Uma estranha no ninho - Vol. I
4 Um estranho ataque.
Notas iniciais

Passaram-se somente três dias desde que Kyoko havia sido posta sob a guarda do cavaleiro de gêmeos. Pensando assim até que parecia pouco tempo, mas para Saga, que já pensava estar ficando careca por conta das travessuras da raposa, estava sendo um suplício. Ela era pior do que imaginou, ou quem sabe...melhor do que imaginou...não! Era pior...Ahh! Que seja...o melhor mesmo era nem pensar.
A temperatura havia caído drasticamente graças a chuva torrencial que caía naquela noite, refrescando as pedras e as escadarias das doze casas, acalmando os ânimos de alguns e tirando o sono de outros, em especial Saga que já estava quase saindo debaixo daquela tempestade já que Kyoko achou divertido passear na chuva atrás das “frutinhas cabeludas” que ela havia recém-descoberto ser as suas favoritas.
O cavaleiro tentava manter a calma e não se preocupar muito, se esforçando em acreditar que ela não era indefesa e nem uma mulher sensível, e sim um ser sobrenatural que havia ultrapassado as doze casas como brincadeira de criança ou que poderia devorar a alma de um homem caso o achasse apetitoso no momento. Ela não era frágil, não era de porcelana, mas inexplicavelmente para Saga estava sendo difícil se convencer.
— Por que você saiu nessa chuva? Está louca? – Ralhou com uma das mãos na cintura, observando Kyoko avançar pela área privada da casa e só parando alguns segundos para se sacolejar e se livrar do excesso de água.
— As frutinhas cabeludas acabaram e saí para procurar mais. – Respondeu sem a menor preocupação enquanto torcia a cauda.
— Não podia ter pelo menos esperado a chuva passar ou ter me comunicado? – Saga caminhou até o quarto, abrindo um armário e tirando de lá uma toalha felpuda e seca.
— Desculpe papai. – Ela zombou em resposta ao mesmo tempo batendo em um dos lados de sua cabeça na tentativa de retirar a água que havia caído dentro de uma de suas orelhas, ignorando completamente o sermão. Saga observou a cena e achou graça das orelhinhas se sacolejando, mas nada disse. Aproximou-se e a envolveu com a toalha.
— Use a ponta da toalha para fazer isso. – Disse se afastando e virando para a porta do guarda roupas que havia deixado aberta.
— Bruuu...está frio. – Ao ouvir o resmungo virou de volta, se arrependendo logo em seguida (ou talvez não) e quase caindo duro no chão.
Kanon que até então caminhava distraído com um pote de sorvetes nas mãos quase engoliu a colher ao ver do corredor Kyoko jogar a túnica encharcada de forma displicente no chão, exibindo o corpo nu e totalmente sem os pelos de proteção.
Saga bem que tentou, mas seus olhos não lhe obedeciam e ele simplesmente não conseguia para de olhar. Engoliu sua saliva como se fosse cacos de vidro tamanho o esforço. A kitsune enxugou-se um pouco, até por fim se enrolar na toalha completamente alheia ao fato de estar nua na frente dos dois geminianos. Ergueu uma das sobrancelhas e encarou Saga com cara de bobo.
— O que foi?! Nunca viu? – Saga não respondeu por ainda estar perplexo com a cena, sentindo o corpo vibrar em resposta ao nu diante dos seus olhos verdes. Kyoko sacudiu a cabeça dando as costas e saiu caminhando em direção ao banheiro. – Humanos. – Completou fechando a porta atrás de si.
Os gêmeos se miraram, mas foi o mais novo a reagir primeiro, erguendo as duas mãos para o céu em uma atitude infantil.
— Que chova todas as vezes que as frutinhas cabeludas acabarem!
O mais velho olhou para a porta do banheiro e passou a mão na cabeleira azulada, soltando o ar fortemente pela boca. Por mais autocontrole que tivesse, ainda assim era um homem e tinha suas necessidades e seu corpo reagia a tais estímulos mesmo lutando contra. Kyoko era uma tentação mesmo não sendo humana e Saga mesmo não sabendo explicar e achando aquilo um tanto...bizarro demais preferia pensar que tudo não passava de uma curiosidade momentânea ou algum fetiche esquisito por ela ser “diferente”. Decidiu que o melhor mesmo era sair dali o mais rápido possível antes que ela resolvesse sair nua do banheiro e ele sim ter que sair na chuva forte e fria para acalmar seus ânimos.
No banheiro Kyoko sorriu maliciosa sabendo os efeitos que aquilo havia causado no cavaleiro. Era divertido demais e muito fácil tirá-los dos eixos. “Homens...tão fáceis de serem manipulados” , lembrou-se das palavras de sua companheira de combate. Estava gostando daquilo e se divertindo em ver nos olhos sério de Saga, um dos cavaleiros mais fortes daquelas doze casas, a atração contida ao qual ele se esforçava em não transparecer. Era perfeito!
