Apolline Louise Ashton


Agora são três e meia da tarde e eu acabei de ter a última aula do dia. Como de costume eu passo pelos grandes corredores, desço a escadaria e paro bem na porta da escola, esperando pela minha melhor amiga, Tati.

— Será que aconteceu alguma coisa? — pergunto a mim mesma.

Tati está demorando... Nós duas sempre nos encontramos aqui nas segundas-feiras, já que temos a última aula diferente. Eu tenho robótica, e Tati tem teatro, música... no geral, artes.

Saio dos meus pensamentos quando avisto a linda, bela e popular Tatiane Roberts vindo em minha direção. Seus cabelos castanho-escuro flutuam no ar, enquanto ela corre elegantemente em minha direção, a pele negra um pouco corada na região das bochechas por conta do esforço. Um sorriso aparece no rosto dela assim que me avista, assim como o sorriso que se instalou no meu rosto no momento em que a encontrei correndo.

— Finalmente! Achei que você nunca chegaria, maninha — digo em meio ao nosso abraço.

— Desculpa a demora... e mais ainda por não ter avisado, é que nós estamos ensaiando uma peça — ela diz arrependida por não ter enviado uma mensagem.

— Está tudo bem. Então... hoje foi um dia agitado? — pergunto mesmo já sabendo a resposta.

— Perdi a paciência tantas vezes! Josh é tão lerdo, ele esqueceu a fala umas quinhentas vezes! — diz irritada em um tom exagerado.

— Ainda bem que é só o ensaio... — tento amenizar a situação.

— Só um ensaio? Se no ensaio ele é tão ruim, imagina só quando for para valer! — fico sem saber o que dizer, Tati percebe e logo muda de assunto. — E então... como você foi na aula de hoje?

— Ainda bem que perguntou. Achei que você não se importasse mais comigo — faço manha e nós rimos. — Mas sério, foi incrível! Eu consegui fazer o meu drone voar e... — estava muito empolgada.Tão empolgada que não prestei atenção quando uma bola veio em minha direção e acertou em cheio a minha barriga.

Eu caio de joelhos no chão com os braços em volta do corpo, como se, para aliviar a dor — Tati grita preocupada e em resposta, eu gemo de dor.

— Porcaria, Apolline! — ela me chama preocupada enquanto faz "carinho" em minhas costas.

Mas que droga! Eles não sabem que tem um campo e uma quadra aqui?

Sinto meus joelhos ardendo, droga.

Segundos depois ouço uma voz diferente.

— Ei! — uma voz masculina me chama e em seguida solta um xingamento. — Me desculpa, sério, você tá bem? — O seu tom de voz preocupado me faz encará-lo.

— Sendo sincera... — Começo a me levantar. — Não tem como eu estar bem depois de uma bolada — me forço a não parecer tão irritada.

Ele ri nervoso. Assim que me levanto dou uma bela encarada no garoto, ainda com a mão na barriga. Tati o olha atônita, como se tivesse um fantasma em sua frente.

— Olha, se quiser eu posso te levar ao hospital...

— Ah, não, não precisa eu já estou... melhor — o respondo.

Mesmo que essa não seja a verdade.Quer dizer, ainda estou dolorida, óbvio, mas não preciso ir ao hospital por conta disso.

— Tem certeza? — ele pergunta preocupado, segura um dos meus braços em um toque leve e me analisa. Olho para cima pela nossa diferença de altura, para encará-lo melhor.

— Absoluta. Eu estou praticamente ótima.

Assim que termino a frase os amigos do menino o chamam.

— Não tem nada mesmo que eu possa fazer? — ele pergunta insistente.

— Bom, tenta não me acertar com uma bola na minha barriga, de novo — digo sarcástica.

— Na próxima eu acerto a sua cabeça — ele ironiza.

Reviro os olhos e o garoto dá a uma risada anasalada.

— Bom, se você precisar de alguma coisa, é só falar...

Ele faz um sinal de que tem que ir. Eu assinto educadamente e então ele volta para os amigos.

— Ai. Meu. Deus — Tati fala pausadamente, ainda com a mesma expressão.

— O que foi?

— O que foi?! — ela repete com uma ênfase enorme. — Aquele é o Nolan! — ela diz.

— Uau! Cê acredita que eu tomei um cafezinho com ele esses dias? — falo de forma cínica.

— Muito engraçada... — ela repete fazendo uma voz idiota, nós rimos. — Mas sério. Ele é o Nolan Preston.

Faço uma cara de quem não está entendendo nada.

— O capitão do time de futebol, tem boas notas, é filho do dono da Ryder Cars e é o maior gato! — a garota fala o secando com os olhos.

Minhas sobrancelhas levantam achando interessante.

— Bom, eu não sabia disso...— falei simples.

— Eu percebi. Você é mesmo uma anta desatualizada. — ela me ofendeu quando voltamos a andar.

— Ei! — murmuro enquanto empurro seu ombro de brincadeira. — Só não entendi o motivo de você estar tão... assim.

— Olha, não é sempre que a minha melhor amiga tem uma grande interação com Nolan Preston — Dou uma gargalhada alta.

— Você quis dizer que, não é todo dia que sua melhor amiga leva uma bolada... — friso — do queridinho capitão do time de futebol, Nolan.

— Bom, também... Mas é sério. Eu achei super que ele estava dando em cima de você — a garota afirma.

Rio novamente.

— Então, ele se preocupar por dar uma bolada em mim, literalmente, agora virou... dar em cima? — eu me divirto com as ideias de Tati.

— Qual é maninha? Fala sério. Se ele tivesse dado em cima de você... — ela para e aponta para o garoto que está jogando com os meninos — você o ignoraria?

Eu o analiso bem, ele é alto, a pele dele é bem bronzeada. Nolan levanta a barra do seu fino casaco térmico para secar o suor do rosto e exibe um belo tanquinho e uma tatuagem, acho — o que já diz muito sobre ele já que é só um adolescente —, o corte do cabelo loiro combina muito com o garoto — passa um ar de... um burguesinho mimado — ele é um cara bem atraente, mas nada que mexa com meu coração.

Mesmo com ele parecendo muito com qualquer estrela de Hollywood, o Drew Starkey está a alguns espaçosos níveis acima desse tal de Nolan.

— Ele deve ter péssimas notas, além disso, não deve passar de um riquinho mimado — concluo certa do que eu disse.

— Eu já te disse, o boletim dele é perfeito — a garota afirma confiante. — E sobre ele ser um riquinho mimado, bom, eu não posso dizer nada, já que eu não o conheço.

— Olha, um boletim perfeito não quer dizer muita coisa. — falei agarrando a alça da mochila.

— Você diz isso, mas para você, é o que mais importa.

— Acha mesmo que se eu ligasse para boletins eu seria a sua amiga? — brinco e a mesma me repreende com um tapinha, enquanto ri da minha fala.

— Eu estou melhorando...

E nós voltamos a andar.

Eu com os joelhos ardidos, mas não tão arranhados, e ela tagarelando sobre muitas, muitas coisas.


Tati e eu somos vizinhas há muito tempo. Na verdade, desde que eu me entendo por gente, já que nunca nos mudamos.


Hoje ela, minha melhor amiga da face desta miserável terra, vai almoçar lá em casa, o que é ótimo. E talvez, ela até durma lá....


Notas finais
Gostaram?? Vou postar o próximo quando tiver pelo menos quatro comentários. Beijinhos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.