Notas iniciais
Oiiiii povo e ai, belezinha? Espero que sim. Então, sei que estou atrasada com o capítulo e eu queria muito ter postado ele antes, porém tem acontecido algumas coisitas aqui na minha house que tem atrapalhado e muito minha inspiração e meu tempo. Peço que me perdoem pela demora e tbm pelos possíveis erros que com certeza terão. Se tiver algo grotesco podem me avisar por msg que eu ajeito. Gente sei que tem pessoas que não curtem, mas em alguns capítulos eu tenho colocado alguns palavrões, mas é como eu já havia dito antes: Eu vejo os cavaleiros como homens comuns e que fazem e sofrem como homens comuns e a coisa mais...comum do universo são homens xingando alguns palavrões em situação de estress. Se acharem que está muito ofensivo vão ler turma da Mônica que é melhor. Esse capítulo eu achei ele muito fluff gente (ai que emoção) e com mais algumas revelações bombásticas. Espero que vocês gostem e tenham uma boa leitura. * A música desse capítulo é do Kyuhyun - A Million Pieces. Inclusive tem um clipe lindo e bem parecido com a situação do Saga e a Kyoko atualmente. Super indico essa música. Bjs a todos e boa leitura. ❤❤

Esta noite você é um milhão de pedaços

Você preenche, preenche, preenche meu coração profundamente

Você acolheu o meu coração partido

Esta noite, no lugar mais profundo...

Sua luz me preencheu completamente.

— Peguei você, desgraçado. — rosnou o geminiano fuzilando o prisioneiro com o olhar.

Camus puxou um pouco a ponta da corda a fim de causar incomodo e tirar alguma reação do outro, mas este nada disse. Nem mesmo um pequeno ruído saiu de seus lábios.

— Desgraçado...- gruiu Saga sem desviar os olhos dos do dele. Estava furioso. —...filho da puta, traidor!!

A voz possante de Saga pareceu ecoar por todo o casarão, sacudindo as paredes e disparando o coração dos três presentes.

Carregado de ira, o cavaleiro de gêmeos agarrou a gola da blusa do refém, o tirando do chão de qualquer jeito e o sacudindo com força.

— Traidor! Desgraçado...- berrou disparando um soco forte no rosto do outro. —...como pode? Como pode traí-la dessa maneira? – uma pausa — Fala alguma coisa?

Cheshire não respondeu. Os olhos arregalados presos nos furiosos de Saga, o semblante completamente transformado de pavor, balbuciando palavras desconexas. Por um segundo Saga sentiu-se mexido com a fisionomia dele, arrependendo-se do soco dado antes. Cheshire mais lembrava um garoto, um adolescente do que um youkai de mais de 500 anos.

De repente seu semblante amedrontado começou a mudar e seu gemido de medo a se transformar em uma gargalhada de escárnio, deixando os cavaleiros de boca aberta. Saga ficou sem saber como reagir a aquela mudança brusca de postura de Cheshire.

— Hahahaha... – os olhos macabros sem desviar dos verdes de Saga.

— Está achando engraçado?

— Ora cavaleiro não me leve a mal, mas... – de repente Cheshire se transformou em uma fumaça negra, se desvencilhando das mãos de Saga e inclusive das cordas. Os presentes ficaram cada qual em posição de ataque ao verem ele voltar a aparecia normal no meio deles, flutuando como um fantasma sem o menor receio. —...vai precisar de muito mais do que isso para me amedrontar.

— Desgraçado...- gruiu Mu.

— Eu sabia que não era só a amnésia da Kyoko que estava deixando-a confusa. – disse Saga.

— Bingo! – zombou cruzando as pernas e ainda flutuando.

—Você devia protegê-la e não traí-la, desgraçado! Como teve coragem?

Cheshire colocou um dedo no queixo enquanto pensava.

— Olha que ironia, me admira você dizer algo do tipo, traidor do santuário- Saga engoliu em seco. — Pelo menos eu não tentei apunhalar Hime-sama quando ela era um bebê.

—Você está colocando a Kyoko contra mim, porquê? – indagou gêmeos tentando ignorar as verdades ditas por aquele youkai e principalmente em como elas mexiam consigo.

Cheshire sorriu ainda mais debochado achando graça daquilo tudo. A forma como Saga tentava parecer seguro de si era quase uma piada. Podia ouvir o coração dele a quilômetros e principalmente o descompassar dele entre uma batida e outra. Patético!

— Por que?! – Cheshire se aproximou um pouco mirando os olhos de Saga. — Porque meu caro cavaleiro é minha obrigação manter a Kyoko longe de qualquer tipo de ameaça.

— Eu não sou uma ameaça para ela! – Saga quase berrou de ódio.

— Tem certeza? Eu não vejo dessa forma. – respondeu sem se abalar. Saga ficou em silêncio.

— O que está insinuando? – Afrodite se pronunciou.

— Insinuar? HAHAHAHAHAHA...Não! Eu não estou insinuando, eu estou afirmando.

— Você é louco! Eu nunca machucaria a Kyoko, eu a amo! – Saga berrou se aproximando furioso. — Seu filho da puta! Traidor! – Gruiu Saga ameaçando ir para cima do shinobi, só não o fez pois, Camus o segurou pelos ombros.

— Vocês nos trouxeram para cá a fim de ajudar a Kyoko e agora está dizendo que o Saga é uma ameaça? Qual o problema de vocês? – Mu ditou firme.

— Não, não, não...eu não trouxe nenhum de vocês, eles trouxeram. Eu nunca concordei com isso. – o gato fez uma pausa mirando os olhos faiscantes do geminiano. — Minha obrigação é manter a Kyoko segura e longe de qualquer coisa que coloque ela em risco, e isso...- se aproximou mais. —...incluiu você, Saga de Gêmeos.

Saga ficou imóvel. Os olhos presos no semblante soberbo e mesquinho daquele youkai. Se olhar matasse com toda certeza Cheshire já estaria morto e enterrado.

—Desde quando a Kyoko passou a estar em perigo, Saga? – indagou zombeteiro.

Saga se soltou dos braços de Camus caminhando devagar até o youkai. Onde aquele desgraçado queria chegar? Que tipo de pergunta era aquela?

— Desde que Hiroaki achou que ela não servia mais. – cuspiu as palavras.

