Notas iniciais
Olá poviiiiiii tudo bom com vocês?! Espero que sim. Entãoooo...desculpa pela demora. Já deveria ter postado esse capítulo há mais tempo, mas por falta de tempo para revisar eu acabei me atrasando. Espero que vocês gostem desse capítulo, me perdoem os erros ortográficos e gramaticais e agradeço muitoooooooooooooooooooooo pelos comentários fofos que venho recebendo. Nossa, fico tão feliz que é difícil por em palavras. O incentivo e a satisfação de vocês vale muito para mim. Obrigada de coração por tudo e vamos que vamos. Boa leitura!! >.

Kyoko sorria feliz para o grande espelho do quarto, virando o corpo de um lado para o outro sem acreditar que finalmente havia posto suas mãos naquela peça tão...bela.

—Que lindo, nem acredito que estou usando ele. – E um sorriso deslumbrante estampou seu rosto.

Na cama Saga se remexeu um pouco, tateando a procura de algo, ou melhor, alguém que não encontrou. Com a falta e como para ter a certeza do que não achara, abriu os olhos devagar e indo direto nela. O cavaleiro piscou algumas vezes como que para ter certeza do que via, mas...

Que pernas lindas. Se não fosse por esse..."

...mal terminou seu raciocínio quando sua ficha caiu como um raio. Sentou na cama em um pulo e Kyoko só não pulou mais alto ainda por falta de espaço.

—Kyoko!!!! – Berrou. A voz grave parecendo um trovão.

Saga levantou rápido, segurando o lençol na cintura para não expor sua nudez. Caminhou a passos rápidos até ela sentindo o coração bater na garganta já imaginando a confusão que mais uma das travessuras da raposa daria.

—Onde conseguiu isso? – Ralhou Saga com o cenho franzido.

Kyoko girou de um lado para o outro procurando por algo que não fazia a menor ideia. — O que? O que é??

—Ah droga Kyoko! Shaka não, ele não! – O homem ergueu um dos punhos em sinal de raiva, apertando os lábios e pedindo a todos os deuses existentes paciência e forças para não mandá-la para outra dimensão. Ela, que até então não sabia do que ele retrucava, levou as duas mãos a cabeça para se proteger.

—Saga! – A última voz que Saga gostaria de ouvir naquele momento se fez presente na casa de Gêmeos. Ambos olharam para a porta com os olhos arregalados, para logo em seguida voltar a se encararem.

E de todos os cavaleiros o único que Kyoko até então não havia se atrevido a tocar em algo sem permissão era Shaka, o que para o geminiano era um alívio, mas ele sabia que talvez aquilo não duraria para sempre, pois Kyoko já havia deixado claro para ambos o quanto os sáris elegantérrimos do indiano enchiam seus olhos. O indiano era um homem simples. Foi criado assim, e ensinado a não ter apego material, mas o mesmo sabia e muito dar valor as coisas que ganhava, pois tinha ciência de que muitas ali haviam sido conseguidas a base de muito esforço e lhes dadas com amor e apresso. Saga havia ordenado a Kyoko que nunca, jamais sequer tocasse em algo na casa de virgem sem consentimento, pois com o indiano certas coisas não tinham vez e pegar suas coisas sem pedir mesmo com a intenção de devolver era motivo de morte, literalmente.

—Saga! – A voz chamou outra vez e Saga sentiu o sangue gelar nas veias.

Aquilo só podia ser um pesadelo. Ela tinha realmente que mexer justo nas coisas do virginiano? Será que Aiolia, Milo e os demais já não eram o suficiente?! Olhou Kyoko e trincou os dentes, apertando os punhos para conter a vontade de matá-la.

— Eu já estou indo! – Respondeu. — Tira isso agora! – Ordenou segurando a ponta do Sári e puxando.

—Não! É meu.

— Eu mandei você tirar. – Ordenou novamente, mas dessa vez sem muita paciência. O lençol foi ao chão e com as duas mãos Saga com muito custo conseguiu arrancar a vestimenta das mãos de Kyoko.

—Isso...isso é meu...você não pode....

—Calada! – Ordenou de novo com o dedo em riste. Enrolou-se no lençol novamente e mesmo sob os resmungos da amada, saiu.

Do lado de fora Shaka “observava” a serva organizar algumas mudas de roupa em cima da mesa. Sorriu em cumprimento, mas estranhando logo depois ao constatar mesmo de olhos fechados que Saga vinha em sua direção somente com um lençol envolto a cintura. O mais velho estava visivelmente constrangido, mas isso não se dava por conta de sua nudez e sim pelo fato de ter que pedir milhares de desculpas ao indiano e ter de convencê-lo a não jogar Kyoko em um de seus seis infernos por causa de seu Sári com fios de ouro preferido.

—Saga?!

O mais velho esboçou uma cara de tristeza e vergonha. Não sabia o que dizer ainda mais quando Shaka pareceu não saber do que se tratava.

—Shaka, eu...sinto muito. Eu juro que não vi, mas olha...se tiver danificado alguma coisa, um fio sequer eu juro que pago. — Ditou o mais velho sem jeito.

Shaka franziu o cenho sem entender quando a peça lhe foi estendida.

—A Kyoko ela...ela pegou isso sem pedir. Olha Shaka eu...

—Ela não pegou sem pedir. — Interrompeu o indiano com toda sua calma.

—O...o que?- Saga ficou estático. Será que tinha ouvido direito?

—É isso mesmo que ouviu gêmeos, ela não roubou. Eu lhe dei de presente de boas vindas e também como um pedido de desculpas por tudo que houve. Não seria bom que ela ficasse com uma impressão ruim sobre os cavaleiros de ouro, então eu resolvi dar a ela. Ela sempre falava sobre ele quando ia até minha casa então, achei que ela gostaria de ganha-lo.

Saga mordeu os lábios e fechou os olhos com pesar quando ouviu a porta do quarto bater bruscamente. Achou melhor nem olhar, pois só pelo som dos passos já sabia que Kyoko estava furiosa e não era para menos. Ela passou por ambos os cavaleiros sem nem ao menos olhar.

— Ela parece brava. — Comentou Shaka.

—Uhum. — Resmungou Saga mirando os próprios pés.

—Deixa ver se eu entendi: Você tomou o Sári dela achando que ela havia me roubado, acertei?

—Uhum. — Resmungou novamente, mas dessa vez olhando para o teto.

— Bom...isso é bem ruim, acho melhor você correr. — Shaka falou e Saga bufou, depositando a roupa no sofá e correndo atrás dela.

—Kyoko! — Berrou ao vê-la marchar pelo salão de gêmeos. —Kyoko espera me desculpe.

—Me deixe em paz!

—Kyoko para, por favor, me desculpe, eu...não tinha como saber que Shaka...