Mal ele sabia que Kyoko estava adorando ouvir o som de seu coração se descompassar com sua presença, enquanto sem querer o feromônio exalava da pele morena e fazendo seus sentidos entorpecerem. Lambeu os lábios só de imaginar contornar os músculos e sentir o gosto que a pele dele teria. Caminhou sensualmente, enquanto seus olhos tornavam-se amarelos, para baixo do chuveiro quente.
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— Desgraçada! –Os relâmpagos explodiram no grande salão da casa de Leão. Kyoko corria, derrapando no chão liso e tropeçando nas próprias pernas.
Ela, para o azar de todos, tinha o péssimo hábito de acordar antes de o sol nascer para contemplar aquele espetáculo da mãe natureza ainda mais do topo da casa de gêmeos. No Makai não tinha aquilo e era simplesmente lindo. E o fato de ela(na grande maioria das vezes) estar de pé antes de muitos cavaleiros estava se tornando um problema. Shaka como sempre, havia acertado em cheio quando fez o alerta de que Kyoko poderia ser uma...
— Ladra maldita!! – Berrou Aiolia lançando mais alguns raios. – Eu vou te matar!
O leonino era do tipo dorminhoco e sempre aproveitava o tempo livre que tinha para descansar um pouco mais, lógico sem deixar de manter o treinamento rigoroso de cavaleiro, mas para seu azar a raposa havia descoberto seu ponto fraco e aproveitava sempre para lhe fazer uma...visitinha nesses momentos de sossego.
Ela algumas vezes cogitou em furtar a casa de virgem, ou quem sabe escorpião que, após muita insistência da parte de Saga e Camus, ela finalmente aceitou despertar Milo, usando um pouco de seu próprio sangue para isso. O escorpião acordou em um pulo, assustado com a última lembrança de Kyoko cravando os dentes em sua coxa. Milo sentiu vontade de fazer da youkai uma peneira ambulante, mas Camus, como sempre, estava lá para conter a fúria do amigo, argumentando que o único culpado de sua própria desgraça havia sido ele mesmo e sua maldita curiosidade.
Por ela Milo poderia dormir eternamente, pois assim seria um cavaleiro a menos para pedir permissão ao visitar Shion. Não que Milo fosse um chato, muito pelo contrário, ele até que era divertido e... charmoso, mas mesmo assim ainda tinha que pedir permissão para avançar, mas a comida no 13º templo era excelente e valia o esforço. Fora que o grande mestre era por demais simpático e amoroso, assim como Afrodite. Ele adorava quando ela fazia uma pausa em sua casa e sempre nas descidas ganhava um novo buquê de rosas. Kanon já estava passando mal por conta de tantas flores espalhadas por gêmeos e pediu com todo “amor e carinho” para que peixes parasse com aquilo.
O 11º templo era o menos frequentado. Para ela Camus era o mais sem graça de todos, mesmo sendo lindíssimo. Com ele nada tinha graça. Ele nunca perdia a compostura unido ao fato de sua casa ser um frio horrível fazendo dele ainda menos atrativo.
Kyoko era sempre bem vinda à casa de Shaka, mesmo ele percebendo os olhares curiosos dela sobre suas coisas, mas ela sempre sentia um frio na espinha ao pensar em cometer algum ato ilícito dentro do templo de virgem, lhe alertando que aquilo não era uma boa ideia. Com Aldebaran as coisas eram mais tranquilas e ela sempre era atraída pelo cheiro delicioso da cozinha de Touro e ele gostava e muito de suas visitas. A raposa tinha um apetite de doze homens e era uma boa companhia. Curiosa e comunicativa sempre ouvia com atenção as histórias sobre a terra quente e tropical de Aldebaran e sempre saía de lá satisfeita com os mimos que ele lhe fazia.
Já com Aiolia...hummm, a coisa não era tão boa e parecia ter se tornado...pessoal, tornando a vida pacífica do leonino em um verdadeiro inferno.
Ela simplesmente não conseguia entender o motivo dele ficava tão furioso por conta de algumas frutas, pois frutas eram somente frutas e podiam ser encontradas em qualquer lugar do mundo. Que mal havia nisso então?! Agora o dinheiro...bom, poderia usar o dinheiro para...não sabia, deixaria para pensar nisso depois. Aiolia possuía uma armadura inteirinha de ouro, porque iria se importar com um punhado de notas e moedas?!
Kyoko pulou de umas das pilastras antes da mesma explodir com o ataque furioso do leonino. Saiu desesperada atravessando o salão da casa de câncer carregando: duas maçãs, um cacho de uva, algumas tâmaras e uma quantia em moedas e notas deixando Aiolia possesso de ódio. Uma das maçãs ainda quicou em seus braços quase caindo no chão, mas sua cauda foi mais rápida, a pegando de volta, descendo pelas escadarias e entrando por Gêmeos desesperadamente.