—Béééééééé!!!Re-pro-vá-do!! – Cheshire riu baixo. — Ora! Saga, pense bem, eu sei que você sabe.

O shinobi transformou-se em fumaça deixando somente os olhos e o sorriso enorme no formato original, devagar rodeou o corpo de Saga como uma cobra, parando a centímetros do ouvido dele.

— Por quem a Kyoko morreu, Saga? – sussurrou. Saga engoliu em seco.

No canto, Camus estancou entendendo de imediato onde Cheshire queria chegar. Aquele gato era astuto e não concordava com a aproximação de Saga e Kyoko, era óbvio que ele tentaria algo e era mais óbvio ainda a culpa que Saga carregava, e fazer com que ele se sentisse ainda mais culpado do que já estava era um golpe de mestre.

— Saga non de ouvidos a ele!

Cheshire olhou desdenhoso para Camus e depois voltou a observar o semblante pensativo de Saga. Estava chegando onde queria, tocando na ferida do geminiano e o fazendo sangrar outra vez.

— Você sabe Saga como tudo isso começou. Mesmo não querendo admitir, no fundo, bem no fundo sabe porque a Kyoko está sofrendo. – rodeou mais uma vez e Saga respirou fundo. — Hiroaki nunca foi uma ameaça a Kyoko-sama, você é.

— Mentiroso! — Berrou Afrodite.

O shinobi sorriu se afastando e voltando a forma original.

—Hiroaki-sama jamais teria ferido Hime-sama se você não tivesse atrapalhado os planos dele. Não que eu concorde com o que ele faça, mas...ele só ameaça a vida dela porque odeia você.

— Eu nunca...nunca quis que isso acontecesse. – sussurrou o mais velho. Seu coração disparado no peito.

—Eu sei, todos sabemos assim como sabemos que a única coisa que ameaça a segurança da Kyoko... é você. – aproximou-se mais. — Hiroaki-sama nunca quis matá-la, ele só o fez para ferir você. Tudo que ela está sofrendo...

— Não de ouvidos a ele Saga! – Mu berrou.

—...tudo que ela tem passado...

— Cale a boca! – Agora foi a vez de Afrodite, mas de nada adiantou.

—...é por amor a você. – completou sutilmente.

Cheshire conseguia sentir em cada poro de Saga exalar o cheiro da culpa e remorso por todas as coisas de errado que havia feito na vida e isso incluía a morte de Kyoko. Mesmo sabendo que não tinha sido ele a matar Kyoko diretamente, Cheshire, assim como muitos youkais, culpavam Saga por tudo. Kyoko se apaixonou por ele desde a primeira vez que o viu na Guerra Santa e logo depois disso a vida da Kitsune virara um inferno. Talvez se Kyoko nunca tivesse conhecido o geminiano ela jamais teria passado por todo o sofrimento que Hiroaki impôs a ela, tirando o fato de ter falhado miseravelmente em cumprir com sua obrigação em manter Kyoko em segurança.

—Hime-sama não perdeu a memória por completo, ela só esqueceu de você. – completou ainda sorrindo. A voz sutil e manipuladora.

—Ele a matou. – Saga sussurrou com o olhar perdido.

— Por sua causa. – respondeu o youkai.

— Não! Eu...nunca faria algo para machucá-la!

—Ora, e o que foi que você fez agora pouco?

Saga paralisou. Lembrou-se da discussão e de como havia sido rude.

Estava doendo muito toda aquela situação e as humilhações de Kyoko não ajudava em nada, sabia que ela não tinha culpa, mas mesmo assim perdeu a cabeça e a magoou mesmo sem ter a intenção. Agora Kyoko havia sumido. Estava novamente sozinha e por sua causa correndo risco de vida. Será que Cheshire tinha razão?

E foi nesse momento que Yamoto, Águia e Ookami entraram no local. Yamoto engoliu em seco observando os cavaleiros e principalmente quem ele menos esperava encontrar ali: Cheshire.

—O que está fazendo aqui? – indagou perplexo ao gato.

— Ora! Pergunte ao cavaleiro de Gêmeos. – respondeu despreocupado e zombeteiro.

Os três shinobis miraram o geminiano confusos. Pensaram que Saga havia ido atrás de Kyoko.

Mas espera aí! Se Saga não havia ido atrás de Kyoko e Cheshire estava ali no meio deles, então Kyoko-sama estava...

Kusoooo. (Merda!) – gruiu os três.

Ookami e Águia saíram em disparada para fora do local, correndo feito loucos, desesperados a procura de Kyoko.

Yamoto engoliu em seco com a possibilidade de alguma coisa acontecer com ela e nenhum deles estar lá para ajudar.

— O que está acontecendo aqui? – rosnou furioso.

— Esse gato traiçoeiro está colocando a Kyoko contra o Saga! É ele quem está deixando a Kyoko pior do que já está! – Afrodite confessou se aproximando.

— Perai! Você estava colocando a Kyoko contra o Saga? – Cheshire deu de ombros. — Droga Cheshire! O que deu em você?

— O que deu em mim? Faça-me o favor Yamoto-kun! Estou cumprindo com minhas obrigações, coisa que vocês deveriam fazer. – rebateu.

— E é o que estamos tentando fazer, droga!

— Usando esse humano? – cruzou os braços e sorriu. — Acha que ele é a melhor opção? Olhe o que ele fez? – apontou para si mesmo. — Agora a Kyoko está lá fora, sozinha e nunca a acharemos se ela não quiser graças ao “Grande cavaleiro de Gêmeos”.

—Ei! Não tenta inverter as coisas seu maluco, você começou isso tudo. Tínhamos que fazer ele parar de colocar caraminholas na cabeça da Kyoko e essa foi a única saída que encontramos. – Afrodite falou.

O cenho de Yamoto se crispou fortemente e ele sentiu vontade de matar aqueles humanos. Sabia que eles não eram confiáveis, e agora agindo com impulsividade, colocaram Kyoko em risco em um péssimo momento.

— Acontece meu caro que Cheshire é a sombra de Kyoko-sama, é ele quem nos diz onde e como ela está, e agora que vocês tiveram a brilhante ideia de arrancar ele das sombras dela, nós não fazemos a menor IDEIA de onde ela possa estar. Ou seja, se a Kyoko for atacada ou PIOR, morta, nós nunca saberemos! Sem Cheshire por perto, ela está a própria sorte.

