Notas iniciais
Oiiiiiiiiiiiii!!! Gente por favor, não me matem. Me perdoem, sei que demorei mais que o de costume, mas é que esse mês foi complicado e eu fiquei muito sem tempo. Esse capítulo tbm me deu trabalho. Eu não sabia onde finalizar e isso me deu uma baita dor de cabeça, mas como uma leitora fiel me disse que quanto mais, melhor então, vamos que vamos kkkkkkkkkkkk. Como sempre peço desculpas pelos possíveis erros de qualquer tipo. Desejo boa leitura a todos. Bjs e até!!

O tempo pareceu parar para Kyoko quando seus olhos assustados se prenderam nos verdes perplexos do cavaleiro a sua frente. Sentia-se emergir em um turbilhão de emoções sem saber para qual ceder: medo, euforia, saudade. Ao mesmo tempo em que queria correr e se jogar nos braços de Saga também sabia que não deveria. Se envolver com Saga fora um erro. Um erro ao qual teve certeza quando viu Luy pagar com a vida por conta da inveja de Eva.

E por conta desses pensamentos que sua cabeça pareceu pesar ainda mais. Uma tontura forte fez tudo ao redor girar como um carrossel e suas vistas embaçaram. Levou a mão à fronte em um ato instintivo para manter-se de pé. Estava mais fraca do que imaginou e isso não era nada bom.

Em seu íntimo Saga sentiu como se pedras de gelo se formassem entre seu coração e o estômago. Mesmo estando ali para aquilo, o fato de tê-la encontrado assim tão de repente e naquele estado foi uma completa surpresa. Não sabia o que falar mesmo tendo tanto para dizer. Seus olhos dançaram sobre a visão da raposa e como uma ação natural deixou ser guiado pela vontade que o levou até ali.

Mesmo abatida Kyoko estava ainda mais linda e...sexy com seu umbigo de fora e as bochechas coradas.

—Kyoko...- sussurrou não pensando duas vezes, disparando na direção dela e fazendo a primeira coisa que sentiu vontade de fazer.

A kitsune só não deu um pulo de susto porque os braços de Saga a envolveram em um abraço forte e saudoso. A língua experiente e possessiva exigindo o contato da sua com máxima urgência e impaciência. Uma das mãos do cavaleiro escorregou pelas costas de Kyoko, acariciando a pele macia, sentindo a textura e o calor fora do comum que ela possuía. Aquilo era enlouquecedor e parecia ainda mais intenso e gostoso do que da primeira vez que a beijou. Não sabia dizer se era por conta da saudade ou por conta da droga que aumentava ainda mais as sensações, mas de uma coisa ele sabia: Ele queria muito aquilo e muito mais se possível naquele exato momento.

Já Kyoko sentiu de imediato que Saga não estava em seu estado normal. Era notável em cada gota de suor, na saliva, nos toques e cada fio de cabelo que estava completamente fora de si. Isso não era bom, pelo menos foi o que pensou. Estava faminta – de ambos — e isso tornava aquele ato perigoso demais.

Lembra que Dohko havia avisado que as kitsunes podiam se alimentar dos humanos igualmente aos súcubos?! Pois é...parece que Saga não.

Quando uma kitsune sente fome seu corpo naturalmente exala um odor, atraindo a “presa humana” mais que o natural, o que consequentemente facilitava e muito as coisas na hora de se alimentar já que, o homem humano sofria muito mais com os efeitos sendo dez vezes mais afetado pelo feromônio causando uma excitação e atração animalesca.

A raposa sentia a cocaína exalar por todos os poros do corpo másculo, alertando de que não poderia provar da carne que tanto ansiava no momento, fazendo sua excitação e atração por ele aumentar em níveis mais do que alarmantes.

Tomado pela luxuria, Saga empurrou Kyoko para uma parede próxima e prensando-a com todo seu corpo quando sua excitação aumentou de maneira incontrolável. A raposa soltou um gemido abafado. A mão atrevida rasgou uma das alças de sua blusa frágil, exigindo mais contato com a pele macia e quente. Os beijos descendo pelo pescoço e voltando para os lábios da kitsune com mais força e desejo, mordendo e sugando com igual intensidade em que roçava o membro já desperto e o corpo suado nela.

O cavaleiro nem sequer percebeu a mudança na face de Kyoko. Seus olhos abriram rápido expondo a íris dourada no lugar dos bicolores, pequenas veias saltaram no rosto dela, descendo das pálpebras inferiores até a altura da bochecha, os caninos se sobressaltaram, assim como as unhas que exigiram mais das costas largas de Saga e forçado um gemido misto de dor e prazer mais alto do que deveria.

A voz grave e carregada de êxtase pareceu fazer Kyoko despertar do transe, alertando cada parte do seu corpo e cérebro de que aquele era o último humano em todo universo com o qual ela deveria fazer...sexo naquela hora.

Suas mãos seguraram os ombros de Saga o empurrando o quanto conseguia, mas ele aparentava estar mais forte do que nunca, talvez por ela estar mais fraca do que nunca.

—Saga...Saga para! – Ela pediu tentando se desvencilhar das mãos e da boca tão faminta quanto a sua.

—Não. – Ele respondeu imponente, segurando Kyoko pelos cabelos com mais força do que deveria, descendo os lábios e a língua pelo pescoço agora totalmente exposto.

A raposa sentiu os olhos girarem sob as pálpebras assim que uma de suas pernas foi suspensa e guiada ao quadril dele intensificando o contato entre os sexos. O membro tenso pulsou com o contato dos sexos e Kyoko gemeu lânguida. Tinha que admitir, ele era bom demais para um humano. Se os beijos e o amasso a deixaram de pernas bambas imagina com o resto?!

“Ah deus isso...isso é bom demais! Está tão duro e pulsa em cada investida. Onde foi que ele aprendeu a fazer essas coisas tão bem? Imagina essa boca e esses dedos na minha...Ei?! O que to pensando? Não! Não posso fazer isso com ele, não agora.”

—Sa...ga...chega, para...Saga eu....eu...eu mandei você parar!! —Kyoko deu um empurrão forte em Saga que se afastou desnorteado, sacudindo a cabeça para ver se assim seus parafusos voltavam para o lugar. Parou por uns instantes observando o rosto transtornado dela e se arrependendo logo em seguida de tê-la agarrado daquela maneira.

—Eu...- Passou a mão nos cabelos sentindo a vergonha lhe queimar a face. Desviou o olhar para o chão tendo a certeza do rubor e em seguida voltou a fitá-la. — Kyoko eu...

Temerosa e enfraquecida, Kyoko sabia que caso Saga avançasse outra vez ela não resistiria. Além de estar faminta, agora mais do que nunca estava à flor da pele o que, com certeza a faria ceder sem pestanejar, e foi justamente pensando em se proteger e – de sua maneira – proteger o amado que ela fez a primeira coisa que lhe veio à mente assim que ele tencionou ir em sua direção outra vez.

Saga soltou um gemido abafado quando suas bolas receberam um chute certeiro, fazendo-o sentir como se elas subissem por sua garganta. Sua voz sumiu e a cabeça girou ainda mais, uma dor forte tomou conta de seu baixo ventre com tanta intensidade fazendo suas pernas bambear e arquear para dentro ao mesmo tempo em que sua visão escureceu tamanha a dor.

—Não chega perto de mim! – Ela ditou firme. Se esgueirando pela parede e se afastando alguns passos.

Saga soltou um “ai” baixinho e agudo, já que sua voz grave foi absorvida pela dor. No automático, levou as duas mãos ao órgão atingido para ver se assim aquela dor absurda era contida. Já havia se esquecido da sensação de levar um golpe daqueles. Talvez nem as agulhas de Milo causassem tanta dor em um homem como ter as partes baixas acertadas daquela maneira.