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Saga logo assim que acordou seguiu direto para um banho. Era melhor assim para que despertasse de uma vez. Havia combinado com Camus de treinarem bem cedo naquele dia. Fez sua higiene matinal e se atirou embaixo do chuveiro morno. A água desceu por seus músculos, contornando cada detalhe do peitoral, braços, abdômen e coxas, deixando a pele morena ainda mais bela pelo brilho da água. Saga soltou um gemido de satisfação, sentindo a massagem da água forte em seu ombro esquerdo. Os cabelos levemente escurecidos colavam-se as costas largas e bem definidas.
— Isso é bom demais! – Disse consigo mesmo.
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Kyoko derrapou no grande salão do terceiro templo olhando para os lados sem saber bem para onde ir, mas seus ouvidos mais aguçados que o normal detectou um som e sem pensar duas vezes correu em direção a ele tendo Aiolia em seu encalço. Ela correu para a parte privada, pulando por cima do sofá e seguindo na mesma velocidade pelo corredor. Olhou para trás por um segundo e vendo a figura de Aiolia surgir como um leão faminto no meio do corredor.
— Ai droga!
Kyoko prendeu uma das maçãs nos dentes e com a mão livre forçou a porta enquanto Aiolia se aproximava mais e mais. Desesperada ela não pensou duas vezes: forçou a porta com os ombros que não aguentou a força do impacto, estourando a fechadura e entrando de qualquer maneira no banheiro. Saga só teve tempo de puxar uma toalha de rosto e cobrir as partes baixas enquanto tentava se situar sobre o que acontecia. Kyoko correu e se escondeu atrás de si como uma criança que fazia alguma besteira.
— O quê? Droga Kyoko não sabe bater? O que está... – Não terminou porque Aiolia, furioso, surgiu na porta do banheiro, soltando fogo pelas ventas.
— Ele está tentando me matar! – Disse manhosa.
— Ela estava roubando em minha casa! De novo! — urrou o leão.
— Mas o que?! – Foi a única coisa que Saga conseguiu dizer.
— Eram só algumas frutas seu ...mão de vaca. – Ela berrou de volta. Aiolia bufou de ódio avançando para cima dela. Kyoko se escondeu ainda mais atrás do cavaleiro de gêmeos que já não sabia se tentava esconder sua nudez ou se continha Aiolia.
— Sua mentirosa, você roubou dinheiro também.
— Você roubou o Aiolia? – Saga lançou um olhar sério para ela.
— Eram...eram só algumas moedas eu...ia devolver. Ele tem uma armadura inteira de ouro porque iria dar falta de pequenas moedas? – Justificou-se
— Nossas armaduras não tem valor e não importa se eram pequenas moedas, elas são do Aiolia e isso não lhe dá o direito de pegar sem permissão. — Saga com a mão livre tomou o saquinho improvisado cheio de moedas da mão dela e entregou a Aiolia. — Agora as frutas. — Ordenou
— Mas...eu ainda estou com fome e...
— Não interessa, elas não são suas. Devolva!- Ordenou novamente. Kyoko ainda pensou em algum argumento, mas os dois pares de olhos verdes em cima de si não deixaram brecha.
— Eu nem queria essas porcarias mesmo. — Resmungou desdenhosa e entregando tudo a Aiolia muito a contragosto.
Saga olhou para o amigo sentindo-se envergonhado, mesmo não tendo nada com aquilo. Sentia-se responsável por ela e isso estava sendo um problema. Kyoko tinha uma fome insaciável e sempre, sempre teimava em furtar a casa de leão.
— Me perdoe Aiolia eu...vou recompensar você. — Desculpou-se embaraçado.
— Não precisa Saga, você é um homem honesto. Sei que não tem nada com isso. — Aiolia lançou um olhar feio para a raposa que mesmo estando errada não se intimidou. — Diferente de certas pessoas.
O cavaleiro deu as costas e saiu. Kyoko aproveitando a distração do outro lhe mostrou a língua como resposta. Saga vendo a cena deu um peteleco na ponta da orelha dela.
— Ai! Por que fez isso?
— Para que eu não quebre seu pescoço. Quantas vezes terei que dizer para não roubar nada de ninguém? Você está pior do que o Kiki!
Pegou uma das toalhas maiores e enrolou-se nela. Kyoko devorou todo o peitoral úmido e despido do cavaleiro, parando na cicatriz grande em seu peito.
— O que foi isso? — perguntou curiosa, erguendo a mão para tocar.
— Nada que seja da sua conta. — rebateu Saga, se afastando.
Kyoko suspirou observando-o caminhar imponente para o quarto enquanto secava as madeixas na toalha menor.
