Uma garota chamada Lori
2 Capítulo 2 - Adeus

"Só mais uma vez antes que eu vá, deixarei você saber que todo esse tempo tive medo, mas não deixei transparecer. Ninguém pode me salvar agora, é fazer ou morrer."
Música: Battle Cry — Imagine Dragons
Parte 1:I've been beaten down, I've been kicked around
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6h30. Will acordou percebendo que dormiu no chão e levantou rapidamente indo tomar um banho gelado tentando se esquecer dos problemas, não funcionou. Ele vestiu uma calça jeans e camisa com manga curta, foi caminhando calmamente até o orfanato e, assim que entrou, Holly sorriu para ele.
–Bom dia. -Ela estava ainda mais colorida do que no dia anterior, com uma faixa grossa no cabelo.
–Bom dia. — Ele respondeu e foi direto para o corredor em direção à sala de ferramentas, assim que abriu viu mais materiais para construção do que imaginava, muito mais.
Will resolveu começar pela parte de trás, onde havia visto uma poça de água que parecia um vazamento e ao analisar, confirmou sua suspeita. Não sabia quanto tempo havia passado quando terminou de trocar o cano, e só saiu de seu mundinho quando percebeu alguém ao seu lado. Olhou para cima e viu um rapaz baixo com dreads no cabelo e as mãos no bolso.
–Oi, sou Samuel Almeida. -Ele estendeu a mão e Will levantou olhando para a própria mão que estava suja perguntando-se se devia apertar ou não, mas Samuel acabou com a dúvida ao apertar a mão dele.
–Will Anderson. -Assim que soltaram as mãos, Samuel olhou para o local que Will havia consertado.
–Bem, a Holly pediu que eu viesse informá-lo de que pode tirar a sua hora de almoço quando quiser, mas fazer o favor de passar por ela para que possa anotar a ida e volta.
Will antes de responder percebeu que Samuel, assim como Holly, ficou encarando sua cicatriz.
–Entendido.
–Certo, até mais. -Samuel acenou indo para dentro do orfanato, Will balançou a cabeça negativamente e começou a cuidar das lascas da parede.
O seu primeiro dia foi entediante, fez seu trabalho, quando foi almoçar ficou do lado de fora fumando uns cigarros, não estava com fome, e voltou a trabalhar ouvindo vez ou outra quando passava pelo corredor um burburinho e pessoas cochichando e olhando para ele. Quando voltou para casa, ouviu música e comeu biscoitos até pegar no sono.
O resto da semana foi do mesmo jeito, ele fazia as coisas quase que automaticamente, no reformatório era mantido sempre ocupado, ora pintando, ora consertando, ora arrumando os alojamentos e até construindo coisas, quando acabava passava no bar para comprar mais bebida e se divertir com elas à noite. A sexta-feira era para ser a mesma coisa, exceto pelo fato do seu trabalho ser interrompido.
–Nossa, que diferença. — ele ouviu uma voz doce e olhou para cima, era uma garota de estatura média, com olhos azuis, cabelos loiros, longos e ondulados vestindo calça jeans e uma blusa branca com um casaco azul por cima. -Desculpa, te atrapalhei?
–Não atrapalhou, eu só não tenho ouvido vozes que não sejam a minha e a da Holly.
–Hm...agora você está ouvindo a voz de Lori Heart. Se pronuncia Lãri, mas escreve Lori.- ela estendeu a mão rindo, ele mostrou a dele suja e a olhou como se pedisse desculpas, ela entendeu e assentiu.
–Will Anderson.
–Bom, Will, você está fazendo um ótimo trabalho aqui, aquele vazamento me preocupava, as crianças gostavam de brincar aqui, embora fossem proibidas. — Ela olhava para o novo cano, a empolgação clara em seu tom de voz.
–Achei que fosse bom começar por ele, parecia o que mais precisava de atenção. -Ele voltou ao seu trabalho ainda sendo observado, mas não se sentiu incomodado, pois ela não olhava para ele e sim para o que ele estava fazendo.
–Agora é apenas a aparência mesmo, o prédio parece que está jogado às traças. -Ela suspirou olhando para a parede. -Não é nossa culpa, estamos sempre com as crianças e além de não podermos deixá-las, não sabemos bem como começar esse tipo de trabalho...