—É logico que não saberia e é mais lógico ainda que você não perdeu a oportunidade de me acusar. Você nunca me escuta Saga, NUNCA!! – Berrou voltando a caminhar.

Saga levou à mão livre a fronte tentando buscar um pouco de paciência. Sabia e admitia seu erro, mas Kyoko também não era nada fácil. Como podia imaginar que Shaka de Virgem lhe daria seu sári favorito de presente?!

—Kyoko, por favor, me perdoe.

—NÃO! Eu te odeio Saga de Gêmeos, você é igual a eles. Vocês são todos iguais. Fique sabendo que eu não vou voltar NUNCA MAIS!! – A raposa berrou a última frase, dando as costas e saindo a passos duros.

—Eu sei que você não me odeia. – Saga respondeu alto a deixando ir. No rosto seu famoso sorriso sarcástico.

—Não esquenta, depois da noite de ontem ela volta. — Disse Kanon que havia sido atraído pela confusão e agora apoiava um dos braços no ombro do mais velho.

—Obrigado por tentar me consolar, maninho.

— Por Zeus Saga, não é porque você é o Grande cavaleiro de gêmeos que pode sair por aí matando as servas do santuário do coração saindo vestido dessa maneira.

O mais velho fechou os olhos e sorriu sarcástico. Já imaginava que aquilo aconteceria, só o que não imaginou é que seria tão rápido assim.

—Bom dia pra você também escorpião.

—Há!Bom dia?! Ta de brincadeira?! Saga...são 13:00 da tarde.

—Já?! – Surpreendeu-se.

—Ihhhh já vi que a noite foi longa – Brincou o libriano.

—Longa?! – Disse Kanon se aproximando do grupo. Estavam ali Camus, Dohko, Milo e Shaka. —Puta merda, não vão me dizer que vocês não ouviram?

Milo sorriu junto com Dohko quando Saga começou a enrubesce.

—Por Atena, foi tão intenso assim? – Milo inqueriu animado.

—Ahhh senhores, s'il vous plaît! (Por favor!) – Camus se pronunciou, rolando os olhos já imaginando o que estava por vir.

—Rodinha de amigos e não me convidaram?! Que garotos maus! – Reclamou Afrodite ao chegar no meio da conversa.

— Você non está perdendo nada mon ami.

—Intenso?! – Kanon perguntou com ênfase.

— Kanon não começa! – Repreendeu o mais velho tentando parecer bravo, algo que não convenceria nem sua mãe, muito menos Kanon.

—Cara...impossível vocês não terem ouvido.

— Ouvido o que? – Inqueriu peixes.

— Aaahh o que?! Os gemidos da Kyoko, oras.

—Kanon!!! – Ralhou Saga sem sucesso, pois seu igual não deu a mínima.

—A desgramada gemeu até às seis da manhã, eu quase fui embora por não aguentar mais ter que ouvir: Ainnn Saga você é tão gostoso. – Kanon se aproximou de Milo afinando a voz e fazendo trejeitos, alisou o peito do outro que já não gostava nem um pouco de uma boa encarnação, acabou entrando na onda do marina sem pensar duas vezes, o puxando pela cintura com firmeza e imitando o olhar de Saga.

— O que foi raposa, sentiu saudades do seu cavaleiro aqui?! – Disse Milo teatralmente, engrossando ainda mais a voz e imitando os trejeitos de Saga.

—Aiiinnn Saga, assim eu não aguento. – Resmungou Kanon empurrando Milo com uma das mãos de modo meloso.

—Dá pra vocês pararem? – O mais velho quase berrou ao sentir seu rosto queimar pela vergonha. Camus bufou, mas mesmo com toda sua seriedade era impossível não rir de Kanon e Milo imitando Saga e Kyoko. Aquilo era demais até mesmo para alguém como ele.

Dohko explodiu em uma gargalhada junto com Afrodite quando Milo encochou o marina que soltou um resmungo risonho como uma mocinha indefesa.

—Ainnn Saga, na frente dos outros não. —Kanon piscou dengoso.

—Vem cá sua raposa safadinha que eu vou te levar para outra dimensão. – Interpretou Milo engrossando mais a voz.

O escorpião agarrou nas ancas de Kanon, o suspendendo para envolver sua cintura com as pernas, encenando estocar o mais velho que se segurou com uma das mãos no pescoço de Milo enquanto com a mão livre segurava a própria nuca.

— Ahnnn...Saga!! Isso, vai...mais forte!! Mete...gostoso...Hummmmm...que tesão. – Encenava o marina.

Dohko não aguentando a zuação caiu sentado no chão de tanto rir. Afrodite apoiou-se em uma das pilastras, colocando a mão na barriga por conta da crise de risos e até mesmo Camus e Shaka que eram os mais sérios não aguentaram a encenação ridícula e pornográfica de Milo e Kanon, rindo gostosamente.

—Ahhhh droga, por favor! – Pediu Saga completamente sem jeito.

— Ainnn Saga, isso...vai...eu quero que todos os seus amigos escutem. – Kanon falou lânguido.

Saga arregalou os olhos sem acreditar no descaramento de seu irmão e já se sentindo arder de vergonha até o último fio de cabelo deu as costas para os dois malucos e tencionando a sair dali.

—Ahhhh seus filhos da puta eu não vou ficar aqui vendo isso.

E mesmo diante daquela maluquice não conseguiu se irritar. Estava feliz por ter dormido com Kyoko e nem um pouco arrependido com seu desempenho, mesmo que este tenha feito seu irmãozinho perde o sono. Sabia que eles não perderiam a oportunidade de tirar sarro de si, só não pensou que isso seria tão rápido. Era gostosa a convivência entre eles. A amizade forte que se instalou depois da segunda oportunidade mesmo entre aqueles que antes mal se cumprimentavam. Conviver entre si como homens normais que fazem e dizem coisas de homens normais era a melhor parte de terem voltado a viver.

— Ah não perai. – Milo soltou Kanon de qualquer maneira e este quase caiu de bunda no chão. — Agora é sério.

—Sério?! Depois disso?! Polpe-me Milo. — Ditou Saga voltando a caminhar para a área privada.

—Ei, ei, ei me esperem, também quero saber. – Correu Afrodite atrás dos outros.

—Eu vou embora, para mim chega. — Anunciou Shaka.

Camus bufou dando a mão a Dohko e o puxando para levantar. —Mon dieu Milo non tem jeito.

—Deixe-os Camus, são homens.

— Eu também sou homem e nem por isso vivo por ai fazendo essas coisas.

—E como homem...vai me dizer que não está nem um pouquinho assim curioso em saber como é fazer sexo com uma youkai?!

Camus enrubesceu violentamente com o comentário nada singelo de Dohko, mas se sentiu pior ainda por ele estar certo, mesmo que nem em um milhão de anos fosse admitir isso.

