Uma guerreira e um guardião
6 O primeiro dia .Aninha.
Notas iniciais
Acordei com alguém gritando no meu ouvido, e uma corneta. Era Allice nos acordando, me espreguicei.
_ Bom dia, meninas! – exclamei me levantando.
_ Que, que tem de bom... – Sam disse bufando, fiz uma careta.
_ Aff deixa de ser ranzinza Sam, bom dia Aninha. – Allice disse nos dando umas mudas de roupas. – vistam-se logo, não quero me atrasar pro café. Hoje temos aula, lembram? – ela disse com um sorrisinho no rosto.
_ Nhá... Não vou, to doente. – Sam disse se enfiando de baixo das cobertas.
_ Vamos logo preguiçosa, ou vamos nos atrasar! – Monique puxou o pé de Sam, que se levantou sem vontade. Ri um pouco das caretas que ela fazia. Então me levantei totalmente e peguei uma muda de roupa que Allice tinha nos dado. Era uma regata branca e um short jeans, coloquei minha sapatilha mais confortável, uma tiara rosa que sempre usava e meu bolero rosa. Depois de nos arrumarmos fomos pro chalé dos rapazes. Allice bateu na porta, nada. Ela bateu de novo, nada.
_ Aff, deixa comigo – Sam entrou na frente dela e deu um muro na porta, deu pra ouvir barulhos de algo caindo. Logo Lyon apareceu na porta.
_ O-olá... Quer dizer... Bom dia! – ele gaguejou. Espera. O pé dele estava roxo?
_ O que...? – Allice apontou para o pé dele.
_ Ah, isso? Nada de mais – ele colocou a mão atrás da cabeça e deu um sorriso nervoso.
_ Bom, vamos? – Allice perguntou, apontando pra rua com o polegar.
_ Pra? – ele perguntou meio confuso.
_ Tomar... Café? – ela falou mais confusa ainda.
_ Ah! Nossa esqueci completamente! – ele disse batendo a mão na cara. – bem, devemos já ter perdido o café, mas conheço alguém que pode arranjar comida... Só esperem eu e Lucas nos arrumarem que vamos. – ele explicou, Allice deu de ombros. Sentamos-nos na escadinha na frente do chalé.
Passaram-se quase vinte minutos e nada dos meninos. Minha barriga – tanto quanto das meninas – estava roncando.
_ Ah... Que fome... – Sam gemeu. De repente, a porta atrás de nós se abriu e vimos Lucas e Lyon saindo.
_ Finalmente! Cadê a comida?! – Monique avança em Lyon.
_ C-calma, vamos comer agora. – ele trancou a porta. – sigam-me. – ele fez um gesto com as mãos.
Andamos uns cinco minutos, mas com a fome parecia que era uma hora! Finalmente chegamos num chalé não muito grande, duas pessoas saíram de lá. Acho que sei o que era...
_ Chegamos, vamos entrar. – Lyon disse. – quero falar com o “cara” – ele fez sinais de aspas. Uma menina assentiu e nos deixou passar. No chalé havia sacolas pra todo canto, muitas prateleiras, e uma escrivaninha onde estava um garoto.
_ Ora, ora, ora... – ele se levantou — Se não é meu amigo Lyon! – ele exclamou dando um abraço em Lyon. Ele tinha cabelos castanhos escuros enrolados, olhos escuros e brilhantes. – o que quer? – ele perguntou.
_ Comida, estamos morrendo de fome! – Lyon disse colocando a mão na barriga.
_ Hum... Sei, sei... – ele colocou a mão no queixo. – acho que tenho a coisa certa. – ele foi ate um saco preto, mas hesitou. – por favor, Lyon peça pra que seus amigos saiam – ele olhou pra mim. – menos a senhorita. – ele deu um sorriso gentil, corei violentamente.
_ Hã... E-eu prefiro esperar l-lá fora... – gaguejei e virei à cara.
Ele deu de ombros — Como quiser milady. – ele sorriu. Saímos do chalé, e eu continuava com vergonha.
_ Calma, Aninha! Aquilo foi só um elogio! Hahaha! – Sam disse
_ Eu sei, mas... – virei à cara. De repente Lyon sai com uma sacola na mão.
_ Vamos? – ele disse.
_ COMIDA! – Sam violentamente levanta e pega a sacola e sai correndo.
_ EI! VOLTA AQUI! – saímos correndo pra pegar Sam, que corria feita louca! Conseguimos pegar um resto, duas maçãs, três suquinhos de laranja, duas rosquinhas e café. Bem, deu pro gasto.
_ Argh, minha garganta ta seca! Sobrou café? – Allice perguntou.
_ Hm... Não, nem suco! – Lucas disse conferindo a sacola.
_ Eu divido com você Allice – Lyon deu o suco pra ela
_ N-não precisa – ela corou.
_ Pode ficar eu insisto – ele estendeu o suco pra ela novamente.
_ Ah, haha, olha vamos nos atrasar pra aula. Vamos meninas – ela nos puxou e saiu em disparada.
