Uma dose de amor, por favor.

5 Uma dose de férias, por favor.


É bem interessante como tudo estava monótono.

Raramente havia algo realmente interessante, e isso me irritava.

Haviam se passado seis meses após o inicio das aulas, e era a nossa ultima semana antes das ‘’férias’’ do meio do ano.

Eu estava bem ansiosa. A escola era bem cansativa, tinha muitas matérias, havia muito conteúdo para estudar e eu sempre estava exausta.

As duplas da professora Clarisse continuaram, e segundo ela, continuariam até o final do ano.

Só havia uma coisa boa nessas duplas: Alex.

Mas eu não tinha certeza se algo tão bom assim.

Alex não ligava para as coisas, estava sempre desconcentrado, a maior parte do trabalho sobrava para mim.

Eu não agüentava isso.

Vez ou outra conversávamos, mas era sobre música ou qualquer outra coisa do interesse dele.

Finalmente havia chego o ultimo dia de aula antes das férias do meio do ano.

Finalmente!

Sai da sala de aula bem rápido, sentia que se ficasse por mais tempo naquele lugar acabaria presa.

-Até mais Val.

Ergui o olhar, era Alex.

-Até mais.

Disse eu, sorrindo.

Ele poderia não ser tão dedicado assim, mas era realmente bonito.

Fiquei sorrindo que nem uma boba, até que me dei conta que alguém poderia ver.

Olhei em volta, ninguém havia visto essa demonstração de estupidez.

Ninguém, exceto Daniel.

Ele ficou me fitando por um tempo, depois desviou o olhar e foi embora. Sem sequer se despedir.

Ele havia me deixado em paz, afinal?

Eu não sabia se me sentia bem ou mal por isso.

-Tchau Val!

Era Isabella, ela tinha se tornado uma grande amiga. E eu pensando que não haveria ninguém legal na nova escola.

É triste como fazemos diversos julgamentos sem saber de nada, a final.

-Tchau Bella, até mais.

Disse eu abraçando-a.

Bella era mais ou menos da mesma altura que eu, tinha cabelos loiros curtos e rebeldes.

E grandes olhos claros.

Era difícil notá-la, era como se ela se escondesse e ficasse a margem dos acontecimentos.

Mas enfim, ela era realmente legal.

Assim como eu, gostava muito de ler. E em geral, ela gostava de ler os mesmos livros que eu.

Éramos como copias, só que ela era a minha versão loira de olhos claros.

Eu estava passando muito tempo com Bella, e às vezes, sentia como se não tivesse dando a atenção que Cass merecia.

Mas sempre que eu ia falar com ele, ele estava com Suzana, a nerd metida que senta nos primeiros lugares sempre.

Isso foi nos afastando ainda mais, fiquei muito triste com isso.

Fui para casa, cheguei e encontrei a minha mãe com um folheto e com um sorriso vitorioso estampado no rosto.

-Filha, finalmente! Bem, como você está de férias, resolvi lhe inscrever em um pequeno curso. É um curso de sobrevivência, acho que vai gostar. Na verdade, tenho certeza. Você vive lendo esses livros de sobrevivência e magia, não é mesmo? Bem começamos segunda. Não está animada?

Curso de verão? Argh, eu só queria descansar um pouco, dormir até tarde, fazer o que quiser. Há algum problema nisso?

Mas mamãe estava tão animada e sorridente, não queria deixá-la triste.

-Ah, claro que estou animada. Vai ser bem legal.

Eu disse, tentando parecer verdadeira.

-Eu sabia que ia gostar querida!

Mamãe ficou falando por horas sobre como esses cursos nos ensinam diversas coisas. E falou também da utilidade deles em casos graves, como ataques de abelhas, enchentes, coisas do tipo.

O fim-de-semana passou bem depressa, e quando vi, já era segunda.

Eu iria ter um dia bem difícil.

Me arrumei, não havia uniforme no curso.

Mas eles explicavam claramente que deviam ser roupas básicas: calça jeans, blusa clara e tênis.

Chegando ao curso, encontro um aluno da escola.

Droga de curso.