E que dor, por Atena! Só mesmo Kyoko para ter uma atitude tão absurda como aquela ainda mais consigo.

Milhares de impropérios surgiram em sua mente e em todas as línguas que conhecia, mas nenhum saiu de sua boca por falta de forças. Uma vontade aterradora de esganar Kyoko fez o sangue de Saga ferver nas veias e se esvaindo logo em seguida quando a dor pareceu aumentar e fazendo enfim que caísse de joelhos.

Kyoko ainda ficou parada alguns segundos observando o rosto estupidamente vermelho do cavaleiro sem saber se fugia ou se o acudia. Ela sabia que aquilo devia estar doendo horrores, mas aquela foi a única forma que encontrou de fazer com que Saga despertasse do transe. Em seu rosto o olhar assustado começou a ser substituído pelo piedoso ao ver ele gemer outra vez e abaixar a cabeça. Se um chute de uma pessoa normal fazia qualquer homem pedir “arrego”, imagina um que podia explodir rochas?!

— Saga?! – Kyoko deu um mísero passo para frente, tocando de leve nos cabelos dele. Sentiu mais dó ainda quando ele se encolheu mais e soltou outro gemido.

No corredor anterior, Aiolos subia as escadas como um predador, olhando tudo com curiosidade e atenção. Em sua cabeça ele não era apenas um cavaleiro de Atena, mas também o melhor espião que já existiu. Sentou no último degrau, apoiando as costas na parede e redobrando sua atenção. Um gemido baixo despertou sua atenção, pois a voz lhe soou familiar. Olhou com cuidado e não viu ninguém até que um novo gemido despertou sua curiosidade ainda mais.

Devagar se esgueirou pelas paredes e se aproximando de um novo corredor que ficava de frente a uma das janelas. Olhou somente com um dos olhos e viu Saga caído de joelhos e com as mãos entre as pernas. Seu alerta apitou a mil por hora quando a mão de Kyoko foi em direção ao amigo. Saga havia sido golpeado e pelos gemidos ele sentia muita dor. Kyoko havia atacado novamente e Saga foi a vítima da vez.

Ahhhh! Mas dessa vez ela não iria escapar.

—Ei!! – Aiolos berrou do corredor e Kyoko afastou a mão sobressaltada.

E de todas as pessoas na terra, Aiolos era uma das últimas que ela gostaria de ver no momento. A raposa arregalou os olhos sem acreditar que além de Saga aquele que havia sido um dos responsáveis pelo seu estado atual também estava ali. Fazendo o quê? Não sabia, mas achou que aquilo só podia ser uma brincadeira e de péssimo gosto. Ela estava fraca demais para encarar o sagitariano agora e nunca, nunca, nunca conseguiria dar conta dele em seu estado atual mesmo estando no Makai.

—Droga! – Sussurrou dando um passo para trás, outro e mais outro.

—Espera! – Aiolos gritou quando Kyoko correu pelo corredor e dobrou para a direita sumindo de seu campo de visão. Sagitário avançou rápido, parando próximo de Saga. —Você está bem? – Perguntou tocando o ombro do geminiano.

—Eu tenho cara de quem está bem? – Saga rosnou em resposta. Aiolos torceu os lábios e ergueu uma das sobrancelhas.

—Ela te acertou nos bagos?! Aaaaau...isso dói pra caramba. — Aiolos gemeu segurando sua genitália como se ele sentisse a mesma dor.

—Droga ela está fugindo. —Saga respirou fundo se reerguendo com dificuldade.

—Eu vou atrás dela.

—Não! Ela correu por sua causa. Deixa que dela cuido eu. Ache a Keiko e traga ela aqui depressa. — Ordenou.

Aiolos assentiu voltando por onde tinha vindo. Saga respirou fundo novamente e saiu correndo em direção onde Kyoko havia ido.

Quando começou a correr imaginou que teria ainda mais trabalho até pôr as mãos em Kyoko. Ela era mestre em se esconder e isso deixava o cavaleiro ainda mais frustrado e irritado, mas para sua surpresa assim que dobrou no corredor agradeceu a todos os deuses por ela não ter ido tão longe. Estava tão enfraquecida que mal conseguiu correr por dez metros o que dava ao gêmeo mais velho alguma vantagem, já que seus “ovos” estavam bem doloridos.

—Kyoko, espera! – Ele disse começando a correr meio sem jeito.

A raposa que até então estava apoiada em uma das paredes, se sobressaltou quando viu Saga se aproximar rapidamente. Virou como pôde, apoiando nas paredes e tentando escapar, mas sem sucesso, pois o cavaleiro a alcançou mais rápido do que pensou, segurando-a pela cintura.

— Não, me solta! – Kyoko começou a se bater, empurrando o geminiano pelo pescoço e pelo peitoral. Saga tentava ao máximo não soltá-la, pois mesmo estando enfraquecida ela ainda assim era forte.

—Kyoko calma! – Ele pediu, mas ela parecia não ouvir. A raposa investiu contra ele novamente, mas dessa vez estava beeem mais alerta, fechando as pernas no momento exato em que ela tentou acertar suas partes baixas outra vez, prendendo o joelho dela entre as suas pernas e a fazendo cair de bunda no chão.

— Se você tentar me acertar aí outra vez eu juro que não respondo por mim. —Ditou ríspido.

Saga acabou por cair também quando Kyoko puxou a perna na tentativa de se libertar. Aproveitou a distração começando a se arrastar como um soldado para longe dele. O cavaleiro ficou de quatro, pegando um pouco de impulso e se jogando em cima das pernas dela, agarrando ambas de uma só vez e a puxando de volta. Kyoko soltou um gritinho assim que sentiu as pernas serem agarradas. Girou o corpo e atacou com suas unhas obrigando Saga a libertar outra vez para não ser atingido. Irritado e drogado, pulou novamente, agarrando ambos os tornozelos e a puxando de volta a base de muitos xingamentos, prendendo o corpo menor com o peso do seu, assim como os pulsos.

— Eu já disse para não colocar a mão em mim!

— Dá pra você parar com isso eu não vou...

Saga perdeu a voz ao ouvir o urro estrondoso estremecer todas as paredes do castelo. A prataria tilintou junto com os cristais dos lustres do extenso corredor. Um pequeno servo que acabou presenciando a confusão e vinha para tentar acudir Kyoko tremeu junto com os móveis. O pequeno soltou um gemido de horror e saiu correndo de volta e entrando na primeira porta que encontrou.

Já Saga ficou olhando o rosto afogueado de Kyoko por alguns instantes, em seguida olhou com cautela por uma janela próxima, mas nada viu.

—Que barulho é esse? – Ele perguntou temeroso e sério.

Kyoko abriu os olhos e mesmo ofegante respondeu: —Negotamai.

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Kanon não conseguia resistir aos encantos do pequeno cristal cintilante. Sempre que era tocado um barulhinho cristalino ecoava. O General Marina gostava daquilo, tanto do brilho quanto do som. Por vezes tocava com a ponta do indicador com um pouco mais de força só para ouvir mais do som e deslumbrar-se com o jogo de luzes que saía do mesmo.

—Hummmm....esse barulhinho é tão gostoso. —Riu baixo.

Tocou novamente, mas dessa vez um pouco mais forte na esperança que o som fosse melhor do que já era e recebendo como resposta o oposto do que esperava em forma de um urro grotesco onde até mesmo as paredes pareceram querer se curvar de medo. O marina arregalou os orbes verdes em surpresa e tensão. Olhou em volta:

—Puxa...acho que dessa vez foi forte demais.