Saga sentiu o ar lhe faltar com as palavras de Yamoto. Sua culpa pareceu triplicar e sua mente ficou ainda mais confusa com tudo. Nunca passou por sua cabeça aquela possibilidade. Só pensou em livrar Kyoko daquela sombra traidora, não levando em conta o dano e deixando Kyoko mais vulnerável ainda. Estava tudo dando errado, tudo! Havia perdido a cabeça, magoado Kyoko, e agora mais essa. É...Cheshire estava certo, ele sempre causava a ruína de Kyoko.

E foi em meio a um turbilhão de sentimentos que o geminiano achou por bem sair dali. Não queria ver ninguém e muito menos falar com alguém. Sentia-se culpado demais para ter de encarar quem quer que fosse.

Sem levantar o olhar envergonhado, saiu do meio dos amigos a passos rápidos. Mu chamou pelo mais velho e saiu atrás dele. Tinha medo que ele tentasse alguma bobagem.

Yamoto bufou irritado: — Não dá pra encontrá-la?

Cheshire cruzou as pernas enquanto flutuava, colocando as mãos a trás da cabeça de forma infantil. Por mais que não demonstrasse estava tão irritado e preocupado quanto Yamoto.

— Não mesmo. Você sabe que é impossível rastrear a Kyoko quando ela não quer. Nem eu posso. Agora que fui arrancado das sombras dela só posso voltar quando ela retornar. O jeito é esperar que volte.

Yamoto passou a mão nos cabelos sem saber o que fazer. Por essa ele não esperava. Porque Saga não contou a ele que estava desconfiado de Cheshire?

Afrodite saiu atrás de Mu e Yamoto achou por bem procurar Kyoko também. Não tinha escolha. Teria que sair e procurar por ela mesmo sabendo que era praticamente impossível acha-la. Era como procurar uma agulha no palheiro.

Na sala Camus caminhou até a porta, mas antes de sair mirou o bakeneko por cima dos ombros. Depois daquela conversa, o aquariano já tinha uma das respostas que queria.

— Foi você naquele dia, non foi? Você levou o corpo dela. Você estava lá o tempo inteiro. Nunca a deixou, sempre esteve olhando, mas sem nunca dizer uma só palavra. Você a viu morrer e non fez nada.

Um sorriso matreiro se formou no rosto do shinobi. Sabia que aquele cavaleiro em especial descobriria coisas que talvez nenhum deles ali sequer sonhavam. No fundo não se impressionou, já esperava aquela atitude dele.

Devagar caminhou até passar por Camus e antes de desaparecer confessou:

— Eu não lhe devo satisfações, cavaleiro. A minha adoração por ela vai muito além do que qualquer um de vocês pode imaginar. Eu vi muita coisa, vi o que vocês fizeram e acredite...eu nunca desejei tanto a morte de alguém como desejei de todos vocês quando a jogaram em uma prisão...sozinha. Eu faria qualquer coisa por ela, faria tudo de novo sem pestanejar. Julgue-me se quiser cavaleiro de aquário, mas tudo que fiz até hoje foi pelo bem dela, somente isso.

E dito isso o shinobi sumiu na escuridão deixando Camus em meio a divagações.

♊oOoOo♊

Camus achou prudente não comentar nada com Saga, pelo menos por hora, a respeito da confissão de Cheshire até mesmo por ainda desconfiar que ele continuava escondendo mais coisas do que imaginava. Precisava ter certeza de tudo antes de apontar o dedo. O amigo estava em frangalhos e não queria piorar as coisas. Fazia dois dias naquela manhã que Kyoko havia desaparecido para piorar ainda mais o estado de Saga. Os shinobis fizeram das tripas coração para encontrar a kitsune, mas de nada adiantou. Até mesmo alguns guardas youkais da vila saíram em busca da raposa, mas totalmente em vão. Kyoko não queria mesmo ser encontrada.

Os shinobis estavam reunidos na sala em volta da pequena mesa de café da manhã enquanto discutiam sobre mais uma estratégia em tentar achar Kyoko. Já temiam que ela estivesse com Hiroaki e se estivesse, seria o fim.

Camus, Afrodite, Mu e Saga chegaram depois se acomodando cada qual em uma almofada em silêncio.

Na ponta Cheshire sorriu zombeteiro, os dentes pontiagudos e brancos todos a mostra. Agora que estava fora das sombras da Kitsune era comum ver o gato flutuando por aí, principalmente atazanando Saga. Ele olhou para ele dos pés à cabeça da maneira que já sabia e o incomodava demais. Era simplesmente infernal a maneira como aquele gato desgraçado havia cismado com sua pessoa.

Achou melhor não discutir com ele pelo menos por hora. Sentia-se exclusivamente triste naquela manhã. Sua mente estava um caos principalmente por não poder sair dali em busca da amada.

— É parece que eu me enganei de novo, Ookami. – disse o gato. — Eu podia jurar que ele iria se enforcar nessa madrugada.

Yamoto bufou: — Não começa Cheshire.

O gato sorriu malicioso fazendo um sinal com a mão como se puxasse uma corda em seu próprio pescoço. Um sinal claro do que ele julgava ser o que Saga deveria fazer: Se matar.

O dia mal havia começado e as indiretas daquele shinobi vinham com toda maldade para cima de Saga. O cavaleiro estava tão mal com tudo que simplesmente não conseguia mais ignorar as brincadeiras de mal gosto de seu mais novo algoz. Respirou fundo perdendo completamente o apetite. Soltou o pires de arroz e jogou o guardanapo na mesa, se levantando em direção a porta.

Seu coração falhou uma batida, os olhos verdes se arregalaram. Os shinobis se entreolharam com a reação do cavaleiro, assim com Camus, Afrodite e Mu. O ariano chamou por Saga, mas este pareceu não ouvir, não esboçando nenhuma reação.

Um burburinho pode ser ouvido vindo de fora, chamando a atenção dos shinobis.

—Estão ouvindo? – Ookami falou

Águia estancou ao se dar conta do que poderia ser. Os quatro se levantaram de qualquer jeito e saíram correndo até a varanda, se espantando ao verem Kyoko parada no grande pátio de acesso a seu castelo, com o robe azul vinil que usava sujo e rasgado. As bochechas e os cabelos sujos de terra e alguns arranhões nas mãos.

— HIME-SAMAAAA!!! – Berrou Ookami e Cheshire.