—Ora mestre ancião, por favor!!! — Camus retrucou, cruzando os braços sobre o peitoral levemente estufado.

—Ahhh Camus não se envergonhe, somos todos homens aqui.

O aquariano achou melhor não responder. Estava sim e muito envergonhado, mas também estava curioso. Não era por que era um homem sério que certos assuntos não lhe despertavam interesse, mas sim o seu senso de discrição que o mantinha no lugar. Era melhor assim, mas...isso não era algo que Dohko ou seja lá quem fosse precisasse saber.

—Ora Camus deixe de bobagens e venha.

—O...O...quê?! Mas...Mestre... – Camus mal teve tempo de protestar, pois Dohko o agarrou pelo braço o puxando consigo até a parte privada da casa gêmeos.

Na sala Kanon e Milo cercavam Saga, pedindo como crianças que o mais velho lhes contasse o que todos eles queriam saber: A sensação de fazer sexo com uma youkai.

— Qual o formato? – Kanon perguntou.

—Que gosto que tem? – Agora foi a vez de Milo.

— E a cor? – Até Afrodite não resistiu até porque, ver Saga daquele jeito era por demasiado engraçado.

—Mas que droga, dá pra me deixarem em paz.

—Ahhh qual é Saga, você não precisa contar todos os detalhes, só...dizer algumas coisinhas. Ahhhhhh, vai logo e desembucha de uma vez. – Argumentou Milo.

— Eu não vou dizer nada, isso não é da conta de vocês, agora se me derem licença... – O mais velho girou nos calcanhares e como consequência seus cabelos caíram sobre os ombros expondo a pele esfolada das costas larga para todos os olhos ali presentes.

—Wooooooo...olha isso!! – Kanon correu até ele, segurando as madeixas azuladas e expondo ainda mais as marcas das unhas.

—Kanon!!! – Repreendeu o mais velho novamente, empurrando o irmão que caiu sentado no sofá. — Não adianta vocês ficarem aqui me enchendo que eu não vou falar nada, se querem saber procurem uma para vocês. – Cruzou os braços sobre o peitoral de forma imponente.

Dez minutos depois...

—E é quente...muito quente e...sem contar que é...linda...

... rendeu-se finalmente aos apelos dos amigos que o fitavam com toda atenção como crianças diante de um contador de histórias.

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Depois de alguns minutos de caminhada, algumas pausas para pequenas degustações, Kyoko enfim chegou onde queria. Respirou fundo dando um lindo sorriso antes de bater três vezes na porta. Esperou alguns segundos para repetir o gesto e uma voz meiga respondeu abafada.

—Por Atena!

—Olá senhorita Lena.

—Oh! Os deuses ouviram minhas preces. Kyoko não sabe como rezamos por você. — Confessou a mulher com o olhar iluminado de felicidade. —Venha entre, acabei de fazer o almoço.

— E está cheiroso. – Kyoko farejou o ar enquanto entrava no recinto e uma vozinha mais do que conhecida exigiu toda sua atenção.

—Tyoko!!!

—Luy!!

O menino correu com suas perninhas curtas e os braços aberto em direção a ela, se jogando sem medo algum de cair. Kyoko o aparou como devia abraçando o menino com todo carinho. A mãe que observava a cena sentiu os olhos arderem pelas lágrimas de felicidade. Ver seu filho bem novamente foi tudo que pediu aos deuses e como resposta eles lhe enviaram a kitsune. Agradecia todas as vezes que seu filho sorria por ela existir e estar ali.

— Voxe...voxe veio me vigitá Tyoko!

—Lógico que eu vim. – sorriu em resposta, expondo suas famosas covinhas. —E...eu não vim só te ver dessa vez.

O menino fez um biquinho pensando no que ela queria dizer com aquilo.

— Eu vim lhe trazer um presente.

Kyoko ajoelhou de frente a ele e erguendo uma das mãos. Lena e Luy ficaram totalmente presos àquilo sem entender o que ela estava fazendo...E com um rompante um vento forte abriu ainda mais as janelas, sacudindo as cortinas e trazendo com ele o presente antes mencionado para a perplexidade de ambos.

—Oh por Atena isso é...

A youkai abaixou o braço o posicionando na horizontal onde o belo e exótico animal pousou majestoso.

—Seu presente...uma coruja. – Completou a kitsune observando o animal pousado em seu braço movimentar a cabeça.

Luy sentiu um pouco de medo quando a viu de primeira instância, mas diante do sorriso da amiga e toda a beleza e imponência do animal, que agora era seu ele não conseguiria resistir por muito tempo até porque Kyoko estava ali, o que lhe dava a certeza de que nada e nem ninguém o machucaria.

A coruja possuía penas brancas com pequenas e finas manchas marrons escuras espalhadas por todo o corpo exceto na parte interna das asas e do peito. O rosto possuía um formato peculiar e os olhos negros, unidos a crista de penas acima do bico se assemelhando a um nariz davam a ave uma aparência surpreendente e bela.

E mesmo temeroso, mas muitíssimo curioso Luy deu dois passos para frente, enrolando as mãozinhas uma na outra sem saber bem o que fazer. Sentiu vontade de tocar, mas sempre que a ave movia a cabeça de forma engraçada ele recuava.

— Me dá seu braço. – A raposa pediu e ele acatou. —Eu vou colocar ela no seu braço okay?! Não precisa ter medo, ela não vai te machucar. Pode confiar em mim. – Sorriu transmitindo toda a confiança que o menino precisava.

E devagar a ave caminhou do braço de Kyoko para o pequeno braço do menino. Ele emitiu um gritinho baixo de nervoso quando as patas ásperas tocaram sua pele, mas assim que sentiu a incrível macies das penas e a constatação de que aquele animal deslumbrante seria seu um sorriso de orelha a orelha moldou o rosto infantil. Luy sentiu vontade de correr por todo o santuário e mostrar seu presente para todos os seus amiguinhos. Eles morreriam de inveja dessa vez, com toda certeza.

— Olha mamãe, olha...uma coluja! Elha tá no meu baço. Olha!! – Repetia empolgado.

—Kyoko...você...você tem certeza de que isso...é...seguro? – Gaguejou a moça sem tirar os olhos do animal.

—Ela é segura e muito mansa. Não precisa se preocupar com comida ou coisas do tipo, só mantenha uma de suas janelas abertas à noite. Ela é noturna e sairá para se alimentar e quanto ao Luy, ela nunca o machucará, pode confiar. Eu nunca daria algo a ele que o colocasse em risco. — Sorriu meiga e Lena mesmo sem saber sentiu-se tranquilizar com aquilo.

O animal bateu as asas e Luy acabou emitindo um gritinho de susto fazendo a ave voar até um dos armários e se instalar ali. Kyoko achou graça, mas acolheu o menino nos braços com carinho.

