Uma nova História
12 O Julgamento
Notas iniciais
Harry fora com seus amigos para os jardins enquanto esperavam o tempo passar para continuarem com a leitura. Estavam todos sentados embaixo das árvores conversando sobre a leitura, quando Hermione passa em frente o grupo com um livro nas mãos.
—Gente, deixa eu chamar ela pra sentar aqui conosco. –Kathy pediu, fazendo Rony fazer cara feia. Harry dera de ombros. –Qual é Harry, pelo que vi na leitura vocês vão ser amigos, e ela ta sozinha- e com a falta de resposta dos dois ela terminou – Dane-se que vocês acham, eu vou chama-la para se sentar aqui e vocês dois serão educados com ela e farão amizade. Fui clara? –Terminou olhando meio brava, mas cheia de determinação. E ao ver o aceno dos dois, marchou em direção à amiga.
Alguns minutos depois, de persuadir muito à amiga, as duas voltaram para onde os garotos estavam. No começo foi um momento tenso e constrangedor. Sabia que estavam ali por Kathy, já que eles não suportavam a menina e nem ela a eles. Mas nenhum dos três conhecia Katherine Moore, ela sabia persuadir qualquer uma a fazer o que ela queria.
Um tanto perigoso, não? Uma garota com tanto poder para compenetrar na mente das pessoas não deveria estar andando por ai, sozinha. Não se lembram do que aconteceu quando deixaram pessoas assim andando por ai livremente? Não cometam o mesmo erro da última vez, pode ser tarde demais. Mas novamente, quem sou eu, não é?
Ao longe, observando aquele grupo conversar, estava à garota que chegara para tirar as dúvidas. Quem era ela? Ninguém sabia. O que estava fazendo ali, observando aquele grupo específico? Só Deus poderia dizer. Mas uma coisa era certa, ela estava aprontando alguma. A questão é: O quê?
Com um sorrisinho maldoso, a garota sussurrou para ela mesma:
—Aproveite Moore, nem tudo vai ser um mar de rosas pra você.
Ao se virar, pode perceber que estava sendo observada desde o início. Sabia que muitas pessoas tinham o interesse de saber quem era ela. Mas não estava na hora. Com um sorriso maldoso, entrou no castelo a procura de certo diretor.
Quirrell também observava o pequeno grupo na beira do lago. Potter estava ali, junto daquela pirralha de quem estavam lendo sobre. O que ela tinha de tão especial? E o mais importante: o que ela fizera contra seu Mestre?
Este, que estava ouvindo toda a história, ficou satisfeito ao saber que seu plano de retornar ao poder funcionara. Estava aproveitando o momento para descobrir onde obteve seus êxitos e onde falhara, para não cometer o mesmo erro. Percebeu que a menina que aparecera no salão foi para dentro. Ela também era alvo de sua curiosidade, e via maldade o bastante na garota para ela se tornar sua aliada. Deveria esperar a hora certa.
A hora do almoço chegou e todos foram em direção ao salão principal para fazerem sua refeição. Cada vez mais gente encarava o ex-prisioneiro. Muitos alunos preferiram sentar-se longe do homem. Não sabiam se ele era perigoso ou não.
Na mesa da Grifinória, Harry tinha tantas perguntas para seu padrinho, mas tinha medo de aborrecê-lo como acontecia quando perguntava algo para os Dursley, por isso ficou calado, mas lançando olhares ao mais velho. Sirius, por outro lado, queria que Harry fizesse perguntas, que conversassem, queria conhecer aquele menino, o filho de seus melhores amigos.
Kathy vendo que os dois estavam inquietos e nenhum tomaria coragem de iniciarem uma conversa, resolveu ajudar o amigo, puxando conversa com os dois.
—Então... Sirius não é? –Kathy perguntou trazendo a atenção do homem e do amigo para si, e ao ver o aceno do outro, continuou — conhecia os pais do Harry há muito tempo?
O homem lhe encarou por um tempo parecendo pensativo, então deu um sorriso triste antes de começar a contar a história. Sabia que a garota tinha perguntado não por ela, mas por Harry que parecia não saber como conversar com ele. Já Harry sorrira em agradecimento ao ver que a amiga fez isso por ele, e se ajeitou na cadeira, ansioso, a espera do que seu padrinho ia falar. Kathy era uma boa amiga.
