Uma inconsequência chamada Felipe
1 Capítulo 1 – A primeira vez que conversamos
Notas iniciais
Gosto muito dessas personagens e aqui podemos conhecer um pouquinho mais delas, tanto vocês, leitores, quanto eu, autora. Eles estão ficando mais vivos dentro de mim, sabe? E isso é muito incrível, facilita demais o processo de escrita. Super recomendo que vocês tentem isso, caso gostem de escrever. Deixem as personagens VIVEREM dentro de vocês!
Aproveitem a leitura ♥
Não foi nada mágico, sabe? Pra ser sincera, foi bem normal, mas quem diria que, um dia, teria sido um momento tão especial? Eu não estava lá muito animada pra ir à escola... Que tipo de adolescente estaria? Por mais que fosse o primeiro dia do tão esperado e famigerado Ensino Médio. Eu tinha, em casa, um exemplo inato de que ele não era lá essas coisas... Pois é, Thiago, meu meio irmão era a prova mais clara que tive, juro. Ele continuava a ser aquele mesmo moleque de sempre, que só queria jogar futebol, acrescido de umas outras prioridades — garotas — era humano. Não é como se High School Musical fosse o roteiro da vida dele, mas bem que poderia ser. Vai que colocava um pouco de juízo naquela cabeça?
Mas bem, o que me impediria de continuar a ser a mesma rata de biblioteca, completamente desinteressada nessas coisas de balada e bebidas e ficantes e rolos da adolescência? Eu só queria um pouco de paz, sabe? Com uma linda vista, que poderia ser um mar, um campo ou até mesmo a cidade. E meus livros. E chá. E minhas músicas. A lista continua. Porém, uma inconsequência chamada Felipe Agliardi me deu tudo, menos paz. E eu não me arrependo disso.
Olhando hoje, depois de alguns anos, foi até que bem cômico o nosso primeiro contato. Eu estava completamente fechada no meu mundinho, tentando pela milionésima vez, ler “Guerra e paz”, um livro que, obviamente, Mirella de quatorze anos tinha zero maturidade para lê-lo, não? E era uma concentração tamanha que estava dispondo naquilo, tudo por causa de Nicholas, irmão mais velho de Thiago. Ele fazia mestrado em literatura russa e havia me falado que era um livro bem legal. De fato, era, mas só consegui acompanha-lo depois dos dezenove anos.
Bom, o que aconteceu é que, aparentemente, Felipe estava me chamando já fazia algum tempo. Eu nego isso, porque não escutei. Ele era novo no colégio e, na última aula, ficou estabelecido que faríamos dupla na feira científica do colégio. Mais clichê que isso, não sei o que poderia ser. Eu só queria embarcar naquele livro, então saí correndo da sala, com ele nas mãos e andando apressadamente pelos corredores. Precisava sentar logo no pátio do colégio e ler, com qualidade, pois meus olhos já corriam as páginas de Liev Tolstói.
Confesso que um dos motivos para ter feito isso é que, inconscientemente, achei que Felipe não estivesse interessado na feira científica e eu acabaria fazendo tudo sozinha, como nos outros anos. Afinal, ele prometia ser o que naquela época eram Thiago e Giovanne, seu melhor amigo. Os caras mais populares e desejados do Ensino Médio. Não que eles fossem uns desleixados com a vida acadêmica, mas não eram os melhores exemplos de dedicação à escola. Pelo menos não demonstravam. Felipe não só tinha o perfil para isso, como realmente foi o sucessor deles. Sério, durante o nosso Ensino Médio, a quantidade de meninas e meninos que davam em cima dele era absurda. Era muita gente. Não tinha uma pessoa que não soubesse de Felipe Agliardi.
Quando finalmente consegui um lugar para sentar, percebi que tinha alguém perto de mim. Achei que quisesse passar ou algo do tipo, então dei espaço. Pois é, eu achei errado. Essa pessoa simplesmente falou no meu ouvido, não de um jeito indecente, ok? Que fique bem claro, só queria me chamar a atenção.
— Mirella, estou falando com você. — a voz dele era suave e foi quase que um sussurro. É o máximo que consigo explicar em palavras. A questão é que levei um susto histórico. E deve ter sido muito engraçado ver isso de fora, muito porque Felipe se assustou comigo assustada e ficou super preocupado, um fofo. Não que eu tenha achado isso na hora. Na verdade fiquei bem incomodada, ele interrompeu meu momento de leitura! Ultrajante. Mas lhe garanto a comicidade, pois Thiago e Giovanne resolveram tirar uma com a minha cara, momentos mais tarde.
— Okay... Hã...— falei lentamente, tentando me lembrar do nome dele, que poxa, eu realmente não me lembrava.
— Felipe. — disse sorrindo, sim, um cretino desses... Só podia ser problema — Eu sou sua dupla na feira científica. Desculpa ter te assutado...
— Ah... Tudo bem, eu acabo esquecendo do mundo quando leio... — tentei melhorar a situação, sorrindo um pouco de nervoso. — Aconteceu alguma coisa? — perguntei, ainda desestabilizada por 1) o susto, 2) o vexame de não se lembrar do nome do coleguinha, 3) como assim ele tem interesse no trabalho? Não, pera, ele ainda podia me pedir para fazer sozinha...
— É... — ele começou a falar, enquanto coçava a nuca, meio desajeitado, meio nervoso, não sei. Não soube decifrar, mas ele estava muito bonito... Não que eu tenha notado naquele momento, claro. Essa constatação veio bem mais tarde, quando me peguei apaixonada por ele — É que... Pensei que... Bom, a gente poderia fazer algo melhor que um vulcão entrando em erupção, talvez?
— Hm... Talvez. — respondi, completamente perplexa — Então... Você vai, realmente, fazer o trabalho comigo? — perguntei, sem me importar se o ofenderia ou não, mas precisava ter certeza de que não estava entendendo errado. Alguém que colaborasse comigo nos trabalhos era realmente uma novidade...
— É, somos um time, não? — Felipe me respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, porque pra ele fazia sentido. Porque para ele, naquele momento, eu não era a nerd antissocial da turma, eu era uma pessoa. Ou ele queria apenas tirar proveito da situação? Enfim, não deixaria de usar uma referência esportiva. Coisa dele.
— Aparentemente sim. — dei de ombros, como se não fosse nada, porém era esquisito. Eu fiquei chocada na época, não o conhecia ainda... Como assim, alguém com o perfil de ser o maior garoto-problema da minha vida, até o momento, iria, de fato, fazer o trabalho de ciências? Sim, foi péssimo julga-lo dessa forma.
— Então... Você pode me passar o seu número pra gente ir conversando sobre e... — não consegui ouvir o resto da frase, pois havia sido puxada de lá...
— Sua mãe chegou, Mi. Para de enrolar! Vambora! — era Thiago, rindo. Giovanne estava junto, lógico. E os dois gargalhavam.
Notas finais
Bom, no momento, eu ainda estou sem capa, como podem ver (duh) :'(
Mas espero que eu consiga fazer uma logo!
Até o próximo? Me diz que sim, vaaaai???? ♥
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