Ele levantou tapando agora os buracos mais acima.
–Eu também não sabia nada, até ser obrigado a aprender. Pelo menos agora serviu para alguma coisa.
–Para muitas coisas. -ela olhou no relógio em seu pulso. — Tenho que ir, até logo.
–Até. -ele respondeu dando uma rápida olhada para ela que se afastou, mas quando estava subindo as escadas parou.
–Hey, eu almoço às 15h, quer vir comigo?
–Desculpe, não estou com muita fome.
–Até lá vai estar, vamos, quero que prove a melhor comida do mundo. -Ela sorriu e ele concordou sem saber por quê.
Lori
Naquela manhã de sexta, Lori havia acordado feliz, de bem com a vida, sem que nada lhe acontecesse. Ela tomou café da manhã com seu pai e foi para o colégio onde encontrou seu grupo de amigos reunidos.
–Bom dia! -Ela disse sorrindo.
–Bom dia, minha flor. -Sophia sorriu de volta. -Estávamos falando sobre o novato na cidade.
–Grande novidade, todos só falam nele.
–Ele é só um cara normal, Soph. -Samuel disse tentando ignorar o quanto ela ficava sexy ao passar os dedos pelos cabelos negros perfeitamente lisos.
–Posso só contar para a Lori como ele é? A última vez, prometo.
–Pode fazer o que quiser, estamos indo para o treino. -Anthony bateu no ombro de Sam que assentiu e virou-se para Lori. -Te vejo mais tarde?
–Hm?
–O trabalho de química.
–Ah sim, Tony. Te encontro aqui às 16h30, pode ser?
–Ótimo. -Ele já estava sendo puxado por Sam em direção ao campo.
–Certo, ele é alto e moreno estilo praia...-Sophia foi interrompida.
–O que seria um moreno estilo praia?- Lori cruzou os braços com ar de riso.
–É quando você sabe que aquela não é a cor verdadeira da pele, ele parece ter passado boas horas ao sol para conseguir aquilo, é como se fosse um surfista.
–Entendo agora, continue antes que o sinal toque.
–Bom, ele tem o cabelo castanho bem cortado, os lindos olhos azuis, o nariz afilado e a boca se encaixam perfeitamente no seu rosto, é tudo proporcional, sabe? O rosto é tão bonito que até a cicatriz entrou em harmonia -ela riu de leve-, e dá a ele um ar de homem mau.
Como se fosse ensaiado, o sinal tocou assim que ela terminou de falar, então elas começaram a caminhar em direção a sala. Depois do vai e vem das aulas, o sinal do intervalo tocou.
–Você sabe que está viajando, não é? Não tem nexo você causar ciúmes no Sam fingindo que está interessada no Josh. -Lori ia dizendo enquanto as duas pegavam as bandejas. -Não tem sentido, por que você simplesmente não o convida para ir à festa?
–É complicado. -Soph deslizou sua bandeja sobre o balcão atrás da amiga. -Bom, talvez se eu colocar assim você entenda: Eu sou como o Tony.
–Hãn? -Lori parou de pegar a salada de frutas e olhou para ela.
–É, o Tony se esforça para estar sempre ao seu lado, faz qualquer coisa por você e todo mundo sabe que ele gosta de você, mesmo ele nunca tendo falado.
Lori ficou pensativa por alguns segundos, mas logo acordou com os outros alunos reclamando que a fila não andava nunca e que ali não era local de conversa. As duas pegaram suas bandejas e dirigiam-se à mesa onde Sam e Tony já estavam sentados com mais dois amigos do futebol.
–O Sam talvez seja como você, por exemplo, que está cansada de saber do interesse do Tony e finge nunca ter notado, nem no sim, nem no não.
–É complicado.
–Como te disse, agora vamos ver se funciona. -Soph sorriu de lado sentado na mesa. -E aí, vão à festa do Kyle?
–Com certeza. -Tony disse e os dois amigos concordaram. — Vocês vão?
–Eu e Josh estaremos firmes lá. -Soph piscou discretamente para Lori que sorriu balançado a cabeça.