No banheiro, Camus que já vomitava pela enésima vez fitou o espelho envelhecido, perplexo. Sua imagem refletida trepidou assim que o urro trincou o objeto. O aquariano olhou para um pequeno basculante, observando uma sombra escurecer o banheiro por alguns instantes. Engoliu em seco com aquilo. Nunca havia visto nada parecido a não ser Cérbero, o cão de Hades, mas será que ali também havia algo similar?!

Camus então saiu em disparada, trombando com Afrodite que vinha exacerbado pelo mesmo corredor.

—Diz que isso foi o seu estômago. – Peixes perguntou. Os olhos celestes arregalados mirando os azuis de Camus. O francês franziu o cenho, meneando a cabeça para observar tudo ao redor. Seus olhos se prenderam em um novo espelho que lhe deu como reflexo sua imagem trépida a cada três segundos. Seus pelos se arrepiaram assim que uma nova onda de sudorese desceu por sua espinha, levando embora como um passe de mágica qualquer vestígio da droga.

— Cadê o Saga?

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No andar de cima Aiolos estancou quando o urro fez umas das janelas trincarem. O sagitariano engoliu em seco vendo uma sombra imensa cobrir a mesma por alguns segundos. Seja lá o que fosse era maior do que qualquer coisa que já tinha visto. Eles tinham que sair dali agora, mais rápido do que nunca.

Voltou a correr mais rápido ainda, berrando a plenos pulmões o nome de Keiko sem se importar se algum youkai o encontraria.

Um dos vigias do castelo ouvindo uma voz estranha correu para averiguar, mas antes mesmo de qualquer reação Aiolos pulou com agilidade disparando um soco potente no rosto do youkai que caiu desacordado.

—KEIKO!! – Gritou correndo como um louco, abrindo e fechando todas as portas que encontrava no meio do caminho.

E de uma delas, Kanon apareceu com cara de quem tinha feito algo que não devia.

— Eu juro que não fiz por querer. – ditou como uma criança arteira. Aiolos franziu o cenho sem entender, mas deu de ombros.

—Viu a Keiko?

—Não. – Kanon respondeu se aproximando.

— A gente tem que...

E antes do sagitariano concluir sua frase um novo urro fez estremecer todo o lugar. Poeira e pequenas pedrinhas começaram a cair do teto. Ambos olharam ao redor, e um jarro vazio caiu de uma pequena mesa.

—Tudo bem, eu já entendi. – Kanon disse saindo correndo com o outro.

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Saga ajoelhou próximo a uma das janelas observando o exterior com toda sua atenção. Seu coração acelerou a níveis alarmantes assim que seu rosto foi coberto por uma sombra imensa. Não que fosse medroso, não mesmo, mas tinha que admitir: Aquilo era grande demais para ser de verdade.

Estava em uma situação péssima; Kyoko mal conseguia ficar de pé e como um mantra repetia vez por vez que precisava se acalmar. A droga em seu corpo ainda afetava e muito seu sistema nervoso fazendo a adrenalina transbordar por todos seus poros. Ele não podia arriscar um confronto ainda mais sozinho. Ele teria que achar Keiko, Kanon e os outros e sair dali antes daquilo os encontrar.

—O que está fazendo aqui? — Kyoko perguntou ofegante.

—Eu vim levar você de volta. — Saga respondeu sério e sem tirar os olhos da janela.

A raposa tentou se reerguer, mas antes que voltasse ao chão, Saga a amparou com um dos braços em torno de sua cintura e segurando seu rosto com a outra mão.

— Eu...não quero ir. — Ela sussurrou. Saga sentiu um aperto no peito ao ouvir aquilo. Ele queria muito que a kitsune aceitasse de bom grado voltar consigo. —Como...como pode vir aqui e...me dizer que veio me levar de volta depois...depois do que vocês fizeram comigo?

— Eu sei que errei com você, e se quiser me odiar tudo bem. Eu irei entender, mas...eu não posso deixar que...usem você. Que usem sua dor para maltratar pessoas inocentes. — Justificou-se.

—Não existem mais inocentes no seu mundo, cavaleiro. – Kyoko trincou os dentes, sentindo raiva daquilo. Espalmou as mãos no peitoral de Saga e recebendo como resposta o retumbar do coração dele contra seus dedos.

—Eu não tiro sua razão e mesmo que você não acredite em mim, eu...– Saga fez uma pausa, desviando o olhar por alguns instantes como quem procurasse as palavras certas a dizer.

A decisão de Kyoko em mudar de ideia agora estava em suas mãos e ele sabia disso melhor do que ninguém. Eva foi a grande causadora de tudo aquilo e ele como ex-amante era o mais culpado de todos no santuário. Pelo menos era assim que se sentia. Quando protegeu Eva, Saga assim como Aiolia e Aiolos haviam se tornado cúmplices de seus atos e fora isso causou toda aquela situação com Kyoko.

Sentiu mais raiva ainda de tudo aquilo e principalmente de si mesmo. Será que nunca poderia fazer a coisa certa? Será que seu destino era levar desgraça e sofrimento a todos que amava? Por que até quando amava algo ele era obrigado a perder? Será que não bastava ter tirado sua própria vida como prova de sua vergonha e arrependimento para que os deuses parassem de jogar aquela carga sobre seus ombros?

Seus olhos se fecharam fortemente e seu coração oscilou uma batida ao qual foi suficiente para ela sentir o que ele não conseguia pôr em palavras.

—Tudo bem Saga, você quer que eu volte então...me dê um único motivo que me faça mudar de ideia. — Kyoko ditou séria e ele abriu os olhos.

Seus dedos entraram nos fios prateados com carinho e sem pedir permissão selou os lábios macios outra vez, mas dessa vez sem pressa, sem desespero. Uma carícia doce e amorosa que seus lábios faziam nos dela. E mesmo com o trepidar das paredes em cada passo do monstrengo, Saga não se abalou. Não queria e nem iria. Ela queria um motivo?! Então ele daria vários.

Puxou mais o corpo menor sentindo o calor gostoso contaminar o seu. Envolvendo seus dez dedos nos fios bonitos com possessividade e carinho, não se importando nem um pouco com o urro do lado de fora. Apertou mais a kitsune em um de seus braços e somente por necessidade dela em respirar foi que apartou o beijo lentamente. Kyoko ofegou nos lábios de Saga ainda mantendo seus olhos cobertos pelas pálpebras. Era bom demais para ser verdade e pensando nisso preferiu ficar assim ao ser obrigada a acordar daquele sonho bom.

—Eu não tenho só um único motivo para fazer você mudar de ideia. — Saga roçou os lábios pelos lábios dela e em seguida deslizou para as bochechas. — Qual você quer ouvir primeiro?

A raposa ficou muda diante do olhar predatório e a voz grave e rouca assim tão próximo de seu rosto, levando seus poucos pelos a reagirem a tal imponência. Mesmo quando tentava não conseguia ser imune ao olhar do Cavaleiro de Gêmeos. Nunca foi e agora seria menos ainda.

— A que o Luy está vivo ou o fato de você ainda não ter sido minha como eu disse que seria?

Kyoko prendeu o ar ao ouvir aquilo, mas antes de sequer pensar em responder Keiko apareceu no corredor junto com os outros, quebrando a troca de olhares e exigindo atenção. O grupo correu rapidamente para próximo do casal com desespero e também não era pra menos.

Nee-san!! — a mais nova tomou a irmã dos braços de Saga e a abraçou com carinho e saudade.

— Keiko-chan, você não devia ter vindo.

—Como eu não iria vir? A última vez que deixei você ir sem mim, eu me arrependo até hoje. — respondeu chorosa.

Um novo urro sacudiu as paredes novamente e Afrodite quase deu um pulo de susto. Kanon e Camus aprumaram o corpo, observando tudo ao redor.

