Uma história sem final feliz
2 Capítulo 2 - Começo de uma amizade
Notas iniciais
Começo de uma amizade
Depois disso, acabaram se aproximando mais e já não se viam mais apenas como desconhecidas. Já sabiam a história uma da outra, mas ainda não tinham confiança. Taiza continuava sem expressões e Michelle continuava a ser útil apenas com o fato de pegar comida e água e agora, também por saber cuidar de ferimentos.
Michelle: Em que ano nasceu?
Taiza: 2206.
Michelle: Em que ano estamos?
Taiza: 2224. Eu tenho 18 anos.
Michelle: Nossa, jurava que já tinha uns vinte.
Taiza: Em que ano você nasceu?
Michelle: 2208. Tenho 16.
Taiza: Jurava que você tinha nascido em 2214.
Andaram mais um pouco até que Taiza percebeu que estava próxima do Circo onde cresceu. E também próxima a uma cidade inteiramente destruída. Reparando nas roupas de Michelle, que era apenas uma camisola, pensou em passar no Circo para pegar uma de suas roupas que serviria bem nela.
Michelle: Suas roupas lembram roupas de guerreira. Combinam com nossa situação.
Taiza: Suas roupas lembram roupas de uma princesa mimada que acabou de acordar no apocalipse zumbi.
Michelle: Eu estava dormindo quando começou a guerra... e isso não é sangue, é ketchup.
Taiza: A guerra começou 18h.
Michelle: Eu tava dormindo à tarde...
Taiza: De pijama?
Michelle: Sim, eu não tinha ido para a escola no dia, então nem tirei o pijama.
Taiza: Você não foi na escola e ainda dormiu à tarde? Que preguiçosa.
Michelle: Não, não é isso. Eu tava doente, faltei para ir pro hospital.
Taiza: Seus pais não são médicos?
Michelle: São... por que tantas perguntas? Não acredita em mim?
Taiza: Não.
Enquanto voltavam do Circo, passaram novamente pela cidade destruída e pegaram com elas uma espada, arco e flechas.
Taiza: Fique com o arco, vou consertá-lo para você.
Naquela noite dormiram no meio de uma floresta com poucas árvores. As árvores que restavam estavam queimadas e a fumaça ali dificultava a respiração de ambas. Ainda assim, acenderam uma fogueira pois estava frio.
Michelle: Me abraça?
Taiza: Que...?
Michelle: Meus pais me abraçavam quando eu tinha medo.
Taiza: Medo do que?
Michelle: Desde que tudo isso começou não deixei de ter medo... mas tinha mais medo de você.
Assim que Michelle levantou a cabeça viu, pela primeira vez, os olhos de Taiza. Seus rostos estavam muito próximos.
Michelle: O-o que está fazendo?
Taiza virou e abraçou por trás, deitando sem tirar suas mãos de onde estavam.
Taiza: O que pensou que eu fosse fazer?
Michelle: Não... é que você estava perto... e...
Taiza: Você pensa em cada coisa.
Michelle: Não é isso!
Taiza: Sei.
As mãos de Taiza estavam sobre os seios de Michelle. Logo que Michelle percebeu, tirou as mãos assustada. Taiza corou.
Michelle: Você...
Taiza: Não quero saber.
Assim que acordou, Michelle foi caminhar, com o arco e a flecha nas costas. Se afastou demais do acampamento e foi pega desprevinida por um grupo onde só se viam três homens no começo, mas logo aumentou. Foi amarrada em um tronco quebrado de árvore no chão, que estava muito preso ao chão pra se soltar. Tamparam sua boca.
Assim que Taiza acordou esperou um pouco para ver se Michelle voltaria. Bebeu da água tranquilamente, mas percebendo que estava quente jogou no fogo apagando-o e foi atrás de Michelle com sua espada.
Taiza: "Será que ela fugiu de novo?"
Michelle se esforçava para se soltar mas não tinha forças. Quando desistiu, sentiu algo raspar nas suas mãos e cortar a corda. Quando se virou era Taiza, com sua espada. Antes que pudesse avisa-la, os homens a prenderam.
Taiza: Foge.
Taiza apenas mexeu os lábios sem deixar som nenhum sair. Entendendo o recado, mas sem querer fugir, correu pensando em como ajudá-la.
Michelle: "Ficarei e lutarei."
Parou e se escondeu. Assim que viu um homem passar com uma espada o socou, bem no nariz. Infelizmente seu soco foi fraco demais para algum efeito, mas deixou o homem confuso e antes que ele pudesse fazer algo, Michelle atacou de novo, dobrando suas forças. O efeito foi pequeno então ela socou com toda sua força. Ele ficou meio atordoado, mas a qualquer momento podia reagir, então sem saber o que fazer, Michelle chutou em um lugar que sabia que não tinha erro, fazendo o homem desmaiar de dor e pegando sua espada logo em seguida. Por pura burrice e por um pouco de ingenuidade, tocou a ponta da espada e acabou se cortando.
Michelle: "É pesada..."
Saiu arrastando sua espada até encontrar o homem que segurava Taiza. Ele estava de costas para ela, segurando firmemente a espada de Taiza contra ela mesma. Ele parecia estar bem atento com o que estava por vir à sua frente, mas esqueceu de ver o que poderia acontecer atrás. Michelle levantou a espada com dificuldade e acertou nas costas do homem. Em menos de um segundo, metade da espada estava dentro do homem. Perfurou um pouco até sair do outro lado. Taiza sentiu a ponta da espada em suas costas e virou-se, vendo o homem morto cair em sua frente com uma espada nas costas e uma menina de sorriso inocente atrás.
Taiza: Você é inútil com arco. Use a minha espada e me dê essa.
Michelle: Mas... uau, é mais leve. Consigo levantar.
Encontraram outras pessoas do grupo. Havia poucas mulheres no grupo. Michelle, sem saber usar a espada, balançou para todo lado atingindo muitos homens matando vários.
Mulher: Ela é louca!
Homem: Fujam!
Taiza: Vamos sair daqui.
Correram com o cavalo do grupo indo o mais rápido possível.
Michelle: Eu não sei andar à cavalo.
Taiza: Apenas não caia. Você pode quebrar a perna.
Michelle: QUE?!
Cavalgaram bastante até que Taiza viu o vulto de uma placa quebrada no chão indicando um grande abismo à frente.
Taiza: Para!
Michelle: Eu não sei como!
Taiza: Então pula pro meu cavalo.
Michelle: Você tá louca?!
Taiza: Segura minha mão... agora pula!
Assim que Michelle pulou agarrou com força Taiza, segurando no mesmo lugar que Taiza encostou no abraço das duas. Taiza não podia se incomodar com isso agora, pois precisava fazer o outro cavalo parar... infelizmente não deu tempo e só conseguiu parar o seu cavalo. O outro parou bem na beira do abismo e, escorregando, caiu.
Taiza tirou as mãos de Michelle dela com força e pulou do cavalo para observar o abismo. Sem entender, Michelle a seguiu, pulando desajeitadamente do cavalo. Olhou o abismo.
Taiza: Parabéns. Você o matou.
Sentida, Michelle derramou uma lágrima.
Taiza: Você está chorando?
Enxugando a lágrima, Michelle negou.
Apenas Taiza subiu no cavalo.
Taiza: Você vai à pé. Não vou te perdoar.
Michelle: Por matar o cavalo...?
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