Eu não teria tanta certeza assim pequeno Potter, mas você deve saber com quem andas, não é mesmo? Só não chore quando ela fizer o que faz de melhor, decepcionar as pessoas.
—Conheci seus pais no trem de Hogwarts, no primeiro ano. –contou olhando diretamente para o afilhado- Fiquei amigo de seu pai logo de cara, mas sua mãe demorou um pouco para nos tornarmos amigos. Eles eram as melhores pessoas que você poderia pensar. Seu pai, um homem de fibra e coragem, e sua mãe, inteligente e bondosa. Nunca vi alguém com tamanha bondade como ela.
Foi o que bastou para Harry disparar perguntas ao padrinho. As respostas sendo divididas entre os dois amigos dos pais de Harry. Sirius, em um momento que Remo contara como ficou amigo de Tiago e Lilian, dirigiu seu olhar a Kathy, que observava, sorrindo, o brilho dos olhos do amigo. Ao perceber ser encarada, Kathy olhou para Sirius e lhe deu uma piscadinha, logo virando-se para conversar com Fred e Jorge.
Após todos estarem satisfeitos, a garota misteriosa entrara e caminhara até o diretor. Ela não almoçara, pelo menos não no salão principal.
—Dumbledore, antes de voltarmos à leitura, temos que resolver o assunto da inocência de Sirius Black. Eu sugiro que os alunos voltem às aulas, já que obviamente não vão querer que seus alunos vejam um julgamento.
O diretor assentiu .
—Bom, infelizmente teremos que adiar nossa leitura para a noite. No momento temos que resolver um assunto mais urgente por hora. Então vocês estão com suas tardes livres e após o jantar continuaremos com a leitura.
Alguns reclamaram, mas todos tinham uma ideia do porquê de não estarem lendo naquele momento.
Quirrell ficou um momento a mais, fitanto a garota. Mas tivera que sair ao reparar no olhar de Severo Snape em cima dele. Este o seguiu logo atrás.
Lucio Malfoy esperara no salão, já que iria ao Ministério junto. Mas nem todo mundo saiu de lá. Harry se recusava a sair, Rony ficaria com o amigo se não fosse o fato da senhora Weasley tê-lo tirado a força. Hermione não era muito próxima do garoto de óculos para ficar com ele naquele momento. Mas Katherine bateu o pé e ficou junto de Harry.
Remo estava no meio dos dois, segurando-os para não atrapalhar. A garota misteriosa estava ao lado de Dumbledore, com uma gaiola enfeitiçada com um rato, que levitava, ao lado. Sirius estava em pé, ao lado de Harry e Remo, um tanto nervoso. Cornélio Fudge, após os alunos sairem, entrou com dois dementadores, que foram em direção a Sirius para levá-lo ao julgamento que ja estava pronto.
Cada pessoa que estava naquele salão teve uma emoção diferente ao ver aquelas criaturas. Dumbledore estava furioso pelo Ministro ter levado aqueles monstros à sua escola. Remo ficara chocado, enquanto Sirius, junto ao rato na gaiola da garota, tremeram. Quanto a Lúcio Malfoy, mesmo não deixando transparecer, sentiu um mal estar tremendo. O mais estranho foi à reação dos menores. Harry arregalou os olhos quando uma daquelas coisas com capas foram em sua direção. Ele começara a tremer e caira de joelhos no chão. Sirius se colocara a sua frente,tendo suas emoções sendo sugadas no lugar das de seu afilhado. O mais estranho acontecera logo depois. Ambas criaturas largaram o criminoso e foram com tudo em direção a pequena morena, que caira de joelhos. Esta, ainda ajoelhada, apertava os ouvidos como se quisesse parar de ouvir algo. Seu corpo, que se elevava um pouco pela sucção dos dois dementadores, caiu no frio chão de pedra, onde começou a se debater, perdendo as forças.
Antes de Dumbledore ou mais alguém fazer alguma coisa, a garota misteriosa andara até os dementadores, parando em frente aos mesmos. Parecia não ser afetada por eles, o que chocou os mais velhos. Com um aceno de mão, os dois se afastaram.