—A gente tem que sair daqui o tempo está passando e a Naomi já deve estar quase voltando. – Keiko ditou rápido se afastando um pouco somente para olhar pela janela.

— Naomi? Sério?! Por que a gente não se preocupa em como sairemos daqui com aquela coisa lá fora?! – Kanon quase berrou irritado.

— Vocês precisam ir embora. Negotamai... – Saga pôs o indicador sobre os lábios de Kyoko calando-a.

— Isso está fora de cogitação, eu vim aqui buscar você e é isso que farei; você vai comigo! – Saga se aproximou dela para rouba-lhe mais um beijo, mas acabou desistindo ao se dar conta de que não estavam mais sozinhos.

Kanon, Camus e Afrodite começaram a correr e abrir caminho para os demais. Aiolos agarrou na mão de Keiko e saiu em disparada também. Saga vinha mais atrás com Kyoko, mas antes mesmo de Saga cruzar o segundo corredor ela parou de correr.

— Saga! — gemeu sentindo o corpo inteiro querer ir ao chão. Suas pernas tremeram de fraqueza e seus olhos quase se fecharam.

Saga sentiu o coração falhar uma batida com a palidez excessiva tomar conta da face da amada; Kyoko estava muito mal. Keiko voltou correndo ao ver a irmã desfalecer nos braços de Saga.

— Vão! Não parem! – Ordenou o cavaleiro de gêmeos.

Kanon parou ao ouvir a voz do irmão e sem mais voltou até ele mesmo sob a ordem de não recuar. Aiolos arrastou a mais nova consigo que só aceitou de bom grado depois de ver Saga carregar a mais velha nos braços e correr o quanto podia.

—Eu falei pra você não voltar! – berrou ao irmão.

—Vá à merda, Saga! Eu não vou deixar você aqui! – respondeu no mesmo tom e voltando a correr ao lado do irmão.

Afrodite e Camus foram os primeiros a saírem, mas se arrependendo logo em seguida. O peixinho sentiu um frio correr por todo seu corpo vendo os olhos gigantes do youkai mirarem os seus. Camus, mesmo com toda sua frieza, sentiu o estômago revirar ainda mais com que estava diante de seus olhos.

Mais atrás Saga seguia com Aiolos, Kanon e Keiko. O geminiano olhou para a raposa sentindo-se ainda mais nervoso. Kyoko estava cada vez mais pálida e a temperatura corporal estava caindo. Não era preciso ser nenhum gênio para saber que ela estava morrendo. Saga se afligiu ainda mais, apressando a corrida o quanto pôde. Se estivesse em seu estado normal, alcançar a velocidade da luz seria brincadeira de criança, mas além de estar sob o efeito da cocaína, desde que pisara no Makai sentiu seu corpo ficar milhares de vezes mais pesado. Uma sudorese excessiva molhava seus cabelos e seu blusão branco como se estivesse dentro de um vulcão, fora outros sintomas que seu corpo estava tendo e que ele ainda nem havia se dado conta graças aos efeitos da droga.

—Que monstrengo é esse? — Kanon perguntou ofegante.

—Ele é...um dos guardiões da Naomi. – Keiko proferiu ofegante.

— De onde ele surgiu? Por que não o vimos quando entramos? – o marina perguntou outra vez.

Keiko pareceu congelar ao ouvir aquela pergunta: — Porque ele só surge quando é invocado. – sussurrou mais do que propriamente disse. — Perai!!

Todo pararam no mesmo instante. Keiko olhou para todos eles e fuzilando um por um. Se Negotamai estava ali, alguém havia lhe chamado. Kyoko não tinha forças para aquilo e Naomi não estava presente e muito menos Hiroaki.

—Keiko você está me assustando. – alertou Aiolos se aproximando da garota.

—Qual de vocês mexeu onde não devia? —A garota perguntou. Saga, Aiolos e Kanon se entreolharam.

— Eu não me lembro de ter mexido em nada. – ditou o sagitariano.

—Nem eu! — Saga também negou e Kanon engoliu em seco.

— Kanon?! — A garota perguntou e ele desviou o olhar como uma criança. —Ah não Kanon, você não mexeu no cristal mexeu?

—Eu...eu...eu não fiz nada eu só toquei. – Fez uma pausa. — De leve. Ele era lindo e eu...não consegui resisti. – Justificou-se.

—Ah não, ele não! Droga Kanon! Era uma armadilha e caiu como um idiota! Você invocou. Estamos mortos, nunca conseguiremos sair daqui.

— Mas o que ele é afinal? – Saga perguntou aos berros.

— DRAGÃÃÃÃÃÃÃOOO!!!!

Afrodite berrou como um louco correndo porta a dentro tendo logo atrás de si uma espécie de gosma ácida que acertou a parede assim que ele desviou, fazendo um buraco gigantesco dentro do castelo. Saga e os outros ficaram pasmos ao verem o que Kanon havia invocado. Aquilo só podia ser uma miragem.

— Um dragão?! – ele disse.

— Sim, idiota! Negotamai tem a forma de um cristal que usa a imaginação de seu invocador para ganhar forma, nesse caso um dragão marinho. VOCÊ!!!! – Keiko berrou a plenos pulmões. Tinha que ser Kanon a mexer no cristal?!

—Mas um dragão marinho? Aqui nem tem água. – Kanon respondeu no mesmo tom.

—Ele não precisa disso, idiota!!! – Keiko se jogou quando uma nova rajada ácida acertou novamente o interior do castelo.

O dragão marinho era gigantesco, com guelras na altura da cabeça, dentes enormes e olhos vermelhos e brilhantes, o corpo comprido como de um lagarto gigante azul e na testa o mesmo cristal ao qual Kanon brincava como uma criança. No dorso vários espinhos até a ponta da cauda subiam e desciam em cada arfar deixando mais difícil ainda penetrar sua pele tão dura quanto aço e diamante.

Camus deu um salto, desviando da cauda gigante que veio em sua direção, rolando com toda desenvoltura e habilidade assim que tocou o chão. Aiolos sentiu a adrenalina ferver e sem mais correu na direção do amigo, pegando um pedaço de lança no chão e partindo para o ataque também.

— A pele dele é dura demais. – Afrodite se reergueu com dificuldade, olhando para Saga e os demais. — A gente vai ter que lutar. Não dá para enfrentar isso sem cosmo.

—Não! – Keiko berrou. —Vai ser pior, temos que sair. Olha! – A garota apontou mais ao fundo do jardim. – Está vendo, lá é a passagem, se chegamos lá estamos salvos. Se atravessarmos a fenda ele não poderá vir atrás de nós.

Ambos se entreolharam e concordaram. Realmente era melhor assim, eles eram rápidos e habilidosos, seria fácil alcançar a fenda se agissem em equipe.

Kanon aceitou servir de isca junto com os outros enquanto Saga e Keiko corriam para a fenda. Assim que chegassem, o restante faria o mesmo. Para eles seria muito mais fácil desviar e se proteger do monstrengo.

Ao sinal do irmão, Saga correu por uma brecha, e avançando rápido em direção a fenda sem olhar para trás. Keiko deu um salto quando a cauda do animal avançou em sua direção, desviando e girando no ar para aterrissar na frente do geminiano. A garota olhou por cima dos ombros e sentiu o coração apertar ao ver Camus e Aiolos serem lançados para longe com um golpe do animal feroz.

Kanon e Afrodite atacaram logo em seguida, disparando socos e chutes. Um dos golpes acertou a cabeça do animal que berrou em resposta. Sua cauda sacudiu como um chicote disparando uma rajada de espinhos na direção dos cavaleiros. Todos pularam, desviando e atacando assim que podiam. Distraindo o monstro tempo suficiente para Saga chegar ao local de destino.