–Você e Josh? -Sam perguntou, Lori não acreditava que aquilo estava funcionando.
–É, não gosto de chegar desacompanhada em uma festa.
–Achei que a companhia de amigos lhe bastasse. -Sam mexeu os ombros recostando-se na cadeira, Tony interrompeu a conversa.
–E você, Love?
–Ficarei em casa, as festas costumam acabar tarde. -ela deu de ombros enchendo a boca com uma colher de salada de frutas.
–Posso tentar te fazer mudar de ideia?
–Vá em frente.
Ele não disse mais nada e mudou de assunto, o resto das aulas passou bem e logo Lori saiu do colégio indo direto para a Sunnyside.
–Boa tarde, Holly. -Ela sorriu para a ruiva que retribuiu o sorriso.
–Boa tarde! As crianças estão com Betty assistindo a um filme.
–Certo, obrigada por avisar.
–Por nada.
Lori foi até a sala onde costumava ficar e deixou a mochila lá, passou pela sala onde as crianças assistiam atentamente a animação e foi para o lado de fora onde avistou o novato de quem todos falavam. Lori entendeu o que Soph dissera com bronzeado e parou atrás dele cruzando os braços e observando o cano que ele havia consertado.
–Nossa, que diferença. — O estranho olhou para cima e ela não pôde deixar de notar o quanto ele era atraente, na verdade BEM atraente. -Desculpa, te atrapalhei?
–Não atrapalhou, eu só não tenho ouvido vozes que não sejam a minha e a da Holly.
–Hm...agora você está ouvindo a voz de Lori Heart. Se pronuncia Lãri, mas escreve Lori.- ela estendeu a mão rindo, ele mostrou a dele suja e olhou para ela como se pedisse desculpas, ela entendeu e assentiu.
–Will Anderson.
Ela não sabia o porquê, mas ao olhar em seus olhos azuis sentiu que deveria aproximar-se dele, não por pena, mas ele precisava de alguém.
Will
–Qual é a especialidade do dia? — Lori perguntou ignorando o menu que estava sobre a mesa. Já tinha apresentado a Will, Earl e Marge, um casal rechonchudo de bochechas coradas e bem agradáveis que eram donos do restaurante.
–Filé com fritas. -Marge disse com orgulho.
–Hmm... delícia. É esse mesmo que eu vou querer, você gosta? -Ela perguntou olhando para Will que a encarou sem saber o que responder.
–Não sei, nunca comi. — Respondeu por fim.
–O quê? -Ela o olhou como se fosse um Alien. -Não acredito nisso, como você pode ter 21 anos e nunca ter...? Bom, quando provar não vai se arrepender de ter pedido. -E piscou um olho com o costumeiro jeito animado.
–Assim espero.
–Marge, vamos querer dois.
–É pra já, minha filha. -Marge sorriu e sumiu atrás do balcão.
–Você é bem popular aqui. -Will comentou notando que todos que passavam a cumprimentavam.
–Nem tanto, moro aqui há um bom tempo e em cidade pequena todos se conhecem. -Ela colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha. -Você é a novidade aqui...
–Que ótimo. -Disse ironicamente rolando os olhos pelo local.
–Não se preocupe, isso logo passa e as pessoas se acostumam. -Ela cruzou os braços e recostou-se na cadeira. -Eu vim morar aqui quando tinha 10 anos, meus pais buscavam maior tranquilidade. Ficamos sendo o assunto por algumas semanas, algumas pessoas chegaram a ir lá em casa fingindo dar as boas vindas só para verificar o espaço e ver qual era a nossa condição financeira.
–Nossa. -Ele arqueou uma sobrancelha imaginando o que já poderiam estar falando a respeito de sua casa.
–Mas outros são bem legais, amigos de verdade. -Ela apoiou um dos braços sobre a mesa. -E você? O que fez pra chegar aqui?
Ele franziu a sobrancelha estranhando a pergunta, todos sabiam quem ele era e o que estava fazendo ali.
–Não sabe mesmo?-Perguntou incrédulo.
–Eu sei que você veio do reformatório e nada mais. Alguns dizem que é traficante, outros que é assaltante e até serial killer eu já ouvi.
