Uma mestiça com estilo

5 Regra numero 2- Cicatrizando feridas.


O dia era chuvoso, e eu, novamente, me sentia só!

Lisa não estava em casa, havia saído com sua mãe. Suni me abandonou, fui trocada por uma liquidação no shopping. Eu só descobri que ela havia feito uma nova amiga hoje cedo, Alícia, eu acho. Acredito que a mesma more no nosso condômino, cinco casas antes da nossa.

Suni disse-me, que sua nova amiga, era uma fada. Enquanto eu, sou uma mestiça, filha de um anjo caído com uma bruxa de 600 anos. Claro, meus pais, hoje em dia, não são o que eram a séculos atrás. Era isso que minha mãe me dizia sempre.

Eu queria esquecer esse meu lado, mas parando para pensar, nunca perguntei a qual classe pertence a família Watson. Eu não estranharia se me dissessem que eram demônios. Na verdade, entenderia melhor Noah.

Jogada no sofá da sala, me peguei trocando os canais da TV sem parar. Não era como se de fato não tivesse nada de bom passando, acredito que meu humor que não estava dos melhores.

Continuo a troca de canais, até que ouço o toque do telefone da sala. Viro-me em direção a ele, que está largado na mesinha de centro.

Penso que possa ser Suni, até mesmo, Lisa para avisar que está voltando. Então, ao pega-lo, aperto o botão verde, e digo com toda alegria:

— Alô, casa dos Koong. — uso o sobrenome de minha mãe como identificação, era melhor do que Miller.

Não houve resposta imediata. Levou alguns segundos para que eu ouvisse uma respiração profunda do outro lado da linha.

— Sophia... — uma voz familiar chamou-me pelo nome de forma calma. Eu sabia a quem pertencia, mas não queria acreditar, que fosse, ele.

— Connor? — senti meu corpo tremer ao pronunciar em voz alta aquele nome.

— Yeah, sou eu! — admitiu como se não houvesse nenhum recebimento entre nós dois. — Eu não esperava que você atendesse o telefone.

— Mas você ligou para minha casa. — adverti torcendo para que minha voz não revelasse meu nervosismo. Sim, eu queria chorar.

— Você tem razão, havia 50℅ de chances de ser você. Mas eu o ignorei — disse friamente.

— Ahh... — foi tudo que saiu. Tive até mesmo que recosta a cabeça nas costas do sofá.

— A Suni está? — havia indiferença em seu tom. Queria dizer, que ele já não se preocupava mais comigo.

— Não! — respondo afastando as lagrimas que caiam.

— Então eu retornarei mais tarde!

— OK...

Eu não queria que ele desligasse, somente meu coração sabia o quanto eu desejava ouvir sua voz, mais e mais.

— Eu vou desligar Sophia. Cuide-se.

— OK. — era tudo o que saia de minha boca. Eu não poderia dizer mais nada, se não, facilmente saberia que eu estava chorando.

— Quem é no telefone? — ouço a voz de minha irmã. Como sempre, seu tom demonstrava impaciência.

— É a Sophia meu amor! — responde Connor, talvez, esquecendo-se que eu estava ouvido.

— Deixe-me falar com ela. — pede em um tom meloso. Ele parece, pelo suspiro profundo, não muito contente, mas ela insiste — É minha irmã mais nova, não haverá problema. Te juro!

— Está bem. — ele cede, me matando de vez.

Eu não queria ouvi-la. Não estava pronta para esse feito. Mas antes que eu pudesse recusar, ela já estava falando:

— Sophi querida irmãzinha! — era perceptível o deboche de Cassandra.

— Cassandra... — cumprimento-a com indiferença na voz.

— Como está New York? Belo como sempre? — pergunta rindo baixinho.

— Experiência única!

— Admito que estou cheia de inveja. Eu, que sempre viajei bastante, não posso sair daqui. Sabe, é difícil organizar uma festa de casamento as pressas.

Ela disse aquilo de propósito, apesar do tom usado ser doce, escorreu de sua boca como veneno de cascavel.

Eu não respondi, não consegui. Minha garganta ardia. Cassandra dava pequenos risinhos, porque sabia, havia dito de propósito aquilo, só para me tirar a fala. E conseguiu me calar.

— Sabe irmãzinha não quero atrapalhar você. Sei que aí deve ter muitos homens bonitos, e como você precisa de distração...

— Não sou como você! — afirmo interrompendo-a imediatamente.

— Claro que não, porque se fosse, Connor estaria contigo, não comigo! Mas, fazer o que não é mesmo? Ele não curte moscas mortas.

Eu queria mata-la, sim, o ódio que subiu misturou-se com todo o meu rancor.

— Isso não vai ficar assim! — afirmo com o resto da autoconfiança que havia restado. Não era muita.

— Ah, claro que não, as coisas só vão piorar!

— Você é uma cretina. — digo aos berros, atrapalhada com minhas próprias palavras.

— E você uma pirralha sem sal. Acha mesmo que pode arrancar Connor de mim? Sei que esteve pensando em coisas desse tipo. Só que você, melhor que ninguém sabe, que não pode nem mesmo tentar.

— Tentar nunca matou ninguém. — ao dizer isso, admito automaticamente que a possibilidade passou pela minha cabeça. Por isso, desejo desfazer minhas palavras.

— Boa sorte, mosca morta!!!

— Sua...

— Já chega! — Connor interrompe a briga — Pensei que não iríamos exaltar os ânimos. Duas crianças.

Afirma, e em segunda, desliga o telefone sem ao menos dizer me adeus.

Eu fiquei, minutos, sentada apertando o telefone contra o peito. As lágrimas, com o peso do universo sobre elas, escorriam, respingavam no sofá, cavando minha cova.