Mas...

Ao se aproximarem da fenda Keiko sentiu o coração bater na garganta. A abertura sem aviso simplesmente começou a se fechar e a garota disparou na corrida ainda mais, se jogando na direção da mesma e batendo com um dos ombros na árvore no momento exato em que a passassem se fechou por completo.

—Não!! Guilhermo!! Não faz isso! Porquê? – ela berrou socando a árvore e chorando desesperadamente. Aquilo só podia ser um pesadelo.

— Merda! – Saga vociferou aflito ao ver os amigos naquela situação.

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O líquido carmesim tingia os lábios carnudos deixando-os ainda mais sensuais. O sorriso de vitória e a língua que deslizou sensualmente por ele refletia toda a sua satisfação com o que julgava ser o melhor show de sua vida. O brilho da lareira refletido nos olhos azuis dava um ar ainda mais sinistro e cruel a aquela a quem todos temiam no Makai.

Guilhermo apertou os olhos com pesar ao ver a rosto triste de Keiko antes da fenda se fechar. Havia combinado que esperaria a garota e os demais, mas não foi bem assim, não por não querer, mas sim por ter sido obrigado a tal. Ele também tinha pessoas que amava e precisava mais do que tudo zelar por elas e o choro convulsivo de sua filha mais nova feita refém bem ali diante de seus olhos não deixou que o youkai simpático tivesse outra alternativa.

— Que show incrível! – Naomi se ergueu da poltrona, caminhando felina até o youkai. — Oh meu querido não fique assim.

— Por que está fazendo isso, Naomi? – Guilhermo arriscou perguntar, recebendo como resposta inicial uma gargalhada alta e sexy.

— Porquê?! Ora meu caro não vê que estou fazendo isso para o bem de todos nós? Olhe para eles... – Naomi apontou e Guilhermo se sentiu ainda pior.

No espelho d’água, Saga e os outros lutavam como podiam contra o dragão, pulando e atacando em cada oportunidade. Camus exibia um corte nas costas e no antebraço, Afrodite e Kanon estavam machucados também, enquanto Aiolos e Saga ainda se mantinham relativamente em melhores condições.

— São somente gado. Alimento e nada mais. Nossa querida e amada Kyoko está como está por causa deles. Eu nunca consegui entender o que ela...viu para querer proteger esses vermes. – riu. Guilhermo franziu o cenho irritado.

—Você é louca, será que não vê que colocando eles nessa situação estão pondo Kyoko-sama em risco também? Se Hiroaki-sama descobrir...

— Se ele descobrir irá me agradecer depois de hoje... Guilhermo. – Naomi interrompeu e o homem se calou. — Hoje será o dia em que descobriremos de que lado a Kyoko realmente está.

A youkai caminhou novamente para o sofá onde foi servida de mais uma taça de vinho. Lambeu os lábios carnudos e sorriu perversa.

— Para saírem de lá eles só têm uma opção. – Naomi fez uma pausa e apontou para Guilhermo com a taça e ele entendeu o recado.

— Uma nova fenda. – Ele respondeu cabisbaixo.

—E?!

— E que...somente um de vocês, Kages pode criar. — completou ainda mais cabisbaixo.

— Sim, mas eu não estou lá e nem Hiroaki. A única que está lá no momento é a nossa amada raposa, mas... – Naomi deu a vez para o monstro que suspirou.

— Mas que... para fazer isso é necessária uma grande quantidade de energia. — Guilhermo completou outra vez. Naomi sorriu vitoriosa.

— Exato! – ela disse. — E....isso é uma coisa que a nossa amada Kyoko não tem no momento.

Guilhermo olhou para a youkai finalmente entendendo onde Naomi queria chegar.

— Então...você fez isso...

—Puxa até que enfim você entendeu. — zombou. — Não serei eu, você ou...Hiroaki quem dará cabo da Kyoko e sim...eles. – Fez uma pausa. – Se ela quiser salvar o grande Cavaleiro de Gêmeos... – frisou. –... ela terá que escolher: Ou usa o resto de força que tem e morre para dar passagem a eles de volta ou fica viva do nosso lado os deixando lutarem até a morte.

—Mas a Kyoko é um Lage como você, não pode deixá-la correr um risco desse.

— E quem disse que me importo? — Guilhermo engoliu em seco. Como Naomi podia ser tão fria com alguém que chamou de amiga por mais de quinhentos anos? — Cada um é responsável pelas suas próprias escolhas. Não fui eu quem colocou eles lá. Só basta ela fazer a escolha certa, do contrário morrerá.

— E...e se eles arrumarem um meio de sair? E...se ela sobreviver?

A youkai se aproximou mais, olhando macabra dentro dos olhos dele: — Então, eu arranco aquela pedra de dentro da barriga dela nem que tenha que cortá-la ao meio!

— Mesmo....mesmo que você faça isso...a espada, você nunca poderá empunhá-la. — Guilhermo ditou tentando transparecer uma calma que não possuía.

Naomi gargalhou depositando a taça vazia em cima da mesa e em seguida acariciou o rosto amedrontado da menina fazendo o coração do pai falhar uma batida.

— Isso é só um mero detalhe. O show ainda não acabou e eu odeio perder a melhor parte. – sorriu ainda mais perversa.

oOo ♊ oOo

No Makai, Kyoko que descansava sob a árvore abriu os olhos com dificuldade. Estava cansada e fraca, muito fraca e isso fez seu coração doer ainda mais. Se estivesse com sua força total com toda certeza eles não estariam naquela situação. Seus olhos lacrimejaram ao ver Saga ser atingido e lançado contra as árvores.

— Saga...- ela gemeu tentando ficar de pé.

— Kyoko, você não pode. — falou Keiko amparando a mais velha.

— Keiko...eu...eu preciso...preciso tirar eles daqui.

— O quê? Não! Você não pode! — Keiko pediu nervosa.

—Não tem outro jeito. Se eu não fizer nada...eles...o Saga vai morrer.

Os olhos escarlates lacrimejaram, pois, a mais nova sabia muito bem os efeitos que aquele ato podia causar, mas sabia também não ter outra maneira. Kyoko teria que arriscar suas últimas energias ou eles morreriam presos no Makai mesmo que derrotassem Negotamai.

Sem escolha, Keiko correu o mais rápido que suas pernas conseguiram até alcançar Saga que se encontrava ajoelhado em meio aos destroços.

—Você não devia...não devia estar aqui. — O mais velho resmungou soltando um gemido logo em seguida.

— Eu sei que não, mas não tive alternativa. Escute, a Kyoko vai tirar você e os outros daqui. — ela disse ofegante

— Mas você disse...

— Eu sei o que eu disse!!! — Keiko berrou, deixando algumas lágrimas escaparem.

Saga sentiu o coração gelar dentro do peito. Kyoko mal podia ficar de pé. Se tentasse algo do tipo aquela seria a última, por outro lado ele temia também por seus amigos. Pensou em chamar sua armadura, mas de que adiantaria estando preso em um lugar como aquele? Estaria colocando todos em risco ainda mais, chamando monstros tão fortes ou até mais fortes que Negotamai para a batalha que já se seguia. Tirando o fato de Kyoko estar morrendo e acabar ainda pior.

Mas...e se talvez....

—Não! – ele disse. — Vamos chamar nossas armaduras, mataremos essa coisa e daremos o fora daqui. –

—Não dá! Será que não entende! Era por isso que eu não queria trazer vocês porque não tem por onde sair. Eu não sei onde fica as outras fendas e mesmo se soubesse elas podem ficar a milhares de distância daqui, nunca chegaríamos a tempo.