— Eram só frutas. — Justificou-se o seguindo.
— Kyoko não importa se eram peras, uvas, abacaxis ou...jacas, o que importa é que elas não eram suas e se de onde você veio roubar é normal, aqui não é. — Ralhou voltando a secar os cabelos.
A raposa voltou a filmar o peitoral desnudo e as entradas insinuantes nas ancas de Saga, e deuses! Como eram perfeitas! Umedeceu os lábios carnudos e sua cauda automaticamente começou a dançar devagar de um lado para o outro.
Saga voltou a fitá-la passando as mãos nos cabelos em um ato naturalmente sexy e continuando sua bronca: — E eu acho que aqui em casa tem comida suficiente para você. Desde que veio para cá quantas vezes a deixei com fome? — Jogou a toalha menor na cama.
— Nenhuma!
— Então isso é mais do que suficiente para que não roube mais.
Saga ficou observando o semblante corado de Kyoko ao qual não soube dizer de início o que realmente havia causado aquele rubor. Ela não era de se importar com seus sermões e muito menos de se constranger em ser flagrada fazendo algo estranho. O cavaleiro sentiu um calor momentâneo e nada discreto querer lhe pegar de surpresa, pois os olhos bicolores não deixaram escapar nenhum pedaço de seu corpo semi nu.
Respirou fundo erguendo uma das sobrancelhas arqueadas: — Será que agora você poderia me dar licença? Eu preciso me vestir.
Kyoko arqueou uma das sobrancelhas em resposta e um sorriso maroto surgiu em seus lábios rubros. Saga sentiu o corpo arrepiar com aquilo, mas nada disse. Ela levou uma das mãos a cintura e agora sim olhando descaradamente para todo o corpo do cavaleiro, e sua toalha branca em torno da cintura.
— Eu não me importo. – disse sacana. Saga bufou, mas no fundo sentindo uma vontade enorme de cair na risada. Como Kyoko podia ser tão descarada?
— Mas eu me importo. – Ele a virou de costas e segurando em seus ombros a guiou para fora.
— Ora, mas os olhos são meus e eu não me importo em olhar.
— Mas a nudez é minha, agora sai! – Saga bateu a porta do quarto e o som da tranca pode ser ouvido. Kyoko cruzou os braços, mas sem se desfazer do sorrisinho sacana.
— Grosso!
Do outro lado Saga mantinha as duas mãos espalmadas na porta e um sorriso de satisfação se desenhou no rosto másculo. Mesmo não querendo sentiu-se satisfeito em saber que ela o havia desejado mesmo que não dissesse, mas para ele que era um homem experiente o olhar dela não havia deixado a menor dúvida sobre os pensamentos impróprios referente a sua nudez.
— Ladra! – Devolveu soltando uma risadinha e se voltando para o guarda roupas. – Estou ficando louco.
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O desjejum foi realizado a base de muita briga entre a kitsune e Kanon. Ela tinha uma fome que ninguém em sua sã consciência conseguia entender e Kanon sempre acabava perdendo algumas de suas guloseimas. Graças ao péssimo habito de Kyoko de pegar as coisas sem pedir, Kanon assim como Aiolia sempre acabava saindo no prejuízo.
— Mas que inferno, se continuar nesse ritmo teremos que abrir um supermercado para alimentar essa...coisa. – Berrou o mais novo saindo em seguida. Kyoko simplesmente ignorou observando com água na boca Saga se deliciar com um pêssego.
— Que gosto tem? – Perguntou curiosa. Saga que de bobo não tinha nada, mastigava a fruta bem devagar, passando a língua molhada com o sumo da fruta em todo o lábio.
— Gosto de pêssego. – Mordeu a fruta novamente.
— Posso provar? – Ela tentou tomar a fruta, mas ele não deixou.
— Pegue um para você, esse é meu.
— Mas não tem outro desses na fruteira. – Disse manhosa farejando no ar o cheiro doce.
— Ah é verdade esse era o último...é uma pena. – Ironizou cravando os dentes na fruta novamente.
Ele mastigava lentamente enquanto observava os olhos de Kyoko brilharem e dançarem de seus lábios para o pêssego. Passou a língua molhada com o caldo em toda a extensão de seus lábios de forma sensual e proposital. Tinha que admitir: ver as pupilas de Kyoko se contraírem com o ato foi muito satisfatório. Ela já não sabia o que queria mais: Provar a fruta nas mãos de Saga ou provar o sabor dela nos lábios dele.
— Você podia me dar...só...só um pedaço. – Tentou novamente, mas o cheiro da fruta misturado com o cheiro da pele do cavaleiro não estava deixando seu cérebro funcionar direito.
Saga sorriu. – Está bem, vamos fazer assim: Você me conta como veio parar aqui e eu lhe dou um pedaço. Se me contar o que veio fazer aqui...eu deixo você experimentar. – Falou com a voz rouca.