— Qui tusto.

— Você vai se acostumar.

—Que tal almoçarmos agora? – Sugeriu Lena, caminhando com Kyoko e Luy para a pequena, mas bem colorida e farta mesa.

Depois do saboroso almoço e do pudim de leite como sobremesa, Kyoko, que já havia farejado desde que pisara na casa que Luy ainda não estava bem como deveria, trouxe o menino para seu colo e mesmo a contra gosto da parte dele fez com que “tomasse” de sua saliva. Lena até então não sabia que havia pequenos resquícios do veneno no corpo dele ao qual Kyoko podia sentir de longe e fora exatamente esse o motivo que a levou até lá naquele dia. Ela sabia que o veneno dado por Eva a ele não era um veneno comum e isso só lhe deixou ainda mais em alerta e desconfiada. Tinha medo de tentarem feri-lo outra vez.

Em determinado momento, entre risos e brincadeiras, a raposa ergueu suas orelhas atentas e antes mesmo de se pronunciar, batidas na porta foram novamente ouvidas. Ela quase deu um salto assim que Lena saiu de onde estava para atender.

—Não! – Kyoko sussurrou.

—Mas...Kyoko...

—Não Lena, não diga que estou aqui. Se...se...se ele perguntar...diga que eu...ahn...passei aqui mais cedo e depois sai para resolver umas coisas e só.

—Mas....eu nem sei quem é ainda.

—É o Saga. – Ditou olhando a porta novamente assim que novas batidas foram ouvidas. — Lena...eu...ahn...por favor, só diga que não estou aqui okay?!

As orelhas expressivas de Kyoko abaixaram como de um cão pedinte e Lena não teve com negar mesmo achando aquilo um tanto quanto...estranho. Será que Kyoko e Saga haviam se desentendido? Achou melhor não perguntar por hora e acenou em concordância para a alegria da outra. O pequeno Luy achou graça quando ela correu para um corredor e como uma boa criança correu junto para se esconder também.

A mulher suspirou dando de ombros para enfim atender o cavaleiro.

—Olá Lena, boa tarde.

—Senhor Saga, que surpresa. A que devo a honra?

—Bom, Lena eu...estou procurando a Kyoko. Bruno me informou que ela veio para cá. – Lena engoliu em seco. A imponência de Saga era tão natural que mesmo quando ele estava sendo gentil ainda sim intimidava e para ela uma simples mulher da vila ter que mentir para um cavaleiro de ouro não era tarefa tão fácil.

A mulher respirou fundo e por um segundo seus olhos vacilaram o que foi suficiente para ele perceber que ela estava escondendo alguma coisa.

—O Luy, como ele está? Soube que saiu do hospital ontem mesmo.

—Ahn?!Ah! Sim, sim! Ele está bem, só que...está... – Fez uma pausa ponderando as palavras.

Do corredor Kyoko mantinha as costas coladas à parede com Luy de frente a si. O menino piscou sem entender. Ela ao perceber a desconfiança dele sorriu, colocando o indicador na frente dos lábios e pedindo silêncio de forma brincalhona. Luy deu uma risadinha fofa, imitando o gesto ao levar as duas mãozinhas até a boca.

—Está??

—Está...dormindo!! – Mentiu.

—Ah...entendo. Ele deve estar cansado ainda. – Saga ergueu uma das sobrancelhas, fazendo uma pausa para o desespero da mulher. — Não é?!

Lena sentiu o coração bater na goela quando ele crispou um pouco o cenho, deixando um leve curvar moldar seus lábios. Ele sabia que ela estava mentindo e ela sabia que ele sabia disso, mas...porque diabos Kyoko estava se escondendo? E porque tinha que fazer isso justo ali?

—Ela...passou aqui mais cedo e...

—Tudo bem Lena. – Interrompeu. — Não tem problema. – Saga observou a coruja que retribuiu o gesto sem sequer piscar. Sorriu de lado. Até que era um presente criativo. — Dê um abraço no Luy quando ele acordar e diga que está convidado a almoçar comigo quando quiser.

— Ah...puxa, eu...claro eu direi! – Volveu a mulher sorrindo meiga.

Saga sorriu matreiro dando as costas e saindo logo em seguida para o alívio de Lena e Kyoko.

—Puque a genti tavu is...iscondidu do sinhô Saga?

—Ora, porque...era a vez dele ser o pegue.

Luy levou as mãos na boca em surpresa, então aquilo era uma brincadeira de pique-esconde?! E estava com Saga?! Deus! Precisava se esconder e rápido.

— Vem Tyoko, vem. Elhe naum podi encontla a genti.

Kyoko sorriu para Lena que observava agora do corredor. — Você tem razão, vamos!

Lena sorriu ainda mais ao ver ambos se enfiarem no quarto. Sentia-se feliz com seu filho de volta, bem e alegre. Agradecia de maneira incessante aos deuses por terem enviado a raposa de volta. Ela podia não ser humana, mas amava seu filho mais do que uma e isso era o que mais lhe importava.

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O dia transcorreu normal para todos. Saga aproveitou que sua kitsune estava “escondida” para ajudar seu irmão e Aiolia no restante do treinamento — agora mais ardo do que nunca — dos jovens aprendizes e de alguns bronze boysque se voluntariaram para tal. Entre eles estavam: Seiya, que já treinava com Aiolos e às vezes com Kanon, Ikki com Aiolia, e Shun com Mu e Shaka. Hyoga também havia ficado de retornar ao santuário assim que pudesse. Os guerreiros estavam temerosos e, lógico não era para menos. Com a kitsune de volta a atenção do santuário foi redobrada e reforçada ao máximo. Naomi era traiçoeira e perigosa tão qual uma serpente, e já havia demonstrado para o que veio.

Saga, Aiolos e principalmente Kyoko quase haviam sido mortos e se não fosse pela misericórdia de Saori talvez não tivessem sobrevivido. Contudo aquele ato de amor da jovem deusa cobrava um preço alto: para curar os três Atena necessitou de uma grande quantidade de cosmo, o que resultou no seu enfraquecimento. Já a raposa, mesmo com todo esforço da deusa ainda assim estava fraca, fraca demais comparada ao que era quando chegou ao santuário. Ela não era mais vista como “a raposa ladrona do Makai”, que vivia por aí furtando frutas ou dinheiro de alguma das doze casas e sim alguém que possuía uma responsabilidade tal qual a da própria Atena.

Saga sentia-se ainda mais responsável por ela e sabia que sua atenção e cuidado tinha que ser maior que a de seus companheiros. Ela estava ali por sua causa e era dele quem espera mais. Já tinha errado uma vez o que já era mais do que suficiente. Não se perdoaria por outra falha absurda como aquela.