Os dois foram os primeiros a correr como crianças em direção a ela. Kyoko somente levantou o rosto deixando seus olhos coloridos se encontrarem com os verdes do cavaleiro de gêmeos.

Saga sentiu as pernas falharem com o ato, pensando se devia ou não ir até ela também. Um alívio incrível quase o fez flutuar por finalmente ver Kyoko outra vez.

— Hime-sama! Hime-sama! Eu fiquei tão preocupado! – dizia Ookami ajoelhado e agarrado as pernas de Kyoko como uma criança enquanto Cheshire beijava uma das mãos dela.

— Suas mãos estão...

— Eu to bem Cheshire. – resmungou desviando os olhos.

— Nós pensamos que você tinha morrido! Buááááááá... – chorava Ookami agarrado as pernas de Kyoko.

—Dá pra parar de ficar me agarrando, eu sei me cuidar tá?! Não sou nenhum bebê e agora me solta.

A raposa deu um chute em Ookami para afasta-lo. Yamoto riu da cena cômica entre eles e também de alívio. Desde que a raposa sumira ele não pregou os olhos nenhuma vez sequer.

—O que é aquilo do lado dela? – indagou Mu.

— É um javali do mundo das trevas. São extremamente violentos e suculentos também. – respondeu Águia.

— Por Atena! Bem grandinho ele, não é?! – ironizou peixes.

O tal javali era gigantesco como um elefante ou um mamute. A pele escura e com dentes enormes. O monstro estava com um corte de fora a fora da garganta, obviamente feito pela katana afiadíssima de Kyoko.

— Ookami...- o shinobi se levantou sério ao ouvir o chamado de Kyoko. — Prepare uma fogueira e divida a carne. Mande distribuir os pedaços junto com sopa para as pessoas. Está muito frio, eles vão precisar. – ordenou começando a caminhar.

—Vocês ouviram bando de molengas! – berrou aos guardas.

Depois da ordem a raposa começou a caminhar. Um frio percorreu sua espinha por saber que os olhos do humano não se desprendiam de si. Pensou em olhar, em retribuir o gesto, mas sem entender bem porquê não conseguiu. Estava triste pela discussão mesmo dizendo para si mesma que não devia se importar com ele ou com o que ele achava de si, mas isso era algo que já não conseguia mais fazer.

“Não olhe para ele, não olhe para ele! ”, pensou Kyoko passando no meio deles com toda sua altivez.

“Por todos os deuses, olhe para mim. ”, pensou Saga controlando ao máximo sua aflição. Sua vontade era correr e abraçar sua Kitsune, enche-la de beijos e dizer o quanto sentia sua falta, mas infelizmente agora além de tudo, o cavaleiro de gêmeos estava, pela primeira vez, com medo de se aproximar dela. Não medo de Kyoko tentar algo como: cortar sua cabeça ou quem sabe arrancar suas bolas, mas sim de magoa-la ainda mais.

Por isso focou-se nesse sentimento, controlando suas emoções e desviando o olhar.

A Kitsune parou por alguns segundos só para ordenar que Águia enviasse Ume até seu quarto e para que ninguém a incomodasse. E antes que seus atos e pensamentos a traíssem, achou por bem vestir sua máscara de indiferença e frieza, dando as costas a eles.

Afrodite olhou o semblante triste de Saga e se compadeceu. Ele não aguentava mais ver o estado do amigo e também de Kyoko. Ela podia não demonstrar, mas ele sabia que ela estava um caco também. Se não tivesse, não teria fugido naquele dia.

Colocou os parafusos para funcionar em uma velocidade recorde e sem aviso prostrou-se de joelhos na frente de Kyoko. Ela levou um susto, dando dois passos para trás de maneira instintiva.

— Vossa alteza, peço perdão por assusta-la, mas antes que vá eu...queria dizer que estou feliz por ter voltado...

Kyoko estancou. Não esperava mesmo por aquela atitude de nenhum deles. Pensou em mandar que Águia ou Yamoto desaparecessem com aquele andrógeno, mas algo dentro de si não deixou. Estava curiosa com a atitude dele.

—...e como forma de mostrar meu apreço, peço que aceite isto...

E com um movimento rápido de mãos Afrodite fez surgir um pequeno buquê de rosas. Kyoko levou um susto com o aquilo, mas impressionando-se com a beleza do ato. Por essa ela não esperava...mesmo! Seus olhos coloridos brilharam de satisfação ao receber como presente rosas vermelhas. Aquelas flores não existiam no Makai. Ela sorriu boba esticando a mão para pegar as flores.

—...não é muito, mas...é de coração. – completou com seu melhor sorriso.

Satisfeita de uma maneira impossível de esconder, Kyoko sorriu ainda mais boba com o presente. Levou as flores ao nariz apreciando o perfume das rosas feita por Afrodite.

Arigatou.(Obrigada!)

— Mostre a ela o que você sabe fazer. – sussurrou Mu a Saga, entendendo perfeitamente onde Afrodite queria chegar com aquele gesto.

—O que, explodir a casa dela? – respondeu no mesmo tom.

Os olhos coloridos voltaram para Saga de forma inquisidora e curiosa. Era como se ela esperasse que ele tivesse da mesma atitude que o outro, mas como? O que poderia fazer para agradá-la mais do que as rosas perfumadas e exageradamente românticas de Afrodite?

Sem receber o que esperava a feição de Kyoko novamente endureceu. Aquele michê era um idiota mesmo. Havia sumido por dois dias por causa da malcriação dele e mesmo assim ele não parecia se importar. Desviou os olhos...

“É melhor tomar as providências o quanto antes. Não quero que as coisas piorem ainda mais. ”, pensou dando as costas e saindo dali.

— Escuta aqui engraçadinho...- Começou Yamoto

—Não precisa se preocupar, foi só um truque barato. Se eu tivesse um terço do cosmo que possuo essa casa inteira seria um mar de rosas, ou melhor, essa cidade inteira. Kyoko nadaria em rosas por um ano inteiro. – falou peixes.

— Foi inteligente. Ela ficou feliz. – falou Cheshire sorridente e flutuante como sempre.

— Obrigado pelo elogio, só é uma pena que nem todos são tão inteligentes assim...não é, Saga?

O geminiano crispou o cenho. Será que Afrodite estava ficando doido por conta da convivência com aqueles malucos?