Kyoko se afastou um pouco pensando na proposta. Olhou novamente para a fruta para em seguida voltar aos lábios molhados dele sem saber por qual decidir. O jogo estava se invertendo e no momento Saga tinha o controle e isso para ela não era nada bom. Gostava de controlar, de brincar e deixar as pessoas a sua mercê e não ficar a mercê de outros ainda mais de um humano, mas...por um pêssego ou por um beijo não tinha mal em entrar na brincadeira. Não precisava dizer tudo, só precisava dizer a coisa certa. Saga era um homem humano e nem em mil anos luz seria mais inteligente que ela. Mas isso era o que ela achava.
— Eu...vim por um...tipo de...passagem. – Esticou a mão para alcançar a fruta.
— Que tipo de passagem? – Saga levantou a mão afastando o pêssego.
— Uma passagem, oras! Vai me dizer que não sabe o que é uma passagem?
Saga não gostou da resposta malcriada e mordeu um bom pedaço quase acabando com tudo. Kyoko abriu a boca no susto em pensar que ele comeria tudo de uma só vez. Bufou sentindo raiva de si mesma por ser tão gulosa e curiosa, era só uma fruta. Uma fruta cheirosa, macia e que parecia ser muito, muito mais suculenta do que qualquer outra que já tivesse provado, e os lábios cheios e molhados pelo sumo da fruta bem ali diante de seus olhos não estava ajudando muito.
— É tipo um buraco. Um buraco que...dá...passagem do meu mundo...para o seu e... eu escorreguei. Escorreguei nesse buraco e acabei vindo parar aqui. – Saga observou os olhos bicolores com seriedade e sensualidade. Ela estava mentindo, era óbvio e muito mal.
Sem mais devorou o último pedaço fazendo Kyoko soltar um resmungo de insatisfação. Ele entregou o caroço na mão dela deixando-a incrédula e antes de se dar conta de que aquilo era somente uma distração, Saga a prensou contra a pia e molhando ainda mais os lábios com o caldo fazendo Kyoko tremer de antecipação. Olhou bem dentro dos olhos dela para perguntar mais uma vez:
— O que veio fazer aqui? – A voz rouca e perto...muito perto dos lábios entreaberto dela.
— Eu...eu... – Kyoko segurou na camisa surrada dele como se aquilo fosse lhe dar algum apoio, mas a voz altiva e rouca de Camus alertando Gêmeos que ele estava atrasado para o treino fez Saga se afastar e caminhar sem dizer nada. Kyoko rosnou de raiva pela interrupção de Aquário fazendo a semente do pêssego se esfarelar entre seus dedos.
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Aiolia seguiu para o treinamento dos aprendizes logo após sair da casa de Gêmeos. Kanon e Milo seguiram logo atrás para ajudar o leonino nas tarefas. Mesmo em tempos de paz, eles tinham que manter as coisas em ordem e os jovens em forma, preparados para qualquer imprevisto. As jovens aprendizes eram muito bem treinadas por Marin e Shina que por sinal era bem rigorosa. Kyoko ficou observando de cima de uma árvore por um tempo os socos e chutes dados pelas jovens e sentindo certa nostalgia lhe abater, trazendo lembranças da época de seus treinamentos no Makai. Voltou os olhos para o horizonte e um vento fresco balançou suas madeixas, levando algumas folhas e flores junto enquanto lembrava da pergunta de Saga: “O que veio fazer aqui?”.
Na verdade, nem ela mesma sabia, mas sabia que com o peso e a responsabilidade que carregava ela não poderia ficar em silêncio por muito tempo. Eles a achariam mais cedo ou mais tarde e muito menos desistiriam tão facilmente. Precisava pensar em algo, decidir o que fazer, mas estava sendo difícil, pois a questão que mais a incomodava e não saía de sua mente era: Será que o humano era confiável? Será que quando soubesse o que carregava iria mantê-la segura e ajudá-la com aquela situação ou a entregaria sem pestanejar como outros homens humanos fariam? Não sabia, Saga era um homem e mesmo que ainda não fosse um humano comum ainda assim era humano.
“Eles são maus, gananciosos, orgulhosos e egoístas. Não tem nenhum respeito pela vida e a tratam como lixo. Sacrificam suas crianças e matam seus próprios filhos, enquanto olham para nós como se fôssemos estrume quando na verdade eles são a fraqueza e a desgraça do mundo. Apenas gado Kyoko ...e nada mais.”
Respirou fundo lembrando-se daquelas palavras como se o dono delas ainda as sussurrasse de novo e de novo. Olhou mais ao fundo, encontrando a praça de Rodório onde algumas crianças brincavam entre si. Sorriu observando com curiosidade algumas trajando pequenas armaduras feitas de papelão e plástico enquanto gritavam e imitavam os golpes de seus ídolos.
