de viagem e estão fazendo uma vistoria na casa. – ela reclamou fazendo uma careta.

– Por quê? – perguntei me referindo á vistoria.

– Eles acham que eu uso drogas... – falou um pouco mais baixo para impedir que nossos vizinhos fofoqueiros, comentassem algo.

– Boa. – afirmei apoiando meu braço na quina da janela.

– Ás vezes eles são um pouco malucos. – ele disse se apoiando na cerca que separava nossas casas.

– Pais! – exclamei me lembrando das maluquices de minha mãe. – Jack. Tenho que ir!

– Claro. – ele falou soltando uma risada fraca. – Vai na festa do Mike?

– Você conhece o Mike? – perguntei um pouco chocada.

– Quem não conhece os Halmitons? – dei de ombros e acenei para ele em forma de despedida.

Fui até meu closet que estava pior que o quarto inteiro. Eu penso em arrumar, mas a preguiça me domina. Procurei algo que no mínimo parecia estiloso. Os vestidos que eu tenho são realmente bonitos, pois minha mãe quem comprou. Ás vezes ela até me obrigava a usá-los, mas depois de um tempo desistiu.

– Precisa de ajuda? – ouvi uma voz atrás da porta e sai do closet indo á abrir. Lizzie estava na minha frente me olhando com o típico sorriso encantador.

– De pende, me ajudaria a encontrar um vestido para uma festa? – perguntei e ela assentiu.

Seu estilo não era nem muito na moda, mas não deixava de ser bonito. Ela usava uma blusa bege seguida por uma jaqueta preta, um short de cintura alta na mesma cor da blusa e uma sapatilha florida. Ele realmente é linda. Era o que meu irmão dizia: “O tipo certo de garota é á bonita e divertida.”. Normalmente ele dizia isso para mim o tempo inteiro.

– Vamos ver o que você tem. – ela disse entrando no meu quarto e fechando a porta atrás de si.

Ela entrou no meu closet e eu juro que ela abriu a boca impressionada. Não, impressionada por tanta roupa bonita e sim pela bagunça. Ela começou a remexer procurando alguma coisa que servisse exatamente para a ocasião. Não que ela soubesse a ocasião, mas deixa. A cada remexida eu pensava que poderia sair algo no meio daquelas roupas amontoadas.

– Esse é perfeito. – ela disse pegando um vestido azul. Eu o havia ganhando de presente de minha tia Margareth, no natal em que passamos na Itália onde ela mora.

– Não é muito... Bonito? – duvidas subiam minha cabeça. Ela me olhou e negou com a cabeça trazendo o vestido até mim, e me entregando-o.

– Ele ficaria perfeito com esse salto! – ela exclamou pegando um salto preto que era composto por linha cruzadas, que quando chegava no tornozelo formava um laço pequeno.

– Odeio saltos. – falei e ela balançou a cabeça em negação.

– Pediu minha ajuda, estou ajudando! – exclamou adentrando no closet novamente e procurando acessórios. Estou pensando seriamente se ainda quero a ajuda dela.

♥ ♥ ♥



Quando Lizzie finalmente terminou de escolher meu look Fashion, eu fiquei realmente impressionada. Ela tinha o talento de escolher um look que eu não tinha idéia que tinha no meu closet. Obviamente eu fiz caras e bocas para que ela me permitisse usar uma sapatilha, mas eu desisti quando ela disse que aumentaria meu salto.

Ela ficou tão animada que disse que sabia o que queria ser realmente. No entanto sua família a vamos dizer que... obrigou a fazer jornalismo para seguir a carreira de seu pai. O que eu achei totalmente errado. Ela deveria escolher o que ela quer fazer para o resto de sua vida, pois a vida é dela e acho que fazer uma coisa que você não gosta não é verdadeiramente empolgante.

– Vamos fazer babyliss no seu cabelo! – Lizzie disse empolgada, puxando a cadeira que ficada de frente pra o espelho.

– Não está muito empolgada? – perguntei me sentando na cadeira. Joguei meus cabelos para trás e peguei uma escova para penteá-los.

– Sabe o Liam é meu primeiro namorado que eu realmente esteja apaixonada, e ainda descubro que ele tem uma irmã mais nova. Eu sempre quis ter uma irmã, mas minha mãe sempre achou que ter uma única filha seria melhor. Tudo por religião! – ela se expressou fazendo uma simples careta.

– Se você ficar contando essas coisas irei ficar comovida. – falei me ajeitando na cadeira e passando a escova nas pontas do meu cabelo.

– Você sabe o que essas frases significam? – ela perguntou se referindo as frases escritas em minhas paredes.

– Ainda não tentei descobrir. – falei colocando a escova ao lado do espelho.

– Vamos fazer isso logo! – ela disse pegando o Babyliss.

Quando ela terminou olhei-me no espelho e me encarei. Nunca tinha tentando fazer cachos em meus cabelos porque eu realmente não gostava, mas agora percebo que não ficaria tão ruim.