E foi justamente por conta desses pensamentos que Saga voltou a casa de Lena. A mulher sorriu sem graça e envergonhada. Ela sabia que o guardião de gêmeos, experiente como era, jamais iria engolir aquela desculpa e que mais cedo ou mais tarde voltaria.

— Senhor Saga, por favor, me perdoe. Eu...

—Tudo bem Lena. Eu sei o quanto a Kyoko gosta do Luy e sei que isso foi obra dela. — Apaziguou com um sorriso singelo.

—Ela está no quarto com ele. Entre, fiquei a vontade.

Saga acenou em agradecimento, caminhando com Lena pelo corredor até o final onde a porta do quarto foi prontamente aberta e o que já era de se esperar fez um sorriso lindo iluminar seu rosto.

O quarto com tema infantil era pequeno, porém aconchegante e belo. Nas paredes, desenhos de pequenos aviões e nuvens espalhadas por todo o local. Um azul tranquilizador como plano de fundo e no teto as constelações dos doze dourados retratada de maneira magnífica, mas singela. Um guarda roupa pequeno em formato de urso próximo a janela e embaixo dela a minúscula cama onde Kyoko, encolhida, aconchegava Luy em seu corpo.

—Own...tem certeza de que irá levá-la? – Sussurrou a mulher.

—Tenho, ela precisa ficar nas doze casas, perto de nós e bem embaixo das minhas vistas.

— Então espere um segundo. – Lena saiu do quarto, entrando em outro para voltar com uma manta. — Tome, embrulhe-a nisso. Eu sei que ela não está muito bem, deu pra notar na coloração da pele e no seu semblante cansado. Está um pouco frio lá fora e... é melhor mantê-la aquecida.

—Obrigado. —Saga caminhou até a cama e com cuidado puxou o braço esquerdo de Kyoko para que ela ficasse de frente para si e libertasse Luy. Um rosnado pode ser ouvido e Lena assustou-se.

—Ela está...rosnando?!

Saga prendeu o riso, pois para ele aquele ato da outra era costumeiro. Sabia o quanto ela odiava ser movida enquanto dormia e rosnar era só o mínimo que ela fazia. Os arranhões eram a pior parte.

—Sim está, mas não se preocupe ela faz isso sempre.

—Hummm...não, me deixe dormir. Eu não quero levantar agora. – Kyoko resmungou sonolenta.

—Eu sei que não e também sei que não amanheceu, mas você não pode ficar aqui.

—Chato! – Sussurrou rendendo-se. Saga estranhou.

Acomodou a kitsune melhor em seus braços, sussurrando um “malcriada” só para ela ouvir. Agradeceu Lena pela hospitalidade e desculpou-se pelo inconveniente ao qual a mulher não achou nenhum. Kyoko havia salvado seu filho, seu único filho e sempre seria grata por tal feito.

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Na casa de gêmeos, Saga depositou sua kitsune com todo amor e carinho na cama. Estava preocupado.

Kyoko estava novamente adquirindo uma cor pálida mais do que o normal e sua temperatura começava a baixar outra vez. Talvez aquele fosse o motivo de estar tão dócil e não ter lutado para não ser tirada da casa de Luy.

Na noite anterior havia se esforçado ao máximo para fazer com que ela cedesse e se alimentasse de seu cosmo, mas mesmo com todo seu empenho e seguindo a risca as instruções dadas por Keiko, ela ainda assim não cedeu. Sem se alimentar como devia era óbvio que enfraqueceria novamente, mas mesmo assim aquele processo estava sendo rápido demais.

Afastou uma mecha dos cabelos dela para ter a visão completa de seu rosto e seus detalhes, lhe trazendo a tona imagens da madrugada tórrida de amor que tiveram. E como Kyoko era linda! Sorriu satisfeito e orgulhoso da sorte que tinha. Como um cão farejou a pele macia do pescoço até as bochechas, deixando por fim um beijo suave ali.

—Por que tem que ser tão teimosa? – Sussurrou. A voz rouca e desejosa fez os olhos dela mirarem os seus de forma sonolenta.

—Por que você tem que ser tão... chato, arrogante e...bonito? – Bocejou.

Saga sorriu de lado, distribuindo pequenos beijos pelo rosto dela.

—Ainda está magoada comigo?

—Estou. Eu te odeio seu...metido a besta e...convencido. – Choramingou dengosa. As orelhas com as pontas para baixo e as bochechas coradas.

—Ah é?! Me odeia agora? E aquele... –Beijou o pescoço. – ...papo de estar...- Beijou as bochechas, subindo para o olho azul. — ...apaixonada por mim?! – e depois o âmbar.

Kyoko piscou algumas vezes, mirando o olhar nublado de Saga parecer lhe hipnotizar e invadir sua alma. Seu corpo inteiro queimou como se seu sangue fervesse como lava nas veias. Seu coração disparou dentro do peito em um retumbar frenético, seus olhos oscilaram deixando as pupilas se contraírem de modo que não deveria. Sua respiração tornou-se ofegante e um desejo descomunal a fez tremer dos pés a cabeça.

—Eu...eu...menti.

“Por todos os deuses como ele pode ser tão lindo?"

—Que coisa! O seu olhar...não me parece de ódio agora...

Saga deslizou os dedos pelos lábios rubros contornando e sentindo a macies deles. Como resposta eles se abriram somente um pouco para deixar à mostra os caninos pontiagudos que agora pareciam maiores. Ela estava desejosa, e sim desejosa dele. Aquela seria uma boa oportunidade...

—Parece um olhar de...desejo.

E com todo seu empenho tomou-lhe os lábios em um beijo luxurioso e lento. A língua habilidosa vasculhando aquele orifício saboroso e tão acolhedor. Como era bom beijar aquela boca! Era excitante demais, viciante demais, inteso demais. E mesmo com os dentes afiados pressionando sua língua ainda assim era ótimo.

Kyoko gemeu dentro do beijo e suas mãos agarraram-se nos cabelos de Saga de forma possessiva. Ele era delicioso...

...delicioso demais principalmente para aquele momento. O momento em que seu corpo pedia por mais sexo e também por alimento.

Kyoko estava enfraquecendo rápido demais e precisava de energia, e o cosmo de Saga bombeando propositalmente junto com o sangue em suas veias fazia o instinto da youkai despertar de forma predatória.

E quando os olhares se encontraram, Saga sentiu-se excitar ainda mais. O falo pulsou dentro das calças louco de vontade da carne dela. Os olhos coloridos agora haviam tomado uma coloração dourada e florescente, de uma maneira que Saga ainda não tinha visto, mas sabia exatamente o motivo de tal mudança.

"Isso Kyoko.", pensou o cavaleiro.

Puxou sua kitsune, sentando na cama com ela em seu colo. Arrancou a camisa que vestia com velocidade, pois não podia e nem queria deixá-la perder o foco. Kyoko estava quase no ponto e seu alto controle não duraria para sempre. Uma hora ela cederia e se dependesse de Saga seria naquela hora.