Will soltou uma risada.
–E o que você está fazendo almoçando com um serial killer?
–Sei lá. -ela mexeu os ombros. — Eu não acho que seja um, as pessoas exageram.- deu uma pausa pensativa. — Você é?
–Poderia ser e não admitir.
Ela balançou a cabeça.
–Se fosse, teria acabado de admitir.
–Aqui está meus queridos, caprichei pra vocês. — Marge disse colocando dois pratos com dois pedaços grossos de carne em cada um e batatas caindo pelas bordas.
–Obrigado.
–Obrigada, Marge.
–É sempre um prazer, se precisar é só chamar. -Ela sumiu novamente atrás do balcão.
Will olhou para seu prato e se aproximou cheirando, tentou lembrar da última vez em que sentiu o cheiro de uma boa comida, não conseguiu pensar muito, pois seu estômago já roncava.
Durante o almoço conversaram sobre várias coisas, mas principalmente da cidade. Se alguma pessoa começasse a falar para Will sobre como é a vida naquela cidadezinha, ele a teria interrompido na hora dizendo que não se importava, mas vindo dela e da forma natural e apaixonada a qual ela se referia à cidade fez com que a ideia de interrompê-la parecesse grosseira demais.
Acabou descobrindo que ela tinha dezessete anos e morava apenas com seu pai que era um senhor religioso e que perdera a sua mãe quando tinha catorze anos, acidente no trânsito, ela disse e nada mais.
Depois de se despedirem de Marge e Earl, voltaram caminhando para o orfanato.
–Então depois do colégio você passa no orfanato? Todos os dias? -Will perguntou colocando a mão nos bolsos e observando o quanto a cidade era quieta, os jovens não deviam ter muito com o que se divertir por ali.
–Não, nas terças e quintas eu vou à Igreja, lá também tenho muito trabalho a fazer. -Ela olhou para ele que pôde notar seus cílios enormes, o que fazia com que seus olhos ficassem ainda mais bonitos.
–E você só estuda e trabalha? Não se diverte?-Perguntou já avistando a fachada do orfanato, ela deu uma risada engraçada.
–É claro que me divirto, não estou morta. -Ela riu cutucando o seu braço com o cotovelo. -Bom, agora tenho que ir, a gente se vê por aí.
Lori entrou no orfanato e ele ficou do lado de fora tentando entender bem o que ela era. Maluca, decidiu por fim.
Lori
Lori saiu mais cedo do orfanato e foi encontrar-se no laboratório de química com Tony, os dois iniciaram o trabalho conversando sobre coisas aleatórias, até ele resolver mudar de assunto.
–Você disse para eu ir em frente e tentar te convencer, posso começar?
–Achei que tivesse desistido.
–Não antes de tentar. -Ele piscou. — Vai ser uma festa legal, não precisamos beber, só dançar e depois eu te levo em casa.
–Meu pai gosta que eu esteja em casa cedo. -Ela continuou a fazer as anotações sem olhar para cima.
–Eu te levo pra casa cedo.
–Não quero que você deixe de curtir a festa por mim.
–Eu faria isso por você, -ele pegou em sua mão e olhou em seus olhos, o que a fez desviar o olhar — mas não é o caso. Acho que curtirei bastante se você estiver lá.
Lori parou por um tempo pensando no que Soph havia falado a respeito dos dois.
–Desculpa Tony, isso não vai funcionar. -Ela tentou não encará-lo enquanto guardava suas coisas.
–Não precisa se desculpar, eu disse que ia apenas tentar. -Ele também começou a guardar as coisas em sua mochila. — Quer uma carona?
–Não, obrigada. Vou caminhando um pouco.
–Certo, -ele ajeitou a mochila nas costas e deu um beijo na bochecha dela. — até mais.
–Até. — Ela respondeu e saiu da sala logo atrás dele.
Lori estava chateada por tratar Tony assim, mas ela não sabia maneira melhor para lidar com o problema. Para pensar nisso ela resolveu seguir um caminho diferente e surpreendeu-se ao ver Will fumando sentado na escada em frente a uma casa que ela jurava ser abandonada.