—Somos cinco cavaleiros de ouro e isso é mais do que suficiente para acabar com esse monstro. —Saga berrou em resposta.

— Seu imbecil! Você só está assim agora por causa da droga que está no seu sangue, quando o efeito dela acabar você vai cair morto envenenado pelo ar do Makai e nem sua deusa poderá te salvar. — Keiko vociferou a plenos pulmões e Saga finalmente caiu em si. Estava tão absorto por conta da batalha que havia esquecido completamente que só conseguia estar de pé por conta da cocaína que ainda estava em seu organismo.

— Saga ela só vai ter uma chance, por favor, não...desperdice. — Keiko mirou os orbes verdes transpassando tanta preocupação quanto Saga.

—Eu vou distraí-lo enquanto Camus e os outros vão na frente.

Keiko concordou, voltando mais rápido ainda até Kyoko. A raposa entendeu o recado.

Era hora de agir. Não podia vacilar, pois só teria uma chance. A fenda não ficaria aberta muito tempo, disso ela sabia muito bem, mas teria que tentar mesmo assim. Respirou fundo, ficando totalmente ereta. Na mão esquerda um espiral negro começou a ganhar forma e dando a visão esplêndida da espada real de Kyoko: A katana forjada por Hattori Hanzo*, o maior e único ferreiro a ter poder para criar tal arma.

A cor do olho âmbar foi substituído pelo azul que se iluminou florescente. Seus cabelos bailando devagar com a energia que saía de seu corpo, deslizando por seu braço e penetrando no cabo negro e talhado da katana. Kyoko ergueu a mesma e todos entenderam o sinal, disparando em uma corrida frenética em sua direção.

O cavaleiro de Gêmeos deu um salto, girando no ar e disparando um chute fortíssimo na cabeça do monstro fazendo-o desabou no chão. Essa era sua chance!

Correu logo assim que a oportunidade surgiu. Bem mais na frente Camus, Kanon e Afrodite já estavam bem próximos de Kyoko enquanto Aiolos ia um pouco mais atrás.

A mão direita da kitsune se iluminou com a energia furta-cor, deslizando sob a lâmina da katana. O fio da espada brilhou intensamente e com um só golpe acertou o vazio cortando o espaço. Uma linha fina e brilhosa surgiu fazendo a fenda negra abrir como uma boca prestes a engolir seu alimento.

—Agora!! – Keiko berrou fazendo Camus, Afrodite e Kanon dispararem ainda mais na corrida, dando um salto assim que se viram próximos suficiente, passando por Kyoko sem olhar para trás.

Aiolos corria o máximo que podia, mas o berro do dragão o fez estancar. Saga ainda estava bem atrás e não era justo deixá-lo sozinho agora. Sagitário, então fez o que achou que devia sem se importar nem um pouco se seria notado ou não; seu cosmo sacudiu seus cabelos castanhos e sua mão se iluminou. Sua cosmo energia tremulou com os raios de seus ataque concentrando-se no monstro que se aproximava mais e mais ao encalço de seu companheiro de batalha e quando este avistou a posição de ataque do cavaleiro desviou rápido para a direita e dando acesso total a Aiolos.

—Ahhhhhhh... Trovão Atômico!

O golpe de Aiolos foi liberado com toda força, acertando em cheio a cabeça e um dos olhos de Negotamai. Um urro monstruoso de dor ecoou pelo Makai, fazendo o chão tremer quando o mesmo foi ao chão. Saga correu como um louco, puxando Aiolos pelo braço e disparando mais rápido ainda em direção a fenda.

Keiko que não conseguia tirar os olhos da batalha sentiu-se morrer quando viu Negotamai se reerguer ainda mais furioso e com um olho e a boca ensanguentados. O monstro berrou de ódio, partindo para o ataque novamente, usando sua cauda enorme como um chicote, mas dessa vez mirando em Keiko e Kyoko.

Aiolos e Saga antevendo o que aconteceria fizeram a única coisa que podiam no momento:

Derraparam no chão de terra virando na direção do monstro e usando os braços como escudo para que Kyoko e Keiko não fossem acertadas. O golpe potente de Negotamai acertou os dois em cheio, os arremessando contra as irmãs e fazendo os quatro cair pela fenda que se fechou logo em seguida.

Naomi que até então assistia a batalha pelo espelho d’água soltou uma gargalhada de escárnio e vitória. Havia saído tudo exatamente como planejou e não podia estar mais feliz. Kyoko jamais resistiria a um esforço como aquele e muito menos a um ataque de Negotamai. Nada mais poderia atrapalhar os Kage agora. A raposa estava morta e Saga também. Os outros ficariam vagando entre a barreira e o Makai até morrerem. Cinco cavaleiros de ouro já não seriam mais problemas, agora só restavam seis.

A youkai se levantou, passando as mãos sensualmente pelos cabelos, transformando os mesmos em uma fumaça negra ao redor de seu rosto. Caminhou até próximo a filha de Guilhermo, tocando o rosto da menina e dando um beijo suave em sua testa.

—Foi muito bom estar aqui com vocês. O show não poderia ter sido melhor. Agora, se me dá licença, eu...preciso ir. Tenho que ir para minha casa de veraneio me alimentar dos meus...mascotes. – se afastou, lançando um olhar matreiro.

Uma nova gargalhada pode ser ouvida ecoando pelo cômodo iluminado pela lareira, o tengu que a acompanhava se aproximou para ser envolvido pela mesma fumaça que agora tomava todo o copo dela, transformando tudo em um borrão negro e disforme, escondendo seus corpos, deixando visível somente os dentes bancos em meio ao sorriso maligno de Naomi e sua voz sexy ao dizer suas últimas palavras:

Game Over!

oOo ♊ oOo

No santuário, Shion caminhava de um lado para o outro no salão do 13º templo visivelmente aflito e muito, muito pensativo. Já havia passado tempo demais desde que Máscara da Morte e Shura tinha saído em missão e ainda não retornaram e muito menos dado notícias. Nem com toda tecnologia da atualidade eles tinha dado sinal de vida. Dohko e Aldebaran saíram alguns dias antes da partida de Saga a procura de ambos e não encontraram nada, nenhuma pista sobre os dois cavaleiros.

“Zeus onde esses dois se meteram? Isso não é comum, Máscara é um inconsequente, mas Shura?! Não, ele não! Eles já deviam ter voltado.”

—Ainda cavando sua cova com os próprios pés meu velho amigo? – Dohko perguntou zombeteiro assim que entrou pelo salão.

—Não comece, Libra. Não vê que estou aflito?! Eu não consigo sentir os cosmos de Máscara e nem de Shura há tempos e isso está me deixando demasiado preocupado. Mal consigo dormir. Nem com a telepatia do Cosmo eu os encontrei. — respondeu o lemuriano irritado e preocupado.

—Você está parecendo um pai preocupado com seus filhos aborrecentes. – gargalhou o menor fazendo Shion se irritar ainda mais.

—E o que mais eles seriam para nós além de quase nossos filhos, Oh! Pequeno tigre?! – indagou irritado fazendo Dohko rir ainda mais. Shion ficava muito engraçado quando estava irritado, já que isso não era muito comum de se ver.

— Olha, eu sei como você se sente porque mesmo que não pareça eu também me sinto assim, mas andar de um lado para o outro não ajuda. Por que não fazemos assim: Troca essa roupa de Papa e vamos dar uma volta em Athenas?! Eu conheço uma...terma ótima que tem no centro. Podemos ir lá tirar o atraso. Tenho certeza de que é disso que você precisa para acalmar essa cachola aí. Ahn?! O que me diz?! —abriu os braços com um sorriso enorme no rosto.

