Uma história da minha vida
1 Capítulo 1 - Ano 2012
Mais uma vez me vi enfrentando uma sala de aula cheia de rostos que eu não conhecia. Já passei por muitos colégios durante minha vida escolar. Desta vez, estava com 11 anos, entrando na sala da turma 72, iniciando meu 7° ano.
Lembro-me de estar muito nervosa, observando muitas crianças interagindo entre si, e então me dei conta de que eu era a única criança que não conhecia ninguém naquela turma. Eu me sentei atrás de uma menina baixinha, que falava muito alto e animada com a amiga do lado. Ambas foram simpáticas comigo, me cumprimentaram e perguntaram meu nome:
— É Isabela, mas podem me chamar de Isa. – respondi.
Então uma professora entrou na sala surpresa com a quantidade de crianças novas, ela comentou que a turma do 6° ano no ano anterior não possuía mais de 10 alunos. Ela se apresentou como Thaise, professora de língua portuguesa. E como uma professora previsível, fizemos apresentações. Mas não era apenas cada aluno falar um pouco sobre si, formamos duplas e teríamos que apresentar nosso colega.
Fiz dupla com uma das meninas que me apresentei. Ela estava muito curiosa sobre mim, e eu era extremamente introvertida. Podemos concluir que na minha vez de apresentar minha colega, chamada Laura, foi um desastre. Lembro claramente do rosto decepcionado da professora.
***
Já haviam se passado algumas semanas de aula, cada dia era uma tortura, não conseguia me enturmar, e os alunos não faziam esforço nenhum para que isso acontecesse. Eu tinha feito um único amigo, Miguel.
Miguel era o engraçadinho da turma, notas medianas; fazia amigos com facilidade. Ele tinha o grupo de amigos dele e eu. Considerava como meu melhor amigo, e acredito que o sentimento era recíproco. Era uma amizade gostosa.
Um dia eu cheguei e me deparei com uma pessoa nova sentada na carteira do meu lado, uma menina pequena, claramente desconfortável com todo o barulho que nossa turma fazia. Sentei-me no meu lugar e puxei papo com a menina sobre as unhas dela. Descobri que ela vinha de um colégio próximo do que nos encontrávamos. O nome dela era Débora.
Débora veio para minha vida como um anjo. Nos tornamos amigas, mas aquelas duas meninas do começo do ano puxaram-na para o grupo exclusivos delas. Mas, como sempre, fui deixada para trás.
***
Os dias foram passando, até que nos encontrávamos em uma aula de biologia sobre platelmintos, mais conhecidos como lombrigas e solitárias. Meu professor de biologia, um homem que fazia mais contar história sobre a vida do que dar aula, mostrou uma imagem cheia de lombrigas e fez a piada:
— Existe loira aqui que tem menos cérebro que isso aqui.
E para a surpresa de vocês, adivinhem quem era a única menina loira da turma. Isso mesmo, eu. Ficou um silencio meio constrangedor, mas isso não impediu os meninos de rirem muito e me direcionarem olhares.
Spoiler: ouvi por muitos meses que era uma loira burra.
Eu ouvi tanto que era burra que, um dia, acreditei nisso e parei de me preocupar com minhas notas, estudos e trabalhos. Fazia o mínimo que precisava e dava graças a deus quando tirava uma nota sete.
Eis que a turma decidiu que eu seria a piada da classe. Um dia comecei a receber mensagens em uma rede social. Um colega meu, dizendo que gostava de mim, que queria namorar comigo. Eu como pessoa introvertida de carteirinha, me senti desconfortável nessa situação. No dia seguinte, percebi algumas risadas quando entrei na sala de aula. Decide não sentar perto do menino, porque não queria falar sobre aquilo pessoalmente. Alguns colegas fizeram comentários, hoje vejo que era com um tom ácido.
Como já devem ter previsto, não passava de uma brincadeira comigo. Fiquei extremamente chateada, e mais uma vez, estava no palco, sendo uma palhaça, com todos rindo às minhas custas.
***
Quando um professor de redação decidiu que faríamos trabalhos em duplas, e essas seriam escolhidas por ele, me vi levemente desesperada. Acabei fazendo dupla com uma menina que não conversava muito. Ela também sofria um pouco nas mãos dos meus colegas, e então, viramos amigas. Descobri que Heloisa tinha muitas amigas na turma do sexto ano, pois era um ano mais nova que todos. E então, fiz algumas amigas também, finalmente me sentia incluída, e Heloisa também tinha alguns problemas de nota, então nos demos bem.
Helô se sentia muito sozinha na nossa turma, e sempre cogitou a possibilidade de reprovar de ano para ficar na turma das amigas e também para que não fosse uma aluna adiantada. Não sei que fim deu a história de Heloisa, nos afastamos antes do ano terminar, e ela trocou de escola.
O fim do ano chegou, já podem imaginar que peguei recuperação final em matemática e biologia, matérias que não gostava, não importava o que os professores inventassem.
***
Com o fim do ano letivo, minha turma decidiu fazer uma confraternização, salgadinhos, amigo secreto.
Eu não me sentia confortável em fazer parte do amigo secreto, mas fui convencida e então participei. Peguei um menino que não gostava e acredito que ele não gostava de mim também, e por incrível que pareça, o menino também tirou meu nome na brincadeira. Não me lembro do que comprei para ele, mas levei a sério. Ele, por outro lado, decidiu fazer a última piada do ano comigo. Não foi nada muito extraordinário, ele não quis me comprar nada, me entregou um envelope com uma nota de 20 reias de um jogo, acredito que era do banco imobiliário. Eu fiquei sem reação, não sabia o que fazer. Então ele vem rindo na minha direção e joga outro envelope em mim, este continha uma nota de verdade. E, de novo, fui piada para meus colegas.
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