Uma longa viagem sem destino
3 Aberrações
Recentemente uma praga se espalhou pela aldeia, afetou muitas plantações e isso era realmente problemático para uma aldeia agraria tão pequena, não haviam muitas fabricas por perto, a mais próxima era a quase 150km de distância, um dos motivos por fazer a mamãe ficar tanto tempo fora de casa trabalhando, graças a isso as colheitas começaram a ser perdidas e em poucas semanas acabamos ficando quase sem comida pela aldeia, não era tão ruim por hora, alguns compravam comida em locais próximos, mas a maior parte dos aldeões eram agricultores e logo começariam a ficar sem dinheiro algum.
Mamãe tinha saído para trabalhar a um tempo, era hora do almoço e eu e Fran estávamos jogadas no sofá, nossas cabeças se encontravam encostadas uma na outra no meio dele e nossas pernas se apoiavam no descanso de braço com os pés pendurados no ar
— O que você quer comer? — pergunto
— Carne de bisão voador
— Não temos isso
— Carne de bisão voador
— Temos macarrão instantâneo
— Eh
— Acho que ainda tem bolo
— Humm
— Talvez tenha carne de raposa-de-escamas
— Meh
Ela continuava fazendo esses grunhidos enquanto balançava os pés para cima e para baixo.
— Acho que não tem jeito então. — digo me levantando
— O que vai fazer? — ela pergunta esticando o pescoço para me olhar
— Vamos sair e caçar
— Serio?
— Você não vai parar de reclamar se não comer, então ao menos vamos pegar um bisão bem grande, estocar um pouco da carne na geladeira e entregar uma parte para nossos vizinhos, eles devem estar famintos também
— Então vamos! — ela se levanta num pulo com sorriso no rosto
Eu fui até nosso quarto de criar armas e peguei uma arma que Fran tinha construído, ainda era experimental, mas em teoria ela seria capaz de lançar uma carga elétrica altíssima a distancia, talvez o suficiente para abater um bisão adulto, talvez um dragão um dia, Fran pegou nossas roupas camufladas e capacetes e fomos embora. Andamos por muito tempo na floresta até encontrarmos um lago onde um grupo de bisões voadores se reunia, tentamos nos aproximar cum cuidado, mas a área não tinha muitas arvores então fomos facilmente notadas, eles se agacharam e bateram as grandes caudas no chão fazendo um grande barulho e se jogando para cima, o forte impulso os ergueu par o alto e eles começaram a voar para longe.
— Espero que ela funcione. — digo pegando a arma e mirando em um de tamanho médio
Atirei e vi um raio azul saindo dela e atingindo o animal, que paralisou no ar por um momento e depois caiu no chão levantando uma grande nuvem de fumaça.
— Uau. — digo olhando o animal morto do outro lado do lago
— Não sabia que ela era poderosa assim, não pensei que fosse funcionar de primeira. — ela diz meio em choque
— Isso foi.... IMPRESSIONANTE!
— EU SEI, NÃO É?
Eu a carrego pelos ombros e a giro alegremente enquanto nós duas rimos alto em comemoração.
— VOCÊ É IMPRESSIONANTE, FRAN, SIMPLESMENTE IMPRESSIONANTE
— Obrigada mais... — ela diz com dificuldade ainda recuperando o fôlego — Como vamos levar de volta?
— Simples. — retiro minha varinha que estava presa no cinto e aponto para o animal o erguendo do chão e o trazendo para perto
— Eles são lindo de perto também.... mas parece triste que esteja morto
— Algumas vezes alguém tem que morrer para que a vida de outros continue
— Acho que tem razão.... — ela retira o capacete para ele
— Vamos. — afago a cabeça dela — Vai ser uma viagem cansativa com esse garotão atrás da gente
Depois de um tempo voltamos à aldeia, batemos na porta de nossos vizinhos e dividimos a carne com eles, todos ficaram muito agradecidos, mas também, meio receosos, eu entendia, eles nunca se deram bem com bruxas, talvez achassem que fosse algum truque, mas estavam tão famintos que aceitaram, era meio desconfortável todos aqueles olhares de desdém para nós duas mesmo nessas horas, se fosse só por mim, eu não me importaria, mas não queria aquilo para Fran.
— Ok, hora de preparar esse garotão. — digo colocando os restos que nos sobraram encima da mesa depois de Fran colocar um plástico encima para não sujarmos a mesa — Como vai querer?