_ O que aconteceu agora?! – Sam perguntou.
_ Ah, que fofinhos vocês dois! – dei um risinho.
_ Eu vou ser a madrinha! – Monique exclamou.
_ Pra que? – Allice parou e se virou pra Monique.
_ Pro casamento! Mas já vou avisando: não vou usar vestido! – ela levantou as mãos. Allice a encarou e continuou a andar.
_ Espera! –eu as parei. – onde temos que ir? – nos entreolhamos.
_ Lyon! – gritamos e fomos atrás dele.
Depois de andar um pouco, seguimos pros nossos destinos; minha primeira aula era de esgrima, até que não sou ruim, eu já fiz aulas de esgrima por dois anos, então era fácil. Cheguei e já estava todo mundo lá. Corei de leve, eu sou muito tímida e isso não ajuda muito.
_ Hm, olá! Você é a garota nova? – ele perguntou, assenti com a cabeça. – Eu sou o professor Fernando, seja bem vinda. Na aula de hoje irei formar duplas. Você pode ficar com Henry. – o professor apontou pra um menino num canto, alguns cochicharam quando passei. Deus! Espero não ter ficado vermelha! Ele tinha cabelos bem dourados, olhos da cor do sol, pele não muito clara. Ele olhou pra mim, espera ai, os olhos dele brilharam?!
_ O-oi... – disse timidamente.
_ Oi – ele disse e desviou o olhar.
Pensei em continuar a conversa, mas o professor começou a falar.
_ Hoje vocês irão batalhar entre suas duplas, e – já disse que odeio esses “e’ s”? -, como a senhorita... –ele apontou pra mim.
_ Aninha. – respondi rápido.
_ A senhorita Aninha é nova aqui, ela e o senhor Henry vão batalhar primeiro. Por favor, coloquem os equipamentos. – ele terminou, logo tratei de me vestir rápido. Fui pegar uma espada, mas alguém esbarrou em mim.
_ Ei! – exclamei.
_ “Ei” digo eu! Não olha por onde anda não? – ela respondeu com arrogância.
_ Você que esbarrou em mim! – retruquei.
_ Mentir é feio, sabia? – ela deu um sorriso esnobe e pegou a ultima espada, sei lá, senti uma vontade de socar alguém! Respirei fundo, e me virei.
_ Oi. – alguém falou comigo, espera, era aquele carinha de antes?
_ Ah, o-oi – disse timidamente.
_ Se lembra de mim? Sou aquele, hã... Cara que arranjou seu café! –ele exclamou.
_ Ah! Lembro sim, Aninha. – me apresentei.
_ Ian. – ele falou. – então... Se quiser pode usar minha espada e me devolver quando for minha vez. – ele ergueu a espada.
_ Puxa muito obrigada. Quem é aquela menina? – peguei a espada e apontei discretamente pra menina de antes.
_ Você deve ta falando da Raquel, ela é uma mimada. Não liga pra ela. – ele disse. Assenti com a cabeça. Terminei de vestir a roupa e fui ao encontro de Henry. Sentei ao seu lado e suspirei.
_ Se acha que vou deixar mole só porque você é menina, esta enganada. – ele disse dando um sorriso brincalhão. Ri um pouco.
_ Não se preocupe, tentarei não deixar você com muitos machucados. Sabe, não é bom pra um homem saber que perdeu pra uma menina. – revidei e rimos um pouco. Senti alguém me fuzilando. Deixei pra lá e fui pro tatame.
_ Então Aninha você já sabe esgrima, né? – o professor perguntou, fiz sim com a cabeça. – ótimo então você sabe como começar. O básico. Então podem começar.
_ En guarde! – Henry gritou e me preparei. Nós começamos, estávamos indo pra frente e pra trás, típico de esgrima. Ate que ele tenta me confundir, mas claro que não da certo, faço esse truque sempre. Ele avança pra um lado e volta à posição inicial, mas eu dou um giro e o acerto.
_ Touche! – gritei. Ele me olhou indignado.
_ Como você...? Eu... Eu sempre uso esse truque e ninguém me vence! Então como...? – ele reclamava, eu ri.
_ Digamos que esse truque, pra mim, é muito velho. – ri mais um pouco. Voltamos para o banco, pra ver os outros lutando. Estava tirando a roupa, quando vi que Henry me chamava. Estava indo na direção dele quando um pé ficou na minha frente. Adivinha o que aconteceu? Se você pensou que eu caio, acertou na mosca. Cai de cara no chão e ainda por cima torço o tornozelo. Vi que alguém atrás de mim ria, olhei e vi Raquel rindo junta com alguns alunos. Senti tanta vergonha que podia chorar, mas não chorei, podiam depois me chamar de chorona...
_ Aninha! Você ta bem? – Henry apareceu. Puxa como eu queria me jogar nos braços dele e chorar de dor, mas me contive (sim sou dramática, problema?).