— Afrodite, qual é o seu problema? O que você queria que eu fizesse, desse a ela uma...mini bomba ou uma micro....

E foi nessa hora que Saga caiu em si. Afrodite sorriu de lado ao ver que ele finalmente, mesmo que tarde, havia entendido onde ele queria chegar. Ele levou uma das mãos a testa do mais velho de forma brincalhona, batendo de leve com o indicador.

— Ohhhh! Tem alguém aí? O que está acontecendo com o grande Cavaleiro de gêmeos, ãhn?! Acorda Saga! Ela está te esperando. – sorriu saindo junto com os outros e deixando um Saga pensativo.

Será que aquilo iria dar certo?

♊oOoOo♊

Duas servas cochicharam maliciosamente ao cruzarem consigo no extenso corredor. Não conseguiu ouvir sobre o que elas diziam, mas sabia – por seus sorrisos – que deveria ser alguma coisa relacionada a sua fisionomia. Não que isso fosse um incomodo, só esperava que não fosse nada desagradável.

Depois de alguns segundos finalmente chegou onde queria. Parou respirando fundo e mirando as mãos suadas e trêmulas. Xingou mentalmente a si mesmo, odiando sua falta de controle. Desde quando havia se tornado um homem inseguro? Aquela era Kyoko, sua amada Kitsune. Não tinha porquê ficar assim.

Respirou fundo quase fazendo menção em desistir, mas lembrou das ofensas de Cheshire. Era isso que aquele gato desgraçado queria. Queria que desistisse, porque só assim ele provaria que não era digno de Kyoko.

Bateu na porta duas vezes e esperou. Uma voz doce se fez presente antes da porta abrir.

— Olá, boa noite! – disse a mocinha.

— Boa noite, desculpe meu atrevimento, mas...é Ume, não é?! – ela acenou sorrindo. — É Ume, eu...sei que já é noite e também sei que a Senhorita Kyoko não quer ser incomodada, mas é que eu...

— Tudo bem, pode entrar, mas não diz que foi eu quem deixou, okay?! – falou baixinho só para ele ouvir.

Saga sorriu feliz. Nunca pensou que seria tão fácil entrar nos aposentos dela.

—Okay!

Ume abriu a porta um pouco mais, dando espaço para que ele pudesse entrar. Depois apontou o lugar onde Kyoko estava; o jardim. Saga agradeceu mais uma vez e caminhou com calma pelo amplo quarto até a porta de acesso ao engawa. Kyoko estava sentada no pequeno banco de madeira observando o lago. Ela possuía uma expressão perdida e triste. O olhar vago que na verdade não via nada além de seus próprios pensamentos. Os cabelos lisos estavam presos em um coque frouxo, deixando alguns poucos fios cair pela nuca e na lateral da franja, as orelhas levemente curvadas na ponta davam ainda mais ênfase o fato de estar deprimida.

O coração de Saga congelou dentro do peito. Como sentia falta daquela Kitsune teimosa e mal-humorada. Se ela tivesse a mínima noção do quanto sentia saudades as coisas seriam bem mais fáceis.

E da forma mais sorrateira que podia pisou sobre as pedras. As mesmas estalaram fazendo as orelhas de Kyoko se erguerem. Saga engoliu em seco; ela sabia agora que ele estava ali.

—Com licença...

Kyoko franziu o cenho, tentando transpassar algo que ela sabia não sentir por ele: indiferença. Virou o rosto um pouco para o lado, empinando o nariz com descaso e arrogância.

—...desculpe meu atrevimento, sei que não queria ser incomodada, mas...

—Mas mesmo assim está me incomodando. – cortou ríspida sem olha-lo. Era melhor assim.

O cavaleiro sentiu-se péssimo, mas não iria desistir. Não dessa vez.

— Eu sei, eu sinto muito...- se aproximou devagar. —...eu...eu queria pedir desculpas pelo que eu disse. Eu não tinha a intenção, quer dizer...eu não devia ter dito aquilo, não era a você que eu me referia.

— Era a quem então, meu povo? Meus shinobis? – rebateu sem olha-lo.

— Olha, eu sei que o que eu disse não foi nada agradável, mas você também não foi nenhum anjo comigo. Tem me escorraçado desde que cheguei aqui.

— E o que você queria? – finalmente Kyoko olhou para ele. — Que eu....me jogasse ao seus pés ou...na cama com você? Eu nem te conheço. Nunca o vi. E aí eu chego no meu quarto e encontro um...homem humano vestindo trajes de...prostitutos, deitado na minha cama agarrado com meus travesseiros como se...como se...ahhhh nem sei como me referir a isso. – emburrou a cara.

Saga prendeu o riso. Realmente havia agido como um adolescente, mas o que podia fazer? Estava extremamente ansioso, saudoso e cansado de esperar naquele quarto, e o cheiro de Kyoko nos travesseiros, no quarto, em tudo! Não ajudou nem um pouco a deixa-lo menos excitado com o reencontro. Não tirava a razão dela em ficar furiosa quando o flagrou quase se masturbando na sua cama e com seus travesseiros.

—Olha, eu sei que está zangada comigo, pelo que eu disse e por tudo que eu fiz. Eu não sabia...- sentou devagar na ponta do banco. — ...não sabia que seria um jantar. Eu me senti péssimo depois que você sumiu. Tive medo que algo de ruim acontecesse com você.

Kyoko virou o rosto novamente, mantendo as mãos sobre o próprio colo. O bico irritado como uma criança birrenta não estava intimidando Saga em nada, muito pelo contrário. A vantagem de já terem vivido juntos era saber e conhecer os gestos dela e aquele era o típico sinal de que simplesmente queria que ele se esforçasse mais. Kyoko nunca conseguira sentir raiva de Saga por muito tempo e não seria agora, mesmo que não lembrasse desse fato, que isso iria mudar, e o cavaleiro sabia e muito bem disso.

— Você não sente nada! Vai embora, me deixe sozinha.

Um silêncio estranho se instalou no ambiente deixando Kyoko ainda mais apreensiva. Porque ele insistia tanto? Porque não a deixava em paz de uma vez? E foi assim em meio a pensamentos que um brilho despertou sua curiosidade. Ela piscou algumas vezes e somente com o canto dos olhos virou na direção de Saga.