—Nada de dementadores. Tire-os daqui.
—Você não pode me dar ordens. Apesar de afirmar que Black é inocente, só temos sua palavra como prova o que não vale nada. Principalmente vindo de uma garota que mal sabemos a respeito. Terá seu julgamento, mas nos meus termos, e até provar sua inocência, ele continuará sendo tratado como prisioneiro, portanto não posso sair com o mesmo desprotegido.
Dumbledore, mais furioso como o Ministro jamais vira, expulsou os dementadores de Hogwarts.
—Aqui é uma escola Cornélio. Cheio de crianças, e você está muito enganado se eu deixarei que esses monstros entrem em minha escola pondo em risco o bem estar de meus alunos. Traga aurores para levar Black, mas não traga essas criaturas aqui novamente.
Concluindo que perderia aquela disputa, o Ministro mandara os dementadores embora.
Sirius ao ver que os guardas de Azkaban saíram, virou-se para seu afilhado com extrema preocupação. Abaixando-se junto de Remo para conferir se o mesmo estava bem, percebeu o medo nos olhos verdes do menor. Dumbledore se aproximara para ver se o pequeno Potter estava bem, enquanto a garota misteriosa encarava Kathy deitada no chão.
—Vai ficar tudo bem Harry. Tudo bem- Sirius abraçou o menino sussurrando palavras de conforto em seu ouvido.
—Estou bem padrinho- o pequeno disse baixinho, fazendo Sirius se emocionar com as palavras do afilhado.
Dumbledore, que no momento de distração deles chamara Madame Pomfrey, aproximara com a mesma em direção a Kathy que não se mexia.
—Afastem-se – a enfermeira ordenou conferindo a garota esticada no chão. Somente naquele momento que os outros se deram conta que outra criança fora afetada pelos dementadores e olharam em direção a mesma, encontrando-a em um estado vegetativo assustador para uma menina hiperativa como a pequena.
Katherine encontrava-se deitada no chão na mesma posição que caíra quando aqueles monstros a atacaram. Ainda segurava os ouvidos como se quisesse abafar algum som. Seus olhos estavam arregalados e ela estava muito pálida. Sua boca, outrora avermelhada naturalmente, agora se encontrava branca. Parecia sem vida. E acredite, ela queria estar.
É Moore, quem disse que enterrar o passado funciona? Parece que desenterraram pra você. Coitadinha, parece perturbada Kathy. Aaahh! Mas não se preocupe, esse é só o começo.
—Ela esta bem? –Remo perguntou preocupado.
—E então? Como ela está?- Sirius perguntou ansioso ao não obterem respostas da enfermeira.
—Ela está em choque pelo que aconteceu, vai ficar bem- respondeu indo em direção a Harry após dar um pedaço generoso de chocolate a garota, que pegou mas não comeu, finalmente se sentando, abraçada aos joelhos, mirando um ponto fixo.
Remo foi em direção à pequena, sentando-se ao seu lado, mas em silêncio. Sirius prestava atenção no exame que Madame Pomfrey fazia em seu afilhado, mas de vez em quando lançava olhadelas a Remo, que apenas balançava a cabeça em sinal negativo. Lúcio Malfoy observava a garota que se balançava para frente e para trás, perturbada.
Após todos estarem relativamente bem e com seus chocolates na mão, dois aurores chegaram para levar Sirius à audiência.
—Eu quero ir com você! –Harry exclamara ao ver os dois homens.
—Aquele lugar não é ambiente para você Harry. –e ao ver que o mesmo iria protestar, continuou- eu sou inocente e você saber disso já me faz feliz.
—Seu padrinho vai voltar Harry- A garota estranha falara revirando os olhos- agora deixa esses homens fazerem o trabalho deles.
Após se despedirem, Sirius vai com os aurores, sendo seguido por Dumbledore, Remo e Malfoy. Harry fora até a porta do salão, acompanhando os mais velhos com o olhar. Kathy continuava sentada no banco, e parecia estar melhor. A garota estranha ficara por último de propósito, e antes de sair sussurrou no ouvido de Katherine:
—Eu sei qual lembrança você reviveu Moore, eu só acho que você deveria revivê-la mais vezes, adoro ver seu sofrimento.