Era impossível não chorar, mesmo que tal ato me tornasse fraca, tola, eu não conseguia evitar. Era a dor que consumia minha alma, transbordado por sua janela, meus olhos!

Vestindo apenas um dos vestido brancos que comprei. Coloco meu chinelo no pé, saio porta fora.

A chuva caia de forma melancólica. Fora preciso apenas alguns segundos para que eu ficasse encharcada.

Sem rumo, decido subir a rua, e conhecer lugares novos. Eu só queria me perder, sumir sem deixar rastro. Meu corpo, minha mente, minha alma, estavam momentaneamente entorpecidos com a dor.

Ando tão depressa, que nem percebo o caminho o qual sigo. Parando apenas ao vislumbrar um grande lago com a água cristalina.

Suni havia comentado sobre o lago para mim ainda na Coréia. Eu havia de fato me esquecido. Mas agora, olhado para ele, movimentado pelo decair da chuva, não consigo imaginar algo tão belo e triste ao mesmo tempo.

Desço por alguns degraus afim de tocar a grama verde que me guiaria até a borda do lago.

Havia uma grande árvore repleta de folhas verdes, belíssima, diferente de muitas outras tocando a água.

Aproximo-me tão rapidamente que não percebo que já havia alguém ali, observando atentamente além do que meus olhos podiam ver.

Diminuo os passos, quase parando. Até perceber que quem estava ali era Noah.

Sim, eu o reconheceria em qualquer lugar:

Seu Jeans era rasgado, e seu casaco escuro. Seu cabelo, molhado, jogado para trás desastrosamente, deixava seu rosto ainda mais bonito.

— Noah! — sussurro, na esperança de não ser ouvida, mas ele olha para trás.

Seus olhos ao encontrarem com os meus, demonstram surpresa. Porém, posso dizer, não afirmar, que me pareciam perdidos.

— O que faz aqui? — pergunta-me ao vir em minha direção.

— Nada! — respondo limpando o rosto.

— Uma garota como você na chuva, nunca é somente nada. — insistiu parando de frente para mim.

Apesar do sarcasmo, seu tom era mais leve do que a última vez que nos falamos.

— Por que está tão preocupado? — grito para ser ouvida quando a chuva se intensificava.

Ele rir

— Não pense besteiras, não estou preocupado com você! Só pergunto porque não esperava que viesse ao meu lugar especial.

— Esse é seu lugar especial?

— Algum problema com isso?

— Não. Eu só não esperava que alguém como Noah Watson precisasse de lugares especias.

Noah passou a mão em algumas mechas soltas em seu rosto, lançando-as para trás. Pela primeira vez, vi um sorriso singelo apontar em seus lábios.

— Todos precisamos de um lugar especial, se tivesse o seu, não precisaria está vagando por aí sem rumo.

Coloco a mão na cintura, mesmo sabendo que ele estava certo, eu não tinha um lugar para fugir quando estava triste.

— Ah, para! Todos devem vir aqui no lago, ele é famoso.

— O lago é sim famoso. — novamente sorrir, mas dessa vez com pretensão — só que, esse lago tão amado pelos moradores, fica do outro lado. — ele apontou para a água — Naquela margem bem distante, é onde todos ficam.

Fico sem resposta, mas ele continua:

— Só eu venho aqui! Agora é sua vez, como veio parar aqui?

Abaixo a cabeça, não pretendo cair em prantos diante de Noah, mas não consigo impedir as lágrimas rebeldes.

— Está chorando? — Noah levanta meu rosto.

Vejo quando seus olhos se arregalam, e suavemente voltaram ao normal. Diante dele, daquele homem com palavras duras, estava uma menina chorona, com o coração partido.

— Sinto muito, não posso evitar — limpo as lágrimas — Não quero que sinta pena de mim.

— Eu não sentiria nem se me pedisse, porque não gosto de você. Mas isso não significa, que te deixarei chorando por aí.

Abro minha boca para contestá-lo, mas ele me cala.

— Agradeça-me depois!

Agradece-lo pelo que? Penso antes de vê-lo se aproximar rapidamente. Sua mão livre envolveu minha cintura, a outra, mantinha meu rosto levantado.

— O que pensa que esta-

Antes de terminar, sinto seus lábios pressionarem contra os meus. Ele estava me beijando? Sim, estava! Beijo suave e perigoso.

Eu não queria, então o empurrei. Quero dizer: não, mas Noah continuo até que eu parasse de bater nele. Posso até está dizendo besteiras, mas, meu corpo, ficou leve.

Sua língua invadiu minha boca, abriu caminho através dos meus dentes, e encontrou a minha língua. Acredito que fora só nesse momento que relaxei.

A água caia sobre nossos corpos, de fato, me senti culpada e usada. Mas seus beijos, apartavam qualquer dor de mim.

Senti meu corpo amolecer, eu não estava brincando. Fiquei tonta, e tive que segurar seus ombros.

Noah me segurou, apertando meu pequeno corpo contra o seu.

— O que está acontecendo? — pergunto quando seus lábios se afastam dos meus.
Da minha boca, foge uma lufada de ar.

— Estou te ajudando! — sussurra em meus ouvidos — Como pode, meu cachorrinho, sofrendo pelo ex dono.

— O que?

— Não se preocupe, te farei fiel a mim.

— Não me toque. — Bato nele, mas tenho que segura-lo para não cair ao chão.

— Tudo bem, eu vou cuidar de você!

Sua palavras mergulharam em meu cérebro como se eu fosse feita de água. Fui idiota, deveria ter fugido quando tive chance. Agora, estou perdida, perdendo a consciência em seu braços.

Tudo escurece, e o sorriso campeão de Noah, fora tudo que vi, antes de desmaiar.