Uma nova chance para nós
1 Lembranças....
Notas iniciais
Elizabeta lembrava de seus tempos de infância com um sorriso melancólico, observando uma pequena roupa empoeirada que costumava usar sempre quando era uma criança. Em suas memórias, havia dois garotinhos: Um era ela própria, nos tempos que acreditava que suas partes baixas iam crescer com o tempo. Porém o outro, com seu ego enorme e atitudes exageradas chamava mais ainda sua atenção.
"Prússia...." Chamou o nome dele baixinho, sem entender o motivo. Eles tinham passado por tantas fases durante a vida. Quando eram pequenos de certa forma eram amigos, mesmo sempre discutindo. Porém, chegou o momento que ela mudou, aceitou o fato de que era uma mulher e deveria agir como tal, e foi ai que as coisas começaram a ficar estranhas. Aos poucos Gilbert começava a olhá-la de um jeito diferente, evitando encará-la nos olhos ou ficando atrapalhado em sua frente. Por isso ela começou a achar que ele agora a odiava, que tinha mudado tanto que o prussiano não conseguia mais aceitá-la.
Então veio a aliança austro-húngara, nome dado pelos humanos a seu casamento quase forçado com Roderich. Não que ela não gostasse do amante de piano, muito pelo contrário, os dois eram amigos, parceiros e realmente apreciavam a companhia um do outro, conseguindo viver uma vida tranquila. Houveram tempos que Elizabeta tentou com todas as forças de sua alma se apaixonar por ele, afinal isso era mais que normal, certo? Mas algo no seu peito não a permitia amar Austria de uma forma que não fosse como um bom amigo, quase um irmão.
Durante seu casamento também foi a época que mais se afastou de Prússia. Ele e Austria não se suportavam, viviam se envolvendo em guerras, e como seu parceiro de aliança não era o melhor guerreiro do mundo, era obrigação dela protegê-lo e ajudá-lo. Graças a isso, as brigas entre Gilbert e Roderich passaram a ser brigas entre ela e o albino. Contudo, na história do mundo países que brigavam muito por causa dos motivos de seus governantes ou até por razões pessoais acabavam eventualmente voltando a se dar bem ou ao menos tentavam ficar em um clima agradável. Esse não era seu caso com o prussiano. Ele sempre a olhava com mágoa enquanto agia com seu complexo de ore-sama de sempre, e isso fez com que suas brigas de brincadeira na infância virassem brigas de verdade. E por algum motivo, até depois disso se repetir centenas de vezes, Hungary nunca conseguia parar de pensar nele.
Já depois de voltar a ser um país independente, depois da separação do Império Austro-Húngaro após a Primeira Guerra Mundial, Hungary achou que sua vida poderia voltar a normalidade. O mundo tinha passado por aquele caos gigantesco, e tavez todos aqueles idiotas tirassem alguns séculos para arrumar mais bobagens pra brigar. Mas ai veio a pior notícia possível: Os estados germânicos iriam se juntar para formar um país, a Alemanha. Uma única coisa passou na cabeça de Elizabeta quando ouviu a notícia.
Prússia ia se dissolver.
Ele ia morrer.
E ela, pela primeira vez em toda sua vida, chorou. Aquilo doía mais que qualquer ferida de guerra, era insuportável. Sempre tinha sido forte para aguentar qualquer coisa, tanto quando pensava que era homem quanto depois de aceitar que era mulher. Porém a certeza da morte do albino a fez lamentar cada briga, cada estupidez, seu desejo era voltar no tempo e ter dito a ele muito antes que o....... Ai seu cérebro travava. Não sabia o que de tão importante queria dizer a Prússia, e não conseguia descobrir o que era de nenhuma maneira. Por esse motivo, apenas sofreu de longe esperando o inevitável.... que acabou não acontecendo.
Agora já tinham se passado várias décadas, o mundo estava em paz. Bem, não exatamente, ainda havia uma ocasião ou outra que alguém se desentendia, porém em toda a história nunca houve uma época em que eventualmente, a maioria dos países do mundo podiam ir a uma festa de dia das bruxas, ou sair para tomar uma bebida após uma reunião.
Quanto a vida de Elizabeta, pouca coisa tinha mudado. Tinha bastante trabalho, mas nenhuma guerra, que de certa forma a deixava mais disposta e animada para fazer coisas boas. Podia visitar seu amado e precioso Ita-chan, que tinha um adorável relacionamento com Alemanha, que para a surpresa de todos, conseguiu se tornar um dos países mais poderosos do mundo sem que Prússia sumisse.