Uma batida do outro lado da porta foi ouvida e de lá entrou uma mãe sorridente. Ao lado dela estava um Liam emburrado. Minha mãe correu até mim e ficou mexendo no meu cabelo como se fosse um brinquedo.

– Você está tão linda. – ela disse e eu revirei os olhos.

– Vou me trocar... – eu disse e ela sorriu de lado, indo até a porta e puxando Liam com sigo para fora.

Levantei-me e fui até a cama onde o vestido estava jogado. Olhei para Lizzie que estava fazendo Babyliss em seus cabelos negros. Quando ela percebeu meu olhar sobre ela, sorriu envergonhada.

– Já estou indo! – exclamou indo até a porta e saindo.

Peguei o vestido e o vesti. Era um azul um pouco escuro, evasê, composto por uma renda acima do peito e liso até um pouco acima do joelho. Um vestido que até o momento em que Lizzie o achou, eu o havia esquecido. Coloquei o salto preto, que me fazia ficar maior do que o normal e fui até o espelho. Ajeitei meu cabelo e coloquei os brincos que pareciam uma espada, que Lizzie havia recomendado. Passei um batom rosado claro e peguei a bolsa preta que em volta era detalhada com um dourado.

Peguei meu celular e o coloquei na bolsa. Dei uma ultima olhada no espelho e fui até a porta a abrindo. Foi o mesmo momento da campanhinha tocar. Desta vez não teria como correr com minha mãe lado a lado, pois eu estava de salto. Na porta apareceu um Mike lindo com uma camisa preta que era acompanhada por uma jaqueta de couro na cor vinho, uma calça da mesma cor camiseta e um cabelo totalmente bagunçado. Homens!

Desci as escadas lentamente, pois não era todo dia que Brianna Clarckson usava um salto. Quando Mike me avistou deu uma breve levantada de sobrancelhas. Sua boca se torcia a cada degrau que eu descia, ou era porque eu estava muito feia ou porque estava muito bonita. Um Liam completamente enciumado estragou minha descida triunfante, entrando em minha frente e me parando.

– Não está muito bonita? – ele perguntou puxando meu vestido para baixo. Ele sabe como deixar-me completamente envergonhada.

– Liam, cuida da sua vida! – exclamei o empurrando para o lado e terminando de descer as escadas.

– Você está usando um vestido! – Mike exclamou, entrando em minha casa e me dando um breve selinho. Isso era só para parecermos um casal de verdade!

– Normalmente namorados falam para as namoradas, que elas estão lindas. – sussurrei em seu ouvido.

– E você está linda! – ele exclamou um pouco mais alto para que minha querida família o escutasse.

– Mãe, nós já vamos. – falei para minha mãe que continha um sorriso no rosto. Parece até que nunca viu um garoto na vida!

– Claro. – ela falou vindo até nós e me dando um beijo na bochecha. – Cuide bem dela. – terminou apontando para Mike que assentiu envergonhado.

Saímos de casa e fomos até o carro de Mike que está estacionado em frente á minha casa. Mike abriu a porta para mim e entrei, logo após colocando o sinto de segurança. Ele entra pelo outro lado e da partida no carro indo em direção a sua casa que eu nunca havia conhecido antes.

– Sua família não vai estar em casa? – perguntei e ele negou com a cabeça.

–Meu pai viajou a negócios. – falou e eu assenti ajeitando meu vestido.

Ele estacionou na frente de uma casa enorme pintada de um bege claro. Na frente havia um lindo jardim composto por rosas. A música que tocava podia ser ouvida pela vizinhança inteira, e talvez isso tirasse a paciência de alguns vizinhos que já estavam na porta com uma careta. Saímos do carro e o bip foi ouvido. Ele passou a mão pelos meus ombros e me conduziu até á entrada de sua casa. Da porta já dava para ver que havia muitas pessoas ali, uma delas era Sierra que dançava igual a uma bêbada ao lado de Bob.

Entramos e Mike cumprimentou algumas pessoas que me olhavam de cima a baixo. A cada passo meu rosto ficava mais vermelho. Fomos até Sierra que logo nos percebeu e parou de dançar loucamente.

– Oi bombinhos! – ela exclamou pegando um copo pequeno que estava na mão de Bob.

– Já está bebendo Sierra? – Mike perguntou e ela lhe mostrou o dedo médio.

–Desde que a festa começou. – ela falou indo até o bar que ficava próximo da pista de dança.

– Já volto. – Mike sussurrou em meu ouvido e eu assenti. Avistei Felipe vindo em minha direção com um copo de vodka na mão.

– Oi Bia. – cumprimentou e eu estranhei. Ele mesmo havia parado de falar comigo.

– Oi Lipe. – cumprimentei de volta e ele sorriu.

– Cadê o Mike? – ele perguntou me oferecendo o copo que segurava.

– Foi ali. – falei dando uma leve empurrada no copo.