E saiu rindo, deixando uma Katherine de olhos arregalados e mais branca que papel para trás.
~~
Estavam parados a um extremo de um saguão muito longo e suntuoso, com um soalho de madeira escuro e extremamente polido. O teto azul-pavão era entalhado com símbolos dourados que se moviam e se alternavam como um enorme quadro celeste de avisos.
As paredes de cada lado eram forradas de painéis de madeira escura e lustrosa, e nelas havia, engastadas, muitas lareiras douradas. A intervalos de segundos, bruxos e bruxas emergiam de uma das lareiras à esquerda com um suave ruído de deslocamento de ar. Na parede da direita, iam se formando diante de cada lareira pequenas filas de gente que aguardava o momento da partida.
No meio do saguão havia uma fonte. Um grupo de estátuas de ouro, maiores que o tamanho natural, estavam dispostas no centro de um espelho de água circular. A mais alta era de um bruxo de aparência aristocrática, com a varinha apontando para o ar. Agrupados a seu redor, havia uma bela bruxa, um centauro, um duende e um elfo doméstico. Os três últimos olhavam com adoração para o casal de bruxos. Das pontas de suas varinhas, saíam jorros de água cintilante, bem como da ponta da flecha do centauro, da ponta do chapéu do duende e de cada orelha do elfo doméstico, de tal modo que o silvo e o tilintar da água que caía se misturavam aos popes e craques dos bruxos aparatando e ao ressoar dos passos de centenas de outros, dirigindo-se a uma fileira de portões dourados no fundo do saguão.
Algumas pessoas pararam para olhar Sirius ser carregado por dois aurores. Mas era coisa rápida, de só observar.
O elevador apareceu sacudindo e eles entraram, e um dos aurores apertou o botão de número nove.
“Departamento de Mistérios”, disse a tranquila voz de mulher sem pressa e sem nada acrescentar.
E eles saíram apressados por um corredor onde as paredes eram nuas; não havia janelas nem portas, exceto uma preta e lisa no finzinho do corredor. Mais a esquerda tinha uma abertura para uma escada. Chegaram ao último degrau e entraram por mais um corredor, com paredes de pedra bruta e tochas em suportes. As portas pelas quais passavam aqui eram de madeira maciça, com trancas e fechaduras.
As paredes eram de pedras escuras, fracamente iluminadas por archotes. Havia arquibancadas vazias de cada lado dele, mas, à frente, as mais altas estavam ocupadas por muitos vultos escuros. Tinham estado conversando, mas quando a pesada porta se fechou à entrada de Sirius fez-se um silêncio agourento.
Tinha uma cadeira no centro da sala, cujos braços eram equipados com correntes das quais ganhavam vida e prendiam quem ali sentasse. Seus passos ecoaram fortemente quando avançou pelo chão de pedra, conduzido pelos aurores. No momento em que se sentou na borda da cadeira, as correntes retiniram ameaçadoras, o prendendo-o. Sentindo-se bastante mal, Sirius olhou para as pessoas sentadas no banco acima.
Havia umas cinquenta, até onde sua vista alcançava, usavam vestes cor de ameixa com um W bordado em fio de prata do lado esquerdo do peito, e olhavam para ele com ar de superioridade, algumas com expressões bem austeras, outras, com claro deboche.
Bem no meio da primeira fila sentava-se Cornélio Fudge, o ministro da Magia. Uma bruxa de ossos largos, queixo quadrado, cabelos grisalhos muito curtos, sentava-se à esquerda de Fudge; Do lado direito do ministro, havia outra bruxa, mas estava sentada tão atrás no banco que seu rosto ficava na sombra.
— Muito bem – disse Fudge. – O acusado tendo finalmente chegado, podemos começar. – Os senhores estão prontos? – perguntou aos demais bruxos, e ao receber uma aceno da maioria, prosseguiu.
—Sirius Black, você foi trazido de Azkaban para prestar depoimento ao Ministério da Magia, pois diz ter provas que comprovam sua inocência.
— Tenho sim senhor – respondeu ele.