Era Bernardo, de tantos cursos da cidade, ele tinha de se meter no curso que eu iria participar?

Ele percebeu a minha presença, e olhou surpreso.

Depois sorriu, tentei sorrir de volta. Mas aposto que aparentou ser bem falso, eu sou péssima em situações desse tipo.

Sentei em um lugar que fosse o mais longe possível do palhaço oficial do meu colégio.

O curso não estava chato, mas também não estava legal.

As primeiras semanas foram entediantes, apenas explicações e teoria.

Mas, na próxima semana teríamos uma viagem, a classe do curso iria acampar.

No dia do acampamento, notei que tudo era bem organizado.

Fizeram primeiro uma chamada na classe para ver quem estava presente, depois, fizeram uma chamada dentro do ônibus que iria nos transportar.

Chegando ao local de destino, apenas arrumamos algumas barracas e deixamos as nossas coisas dentro delas.

-Com licença alunos. Chamo-me Jill, sou a instrutora do acampamento. O professor do curso de vocês não pode vir, e eu estou o substituindo.

Jill era alta e atlética, tinha cabelos castanho-escuro e olhos verdes.

-A primeira lição de vocês será procurar mantimentos para o acampamento: lenha, frutos e tudo o que encontrarem, fui clara? A atividade será realizada em dupla, quero que todos formem um circulo e falem seus nomes para nos conhecermos um pouco melhor.

Os alunos foram citando seus nomes. Alguns eram comuns, outros diferentes... Eu não tinha feito amizade com ninguém do curso, e a única pessoa que eu conhecia era Bernardo, e não isso não me agradava muito.

Após todos se apresentarem, Jill foi formando as duplas.

Eu não tinha muita sorte em duplas, como já disse, eu tinha que fazer todo o trabalho e o meu par nunca fazia algo útil. Alex é a prova viva disso.

-Você e você.

Disse Jill apontando para mim e para Bernardo.

Bernardo parecia não ter se importado muito com isso, mas eu sim.

Eu formaria dupla com o garoto mais chato da escola, e que quase me atropelou em meu primeiro dia de aula? Por Deus, quanta sorte.

-Vamos logo Laureate, senão vamos perder os melhores mantimentos.

Ficamos por um bom tempo procurando mantimentos, mas não havia nada de útil.

Só achei alguns pedaços de lenha, e poucas frutas.

Fui mais adiante, e por detrás de algumas arvores, havia uma pela paisagem: o por do sol dentre algumas montanhas.

Isso era o legal de viver em Caligo Perierat: lagos, montanhas, campos de flores... Era como se estivéssemos em um livro de fantasias. Era tudo tão lindo.

Aquele cenário mexeu comigo, fiquei deslumbrada como uma criança boba.

Tão deslumbrada e tão boba que não notei o pequeno lago que havia ali.

Gritos eram a única coisa que conseguia sair da minha boca.

Eu não sabia nadar, e tinha muito medo de água também.

Pelo menos tive sorte, o lago não era profundo, mas era difícil eu ficar de pé.

Mas eu não conseguia subir, não conseguia sair daquele lugar. Só conseguia ficar me debatendo na água, gritando por socorro.

-Laureate!

Alguém gritou, era Bernardo.

-Me ajuda a sair daqui!

Disse eu.

-Argh, como foi cair ai hein, garota? Vamos, segure a minha mão.

Disse ele, estendendo a mão.

Bernardo conseguiu me puxar.

-Ta tudo bem, Laureate?

Disse ele, me analisando.

-Sim, mas pare de me chamar de Laureate, isso é masculino demais para mim.

Bernardo sorriu.

-Tudo bem, mas posso te chamar de garota que não sabe nadar?

Seu sorriso era ainda mais largo.

-Bernardo, você realmente não tem cabimento. Me chame de Val, pelo menos.

Fomos até o centro do acampamento, onde estavam as barracas. Não havia muita coisa para comer, mas aquilo já bastava.

Tínhamos passado a tarde inteira procurando mantimentos, todos estavam exaustos.

Depois de pensar um pouco sobre diversas coisas, adormeci.

Notas finais
hey vcs, espero que tenham gostado
bjj
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.