Notas iniciais
O capítulo ficou um tanto longo, tenham paciência.

Acordo um pouco assustada e com dificuldades de respirar. Olho para o meu lado direito e só vejo um rastafári que estava dormindo, ele vestia uma camisa xadrez e aparentava ser um homem grande pois suas pernas quase não cabiam direito no espaço entre os bancos.

Sinto uma coisa diferente, algo como se estivesse explodindo dentro de mim, uma aeromoça estava passando pelo corredor, quando ia passar a minha poltrona a paro e pergunto:

–Licença, mas gostaria de saber onde estamos — falo com muita dificuldade e tiro minha mão de sua frente.

– Então, o comandante disse que já saímos do Brasil e estamos chegando em Londres, algo mais senhorita? — pergunta com voz de tédio mas com um sorriso nos lábios, o que era um tanto estranho.

–Sim, gostaria de algo para beber, se fosse possível

– Eu já trago, com licença — faz uma concordância com a cabeça e sai andando.

Tento me espreguiçar em minha poltrona mas não consegui por que o homem do meu lado estava quase invadindo meu espaço, até que eu consegui ficar em um modo que ele não me incomodasse. A horrível sensação de bombinhas estourando dentro de mim não tinha passado mas amenizado e eu tinha me acostumado já, parecia que fazia parte do meu corpo, parecia que eu estava trocando quem eu realmente era ou meu corpo estava ficando por completo dentro de mim. Começo a pegar no sono até que a Aeromoça colocou a mão em meu ombro esquerdo e eu dei um pulo de susto.


– Ai senhorita me desculpa, pensei que estava acordada.


– Não tem problema alguma — olho para seu rosto e abro um leve sorriso.


– Sua água e trouxe algo pra você comer, não é o almoço pois já passou do horário, mas é um lanche que dá pra enganar — abre a mesa que fica em minha frente e coloca e a comida em cima — Com licença


Concordo com a cabeça e espero ela sair pra eu começar a comer. Depois de dar algumas beliscadas em um sanduíche de peito de peru e tomar um copo todo de água volto a dormir, meu corpo estava dolorido e cansado, minha coluna estava queimando de dor, alguma coisa estranha estava pra acontecer comigo, alguma coisa anormal, em meio de meus pensamentos acabo adormecendo.
Em meus sonhos estava em uma sala branca, totalmente vazia, só tinha eu naquele lugar. Coloco minha mão em cima de minha barriga e as explosões do meu corpo tinha passado. Fecho meus olhos fortemente e quando eu abro a sala virou um corredor com as paredes pretas e mal iluminada com tochas de fogo penduradas na parede, saio correndo e a cada vez que eu corria o corredor ia ficando mais estreito, minha respiração mais ofegante até que paro de correr, meu corpo coube certinha onde eu tinha parado. Sento-me no chão me encolhendo e começo a chorar. Fico pensando em possibilidades, e a primeira era se eu tinha morrido.


Me levanto e enxugo meu rosto, eu era forte, aquilo não era de verdade, eu sei que não era, fecho meus olhos novamente tentando voltar pra minha vida, a vida que eu pertencia, mas quando abro meus olhos vejo duas coisas no chão, uma varinha de madeira e um conjunto de 9 lanças. A Varinha era realmente linda, com detalhes que pareciam ter feito a mão em forma de flores envolvendo ela toda até o punhal que era de alto relevo e o desenho dele eram várias gotas. As lanças eram bem simples, a ponta era de prata e o seu cabo era dourado, todas estavam enroladas com uma fita rosa com um laço. Eu sabia que elas eram pra mim, tanto como a varinha como as lanças, sabiam que eram presentes, mas não sabia o por que ganhei e quem me deu.


Escuto uma voz e olho para os lados para tentar achar a pessoa que estava falando comigo, aquela voz, era uma voz super conhecida, tento lembrar de quem era, sim, eu conhecia, era da aeromoça, faço muita força para acordar até que meus olhos se abriram. Olhei pra moça e soltei um suspiro e a abracei agradecida, ela achou estranho e eu também, mas retribuiu.


– já pousamos, só falta você descer senhorita Forense.


Me levanto e saio do avião. A caixa que Alexandre me deu ainda estava em minhas mãos. Enquanto caminhava procuro alguém com uma placa com meu nome, uma foto minha ou algo do tipo, esse alguém seria a minha nova "família". Fiquei esperando uns 15 minutos até avistar uma mulher bonita de cabelos pretos e um vestido branco, toda elegante com um menino de uns 10 anos jogando um Nintendo DS e uma garota de cabelos pretos iguais da mãe dele segurando uma placa escrita "Eliza Forense, Bem vinda a Londres."

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.