Em dado momento ela meneou a cabeça, fechando os olhos com força para fugir daquela tentação em forma de homem, mas estava tão faminta que resistir a ele, o que normalmente era uma tarefa difícil, agora estava sendo quase impossível. Sua mente sabia que não devia, mas sua necessidade e instinto estavam forçando-a a perder o controle.

— Não Saga...por favor, desse jeito não. Eu...

—Shiiii...vem Kyoko...- Saga segurou a mão direita dela, forçando a unha do indicador contra a pele do próprio peito e fazendo um arranhão tão fundo que o sangue brotou dali. Os olhos dela iluminaram-se ainda mais e os caninos saltaram novamente sobre os lábios rubros. — Vem, eu sei que você quer...- Levou a mão a nuca dela, instigando-a a provar.

Kyoko ofegou. Sua mente repetindo e repetindo para que saísse dali. Meneou a cabeça em negativa tentando resistir. — Não...Saga, por...favor...eu não quero te machucar.

—Você não irá.

— Não... Você...não entende. — Levou a mão ao rosto e cobrindo os olhos.

— Eu entendo mais do que imagina e é por isso que eu quero. Kyoko, olhe para mim. – ela obedeceu temerosa. —Eu não sou um homem comum. Eu posso aguentar...

—Não Saga eu não quero...

— Eu tenho cosmo suficiente para nós dois.

—Não! — Kyoko quase berrou. Os olhos marejados e as bochechas coradas. —Não me...tente Saga. Por favor, eu não quero fazer isso com você, você não. Eu faria isso com qualquer um; Camus, Dohko ou Milo, e até mesmo Aiolia, mas você...não. Eu...nunca vou me perdoar se...se eu...não conseguir me controlar e eu não conseguirei porque...porque no estado em que estou...você não será suficiente.

—Eu nunca vou dividir você com ninguém. Você é minha e isso é minha obrigação. — Ditou firme e imponente.

Saga puxou-a para um novo beijo, só que dessa vez mais intenso e possessivo, forçando sua língua habilidosa para envolver a dela. Sua mão deslizando da nuca para o colo, do colo para o seio, massageando-o de forma provocante e instigante.

De repente Kyoko soltou um gemido lânguido que foi delicioso para o ego do cavaleiro. Estava sedento de vontade também. O cheiro atrativo dela estava causando um mar de sensações ao qual Saga não sabia explicar, mas sabia que não podia perder o controle da situação.

Antes da viagem para Finlândia, Saga questionou Keiko quanto a necessidade de Kyoko se alimentar e disse sobre o que Dohko havia dito a eles assim que ela chegou ao santuário. A moça até tentou desconversar, pois ela sabia a irmã que possuía e o quanto ela ficaria furiosa, mas fugir do olhar de Saga era algo quase impossível.

Por fim contou a ele e instruiu como deveria fazer e os cuidados que deveria tomar...

Saga, mesmo a Kyoko gostando de você no estado em que ela está a fome falará mais alto. Ela não conseguirá se controlar e só irá parar quando se sentir saciada, o que torna a coisa muito grave. Ela irá sugar sua energia vital, ou seja, seu cosmo até que morra e isso acontecerá, literalmente, na sua última gozada.

— Continue. — Ordenou firme.

—Bom...o primeiro sinal são os olhos, eles mudarão de cor, ficarão dourados, mas com as pupilas dilatadas ao em vez de contraídas. Os caninos também irão se sobressair tornando-se mais afiados. Esse é o inicio, é sinal de que está se entorpecendo, se deliciando exatamente como fazemos quando comemos algo muito gostoso. Saga, depois disso as coisas ficarão mais...intensas e um prazer descomunal tomará conta de você. Essa é a parte perigosa. É onde você será envolvido por ela e a absorção começará. Não se engane quanto ao prazer que sentirá: Quanto mais prazer, quanto mais...tesão sentir, mas ela está prendendo você, mas ela está se alimentando. — Fez uma pausa. — Esse...prazer todo é...como uma ilusão.

—Estou acostumado com ilusões.

— Não desse tipo. Você é muito poderoso e...experiente, mas acredite...não é tão fácil quanto parece. Interromper uma transa em seu auge já é quase impossível e você como homem sabe muito bem disso. E mesmo sendo um cavaleiro de ouro ainda sim tem necessidades e é ai, nesse ponto, nessa fraqueza que ela tentará enlaçá-lo. Eu ainda acho que devíamos tentar outra coisa, sei lá deixar a Kyoko sair para caçar ou alimentarmos ela...

—Eu não vou sair por aí matando pessoas e fazer um banquete de carne humana em minha casa ou seja lá onde for para alimentar a Kyoko, Keiko. Eu tenho que fazer isso, e se a única forma de...ajudá-la é dando meu cosmo eu farei isso.

Keiko suspirou, sentindo-se vencida pelos argumentos de Saga. Kyoko jamais se alimentaria dele de livre e espontânea vontade e no caso dele usar do prazer sexual era a opção mais viável pelo menos por enquanto. Ele possuía muito mais energia do que um homem comum o que daria a Kyoko uma quantidade de energia muito maior do que se se alimentasse de forma natural e mesmo que absorvesse outros humanos ainda sim, não seria suficiente. Saga precisava arriscar e isso ele faria sem pensar duas vezes.

—Saga! — Chamou ao vê-lo se afastar. —Tem mais uma coisa. —Não deixe a Kyoko morder você em hipótese alguma. Nem um arranhão, nada! Você me entendeu? Se ela fizer isso...você já era.

A mão direita de Kyoko deslizou sobre o peitoral do cavaleiro, sentindo sangue quente pintar sua pele alva. Mordiscou de leve os lábios em um ato totalmente luxurioso. Saga, com o indicador, levou um pouco do próprio sangue até os lábios e antes dela protestar tomou-lhe os seus outra vez, forçando-a a provar de seu AB+ raro e delicioso.

Os olhos coloridos giraram sob as pálpebras em delírio total, as mãos se fecharam nos longos cabelos azulados apertando o beijo e incitando o cavaleiro a continuar mais avidamente. Saga não se opôs, aceitando ser dominado de muito bom grado. E mesmo sob o prazer do momento sua atenção não saia de todos os movimentos que ela fazia. Não podia vacilar, tão pouco se deixar levar pela enxurrada de sensações que aquele beijo e os movimentos dos quadris dela sobre seu membro mesmo coberto estavam causando.

Um gemido abafado saiu da boca de ambos e Saga se excitou ainda mais. Seus dedos afundaram nos quadris dela, guiando-a e instigando a continuar. E em um dado momento agarrou a blusa fina, puxando-a de qualquer maneira e expondo os seios firmes para seu deleite. Abocanhou um dos mamilos de forma tão faminta que nem se deu conta da mordida dada no mesmo mais forte do que deveria, arrancando um gritinho da parte dela e sem querer fazendo-a voltar a si por um segundo. Segundo este que fora suficiente para lembra-se do que estava prestes a fazer.