Um murmúrio percorreu os bancos. Alguns bruxos e bruxas examinaram Black com interesse, outros com acentuada desconfiança.
— Audiência disciplinar do dia dezoito de setembro – anunciou Fudge com voz ressonante, e um homem careca começou imediatamente a anotar – para apurar a acusação de assasinato.
“Inquiridores: Cornélio Oswaldo Fudge, ministro da Magia; Amélia Susana Bones, chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia; Dolores Joana Umbridge, subsecretária sênior do ministro,...”
— Testemunha de defesa,Eu– disse uma voz baixa atrás de Sirius e ele virou a cabeça tão rápido que estalou o pescoço. Era a garota que dissera provar sua inocência.
—Desculpe, mas quem é a senhorita?- Amélia Bones perguntara ríspida.
—Isso não importa.
—Hem hem- uma vozinha ao fundo ressoou, e deu para perceber ser de uma senhora que lembrava estranhamente a um sapo- A senhorita deve me desculpar, mas aqui no Ministério os julgamentos são muito sérios, e não é lugar para crianças.
—Não desculpo porque não falei com a senhora. E o Ministro sabe que não há importância saber meu nome.
—Mas precisamos registrar o julgamento, e sendo uma testemunha de defesa, é necessário nos dizer seu nome.
—Pois bem- disse ao observar que realmente não teria escolha- Testemunha de defesa, Nicole Becker.
Alvo Dumbledore observara a garota. Não a conhecia, tinha certeza disso.
—Quem? De onde essa garota saiu?- eram as repetidas perguntas que os bruxos daquela sala faziam.
—Sou de Londres, Nascida-trouxa, educada em casa. Agora podemos prosseguir com o julgamento?
— Sim – repetiu Fudge, folheando suas anotações. – Bom, então. Portanto. As acusações.
Sim.
Ele retirou um pergaminho da pilha à sua frente, inspirou longamente e leu:
— As acusações são as seguintes:
“Que ele intencionalmente, deliberadamente e com plena consciência da ilegalidade dos seus atos, se aliou ao partidário daquele-que-não-deve-ser-nomeado, entregando os aurors Lilian e Tiago Potter à Ele; mais tarde, após a queda Dele, foi encontrado na cena do crime, onde matou o Bruxo Pedro Pettigrew e 12 trouxas ao explodir a rua.”
—Sirius Black, você foi trazido perante o Conselho das Leis da Magia para responder às acusações relacionadas com as atividades dos Comensais da Morte. Como pedido, o senhor será coagido a beber Veritaserum, a poção da verdade.
Sirius acenara com a cabeça.
—Concordo em beber essa poção. Não tenho porque mentir.
Um bruxo se aproximara do acusado, obrigando-o a beber a poção da verdade. Após alguns instantes, continuaram com o julgamento.
—Você é Sirius Black III, de Londres?- perguntou Fudge, lançando a Sirius um olhar penetrante por cima do pergaminho.
— Sim– respondeu ele.
—O senhor nega ter cometido os crimes apontados acima?
—Nego- Sirius respondeu olhando Fudge nos olhos, causando um burburinho pela sala.
—o caso não foi apurado há doze anos. E hoje tenho a prova que Sirius Black III é sim, inocente. –A garota, que descobriram chamar-se Nicole Becker, aproximou dos Bruxos da Suprema Corte. –O homem tomou a poção da verdade. Gostaria de fazer algumas perguntas. –Com o aceno afirmativo do Ministro, continuou- Sirius, você era o fiel do segredo dos Potter?
—Não.
—Sabia quem era?
—Sabia- Disse o mesmo parecendo muito infeliz.
—E quem era?
—Pedro Pettigrew – sua infelicidade virou raiva.
Um burburinho ainda maior ocorreu no julgamento. Pettigrew era o fiel dos Potter?
—Conte-nos o que aconteceu aquela noite.
—Era pra ser eu o fiel do segredo, mas eu achei que era óbvio demais. Então conversei com os Potter e decidimos trocar o fiel de última hora. Colocaríamos alguém que não chamaria a atenção para si mesmo; Pedro era perfeito pra isso. Mas tínhamos um traidor entre nós. Ninguém nunca poderia imaginar, eu nunca poderia imaginar. –Black parou o relato parecendo mais perturbado e com raiva do que antes.