–Olá. -ela disse aproximando-se, ele pareceu levar um susto ao vê-la.
–Ei... -ele apertou os olhos na direção dela e demorou uns segundos — Lori. Desculpa, não sou muito bom com nomes.
–Sem problemas, eu sou ao contrário, muito boa em lembrar das pessoas e de seus nomes.
–Sorte sua... ou azar. -Ele apontou o cigarro para ela que recusou.
–Está vivendo aqui?-Ela afastou-se para observar a fachada da casa, era bem gasta e parecia que não vivia alguém há anos ali, mas ela imaginou que a casa um dia teria sido bonita. -Bonita casa.
–É um lixo. -Ele soltou um longo suspiro. -Eu realmente odeio isso.
Will
Ele não sabia porquê ela havia parado ali para conversar com ele, achava que já estaria até mesmo arrependida de tê-lo convidado para almoçar levando em conta que todos na cidade o olhavam torto e muitos já a deviam ter alertado de que ele era um delinquente.
Ela olhou em volta, trocou o peso de uma perna para outra e piscou os olhos calmamente em sua direção.
–Por que odeia? -Ela perguntou, enfim. Ele deu mais uma tragada soltando a fumaça para cima, ela mantinha uma distância para não inalar muita fumaça.
–Longa história...- ele apagou o cigarro. -Acho que você não entenderia.
Lori deu uns passos a frente e sentou-se ao lado dele na escada.
–Por que sou nova demais? -É óbvio, ele pensou em responder. Mas havia outros fatores que o levaram a essa conclusão, como por exemplo, o fato dela nunca ter saído da cidade que era pacata, ali não ocorriam as coisas que ocorriam na cidade grande, ela vivia em um mundinho perfeito para ela.
–Não necessariamente a sua idade, mas a vida que leva. -Ele respondeu sem olhar para ela desejando puxar mais um cigarro do bolso, mas já havia percebido que ela não curtia muito.
–Então acha que não tenho problemas?
Ele soltou uma risada irônica.
–Com que vestido ir ao baile.
Ele não fez questão de olhar para ela, embora tivesse o rosto angelical que prendia a sua atenção, no momento ele estava pensando em milhões de outras coisas.
–Está debochando? — Se ela estava irritada, não deixou transparecer em sua voz. — Você não é o único que tem problemas aqui, não é só porque você foi... -ela hesitou — punido, que seus problemas são maiores.
Will olhou para a garota que estava com a expressão serena, o que o irritava, ela provavelmente era do tipo sabe-tudo e queria ficar ali lhe dando sermões. Ele levantou e subiu até à porta.
–Vou entrar, — Olhou para Lori novamente e a irritação passou, apesar de conhecê-la apenas há um dia sentiu vontade de abraçá-la para se despedir, mas não o fez. Pareceria um maldito maluco bipolar. — adeus e desculpe por isso, o problema sou eu... sempre tive medo de encarar a vida.
–Até logo. -Ela respondeu ficando de pé estranhando o seu adeus e suas desculpas, mas era tarde demais para questionar, pois ele já havia batido a porta.
Will entrou pensando em como seria sua vida se ele tivesse a mesma idade que Lori e a tivesse conhecido no colegial, mas com a vida que ele levava provavelmente a teria ignorado por seu jeito. Eram inúmeros arrependimentos.
Ele ligou a torneira e deixou a água enchendo a banheira enquanto foi à cozinha, lá ele abriu o armário pegando a sua garrafa de Jack Daniels que estava pela metade. Abriu o armário pegando os cinco potes de seus remédios -variações de tranquilizantes e antidepressivos- e separou alguns comprimidos de cada, verificou se a banheira já estava cheia: perfeita -pensou.
–Está na hora. -falou para si mesmo ingerindo os comprimidos um a um com a ajuda da bebida e entrou descalço, mas com roupa na banheira. Se a morte por excesso de medicamentos não funcionasse, seria então morte por afogamento, não havia como dar errado.
Ninguém sentiria a sua falta além de Natalie, e outras pessoas até sorririam ao saber de sua morte.
Foi seu último pensamento antes de afundar-se na água.
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