Saga sentiu gosto de sangue, mas mesmo assim não parou. Estava enlouquecendo e precisava possuir Kyoko logo ou achava que morreria só com aquilo. As mãos possessivas envolveram-na com força e ela sentiu o ar lhe faltar. Os olhos giraram sob as pálpebras novamente em delírio com as sucções nos mamilos e os dentes raspando em sua pele. Chupões e mais chupões marcando suas mamas, subindo para o pescoço e voltando ao ponto inicial.

Mas...por mais delicioso que aquilo fosse não podia continuar. Sabia que Saga estava fazendo aquilo por sentir vontade e por querer seu bem, mas mesmo assim enquanto estivesse em posse daquele objeto ela nunca ficaria satisfeita. Por mais que ele se esforçasse, nunca seria o suficiente e pensando exatamente nisso que Kyoko envolveu seus dedos nos cabelos azulados e puxou com força. Saga soltou um urro de dor, libertando o mamilo inchado e vermelho, mas sem soltar o abraço. Sabia que se fizesse isso ela sumiria.

—Me larga! – Ela urrou.

—Nem pensar!

—Se você não me soltar eu vou arrancar seu escalpo. – Kyoko enrolou a mão ainda mais nos fios, puxando com mais força e com a mão livre agarrou o pescoço dele.

— Você não tem coragem. – Sorriu malicioso.

—Tem certeza? – Puxou com mais força ainda. Saga trincou os dentes, mas mesmo assim não a soltou, pelo contrário. Apertou ainda mais o abraço fazendo Kyoko gemer de dor. —Seu...filho da...

—Eu não sou esses fracotes que se deixaram dominar por você. Agora, sugiro que não meça forças comigo porque não quero te machucar.

—Idem. – Rosnou em resposta. Sua mão apertou ainda mais o pescoço dele.

Saga sentiu uma pressão enorme em sua jugular e seu coração acelerou. Não era possível que aquilo estivesse acontecendo justo naquela hora. Porque mesmo depois de tudo que tinha feito ainda sim ela não podia confiar em si? O que mais tinha que fazer? Implorar de joelhos?

Soltou um dos braços e com a mão livre segurou o pulso que prendia seu pescoço. Sem muita alternativa, apertou forte, tão forte que Kyoko gemeu de dor e soltou, mas a outra mão se manteve no mesmo lugar, embolada de tal maneira em meio aos cabelos dele.

—Está...me...machucando.

—Não me diga.

—Eu já disse que não quero fazer.

—Mentirosa! Sei que está com tanta vontade quanto eu.

—Droga Saga a questão não é essa.

—E qual é então? – Ralhou irritado.

A raposa ficou muda, olhando dentro dos olhos faiscantes do cavaleiro que não estava nem um pouco disposto a ceder. Por que ele tinha que estar tão determinado a fazer aquilo?

—Fala Kyoko! Qual é a questão? – Saga quase berrou. Ela continuou em silêncio. —O que está escondendo de mim? O que você AINDA está escondendo de mim?

— NADA!!!

—Se você não confia em mim, porque veio para cá? Porque me seguiu? – Inqueriu furioso.

— Eu confio em você. – Respondeu prendendo o choro.

—Então porque você não me conta?

—Por que estou tentando te proteger... DROGA!!! – Kyoko se sacudiu, soltando-o e forçando o corpo para trás.

—Teimosa! Quando irá entender que aqui sou eu quem tem que te proteger? Kyoko...somos nós quem temos que proteger você e eu não posso fazer isso se você não me ajudar. Se você não confiar em mim como irei te ajudar? Você disse que veio para cá porque não tinha para onde ir, que não tinha mais ninguém e agora que você tem está agindo dessa maneira, de forma egoísta.

—O quê? Então...então é isso que pensa? Que o fato de eu querer...te proteger e não querer que...se machuque é egoísmo da minha parte?! – Sua voz tremeu e seus olhos marejaram.

— Sim! Acho. Será que não percebe o que está fazendo? Só está pensando em como você se sente e eu? Já parou pra pensar em como me sinto nisso tudo? Em como me sinto em ver você enfraquecendo a cada minuto e eu não poder fazer nada? Se aquela desgraçada aparecer aqui Kyoko, se ela vier outra vez e por algum motivo encontra você vulnerável acha que terá alguma chance? E se ela, ou seja lá quem for fizer alguma coisa contra você, já pensou em como eu vou me sentir? Já pensou nos meus sentimentos?

A kitsune ficou em silêncio, somente observando o rosto franzido dele e sem se dar conta virou quebrando a troca de olhares. Ao notar que ela ainda fugia, Saga sentiu-se derrotado. Seu semblante mudou da indignação para o melancólico e sem mais argumentos soltou Kyoko e deixou ela se afastar.

Ficaram em silêncio por alguns minutos; Saga sentado sobre os próprios joelhos e Kyoko recostadas na cabeceira da cama e abraçada as próprias pernas. Os olhos verdes miraram-na mais uma vez e a reação dela se repetiu, virando o rosto e fugindo do olhar questionador.

Bufou vencido, saindo da posição e começando a caminhar. —Não precisa ficar encolhida dessa maneira, eu não vou te forçar.

—Eu sei que não. – Respondeu melancólica.

—Só me faz um favor Kyoko...se vai continuar com sua teimosia em me excluir, vá embora de gêmeos.

Os olhos coloridos arregalaram-se em surpresa e sua boca também abriu. Seu corpo doeu em resposta como se milhares de facas a perfurassem de uma só vez, rasgando a carne até os ossos.

—Ta...me...mandando embora? – Inqueriu em um fio de voz. O choro na garganta e a imagem de Saga borrada pelas lágrimas em seus olhos.

— Eu não quero vá, mas se você não confia em mim, se não quer minha ajuda então, não tem porque continuar aqui. – Disse frio, mas sangrando por dentro.

Kyoko mal pôde acreditar naquelas palavras e muito menos que aquilo estava acontecendo. Não queria ir embora. Não tinha para onde ir, mas o que mais doía era pensar em não ver Saga nunca mais. Só de pensar naquela hipótese sentia-se morrer um pouco mais. Passou uma das mãos nos cabelos e voltou a fitar o cavaleiro a caminhar para o banheiro. Ela chamou por ele em um sussurro, mas o mesmo nem sequer olhou para trás. Era melhor assim, se olhasse seria capaz de correr e amá-la até o nascer do sol como na madrugada anterior. Deixaria para resolver aquele assunto outra hora e aproveitaria o máximo que pudesse, mas não podia. Kyoko precisava entender que ninguém vivia sozinho e que se ela não queria sua ajuda então não teria nada mais de si por mais que aquilo lhe doesse no íntimo.