E se existisse alguma coisa que Kyoko mais amava do que comer, este era o céu estrelado do Nigenkai*, e para sua completa surpresa e perplexidade ele estava ali, bem na sua frente e na palma das mãos de Saga. A Kitsune abstraiu o fato e a possibilidade de o ato ser uma armadilha ou de que para fazer aquilo Saga precisava de poder, pois a beleza da pequena esfera nas mãos dele era muito maior do que qualquer coisa que ela já tinha visto. Era como segurar um pedaço da galáxia na palma da mão.

— Quer segurar?

Kyoko despertou do transe, olhando curiosa dentro dos olhos de Saga. O brilho dourado do cosmo dele, refletindo dentro das íris verdes que ele possuía, deixando-as ainda mais lindas. Nem conseguiu perceber quando havia perdido o ar por conta daquela visão. Saga era ainda mais bonito do que se lembrava. Os cabelos e o rosto dele se destacando pela luz que saia da esfera de forma exageradamente angelical.

— Quer segurar? – perguntou outra vez. Kyoko só maneou a cabeça positivamente.

Ele então sorriu meigo depositando a pequena esfera brilhante e quente nas mãos dela. Kyoko arfou quando sentiu o calor e a certeza de que estava sim segurando um pedaço do céu. Era um sonho aquilo! As galáxias rodavam lentamente ali dentro, refletindo o brilho das estrelas dentro de seus olhos. Um pequeno sorriso moldou seu rosto, mas só por pouco tempo, pois um grande e lindo veio logo a seguir. Suas covinhas fofas marcaram as bochechas coradas de forma sincera e encantada como a tempos Saga não via. Ela estava ainda mais deslumbrada do que quando vira o truque de Afrodite com as rosas. Tinha que admitir: aquele cara de pau acertou em cheio. Como não havia pensado nisso antes?

Respirou fundo, buscando todo o autocontrole que possuía para não agarrar Kyoko ali mesmo. Por todos os deuses, como a queria de volta. Sentir o calor de seu abraço, o cheiro de seus cabelos, a macies de seus lábios pelo menos só mais uma vez. A desejava tanto e muito além de qualquer compreensão. Somente o sorriso dela era suficiente para lhe dar forças para não desistir. E pensar que estava cogitando deixar tudo como estava e voltar para o santuário...

Ela estava tão concentrada na esfera que só se deu conta de que as mãos dele estavam segurando as suas por baixo quando sentiu o suor frio dele em contraste com o calor da esfera. Seus olhos de imediato fixaram-se nos dele. Não conseguia entender porque se sentia tão estranha perto daquele homem. Ele era humano e não devia se sentir assim perto de humanos. Eles eram traiçoeiros, mentiroso. Sabia disso melhor do que ninguém então, porque se sentia tão bem perto dele se nunca o tinha visto antes? Não fazia a menor ideia de como ele conseguia mexer tanto com seus sentimentos e pior ainda; porque ele insistia tanto com a aproximação mesmo depois de tudo que dissera.

— Quanto Baa-san e Yamoto pagaram pra você insistir tanto comigo? – perguntou baixinho.

—Nada! – respondeu no mesmo tom.

Nani?! (O que?!)

Saga sorriu de lado com a expressão incrédula dela. Será que já dava para enche-la de beijos?

—Sei que vai parecer clichê e também sei que você não vai acreditar em mim, mas...não estou ganhando nenhum centavo para estar aqui. – confessou sorrindo jocoso.

— Mas...você disse que...

— Digamos que eu menti. Você estava tão...zangada...- aproximou-se mais—...que foi a primeira coisa que veio a minha mente.

— Mentiroso...

— Viu?! Não disse que não ia acreditar?

Kyoko ruborizou violentamente ao se dar conta da proximidade do rosto dele ao seu e ainda por descobrir que ele não estava ganhando nada para estar ali. Pensou em se afastar, mas simplesmente não conseguiu. Via seu próprio rosto refletido nos olhos dele lhe hipnotizar. Pensou também em perguntar porque ele estava ali então, mas sentiu medo da resposta. Outros homens diriam que era só por ser quem ela era e não por ser pelo que era, e isso doía, doía muito. Sua respiração tornou-se ofegante enquanto seus olhos já não conseguiam esconder o desejo. Os lábios rubros abriram somente um pouco prontos para serem acolhidos por aquela boca desenhada que ele possuía.

“Por favor, alguém apareça ou não respondo por mim.”, pensou Kyoko já quase tendo um treco.

“Por favor, que não apareça ninguém ou não respondo por mim.”, pensou Saga sentindo o coração na garganta.

Com sutileza e zero de autocontrole começou a se aproximar, a boca salivando de desejo em prova-la outra vez. Sua mão segurou as dela com um pouco mais de firmeza, com se aquele ato pudesse manter Kyoko ali, presa perto de si. A respiração dela batendo contra a sua freneticamente, quente de ansiedade....ela o queria, isso era mais real do que o ar que respirava ou o retumbar forte de seu coração contra suas costelas, para sua total e imensa alegria.

“Twas brillig, and the slithy toves

Did gyre and gimble in the wabe;

All mimsy were the borogoves,

And the mome raths outgrabe.”

Kyoko estancou ao ouvir alguém cantarolar. Um cantarolar que fez o sangue de Saga ferver nas veia de ódio, pois aquela voz doida tanto ele quanto Kyoko sabiam exatamente de quem ser...

Cheshire, o bakeneko.

E de repente a sombra de Cheshire começou a se formar bem ali ao lado do casal até aparecer completamente, flutuando deitado, com uma das mãos apoiadas no queixo enquanto a outra balançava de um lado para o outro no ritmo da música completamente sem nexo que ele cantava despreocupado.

— Olá! – disse. — Hime-sama...- sorriu empurrando Saga e entrando na frente de Kyoko, tomando as mãos dela entre a sua. — Como está?

— Estou bem Cheshire, já disse. O que quer? – indagou nervosa. Por um lado, agradecia internamente por ele ter aparecido, mas por outro queria mata-lo.

—Baa-san mandou isto para você...- tirou da manga da blusa um pergaminho e entregando nas mãos de Kyoko. —...e também o jantar já está na mesa.

A Kitsune mirou o rolinho de papel e depois o semblante seríssimo do cavaleiro de gêmeos. Era quase palpável a ira que ele sentia por ter sido interrompido por Cheshire DE NOVO ao tentar se aproximar dela.