— Não eu vou ser o Senhor Saga!
—Não, eu que quero ser! – Dois meninos brigavam entre si.
— Eu serei muito forte como o Senhor Aldebaran. – Um menininho loirinho correu até uma caixa de madeira a pegando com muita dificuldade.
— Iaaaaa...Morra com o veneno do escorpião: Agulha escarlate! – Gritou outro menino para seu amiguinho que imitava a seriedade e a Execução Aurora de Camus.
Kyoko sorriu ainda mais com as atuações das crianças e a forma como elas se imaginavam como aqueles homens. Então o sonho delas era ser como eles? Que coisa! Olhou mais em volta e avistou um pouco distante dali a arena em que a guarda de elite de Atena treinavam. Sorriu de lado pulando pelas pedras e pilastras com uma agilidade incrível até alcançar a arquibancada do lugar. Afrodite estava sentado mais a frente junto com Aldebaran, e Dohko sorriu lindamente ao vê-la se juntar a eles.
— Olha só quem deu o ar da graça.
Kyoko sorriu em resposta e voltou a observar a arena onde Saga e Camus faziam uma pequena demonstração de luta corporal para os jovens.
Camus avançou rápido na direção do mais velho disparando socos e chutes em uma velocidade incrível. Saga desviava de uns e defendia outros com as mãos e as vezes com os antebraços. O cavaleiro de gêmeos, assim que teve uma oportunidade, desviou de um soco contra atacando em seguida. Aquário segurou o punho com uma das mãos e com a livre revidou e gêmeos fez o mesmo. Os punhos se acertaram e a pressão do golpe levantou uma cortina de ar e poeira, empurrando algumas pedras e areia no local. Saga aproveitou e disparou uma joelhada na direção de Camus. O aquariano não era muito de treinar daquela maneira, já que preferia livros e livros. Já Saga, assim como Aiolia, Kanon, Máscara e Milo adorava uma boa troca de socos e pontapés.
A joelhada acertou o abdômen de Aquário que pulou para trás para não receber todo o impacto do golpe, dando uma cambalhota no ar e caindo majestosamente lindo de pé em cima de uma pilastra quebrada.
Saga sorriu ouvindo os aplausos do grupo de aprendizes e cavaleiros que observavam a demonstração.
— Você está lento hoje, Camus. – Falou alto fazendo Camus dar de ombros e descer da pilastra.
— Sabe que non gosto desse tipo de treinamento, Gêmeos.
— Camus é muito frágil Saga, ele poderia quebrar uma unha desse jeito. – Gritou Milo. Os outros riram.
Da arquibancada Kyoko sorriu de lado levantando-se e saindo sem que Afrodite e os outros percebessem.
— É eu sei. – Saga passou a mão na terra para secar o suor de suas mãos. Olhou em volta observando os amigos. – Será que tem alguém aqui para tomar o lugar do meu amigo Camus que está amedrontado e enferrujado, e não está dando conta do recado?
Aiolia, Kanon e Milo se entreolharam com cara de espanto, e Afrodite do alto da arquibancada levou as duas mãos ao peito sem acreditar no que via. Na arena uma pedrinha foi arremessada com uma força incomum na direção do cavaleiro de gêmeos que a segurou com uma agilidade espantosa. Saga esmiuçou a pedra na palma de sua mão e em seguida virou-se imponente na direção do dono, ou melhor, da dona daquele desafio.
— Seu lugar não é aqui. – Ordenou imponente. Essa era a marca registrada de Saga.
— E eu posso saber por quê?
— Por que aqui é a arena para os homens e não para amazonas.
— Então, não vejo motivo para sair, eu não sou uma amazona. – Kyoko caminhou felina, se posicionando na frente de Saga, mas mantendo certa distância.
— Já que não fui claro o suficiente Kyoko entenda: aqui não é arena para mulheres. – Ralhou.
— Ainda temos um problema cavaleiro...– Kyoko ficou em posição de ataque fazendo os presentes dentro da arena se afastar temerosos. – ...eu também não sou mulher...não mulher humana.
Saga bufou e quando ia dar as costas para ela, Milo se aproximou: — Perai! Não corre não, essa é uma ótima oportunidade para vermos melhor do que ela é capaz.
— Está bêbado a uma hora dessas escorpião? Eu não vou lutar contra uma mulher ainda mais...desarmada. – Sussurrou o mais velho.
— Saga é só um treinamento e ela não é uma garotinha indefesa, é uma youkai, um monstro disfarçado de raposa fofa e delicada, nós temos que descobrir mais sobre ela e essa é uma oportunidade ótima de saber do que ela é capaz. – Kanon disse assim que se aproximou dos dois.
Aiolia percebendo a hesitação de Saga tomou a frente: — Já que quer brincar raposa eu enfrento você.