—E o que aconteceu? –Amélia perguntou interessada. –Quem era o traidor.
—Pedro Pettigrew.
O choque passou por todos novamente.
—Pedro Pettigrew era o traidor. –disse ferozmente- E não acreditávamos, não sabíamos que ele iria nos trair daquela forma. Fizemos a troca dos fieis. E não contamos para ninguém, pois na época não sabíamos quem era o traidor. Mal pudemos esperar que o traidor estivesse na nossa frente.
Um silêncio momentâneo cobriu o tribunal. Todos estavam ansiosos para saber o que, de fato, tinha acontecido.
— Na noite da morte de Lílian e Tiago, eu tinha combinado procurar Pedro para verificar se ele continuava bem, mas quando cheguei ao esconderijo ele não estava. Mas não havia sinais de luta. Achei estranho. Fiquei apavorado.
Corri na mesma hora direto para a casa dos Potter. E quando vi a casa destruída e os corpos deles... percebi o que Pedro devia ter feito; o que eu tinha feito. Eu soube o que tinha acontecido. Soube que Pedro tinha nos traído. Então fui atrás de vingança. O procurei e o encurralei em uma rua cheia de trouxas. Mas ele foi esperto. Pela primeira vez foi mais rápido que eu- Disse amargamente- Quando eu o encurralei, ele gritou para a rua inteira que eu havia traído Lílian e Tiago. Então, antes que eu pudesse lhe lançar um feitiço, ele explodiu a rua com a varinha escondida às costas, matou todo mundo em um raio de seis metros, e fugiu para dentro do bueiro com os outros ratos...
—O que? Como assim “ com os outros ratos”? –Fudge perguntara confuso.
—Pedro era uma animago.
Ao ver os murmúrios aumentarem, Nicole interferiu antes que o segredo se espalhasse. Não iria deixar isso acontecer.
—Um animago ilegal? –ela perguntara.
—Sim.
—Continue a história.
—Bom, basicamente foi isso. Logo após ele fugir pelo bueiro, o Ministério me encontrou e me prendeu sem me dar a chance de ter um Julgamento.
—Então é isso senhoras e senhores- A garota foi andando pela sala conversando com cada um dos júris presentes. –Sirius Black III foi acusado e preso por um crime que não cometeu durante 10 anos. E antes que alguém arrume uma prova falsa contra o Black, aqui está a prova que Sirius não matou Pedro Pettigrew. –e levantando a gaiola, mostrou um rato para todos os presentes.
—O que é isso?- A mulherzinha com cara de sapo perguntara olhando com nojo em direção à gaiola.
—Isso... É o bruxo Pedro Pettigrew. –e ao ver a confusão no rosto das pessoas, aumentou a gaiola enfeitiçada e transformou o rato em um homem muito baixo. Seus cabelos finos e descoloridos estavam malcuidados e o cocuruto da cabeça era careca. Tinha o aspecto flácido de um homem gorducho que perdera muito peso em pouco tempo. A pele estava enrugada, quase como a pelagem do Perebas, e havia um ar ratinheiro em volta do seu nariz fino e dos olhos muito miúdos e lacrimosos. Ele olhou para os presentes, um a um, respirando raso e depressa, tremendo. Nicole viu seus olhos correrem para a porta e voltarem. Mas não tinha escapatória.
—Traidor-Sirius exclamara feroz, tentando se levantar para o culpado, mas a garota o impediu. Pedro se encolhera ao ver a raiva nos olhos de Sirius e ao perceber os dementadores se aproximar.
A falação aumentou consideravelmente. Muitos surpresos, os bruxos exclamavam incrédulos. Fudge caíra sentado na cadeira. Prendera um homem inocente por dez anos.
Nicole segurara o ombro de Sirius para que o mesmo não fizesse nada que atrapalharia sua inocência.
—Eu sou inocente, sou inocente! –o homem miúdo não parava de repetir.
—Sabemos da verdade Pedro, não adianta negar.