– AMIGA BOMBA! – ouvi Sierra gritar e vir em minha direção. – Bob me beijou! – exclamou dando pulinhos.

– Nossa. – comentei fingindo empolgação.

– Oi Felipe. – ela cumprimentou-o em um tom seco.

– Oi Sierra. – devolveu do mesmo modo. – Já vou. Tchau Bia. – disse acenando e sumindo na multidão.

Sierra também se foi e ficou apenas eu no meio de pessoas bêbadas dançando. Fui até o bar e sentei-me em uma das poltronas que ficava ao seu lado. Avistei pessoas dançando, bebendo, se comendo como se fosse o ultimo dia do mundo e pessoas usando drogas. Vi pessoas quase sem roupas nos sofás que ficavam perto da porta de entrada.

Levantei-me e fui atrás de Mike. Aquele ser inconveniente deixou-me sozinha nesta porcaria de festa. Esbarrei em tantas pessoas que meu ombro já estava dolorido quando o encontrei jogado no chão bebendo um copo que continha uma substância azul. Fui até ele e peguei o copo o jogando longe.

– Oi Bri... – ele começou e eu revirei os olhos. Até bêbado ele é tapado.

– Vem. – falei o puxando pelo braço. Eu não o agüento então uma simples ajuda dele o fez cair em meus ombros.

O empurrei escada acima procurando seu quarto. A cada quarto aberto um tipo de imagem diferente. Tantos quartos que perdi-me no meio daquele corredor gigantesco. Quando cheguei no fim do corredor abri uma porta em que o quarto era totalmente o tipo do Mike. Era aquele! O empurrei para dentro e o joguei na cama de forma brusca. Não vim em uma festa para ser babá de um adolescente bêbado.

– Eu poderia te deixar aqui, mas como sou uma boa “namorada” vou te ajudar. – falei mais pra mim do que pra ele.

– Já te falaram que você é linda? – perguntou sorrindo. Olha o que uma bebida faz com as pessoas.

– Já! – respondi indo até uma porta que deveria ser o banheiro e á abrindo.

Joguei minha bolsa na pia que ficava ao lado do Box e tirei meus saltos o jogando em qualquer lugar. Uma noite pior que essa só na vez em que eu fui babá da vizinhança inteira em New York, isso tudo para ganhar dinheiro e não precisar da minha mãe pra nada. Uma idéia que não deu muito certo.

Liguei o chuveiro e fui até a cama onde Mike estava jogado como um lixo. O fiz apoiar as mãos em meus ombros e o conduzi até o banheiro. O coloquei de baixo da água fria sem dó nem piedade. O gemido de dor dele foi ouvido e eu sorri com isso.

– Você mereceu! – exclamei o apoiando na parede.

Fui até seu armário e procurei uma blusa e uma bermuda. Peguei qualquer uma e voltei ao banheiro. Mike estava sentado no chão secando os cabelos molhados. Agachei em sua frente e sentei-me. Seus olhos subiram e nossos olhares se cruzaram. Sua mão fora para minha bochecha e lá ele acariciou-a com o dedão. O vi se aproximar e temi que aquilo não estava certo, mas nenhum músculo meu se mexia, eu não queria sair dali.

Fechei os olhos esperando pelo o que viria a seguir e logo nossos lábios se tocaram. Sua mão que estava em minha bochecha foi para minha cintura a apertando devagar, sua outra mão foi para meu pescoço e logo após subiu para entre meus cabelos. Minhas duas mãos foram involuntariamente para seu pescoço e depois para seus cabelos onde os puxei levemente. O beijo era calmo e com ternura. Sua língua logo pediu passagem e eu a cedi. Eu definitivamente não sabia o porquê daquilo estar acontecendo, mas queria que continuasse.

Mike encerrou o beijo dando um breve selinho em meus lábios que agora estavam avermelhados. Meu rosto deveria estar definitivamente vermelho. Eu não acreditava que aquilo tinha acontecido, somos apenas namorados de mentira por um tempo, nada mais que isso. Foi com esse pensamento que levantei-me rapidamente o puxando junto comigo. O levei até a cama e o joguei todo molhado mesmo. Meu vestido que antes estava seco agora estava encharcado devido a nossa aproximação. O cobri com um simples lençol que estava jogado em sua cama e fui até a porta.

– Dorme comigo? – o ouvi perguntar e lamentei inteiramente por tudo.

– Tenho que ir. – falei abrindo a porta e saindo rapidamente.

O barulho da música ainda era ouvido e pessoas estavam jogadas pelo corredor. Pensei comigo mesma que amanhã Mike não lembraria de nada e seria melhor assim. Andei até a escada tropeçando em pessoas, que não sabiam nem onde estavam. Eu ainda pergunto-me como Mike se embebedou tão rápido. Uma festa que deveria ser divertida foi definitivamente estragada.

Notas finais
Se tiver erros por favor me avisem... Espero que tenham gostado!