— Eu não quero você leão dourado, eu quero ele. – Apontou para Saga e este lhe olhou de volta com o cenho franzido. – Quando eu quiser enfrentar você eu avisarei, agora volte para seu lugar porque nao serei eu a levar o último leão de ouro à extinção. – sorriu olhando para Saga. – O que foi cavaleiro, está com medo?
Camus olhou nos olhos do mais velho, acenando positivamente com a cabeça, dizendo através do cosmo que se algo desse errado eles estariam ali para parar aquela maluca e que ele não precisava se preocupar. O mais velho acabou por se render, trocando mais um olhar com seus companheiros, respirou fundo e caminhou de volta ao centro da arena.
— Eu só posso estar ficando louco.
— Não precisa ficar com medo Saga...eu prometo que serei carinhosa.
Os aprendizes que ainda se encontravam mais próximo a arena correram para se afastar mais ao serem surpreendidos com a postura de Kyoko. Ela erguer uma das pernas dobrando-a na altura do abdômen, um dos braços posicionou-se dobrado em cima de sua cabeça com o punho fortemente fechado e a palma virada para frente enquanto o outro braço ficava esticado e com o punho na direção do oponente.
— Wouuuu! Kung Fu?! Essa eu não vou perder por nada. — Dohko levantou todo entusiasmado descendo pela arquibancada até ficar junto de Kanon e os outros.
Saga manteve o rosto sério e mesmo temeroso em feri-la aceitou o desafio ficando em posição: as pernas separadas, o braço esquerdo dobrado e colado na lateral do corpo com o punho fechado enquanto a mão direita ficava na frente do rosto e aberta.
— Ótimo! — Ela disse e em um milésimo de segundo arrancou.
Todos prenderam o ar. Os aprendizes ficaram sem entender quando Kyoko havia sumido e reaparecido ao lado de Saga. Um sorriso maquiavélico se formou nos lábios carnudos e os dentes pontiagudos ficaram a mostra. O ataque foi feito em menos de um milésimo de segundo e se não fosse pela agilidade de Saga o soco disferido teria explodido no lado esquerdo de seu rosto. O cavaleiro segurou com firmeza o punho dela que em seguida disparou vários golpes. O cavaleiro defendia-se como podia observando e admirando-se com a rapidez e agilidade da youkai. A força dos socos era tanta que as bandagens de proteção que envolviam as mãos do mais velho se arrebentaram em vários pedaços. Saga estava temeroso em atacar, não queria machucar Kyoko, mas estava sendo mais difícil do que imaginou. Os socos dela eram muito mais rápidos e fortes do que esperava, e ela não estava ali para perder. Ele tinha que reagir.
— Porra Saga faz alguma coisa! — Berrou Kanon para o irmão. Afrodite roía as unhas de nervoso enquanto Dohko, Milo e Aldebaran vibravam.
— Que máximo isso é incrível! – Empolgou-se Milo junto com Dohko e Aldebaran. Camus e Aiolia mantinham-se sérios e totalmente atentos a qualquer imprevisto.
Kyoko jogou o corpo para trás, tocando o chão com as mãos em um mortal esticado de costas quase acertando o maxilar de Saga com um chute, se afastando no mesmo movimento. Parou quando estava próxima a uma rocha solta, ela sorriu e seus olhos novamente se modificaram, as pupilas afinaram se destacando no meio das íris douradas e florescentes. Saga ergueu os punhos e disparou um soco forte em sua direção, mas Kyoko, astuta, chutou o pedaço de rocha na direção do cavaleiro. O golpe de Saga explodiu no pedregulho espalhando milhares de pedaços por toda arena fazendo uma cortina de areia e terra formar-se ao redor dele. Olhou em volta e...onde ela estava?
— Saga, em baixo de você!!
Saga sentiu o sangue gelar quando o gancho passou a milímetros de seu rosto e se não fosse pelo alerta de Aiolia ela o teria acertado em cheio. Em resposta, e com muita força e agilidade o punho de Kyoko foi devidamente acomodado na palma de sua mão.
— Até que você da pro gasto. — Ironizou sorrindo cafajeste. Tinha que admitir, ela era incrível e estava adorando.
— Idem. — Ela respondeu com um sorriso malicioso.
Saga puxou o punho para trás trazendo Kyoko para junto de si e a girando para se encaixar nas costas dela e prendendo seus braços dentro do abraço. Aproveitou a chance para empurrá-la e imprensá-la contra uma das pilastras. – Vem pro papai, vem?!
Kyoko sentiu um frio na barriga ao sentir o corpo másculo, suado e quente roçar no seu. O hálito batendo contra sua nuca e o coração retumbando contra suas costas em uma velocidade frenética.
— Desista raposa você nunca irá me derrotar e eu não estou a fim de machucar esse seu rostinho lindo. — Sussurrou.