Pettigrew então olhou temeroso para os júris e os dementadores. Não tinha como fugir daquela vez.
Os júris se reuniram para decidir sobre o julgamento e alguns minutos depois retornaram com o veredicto.
—Muito bem –Fudge começou, olhando ansioso para a garota- Devido ao que ouvimos aqui, decreto que Sirius Black III é inocente de todas as acusações. O culpado Pedro Pettigrew será levado a uma sela especial, onde não poderá se transformar. Levem-no. –Os dementadores, então, deslizaram em direção ao novo prisioneiro que implorava piedade a eles.
É Rabicho... Não te disseram que toda escolha tem sua consequência? Agora aguente o peso de sua traição, pois acredite, ela vai te atormentar. E ainda dizem que Grifinórios são leais... Você é a prova viva que todo caso tem sua exceção.
—Excelente – a garota disse sorrindo confiante- E quanto à guarda do menino Potter? Os Potter deixaram a guarda do seu herdeiro para o Sirius aqui.
Nesse momento Sirius que estava sorrindo aliviado por sua inocência e pela justiça, calou-se olhando ansioso para o Ministro. Sentiu-se um pouco culpado por não lembrar do afilhado naquela hora.
—A guarda será devolvida a ele após verificarmos se o mesmo tem condições de criar uma criança. É um processo complicado , afinal estamos lidando com a vida de uma criança, e vamos mandar alguém conversar com o garoto , ver como ele se adapta à Black, ele só então a decisão será tomada. –Amélia Bones respondera no lugar.
—O caso está encerrado.
~~
Harry aguardava ansioso. Kathy, que conseguira controlar suas emoções, tentava acalmar o amigo, assim como Rony e Hermione, mesmo que parecia que era ela que estivesse precisando se acalmar.
Quando Kathy vira Sirius entrar com um sorriso de orelha a orelha, mais arrumado, soube que ganhara a causa. Sorrindo, cutucou o amigo que, ao ver o padrinho, correu em sua direção para lhe dar um abraço.
Kathy, vendo que eles precisavam de um momento sozinhos, puxou os amigos para o salão comunal da grifinória.
—você esta livre agora? –Harry perguntara ansioso.
—Estou Harry! Agora finalmente poderemos ser uma família.
Os dois, então voltaram a se abraçar, penetrados no mundo só deles, sendo observados ao longe por Remo, Dumbledore e a garota que descobriram se chamar Nicole.
Talvez, devessem prestar mais atenção ao redor. Espionando, escondido, aquela cena, Quirrell escutava seu mestre dar as ordens. Mudança de planos. Se aquela garota realmente soubesse do futuro, poderia os entregar, e não estava na hora de descobrirem-no. Estava na hora de tomar uma decisão. E Lord Voldemort tomava as melhores decisões pra si mesmo.
~~
No barulho do salão comunal, Rony e Hermione conversavam civilizadamente sobre o que poderia estar acontecendo naquele momento com o amigo. Fred e Jorge conversavam com Lino. Kathy estava distraída quando sentiu uma aproximação perto de si. Era Charles.
—Você esta bem? –perguntou preocupado.
—estou. Por que não estaria?
—Sei lá. Mas você parece distante. –o garoto a observou- se precisar de alguma coisa, pode contar comigo ta baixinha?
A garota sentir seu peito se aquecer ao mesmo tempo em que uma pontada de pânico a preenchia.
Disfarçando o que realmente sentia naquele momento, Kathy sorriu para o amigo, brigando logo em seguida por tê-la chamado de baixinha, o que causou risos no mais velho. Continuou conversando com o rapaz, mas ainda podia sentir ao fundo uma pontada de dor, e lembrar-se de certas... coisas. Não sabia o que estava fazendo. Não era certo consigo mesma e com o novo amigo que estava, naquele momento, a sua frente. Charles era bom.
É pequena Katherine, Charles é bom. Bom demais pra pessoas como você. Na verdade, acho que você não deveria nem estar aqui, empatando a vida daqueles que pensam que é boa. Você sabe que não é. Então por que não acaba com esse teatrinho e nos mostra sua verdadeira face? Esta com medo Moore? Espero que realmente esteja, pois seu inferno particular só esta começando.
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