"Porque meus pensamentos sempre voltam praquele idiota?' Hungary se repreendeu mentalmente, e logo depois ouviu uma batida na porta. Quem seria tão cedo? Ela estava de folga, e não tinha marcado de sair com ninguém. De um jeito ou de outro, acabou indo abrir, só para quase cair de tanta surpresa: Ali na sua frente, estava ele. Não usava mais uniforme, e sim uma blusa preta com calça jeans e um cachecol azulado, mas os cabelos brancos, os perigosos olhos vermelhos e aquele sorriso convencido continuavam os mesmos. Nas costas, carregava o que parecia ser um arco e flecha, não um dos atuais feitos de material leve e prático para atirar, e sim uma arma antiga, que deveria ter sido devorada por cupins há séculos.
"Que cara de boba é essa Hungary? Eu sei que minha incrível presença é de tirar o fôlego, mas pensei que já teria se acostumado com ela kesesesesese." Gilbert falou, com seu velho tom de voz convencido.
"Eu só quero saber o que diabos está fazendo na minha casa quando o sol mal nasceu. O que está aprontando Prússia? Se dizer logo, como estou de bom humor, só vou te dar uma frigideirada." Elizabeta replicou, segurando o outro pela gola. O sentimento nostálgico atingiu seu peito, e quase deixou escapar um sorriso.
"Calma, eu nunca faço coisas ruins, apenas atos incríveis."
"E o que quer, desembucha logo!"
"B-Bem..." O prussiano pareceu hesitar um pouco antes de continuar. "Eu estava lendo um de meus Ore-sama nikki e lembrei o quanto você é péssima com o arco e flecha, então deu vontade de vir aqui e rir um pouco enquanto demonstro o quanto sou melhor que você kesesesese."
"Do que está falando seu idiota? Eu sempre fui muito melhor com arco e flecha que você!"
"Então vamos lá na floresta pra você ao menos tentar provar isso, o que eu duvido muito. Vai aceitar ou foi na manicure ontem e não quer quebrar a unha kesesesesese?" Disse Prússia, puxando a mão de Hungary, que ficou mais chocada ainda. Era diferente de qualquer jeito que eles já tinham se encostado, como se o prussiano nunca fosse soltá-la. E de repente, como se tudo fizesse sentido, a garota soube o que tinha desejado dizer ao albino na época da dissolução: Eu te amo.
Amava Prússia, talvez sempre tivesse amado. Por isso sentia falta dele, por isso não conseguiu se apaixonar por Roderich, Deus tinha sido tão cega. Lia tanto sobre amor em seus BL's e sempre tinha se considerado entendida no assunto, porém demorou séculos para perceber algo tão óbvio. E agora que sabia, o que ia fazer com essa informação?
Apesar da dúvida da garota de cabelos castanhos, os dois passaram um dia agradável juntos. Treinaram arco e flecha (Hungary ganhou por 20 a 12, o que não impediu Prússia de pedir revanche. 5 Vezes), passearam, pescaram, tudo isso entre insultos, e antes que percebessem já era fim de tarde, e Gilbert estava acompanhando Elizabeta até sua casa.
"Bem, foi até divertido. Parabéns Hungary, você conseguiu distrair bastante minha incrível pessoa."
"Te ganhando no arco e flecha, na pescaria e em todo o resto? Enfim, antes que vá embora eu quero dizer uma coisa. Eu te amo Prússia." A garota falou com uma expressão calma. Não esperava que o albino correspondesse ou algo assim, nenhum dos dois era o tipo que entendia e se envolvia em relacionamentos, mas não queria ficar com aquilo atormentando sua cabeça, então era melhor dizer logo. "Não precisa me olhar com essa cara de idiota, só queria que soubesse mesmo. Bem, boa noite." A fujoshi se virou para abrir a porta, porém foi surpreendida pelas mãos do prussiano em seus ombros, a virando lentamente enquanto ele encostava os lábios nos dela. Foi algo totalmente diferente do que qualquer coisa que já tinha experienciado antes, ao mesmo tempo que ninguém naquele beijo parecia saber o que estava fazendo tudo parecia tão certo, tão bom, que eles não quebraram a ligação até ficarem totalmente sem fôlego.
"Que falta de educação Hungary, querer entrar em casa sem nem me deixar falar antes. Bem, agora que está quieta o grande ore-sama pode dizer que corresponde seus sentimentos e sempre os correspondeu. Viu só, esse é um jeito incrível de encerrar uma conversa, espero que tenha aprendido." Com isso Prússia deu um leve beijo na testa da húngara e segurou os cabelos dela em um rabo de cavalo, mudando para um tom de voz mais sério apenas por alguns instantes. "Quando você usava seu cabelo assim e achava que ia ter bolas eu já te achava uma graça. Mesmo você tendo mudado tanto para "agir como uma mulher" eu já te amava desse jeito sem esses vestidos e detalhes." Depois disso ele foi embora, deixando a dona da casa corada e com um sorriso gentil no rosto.
"Porque você não disse isso antes idiota? Eu devia te dar uma frigideirada por ser tão estúpido..."
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