— Na brasa!
— Oh, boa escolha, boa escolha! Quer do jeito tradicional ou do nosso jeito?
— Nosso jeito!
— Então você pega o lança-chamas e eu pego os óculos de proteção, me encontre no quintal em 2 minutos
Nada como preparar uma carne a base do lança chamas em um suporte no quintal, apenas eu e Fran, um momento de relaxamento para nós duas. Depois de comermos ficamos no nosso quarto jogando vídeo games por algumas horas, mas ficamos entediadas logo.
— Quer dar uma volta? — pergunto para ela deixando o controle no chão
— Quero tomar sorvete e brincar no balanço
— Me parece um bom plano, vamos
Como era de se esperar, alguns pais levaram suas crianças para longe quando nos viram chegando perto, o sorveteiro falou educadamente conosco mesmo que ainda sentisse medo, eu tentei apenas ignorar e continuar sorrindo para deixar Fran feliz, mas eu realmente estava furiosa com todos eles. Fran sentou no balanço com seu sorvete e eu fiquei a balançando por um tempo.
— Troca! — ela disse quando terminou de comer e saiu do balanço para que eu sentasse e ela me empurrasse
— Quero bem alto!
— Vou me esforçar. — sorri
— O que fazem aqui fora? — diz uma voz se aproximando
Chegando mais perto percebi que era o garoto-lagarto de 1200 anos atrás, o que estava implicando com Francine quando nos conhecemos, seus dois lacaios vieram atrás tremendo um pouco e eu vi que o garoto que falava também tinha medo, talvez ainda lembrasse da vez passada, mas não o suficiente, talvez eu tivesse que fazê-lo se lembrar.
— O que quer dizer com isso? — pergunto rigidamente
— Já temos problemas o suficiente por causa da praga, não precisamos de aberrações como vocês do lado de fora aborrecendo os outros aldeões
— Ah. — eu me levanto do balanço e me aproximo dele — Você tem algum problema com a gente?
O garoto range os dentes se tremendo da cabeça aos pés, antes que eu notasse, seu punho se aproximava do meu rosto, mas parrou repentinamente bem perto de mim, o garoto exalava pavor por seus olhos, mas eu não o tinha paralisado, olho para trás e Fran estava com a varinha apontada para ele, ela o fez enrijecer, vi uma tremenda fúria em seus olhos enquanto olhava para o garoto.
— Se você encostar um único dedo na minha parceira, eu juro que quebro todos os seus ossos. — ela usa magia para derruba-lo no chão e lança um feitiço de ilusão o fazendo ver varias sombras monstruosas rodearem os 3 garotos, que logo correram gritando e chorando
Eu estava orgulhosa dela, realmente estava, eu me virei para ela com um grande sorriso, mas notei que seu olhar enfurecido continuava lá, mas agora com lagrimas, eu me aproximei e me curvei um pouco para abraça-la.
— Somos aberrações? — ela me pergunta com voz de choro
— Eles são aberrações, você é incrível, Fran, nunca vou deixar ninguém falar o contrario de você
Ela continuou chorando um pouco mais no meu ombro enquanto eu olhava tristemente para o chão de terra e via a luz do sol mudar para um laranja forte.
— Você também é incrível, Sefi. — disse finalmente
— Obrigada. — eu paro de abraça-la e enxugo suas lagrimas com meu polegar — Vamos voltar agora? Podemos ficar vendo filmes até tarde e esperar a mamãe chegar para darmos um grande abraço nela e a fazermos ver ao menos um filme junto com a gente
— Ok. — ela diz abrindo um sorriso, mas para por um momento — Serafina
— O que foi?
— O que podemos fazer para que nos vejam de forma diferente?
— Eu não sei...... — fiquei quieta por um tempo e ela também
— E se nós acabarmos com a praga com nossas bombas?
— Fran, isso é........ Brilhante!
— Mesmo? Acha que pode dar certo?
— Nunca vamos saber sem tentar
— Então vamos tentar!
— Certo então, a partir de amanhã vamos começar a construir uma bomba grande o suficiente para acabar com toda a praga da aldeia!
— Vamos fazer isso!
Ela pula e me abraça alegremente como de costume, eu a aperto de volta com força, me sentindo ótima por vê-la sorrindo de novo.
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