— Nem ferrando.
Kyoko forçou o corpo para trás, jogando todo o peso contra o cavaleiro e abrindo um pequeno espaço entre si e a pilastra. Elevou as pernas para pegar impulso com os pés e empurrar Saga para trás com uma força absurda. O cavaleiro a segurou com toda força que conseguiu, sentindo-se empurrar com uma pressão estrondosa, forçando seus pés contra o chão para tentar freá-la. Camus, Aiolia e Kanon pularam para não serem acertados, assim como Afrodite, Aldebaran, Dohko e Milo que correram em direção contrária ao golpe. Saga acertou com as costas em cheio em um dos poucos muros do lugar e em uma ação instintiva pela força da pancada soltou o abraço. Kyoko mais do que rápido, girou disferindo um golpe e se afastando em mortais até o meio da arena.
— Ohhh...pobrezinho, eu não estou vendo você sorrir agora, papai.
Todos ficaram pasmos observando Saga olhar atentamente o arranhão em seu peitoral. Kyoko sorriu de lado e chamou Saga novamente para a batalha com os dedos em um movimento sensual. Gêmeos estalou o pescoço e os dedos e arrancou, levantando poeira e pedras na direção dela:
— Já que você que brigar então chega de brincadeira. — Começou a desferir vários socos tão rápidos quanto os dela, levantando mais poeira em volta de ambos. Kyoko se defendia com as mãos e em outras com os antebraços. — O que foi? Já está cansada? — Perguntou disferindo um chute forte e a empurrando por uns três metros.
— Filho da...- Não teve muito tempo para raciocinar, pois Saga avançou com tudo novamente, chutando e socando sem parar e fazendo os telespectadores vibrarem.
— Isso!! – Milo, Aiolia e Kanon vibraram.
Do alto de uma pilastra bem afastada, um telespectador assistia a luta completamente extasiado. A figura estranha lambeu os lábios e sorriu malignamente.
— Hora de esquentar as coisas...Kyoko.
O visitante abriu a mão direita e uma esfera esverdeada e luminosa se formou, ele pronunciou algumas palavras e jogou a mesma em direção à arena.
Kyoko desviou de mais um soco e devolveu na mesma proporção fazendo Saga se afastar ... e foi justo nessa hora que ela pressentiu que algo estava errado.
“Veremos agora se eles serão tão bonzinhos com você...Kyoko”
— Saga cuidado! — Camus gritou, mas não houve tempo.
O cavaleiro estava tão concentrado na batalha que nem percebeu a esfera vir em sua direção, não dando a menor chance para desviar ou defender-se. A esfera se chocou, estourando e liberando um líquido verde musgo e viscoso com uma serpente branca dentro, mas para a surpresa de todos a mesma não acertou Saga e sim na barriga de Kyoko ao protegê-lo. A serpente cravou suas presas na carne e ela urrou de dor. Saga a aparou e em uma reação instintiva puxou a serpente com tanta força que a cabeça foi separada do corpo.
Camus contra atacou com uma rajada de gelo, assim como Afrodite e suas Rosas Piranhas, e Milo com suas Agulhas. Aiolia e Dohko ordenaram aos aprendizes que tomasse cuidado e voltassem ao alojamento e Kanon ordenou aos soldados que fizessem uma busca juntamente com Aldebaran por todo o santuário. O restante correu a procura do inimigo que havia sumido em uma fumaça negra.
— Kyoko! Kyoko! — Saga chamava desesperado em ver a raposa agonizar e gemer de dor em seus braços.
— Droga o que está havendo com o corpo dela? — Kanon perguntou observando as veias em volta da mordida enegrecerem e se destacarem por todo o corpo da Kitsune.
— É veneno e está se espalhando por todas as veias do corpo dela. — Desesperou-se Afrodite ao ser aproximar.
— Kyoko... Não! — Saga sentiu o coração querer explodir dentro do peito em desespero e frustração pela impotência diante daquela situação. — Afrodite faz alguma coisa, você entende de veneno mais do que todos nós, tira isso dela.
Afrodite aproximou-se e fez como lhe foi pedido. – Não dá, não está funcionando, só consigo amenizar.
Kyoko olhou dentro dos olhos de Saga gemendo de dor e desespero em seus braços, segurou em sua camisa o puxando para mais perto e quase em um sussurro balbuciou.
— Ele...ele me encontrou. Não...não deixe ele...me levar...seu mundo...ele...ele...Saga.
Os olhos de Kyoko começaram a se fechar deixando todos e principalmente Saga ainda mais desesperado.
— Kyoko não! Por favor, me fala quem...quem está atrás de você?
A raposa ainda tentou balbuciar alguma coisa, mas sem forças seus olhos se fecharam e o grito de Saga chamar seu nome ecoou por toda arena.
Continua...
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