_ Ta bem? – ele perguntou de novo, fiz sim com a cabeça. – Da pra andar? – ele perguntou. Levantei-me, mas me contorci de dor por causa do tornozelo.
_ Ai... – gemi, não aguentei e quase cai em cima dele.
_ Ta pera ai. – ele me pegou no colo e me carregou. Senti minhas bochechas queimarem, mas dei um sorriso agradecendo. Eu acho que vi uma figura igual à Allice me olhando... Não, é só impressão.
_ Onde é o seu chalé? – ele me perguntou.
_ Logo ali... – apontei.
_ Ali? Puxa somos vizinhos! – ele riu. Ele me levou pro chalé dele, pois esqueci que a Allice ficou com a chave. Ele me colocou sentada no sofá dele. – espera aqui. – ele me deixou lá. Comecei a olhar de longe a decoração: um tipo meio rock, e organizado. Logo vi uma estante cheia de livros, e babei. – oche, que foi? – ele olhou onde estava olhando. – Ah! É isso. – ele riu.
_ Me empresta um? – perguntei, ainda olhando pra estante.
_ Hm, não sei não... – ele disse com a mão no queixo. – são meus xodós sabe...
_ Por favor! – implorei e fiz uma cara triste.
_ Argh! É muita fofura! – ele disse fingindo estar se cegando. – ta tudo bem, eu te empresto. Mas quero de volta daqui três dias ouviu! – ele disse. Assenti. – quer qual? – ele me perguntou. Olhei pra estante atentamente.
_ Tem... Mangás? – perguntei olhando pra ele. Ele deu um sorriso.
_ Vem aqui. – ele pegou uma chave e destrancou uma porta que achei que era o banheiro. — você esta prestes a ver meu santuário sagrado de anime e mangá, esta preparada pra perfeição? – ele perguntou antes de abrir a porta.
_ Abre logo isso. – disse. Ele abriu e meus olhos brilharam. Era tão perfeito! Tinha todo tipo de Mangá: Fairy Tail, Ao No Exorcist, One Piece...
_ E ai? O que acha? Perfeito não? – ele disse cruzando os braços olhando orgulhosamente pros Mangás.
_ Você... É um Otaku assumido... Eu quero Fairy Tail. – terminei a frase, pegando uma revistinha.
_ Claro. Te empresto três e nada a mais. Pode escolher. – ele disse. Escolhi três edições que estava pra ler.
_ Valeu! – exclamei abraçando as revista. – ate daqui três dias, ou melhor, meia hora ou menos.
_ Hm, ta. – ele disse confuso. – vamos pra aula?
_ Não valeu. – disse ainda apreciando as revistas.
_ Pera, o que?! – ele exclamou. – ta maluca? É seu primeiro dia de aula! – ele disse.
_ Eu sei, mas não posso andar direito. Então vou ficar em casa. – disse indo ate a porta.
_ Hã, tudo bem. – ele disse. Sai do chalé e fui há procura de Allice pra ela abri o chalé. – espera, vou com você. – ele trancou a porta e ficou do meu lado.
_ Valeu de novo, se não fosse você, acho que ficaria com o tornozelo quebrado e ficaria entediada. – brinquei. Ele riu.
_ Tudo bem. Eu tenho aula de ciências agora, vou indo tchau. – ele disse indo pra um laboratório. Dei thauzinho com a mão e continuei a andar. Logo achei Allice com uma garota.
_ Allice! – a chamei. Ela correu em minha direção.
_ Aninha! Quem era aquele gatinho? – ela perguntou se referindo ao Henry.
“Então era a Allice mesmo...” – pensei.
_ O Henry? Ele é só um amigo. Olha o que ele me emprestou! – ergui as revistas pra ela ver.
_ Fairy Tail? – ela disse. – ele é um...?
_ Sim, ele é um – disse sorrindo. – quem é essa? – disse me referindo há garota do lado dela.
_ Ah, essa é Penn, minha nova amiga! Penn, essa é Aninha. – ela disse.
_ Oi Penn, um prazer te conhecer! – disse estendendo a mão.
_ O prazer é meu Aninha! – ela apertou a mesma.
_ Alli preciso da chave de casa, torci o tornozelo e preciso ficar de repouso. – disse.
_ Como você torceu o tornozelo? – ela perguntou.
_ Depois te falo. Da as chaves, por favor?
_ Claro, toma! – ela tirou as chaves do bolso e me deu.
_ Valeu! Ate mais meninas. – disse indo em direção ao chalé. Destranquei a porta e abri. Coloquei as chaves no pequeno criado mudo que tinha lá e sentei na cama. Coloquei as revistas na mesma e tirei as sapatilhas. – vou tomar um banho. – disse pra mim mesma. Peguei uma toalha, roupas e tirei minha tiara. Tomei um banho rápido e coloquei a roupa no banheiro mesmo. Penteei os meus cabelos e coloquei a tiara. Me deitei na cama e comecei a ler.
_ Oi Aninha.
_ Aaah! – gritei quase caindo da cama. – Paula?!
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