Triste, ela fez a única coisa que conseguiu pensar naquela hora: Ficou de pé na cama e saiu em disparada pela porta aos prantos.

Saga soltou o ar de seus pulmões pela boca, fechando os olhos com pesar. Seu coração pareceu rachar ao meio ao vê-la sair daquela maneira e ainda mais ao ouvir o som das lágrimas dela estalarem ao tocar o chão. Porque Kyoko tinha que ser tão teimosa?

— Que inferno! -Rosnou.

E de repente o grito dela exigiu toda sua atenção. Um grito de medo e desespero que fez Saga se arrepiar dos pés a cabeça. Correu como um louco, passando pela porta e vendo no final do corredor Kyoko encolhida entre uma estante e ninguém mais, ninguém menos que Jack. O cão, que agora era enorme, enfiava o focinho em meio os cabelos dela e às vezes nas orelhas. Ela, mesmo sendo tão forte, simplesmente não conseguia reagir nem para fugir tamanho era seu pavor pelo animal.

— Jack!!! – esbravejou, mas o animal nem sequer lhe deu trela. Continuou a enfiar o focinho de forma brincalhona nos cabelos da raposa que não conseguia parar de tremer e gemer de medo.

Saga correu até ele gritando por Kanon, mas o mesmo não respondeu. Julieta saiu do quarto aflita informando que o mais novo havia saído com a namorada para um jantar e que não tinha hora para voltar. O cavaleiro bufou de ódio, empurrando Jack e ordenando que ele se afastasse, e ele obedeceu. Sabia quando os homens da casa falavam sério.

—Tudo bem, tudo bem. – Apaziguou ajoelhando de frente a ela e a puxando para seus braços. —Está tudo bem Kyoko, ele não vai te morder. Eu não vou deixar.

Saga olhou para o cão de modo pensativo e uma ideia veio a sua mente. Respirou fundo, buscando toda coragem necessária, calma e paciência que possuía. Iria ser difícil, mas aquilo teria que dar certo.

—Jack vem cá.

—Não! Não...- A kitsune estancou. Se encolhendo mais.

—Tudo bem Kyoko ele não vai te morder. – Sussurrou ao pé do ouvido. Jack obedeceu, meio temeroso ao notar que ela sentia medo.

E como um bom filhote, deitou de barriga no chão e devagar arrastou-se até onde o dono estava, tocando o focinho de leve na perna dele.

—Não Saga, por favor, por favor, não faz isso. Estou com...medo. Por favor, não me puna. O que... o que eu fiz? O que...o que eu fiz de errado?

— Calma...

—Não! Por favor, ele irá me atacar. Eu estou com medo...

—Por Atena! Saga, por favor, ela está desesperada. Não acha melhor... – Julieta sentindo-se extremamente nervosa, tentou se meter, mas o olhar do geminiano foi o suficiente para que ela entendesse o recado. Abaixou a cabeça e se afastou sem dizer mais nada.

—Olha pra mim Kyoko. – Pediu baixo. Ela, com muita dificuldade, levou seus olhos aos dele. — Ele não irá te morder, eu não vou deixar. Confie em mim.

Saga sorriu meigo, transmitindo a ela toda confiança de que precisava. Ele já não parecia mais magoado ou muito menos zangado. Seu porte e voz carregada pela imponência e seriedade, sem perder o jeito bondoso e gentil mesmo depois de terem brigado. Ele a estava protegendo e mostrando a ela que mesmo diante de seu maior adversário, diante de seu maior medo ele nunca a abandonaria e nem deixaria que se ferisse. Mostrar-lhe-ia com toda paciência e carinho o quanto podia confiar.

Jack arrastou-se um pouco mais e como que entendendo o olhar do homem tocou com o focinho bem devagar no braço de Kyoko. Ela gemeu de nervoso e medo, escondendo o rosto no braço esquerdo de Saga.

—Abra os olhos. – Pediu e depois de alguns segundos ela obedeceu, virando o rosto devagar e mirando o cão que apoiou a cabeça enorme no braço do cavaleiro e o focinho levemente encostado em seu braço. —O que mais eu tenho que fazer para você entender que não quero seu mal? O que mais tenho que fazer Kyoko para que você confie em mim? Eu nunca tive nada de valor em minha vida até o dia em que os deuses enviaram você pra mim. Até o dia em que te conheci. Você é mais preciosa do que qualquer coisa que eu já tenha tido ou visto e eu sei e sinto que minha obrigação como homem e como cavaleiro, agora, é manter você segura. Você tem uma responsabilidade gigantesca e está querendo carregar o mundo nas costas sozinha. Sei que está fazendo isso pra proteger quem ama, mas... Não me exclua da sua vida ou me obrigue a deixar de proteger algo que eu amo por medo de confiar. Nós temos que fazer isso juntos. Eu, você e os outros. Todos nós estamos aqui pra te ajudar. Você não está mais sozinha Kyoko... Nunca mais.

Os lábios inchados e rubros tremeram e ela não conseguiu mais resistir. Ignorou a presença de Jack pela primeira vez, se jogando nos braços do homem que amava.

—Eu te amo, por favor, me desculpe. – Confessou em meio ao choro.

Saga sentiu como se seus pés saíssem do chão ao ouvir aquela confissão. A sensação de saber que os sentimentos eram recíprocos era inexplicável. Já tinha ouvido falar que não existia sensação melhor do que amar e ser amado, e agora naquele momento ele estava tendo aquela confirmação.

Apertou o abraço, puxando sua Kitsune para mais perto, aspirando o aroma das frutinhas que exalavam dos cabelos e da pele com carinho.

—Saga, você...você ainda quer que eu vá embora?

— Você quer ir? — Indagou.

Kyoko fungou, ficando em silêncio por alguns segundos até enfim menear a cabeça negativamente. Seus olhos coloridos emitindo um brilho cristalino por conta das lágrimas que se formavam no canto externo como pequenas pérolas, as bochechas rubras, o nariz vermelho e os lábios inchados e convidativos. Como ela podia ser tão irritante e ao mesmo tempo tão...linda e adorável?

—Eu não quero ir, quero ficar aqui. Me deixe ficar.

Saga lhe deu um beijo na testa e sem dizer mais nada, tomou-a nos braços e seguiu de volta a seus aposentos.

Continua...

Notas finais
Meu Pai, o Kanon e o Milo são umas pesteeeeeeeeesss. kkkkkkkkkkkkkkkkk... Ainnnnnn gente não sei quem fica mais fofo junto: A Kyoko e o Luy ou ela e o Saga. Eles brigam, mas se amam. Rrsrsrs....bjuuuu e até!!!!