Shion semicerrou os olhos sem acreditar naquela proposta indecente de Dohko. Como ele podia supor que se ausentasse do santuário para ir à esbórnias com tudo que estava acontecendo e ainda mais com tantos cavaleiros de ouro ausentes?! Não que distrair a mente ou...tirar o atraso fosse uma má ideia, mas o problema era que não era bem a hora para aquilo.

—Eu vou fingir que nem ouvi o que você disse “Mestre Ancião”. – Shion frisou usando os dedos e cruzando os braços no final.

—Ora Shion de Áries você já foi melhor nisso sabia?! Há quanto tempo você não tem uma boa transa? Um mês? Dois talvez?! Não! Pela sua cara uns... seis meses ou mais.

Shion arregalou os olhos ao ouvir aquela...baboseira toda. Só Dohko mesmo para ter tal audácia com sua pessoa.

—Ora Dohko isso não é coisa para se falar aqui e muito menos lhe diz respeito. — respondeu ríspido.

— Ihhh já vi que tem mais de seis meses. Agora eu entendo porque está tão rabugento. — devolveu o libriano coçando a nuca. — Você deveria fazer isso mais vezes sabia?!

—Dohko!!! – Shion quase berrou repreendendo o amigo por tal comentário.

— Ta bom, ta bom, nada de termas por hoje, mas é óbvio que você precisa relaxar, então vamos até minha casa. — Dohko se aproximou do amigo e falando em um tom para que só ele pudesse ouvir. — Eu tenho uma garrafa daquele Saquê que você adora guardado lá em casa, podemos conversar um pouco enquanto bebemos e comemos alguns quitutes. Você ficará mais relaxado e quem sabe assim ter alguma ideia melhor em relação ao Shura e Máscara?

Shion ergueu uma das sobrancelhas – se tivesse uma – pensando na proposta do amigo.

— Vamos Grande Mestre, não tem com o que se preocupar. Não estará ausente do santuário. Shaka está aqui também além de Mu, vamos! Vamos logo! – insistiu o libriano.

O lemuriano bufou vencido. Realmente precisava relaxar. Estava a dias tentando descobrir mais sobre as tais pedras, a barreira e o paradeiro de Shura e Máscara. Ele tentava não pensar no pior, mas ligando todos os fatos e tudo que estava acontecendo era impossível não ter tal pensamento.

—Eu não posso me embebedar Dohko de Libra você me ouviu? – ditou firme o ariano fazendo o menor gargalhar.

—Okay pode deixar, eu vou maneirar. – tocou o ombro do amigo. — Eu vou te ajudar meu amigo, não se preocupe nós vamos encontrar o Shura e o Máscara, pode apostar.

Shion sorriu singelo e feliz por aquilo. Dohko era seu melhor e inseparável amigo desde a guerra santa. Mais de 200 anos de convivência que dava liberdade suficiente para tal intimidade. Gostava e muito da companhia do menor até porque assunto entre eles era o que não faltava.

Pegou alguns livros e mapas em sua biblioteca e com a ajuda de Dohko seguiu para casa de libra.

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Afrodite sentiu as narinas arderem ao tentar respirar. Em vez de oxigênio invadir seus pulmões a água salgada tomou seu lugar. A visão embaçada e ardida por conta do sal e uma escuridão sem fim ao qual ele mal conseguia ver a si mesmo o afligiu de maneira desesperadora. Por instinto seus braços e pernas movimentaram-se em sincronia, nadando e nadando o máximo que podia. Estava sufocando, por mais que nadasse parecia que nunca iria conseguir sair daquela imensidão de água e escuridão. O líquido salgado novamente se fez presente em sua boca e seus pulmões reclamaram. Desesperado, começou a se bater. Se não chegasse rápido a superfície iria morrer afogado.

Em seu íntimo clamou por aquela ao qual daria sua vida sem pestanejar e como um milagre, mãos fortes o agarraram pela cintura e o arrastaram em uma velocidade incrível até a superfície.

Peixes começou a tossir quando se viu livre daquela prisão subaquática, agradecendo a todos os deuses por finalmente sentir o ar entrar em seus pulmões.

—Afrodite você está bem?

— Kanon...cof cof...Onde estamos? – uma onda forte bateu sobre ambos, os empurrando para baixo novamente. Afrodite e Kanon nadaram rápido de volta.

—Eu não sei, não faço a menor ideia de onde estamos só sei que Poseidon está furioso hoje.

Kanon olhou em volta procurando pelos outros. Lembrou-se que Camus havia pulado consigo e Afrodite, mas não o via em lugar nenhum. Será que ele havia se afogado? Não, era melhor nem pensar. Um trovão explodiu no céu iluminando tudo ao redor e dando a Kanon a imagem de Camus um pouco mais distante.

O Aquariano estava cansado, ou melhor, dizendo exausto. Não fazia ideia de quanto havia nadado e seus braços e pernas já não suportavam mais tanto esforço em lutar contra as ondas. Sem forças afundou novamente quando uma nova onda quebrou bem em cima de si.

—Camus! – Kanon assim que avistou o outro nadou rapidamente até ele, afundando rápido até alcançar o amigo. Puxou-o de volta a superfície e vendo que o mesmo estava quase desacordado. — Camus! Camus! Não desmaie agora, fique acordado. – berrou dando um tapa no rosto do outro.

Afrodite nadou até eles e tirando Camus dos braços de Kanon.

—Cadê o Saga e o Aiolos? — perguntou aflito o pisciano.

Kanon sentiu o coração falhar uma batida. Ele não conseguiu ver quando seu gêmeo e os outros tinham pulado na fenda e nem se haviam conseguido o que tornava a situação ainda pior. O mar agitado unido a escuridão da noite também não estava ajudando em nada. Olhou em volta gritando o nome do irmão. Clamou por Atena e até mesmo por Poseidon que não parecia estar nem um pouco de bom humor justo naquele dia.

"Maldito seja Julian Solo", pensou nervoso e preocupado.

—Afrodite olha! – Kanon apontou assim que um novo trovão iluminou o lugar e para a felicidade do outro eles não estavam tão longe da praia quanto pensavam. — A praia é logo ali, leva o Camus com você.

— E você? – perguntou o mais novo.

—Eu vou achar meu irmão. Não se preocupe eu estou em casa, agora vai! – ordenou e o menor achou melhor obedecer até mesmo por causa de Camus.

Kanon pensou um pouco tentando se localizar. Ele havia aparecido exatamente ali assim como Camus e Afrodite, então Saga não podia estar longe. Nadou um pouco mais chamando pelo irmão e Aiolos. Afundou quando achou que devia, esperando até um novo trovão iluminar tudo ao redor e para sua sorte Keiko pareceu surgir de uma bolha d'água, se sacudindo enquanto tentava respirar. O marina nadou o mais rápido que pode, agarrando a garota e emergindo com ela.

— Kanon! Ah meu Deus! Saga e Aiolos...eles....eles...

— Cadê meu irmão?

— Eles caíram...comigo e a Kyoko.

— Fica calma, vai ficar tudo bem. Você sabe nadar? – perguntou aflito e a garota acenou positivo. — Ótimo! Continue nadando nessa direção, Afrodite já foi com Camus, encontre-os lá. Eu vou achar Aiolos, Saga e a Kyoko.

— Mas Kanon...

E antes mesmo de Keiko terminar Aiolos surgiu, puxando Saga consigo que estava desacordado. Kanon e Keiko engoliram em seco ao verem o sangue escorrer de um corte na cabeça de Aiolos. Ambos nadaram o quanto puderam até alcançar os dois.

—Saga! Saga! – Kanon chamava, mas seu irmão não respondia.

Keiko segurou Aiolos, olhando a ferida e vendo o quanto ele estava exausto e machucado.

