Uma história sem final feliz
4 Capítulo 4 - Final - Fazendo Justiça
Notas iniciais
Fazendo Justiça
Algumas gotas caíram do céu. Sem acreditar, Taiza se virou pra ver a fogueira sendo apagada. Mas não era chuva. Logo ouviu um grito.
Taiza: "Michelle."
Michelle: Taiza! Aaaah!
Taiza viu uma cena bizarra. Michelle agarrava uma grande mangueira que estava aberta no máximo. Sem força, a pobre menina lutava pra segurar a mangueira direito, mas a mangueira jogava a menina pra longe.
Taiza: O que é isso?
O fogo foi apagado e a mangueira foi desligada, jogando Michelle no chão. Ela levantou meio tonta e tirou a sujeira da roupa. Sorriu pra Taiza.
Michelle: A aldeia está mais perto do que a gente pensa. Essa mangueira é gigante! Eu tive que correr muito pra chegar até a aldeia e voltar. Mas consegui.
Atrás dela tinha uma carruagem mal feita com dois cavalos e dois homens. Um deles parecia ter menos de 18 anos.
Homem: A sua amiga corre bastante. A aldeia não está tão perto assim.
Menino: Na verdade ela teve a sorte de nos encontrar logo na entrada da aldeia. Bom, deixe-nos ver o que vocês tem.
O mais novo se aproximou pra pegar as coisas mas Taiza não deixou.
Michelle: Desculpem-nos. Faz 2 anos que estamos juntas e ela não confia nem em mim.
Michelle pegou as coisas e entregou para os dois que esperavam pacientemente.
Homem: É o seguinte. Vocês vão receber o mesmo que tem aqui, só que agora não precisaram se esforçar pra obter essas coisas.
Taiza: Nunca precisei me esforçar.
Michelle: Na verdade, é que eu que peguei tudo isso sozinha.
Menino: Bom... você não precisará mais se esforçar então. Entrem, vamos chegar antes de amanhecer. Eu trouxe comida para você... e pra você que está doente, tem sopa.
Taiza recebeu a sopa mas não tomou.
Menino: Não tem veneno. Você pode tentar procurar se quizer.
Taiza cherou a sopa.
Michelle: Todo veneno tem cheiro? Porque quando eu tava envenenada você sentiu o cheiro...
Menino: Não. Mas tem venenos que dão pra ver ou sentir o gosto.
Taiza ignorou os dois e colocou a mão dentro da sopa. O menino olhou para ela, sem entender.
Taiza tomou a sopa de uma vez só. O menino deu à ela uma garrafa d'água. Ela também bebeu a água, bem rápido. No mesmo momento ela caiu de sono no ombro de Michelle.
Michelle: O que houve?
Menino: Deve estar com sono.
Michelle: Mas ela dormiu até agora.
Menino: Ela vai ficar bem.
Chegaram na aldeia. Haviam mais mulheres e crianças do que homens. Taiza já estava no quarto (que era uma caverna com alguns livros e lençóis no chão frio).
Michelle entrou no quarto pra ver sua amiga. Sentou ao seu lado e colocou a mão em sua testa.
Michelle: Está quente.
Depois que bebeu a sopa, além da dor de garganta teve febre. Michelle se preparou pra levantar mas Taiza a puxou pra um abraço. Confusa, Michelle se afastou e olhou para Taiza. Aquele rosto sem expressão estava mais pálido do que o normal. Ela estava muito doente.
Taiza: Michelle... fuja.
Michelle arregalou os olhos e assustada viu Taiza sorrir pela primeira vez e fechar os olhos. O sorriso não se desfez mais. Michelle entrou em prantos, colocou a mão no pulso e no peito de Taiza pra sentir o coração, mas não sentiu nada.
Michelle: "Não... não!"
Assustada, levantou e correu dali.
Michelle: "Você disse que sobreviveria para contar as verdades sobre o circo... então eu farei isso por você!"
Pegou sua espada e procurou o menino que as trouxe para a aldeia. Assim que viu ele, enfiou sua espada em seu peito. O menino olhava assustado pra ela. Na mão direita, a garrafa com água. Na mão esquerda, um frasco de veneno.
Michelle: "Eu sabia. Não era a sopa, era a água."
Com raiva, tirou a espada do menino e saiu procurando mais vítimas de sua espada. Matou todos os líderes daquela aldeia e contou ao povo que eles seriam os próximos a serem envenenados se ela não tivesse feito nada. Mas as pessoas não acreditaram nela... e sua justiça não foi feita.
Michelle: "Desculpe Taiza, ninguém nunca se lembrará de nós, do que passamos... ninguém saberá os segredos do Circo... não seremos ninguém... mas pelo menos te verei, agora."
Infelizmente, para a menina que sonhava em ter um final feliz, seu final foi injusto. E para Taiza, que merecia um final feliz, seu final foi trágico... não havia nenhuma prova da existência das meninas... elas viraram esqueletos sem história pra contar. Uma pena ninguém ter contado a história delas... uma pena.
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