Ela então bateu devagar na cabeça do gato levantando do banco e começando a caminhar. Parou antes de tocar o primeiro degrau. Ficou assim por alguns segundos pensando se realmente deveria autorizar aquilo. Mordeu os lábios; não tinha com que se preocupar.

— Acho que vou seguir o conselho de Baa-san em relação a você.

Saga estancou. Será que tinha ouvido direito? Então ela iria...

—...mas não pense que irá dormir na minha cama. – cortou com o dedo em riste. Saga sorriu mesmo assim. — Não demora, o jantar já está na mesa.

E assim ela saiu. O sorriso de Saga naquele momento fora de orelha a orelha. FINALMENTE!!! Finalmente havia conseguido convencer aquela Kitsune teimosa a lhe dar pelo menos uma chance.

— Ãhnnnn...primeira estrofe... Twas brillig, and the slithy toves did gyre and gimble in the wabe…” – recomeçou o gato para a irritação do geminiano.

Com raiva Saga se atirou no pescoço de Cheshire a fim de o esganar tamanho foi seu ódio por ele ter aparecido- de novo- justo naquela hora.

— Seu filho da puta!!! – gruiu o cavaleiro. Sua vontade era de explodir aquele bichano em milhares de pedaços.

O pescoço de Cheshire passou pelos dedos de Saga na forma típica de fumaça, ignorando o cavaleiro e continuando a cantarolar coisas sem sentido, balançando as mãos de um lado para outro como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Por que está fazendo isso, droga! Será que não dá pra deixar eu e MINHA namo...

Não terminou, pois, o gato se jogou em cima de Saga, tapando a boca dele com ambas as mãos. Era como se Saga tivesse blasfemado.

— Shiiiiiiiiiiiii...tá todo mundo ouvindo.

Saga empurrou o gato ainda mais furioso.

— E eu com isso? Estou cansado de ficar desse jeito. – falou entre os dentes, olhando para a porta do quarto onde Kyoko somente lia o tal pergaminho.

— Ahhhh humano, você é burro ou o quê? Já disse “ Kyoko-sama não pode passar por nenhum tipo de estresse emocional”

— Ãhn?! Você não disse nada disso seu maluco!

— HAHAHAHAHA...aí você é tão engraçado! – gargalhou o gato deixando gêmeos sem saber como reagir. Bem que Ookami havia avisado que Cheshire não batia bem das bolas. — Gostei de você meu rapaz, só precisa ser mais....paciente.

A expressão do cavaleiro de gêmeos naquele momento faria qualquer ser na face da terra cair na gargalhada: uma das sobrancelhas erguida e a boca levemente aberta, quase formando uma careta. Ele simplesmente não conseguia acreditar que estava passando por tudo aquilo. Aquele gato era verdadeiramente maluco. Não tinha outra explicação. A dois dias atrás ele estava dizendo que era uma ameaça, ou melhor até a um minuto atrás ele dizia que ainda era uma ameaça, e agora sem mais nem menos dizia gostar dele?! Mas que droga estava acontecendo ali? De onde Kyoko havia tirado aquele retardado? E pior: como podia confiar nele para protegê-la?

O gato limpou a garganta, fechou os olhos e sentou no ar com as pernas cruzadas. Sorriu e então:

“All mimsy were the borogoves,

And the mome raths outgrabe.”

Da porta do quarto Kyoko observou a cena hilária e começou a rir sozinha. Já estava mais do que acostumada com os rompantes de loucura de seu bakeneko. Sentiu pena do homem. Ele observava o maluco com cara de quem não estava entendendo uma vírgula do que ele dizia, mas também quem entendia? Nem ela entendia. Talvez ninguém entendesse.

Caminhou até Saga pegando ele pelo braço e o tirando dali antes que ficasse doido também. Cheshire tinha o dom de enlouquecer todos a sua volta.

— O que que ele está dizendo? – inqueriu sem conseguir parar de olhar para ele.

—Se um dia você descobrir, me conte porque até hoje eu nunca soube.

“Twas brillig, and the slithy toves

Did gyre and gimble in the wabe;

All mimsy were the borogoves,

And the mome raths outgrabe.”

E no jardim o gato continuou a cantarolar, sumindo bem devagar até retornar a sombra de Kyoko.

♊oOoOo♊

Abriu os olhos devagar. Piscou duas vezes puxando o cobertor e se aconchegando mais. Estava terrivelmente preguiçoso naquela manhã e não gostava disso. Passou uma mão no rosto abrindo os olhos novamente se dando conta de que estava de cara para parede. Virou somente o rosto, pois estava de bruços, e para sua maior satisfação e alegria lá estava ela, embrulhadinha como o mais lindo e fofo rolinho primavera que já havia visto na vida. Sorriu feliz ao lembrar da noite gostosa que tiveram; o jantar, as conversas, os olhares e o convite.

Ah sim! Lembrou-se do convite que ela lhe fez: pegar mambaratis para Baa-san fazer remédios para as crianças da vila.

Olhou ao redor vendo em um pequeno relógio que já era oito da manhã. Kyoko estava atrasada, mas ela estava tão linda como rolinho primavera que sentia pena de acordá-la.

Tentou levantar, mas um peso estranho não deixou. Tentou outra vez e nada. Olhou para trás, não se surpreendendo nem um pouco ao ver Cheshire sentado em suas costas com seu irritante sorriso gigantesco no rosto.

—Ohayo, Saga-kun!

— Só se for pra você. Será que dá pra sair de cima de mim? – resmungou irritado.

O gato apoiou um dos cotovelos nas costas de Saga aproximando o rosto do dele, piscou zombeteiro:

— Você tem belos olhos. – escarneceu só para variar.

Saga levou uma das mãos para trás, puxando o gato pela manga do kimono azul de qualquer maneira e o jogando na cama. Sentou em cima dele já tencionando enforca-lo de uma vez por todas. Como queria matar aquele desgraçado, mas para seu azar Cheshire reagiu da última forma que Saga poderia imaginar; dando um beijo em sua boca.

O cavaleiro levou um susto, pois por essa ele não esperava nunca! O gato agarrou a nuca do cavaleiro, mantendo as bocas unidas na base da força. Saga deu um pulo da cama, tendo Cheshire agarrado a seu pescoço e as pernas em volta de sua cintura. Por ser bem menor aquilo não foi nenhum problema para ele. Saga gruía, empurrando o youkai para lhe soltar, sentindo seu ódio por ele subir a níveis alarmantes. Ergueu o punho e disparou um soco que passou direto quando Cheshire finalmente o libertou.

