Notas iniciais
É apenas uma inspiração repentina. Espero que gostem, boa leitura.

Agora me encontro encostada com a cabeça na janela, sentada em uma poltrona vermelha, desbotada e cheia de arranhões, observando o amanhecer. Faz aproximadamente 12 meses que não saio deste lugar, lidando com as pessoas somente através de visitas e ligações limitadas.

Não, o que eu vivo não é nenhum mundo distópico ou fantasioso como lemos nos livros juvenis. Não é um conto de fadas onde a gente pensa que tudo pode dar certo no final, ou melhor, que tudo vai dar certo. A minha vida acabou em 1999, quando uma onda levou a minha irmã. E nada, nem ninguém, me fez superar de verdade o que aconteceu com ela.

Olho para as paredes do meu quarto, vejo meus rabiscos, minhas anotações, minhas contagens regressivas para sair daqui e todas as mensagens que estiveram em minha mente desde que cheguei na clínica. As mensagens são repletas de sonhos, ilusões, reflexões, lembranças do passado, perturbações, assombrações. Mas prefiro compartilhar comigo mesma.

Às vezes acordo e penso ter visto minha irmã. Sentada na areia, brincando com seu castelo, e, logo depois, apenas pó. Pó e gritos de socorro.
Sonho com Celine me contando histórias para dormir quando nossos pais brigavam comigo.

Sonho com Celine abrindo a porta do meu quarto de madrugada dizendo que não conseguia mais dormir.

Sonho com Celine... Quando ela estava aqui.

Sou interrompida em pensamentos por Lauren, minha enfermeira, que para diante da porta do meu quarto.
— Oi, querida, posso entrar? — diz ela, suavemente.
— Ah.. Oi, Lauren. Pode — ela entra e se acomoda na minha cama, olhando diretamente para mim.
— Nem acredito que seu dia finalmente chegou. Parece que foi ontem que nos conhecemos. Você era tão pequena e se tornou essa mulher forte. Eu te admiro muito e sentirei sua falta — Lauren choraminga e vejo em seus olhos uma mistura de orgulho e tristeza.
— Ah, Lauren, não chora! — digo, levantando da poltrona, que range, e a envolvo em um abraço — Saiba que você foi a minha pessoa favorita diante desse longo ano de recuperação.
— Bom, acho que está na hora de você conhecer como o mundo está depois de tanto tempo — responde ela, me levando até a grande mudança de minha vida, que até então, eu havia achado que tinha sido a melhor coisa que aconteceu nos últimos vinte e um anos.

Notas finais
Se chegou até aqui, fico muitíssimo grata! E, caso tenha gostado, lhe peço para comentar o que achou. Sendo assim, continuarei a história! ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.