— Aiolos, cadê a Kyoko? Cadê minha irmã? – perguntou chorosa.

—Eu...não...sei.

—Kanon, a Kyoko estava muito fraca e não vai conseguir sozinha. Por favor, por favor, faz alguma coisa?

A garota pediu desesperada e Kanon ficou sem saber o que fazer. Para procurar Kyoko ele teria que largar Saga, mas o mesmo não dava nenhum sinal de que acordaria e ele não poderia fazer nada enquanto o mesmo não reagisse.

Um novo trovão explodiu no céu e Keiko levou um susto quando Afrodite segurou em seu ombro.

—O que está fazendo aqui? E o Camus? Ele...

— O Camus não é nenhuma frutinha e sabe se cuidar melhor do que todos nós juntos e por isso mesmo ele pediu para eu voltar. Você não pode salvar todos eles sozinho por isso eu voltei. — ditou o pisciano.

Kano ficou em silêncio pensando no que fazer. Ele precisava achar Kyoko, mas não sabia nem por onde começar. Ela havia caído junto com Keiko, mas porque ela ainda não havia aparecido? Teria que procurar, não tinha outra saída.

— Afrodite leva o Saga. Keiko você vai com ele e o Aiolos. Eles estão feridos, eu vou achar a Kyoko. — ordenou o mais velho dando as costas e afundando em meio ao oceano.

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Depois de muito nadar Keiko e Afrodite finalmente alcançaram a praia. Com dificuldade a garota arrastou Aiolos para longe da água e o deitando próximo a Camus que a ajudou. Em seguida voltou correndo assim que viu Saga ser depositado na areia também.

— Cadê o Kanon? — perguntou aflita e trêmula.

— Eu não sei, mas não se preocupe ele vai achar a Kyoko, você vai ver. – respondeu Afrodite.

Keiko ajoelhou ao lado de Aiolos e tomou a mão grande entre as suas. Ele e Saga haviam se ferido daquela maneira para proteger ambas as youkais e isso era frustrante. Fechou os olhos e sem saber porque clamou a deusa que eles tanto protegiam, pedindo ajuda e que ela cuidasse de Saga e Aiolos.

— Olha! — Camus levantou exaltado vendo Kanon surgir na praia. Suas pernas bambearam de cansaço e ele acabou caindo de joelhos. Pensou em desistir, mas lembrou de que desistir era para os fracos e isso ele não era e nem nunca seria.

Deitou a raposa na areia verificando que ela não estava respirando. Kyoko foi encontrada submersa e pelo que Kanon percebeu ela parecia estar naquele estado mais tempo do que qualquer um poderia.

— Kyoko! — Keiko berrou sendo amparada por Afrodite.

— Ela não está respirando. — Kanon falou ajeitando o corpo inerte para iniciar uma respiração boca a boca.

Tentou a primeira. O pulmão de Kyoko inflou e Kanon começou a massagem: Uma, duas, três até quando achou suficiente e nada. Uniu as bocas novamente soprando o ar, massageando em seguida e nada.

— Vamos garota, respira. — pediu voltando logo para a respiração.

Keiko chorava desesperada ao ver Kanon pela quinta vez soprar o ar para dentro dos pulmões de Kyoko e ela não reagir. Era aflitivo demais só observar. Chorava como uma criança ao ver a irmã naquele estado e não poder fazer nada. Kanon estava dando seu sangue para trazer Kyoko de volta, mas nada parecia adiantar. Tomada por desespero, se separou de Afrodite quando Saga soltou um leve resmungo despertando assim sua atenção. Correu até ele se jogando de joelhos e empurrando um pouco da areia fofa em cima do braço dele.

Saga soltou um gemido baixo, mas não acordou. No fundo, bem lá no fundo ouvia uma voz conhecida chamar seu nome, mas seu corpo não respondia. Um sacolejão fez seu ar se perder devido a uma dor forte do lado direito de seu dorso. Seus olhos verdes abriram devagar, mas nada além de um borrão podia ser visto. O som abafado do mar e dos trovões faziam Saga se perder ainda mais em toda aquela imensidão disforme e escura.

“Onde estou?”, pensou olhando letárgico e viu o rosto molhado de Keiko. Ela estava chorando, mas porquê? Olhou mais um pouco. As vistas embaçadas e duplicadas. Um pouco mais afastado ele viu Afrodite ajoelhado de frente a Kanon e ao lado de um corpo.

“O... quê? Kan?! Kan o que você..."

Saga observou o rosto do irmão afundar em outro rosto, mas este ele não conseguia ver. Afrodite estava desesperado e isso era óbvio em seu semblante choroso. Seus olhos verdes rodaram sob as pálpebras para logo em seguida volta e ver Aiolos desacordado e Mu surgir em um passe de mágica e correr para próximo do sagitariano e Camus.

“Camus....Ai...Aiolos?!”

Mais uma olhada ao redor e um sacolejão forte estremeceu todo seu corpo. Suas costelas pareceram se eletrificar e uma dor fortíssima fez o Geminiano berrar e voltar a si. Olhou ao redor novamente e viu Keiko desesperada, ajoelhada ao seu lado; era ela quem chamava seu nome.

—Saga acorda agora a Kyoko está morrendo!!

O berro de Keiko pareceu lançar espinhos sobre a carne dolorida de Saga. Seus olhos verdes voltaram rápido para o irmão, vendo enfim quem era a pessoa desacordada.

A dor de Saga pareceu se esvair. Levantou como pode, tropeçando nas próprias pernas e correndo em direção ao irmão.

—Vai Kyoko respira, por favor! – pediu o gêmeo mais novo. Repetindo o ato de levar ar para os pulmões de Kyoko e iniciar uma nova massagem. — Não faz isso com meu irmão. — e uma massagem mais forte finalmente trouxe Kyoko de volta.

— Isso! Isso! Respira! — Kyoko tossia forte, cuspindo a água salgada que obstruía seus pulmões.

Saga praticamente se jogou ao lado de Kanon e tomando Kyoko de seus braços sem nenhuma delicadeza. A adrenalina pulsando forte em cada batida de seu coração. Se reergueu tão rápido que mal pode ver que Mu de Áries havia seguido ao chamado de Camus pelo cosmo.

— Mu tira a gente daqui agora! — Kanon berrou nervoso, pegando Aiolos do chão e correndo de volta.

O Ariano afirmou com a cabeça e em um piscar de olhos estavam diante das doze casas.

Saga mal pôs os pés no santuário e já saiu em disparada em direção as doze casas. Correndo como um louco com Kyoko em seu colo.

—Saga! Espera! O que vai fazer? — gritou Kanon ao irmão.

O mais novo ficou pasmo. Como ele conseguia correr naquele estado? Tencionou ir atrás do irmão, mas Mu o impediu.

— Deixa que eu vou. Você já fez demais. — ditou se teletransportando na frente de Saga.

— Mu sai da frente! — ordenou Saga.

— Calma não vou te impedir, só quero ajudar. — Mu se aproximou.

— Então, se quer me ajudar me leva até o décimo terceiro templo.

Mu ainda pensou em protestar, pois aquilo era proibido, mas na atual situação achou melhor acatar ao outro, depois se entenderia com Shion e Saori. Saga estava visivelmente transtornado.

E como da primeira vez em menos de um segundo eles desapareceram e reapareceram no salão do grande mestre.

— Saga o que vai fazer? — perguntou Áries ao ver Saga sair a passos largos assim que se viu no templo.

— Fazer a única coisa que me resta.

Continua....

Notas finais
Não sei quem vai ganhar o prêmio de mais miserável: Naomi ou a Eva kkkkkkkkkkkkkk Bjs gente até o próximo. =***