— Blééé que nojo, você deveria escovar os dentes, sabia?! – disse o gato.

—Seu, seu...desgraçado como...

— Hummmmmm...

Um gemido chamou a atenção de Saga. Kyoko ainda estava dormindo, mas agora visivelmente incomodada pelo barulho que faziam. O gato agarrou novamente o geminiano, mas dessa vez por trás, tapando sua boca com uma das mãos.

—Shiiiiiii...ela ainda está dormindo.

Saga se sacudiu e Cheshire o soltou. Estava putíssimo por ter sido beijado por ele. Quem aquele youkai maldito pensava que era para...afronta-lo assim? Tinha sorte de Kyoko ainda estar dormindo, pois se não iria mostrar a ele um caminho para onde nunca mais pudesse voltar.

— Por que está me olhando com essa cara? Você parecia querer beijar na boca ontem. – sussurrou o outro.

—Eu nem vou te responder...- rebateu caminhando para o banheiro.

Depois de alguns minutos voltou um pouco mais calmo. Nem sequer olhou para o youkai que parecia entretido consigo mesmo na frente do espelho. Devagar sentou na cama ao lado de Kyoko. Não podia perder essa oportunidade. Queria estar perto dela quando acordasse e ainda mais; queria vê-la dormir um pouco mais. Ficou assim...somente olhando para ela por longos minutos; a respiração serena e a expressão doce de quem tanto amava. Agradeceu aos deuses por finalmente estar assim tão perto dela. Lógico, queria mais de Kyoko, mas por hora estava satisfeito com o que tinha. A paciência era uma virtude ao qual possuía e muito. Só não superava Mu de áries.

Kyoko suspirou se encolhendo mais e, de forma inconsciente, na direção de Saga. Ele amou aquilo, a aproximação dela, como que buscando abrigo, um refúgio em seu colo.

E aquele gesto era demais para seu coração. Abstraiu ainda mais o fato de Cheshire ainda estar no quarto, levando o indicador até o rosto dela e afastando alguns fios. Precisava urgente sentir o calor e a macies da pele dela outra vez. Estava cansado de somente observar.

—Por que você me faz tremer? – deslizou devagar pela tez alva. — Sua existência me faz respirar. – deslizou pela ponta do nariz fino. — Obrigado por preencher meu coração pobre e vazio...- desceu até os lábios suspirando e deliciando-se com a textura deles. —...com uma joia como você.

O rosto da Kitsune tremeu por conta dos toques, se remexendo incomodada:

— Ookami para! Eu não quero acordar agora.

Saga sorriu lindamente. A resposta dela sempre era a mesma, só não gostou de ser confundido com o beberrão. Esperou ela sossegar e se aproximou mais e novamente voltou ao que fazia:

— Você é como a estrela brilhante no céu...- ela resmungou outra vez, mas dessa vez abriu os olhos preguiçosamente e encontrando os verdes do humano. — ...que não pode ser tocada porque está tão distante.

E se houvesse alguma maneira de fugir do olhar daquele homem, Kyoko não sabia existir. Ela não conseguia encontrar nenhuma explicação plausível que justificasse suas atitudes. Ela sabia que devia gritar, espernear, ou até menos matar aquele homem só por ele ter ousado se aproximar quando sabia não poder, mas ela não conseguiu. Ficou ali, deitada, olhando para ele hipnotizada pelo seus olhos e sua expressão doce.

— Bom dia! – ele disse.

Ohayou. – ela respondeu

— Alguém já lhe disse que você fica linda enquanto dorme?

Kyoko sorriu de leve. Já tinha ouvido aquilo antes, Hiroaki já havia cansado de lhe dizer, mas sinceramente, ouvir aquele elogio tão comum para si partir daquele homem foi muito melhor. Aquela voz dele deixaria qualquer mulher de pernas bambas, tirando o fato dele possuir o tórax mais lindo que já havia visto na vida. Ele tinha realmente necessidade de estar somente com uma calça de moletom?

—Nem todo mundo me vê dormir. – se espreguiçou sentando na cama.

— Então eu sou um sortudo.

— É...- se descobriu levantando. Ficou parada por algum instante olhando para ele e como uma criança jogou uma almofada na direção do rosto dele.

— Ei, o que foi que eu disse de errado? – ironizou.

Kyoko somente colocou a cabeça para fora do banheiro, mostrando a língua para ele e sorrindo depois.

— Vê se não vai ficar se achando, você já é metido demais pro meu gosto, michê.

Saga gargalhou. Estava muito feliz, tão feliz que mal conseguia acreditar que no dia anterior pensava que morrer era melhor do que passar por tudo aquilo. Se as coisas continuassem naquele ritmo o dia deles na caça aos mambaratis seria longo e melhor do que ele podia imaginar.

Na exausta noite...

Eu seguro sua pequena luz enquanto caminho.

Porque eu só consigo ver você

Sua luz que é inevitável e deslumbrante, flui no fim desta noite...

Por que você me faz tremer?

A sua existência me faz respirar novamente

Esta noite você é um milhão de pedaços

Você preenche, preenche, preenche meu coração profundamente

Você acolheu o meu coração partido

Esta noite, no lugar mais profundo...

Sua luz me preencheu completamente.

Continua...

Notas finais
E ele tinha que atrapalhar de novo ne?!!!! Não daria esse mole mesmo. Não me matem gente, sei que ta demorando o finalmente da Kyoko e do Saga, mas tudo terá uma justificativa. Prometoooooo!!! Agora: A Angell aqui ta deixando vaaaaarias pistas ao longo da fic e será que a galera ta conseguindo captar? Hummmmmmmm...sei não!!! Vamos ver. Hahahahahhaha... Bjs gente e obrigada pelo carinho. Não esqueça o de deixar seus reviews okay?!! Adoro!! Dicionário da Angell Nigenkai - Mundo dos humanos. *A música que o Cheshire aparece cantando é a mesma do desenho da Alice no País das maravilhas, ao qual o gato original e que estou me inspirando aparece cantando pela primeira vez. Pelo que eu pesquisei ela não tem tradução. É como se ele estivesse dizendo várias palavras inventadas por ele mesmo. Por isso a reação do Saga em não entender o que ele estava dizendo.