Uma carta para meu capitão
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Segundo, peço que comentem o que acharam e se por vontade de crítica construtiva relatarem algum erro de português ficarei muito grata.

Não estou totalmente preparada ainda, as feridas doem e tudo o que pude fazer eu fiz, mas não foi o suficiente, não para ele.
Apesar da avalanche de reviravoltas que a vida dá, tive que manter a firmeza que todos os soldados da minha divisão procuraram durante o período que fomos covardemente aleijados pela traição de nosso antigo capitão.
Felizmente passamos nossa pior faze unidos, durante esses 2 anos assumi a responsabilidade de líder total até que aparecesse alguém a altura de tamanho poder para nos governar com maestria rumo a vitória e prosperidade que nossa divisão tanto ansiava de fato.
Apesar do apoio de meus subordinados, ainda existiam momentos de solidão que estavam sempre presente em alguma parte do meu dia, seja ao escrever uma carta, ao retocar pinturas ou na hora de cozinhar alguns biscoitos, principalmente os de gengibre e mel, os preferidos de Aizen. Não sabia o porquê de toda essa insistência insana por ele, afinal quase fui morta pelo mesmo duas vezes, minha guarda estava baixa pelas tantas informações contidas na época, no fundo, não queria acreditar quem ele era, só sei que ao despertar de tamanha ilusão pude notar sua verdadeira natureza psicopata por de trás de sua máscara bondosa e gentil. Querendo ou não ainda me pergunto como pode ter feito isso comigo, com sua divisão e com sua própria terra? Todos os seus princípios não passavam de mera encenação e eu como sua fiel seguidora nunca desconfiaria com tamanha lavagem cerebral imposta por ele em seu pleno estágio, visto por mim como o mais "perfeito".
Hoje tento não me culpar pelo erro dos outros, principalmente os dele, pois tudo aquilo que remoía me deixava mais fraca e a beira do delírio, mas graças ao capitão da divisão 10 e os tenentes da oitava divisão e da terceira divisão pude obter maior entendimento sobre toda a situação que estava envolvida, Toshiro meu irmão e melhor amigo me perdoou pela minha acusação, minha Insubordinação e meus ataques diretos quando não estava em meu juízo perfeito, o tenente Kira da divisão três mostrou que não estou sozinha e que precisávamos ser forte num momento como aquele, afinal 3 de nós ficamos sem um líder ao longo desses 2 anos, por fim Hisagi revelou a mim sua insegurança em relação ao futuro da sociedade das almas não deixando ninguém desconfiar especialmente Rangiku sua atual namorada que na época perdeu o seu grande amor juvenil.
Ultimamente venho conversado com o Capitão Ukitake do décimo terceiro esquadrão a respeito do meu medo de enfrentar tudo aquilo de novo, não posso dizer que não aprendi nada com isso, entretanto, para que tudo isso acontecesse não evitou a possibilidade de me machucar e o pior é que ainda dói, e não é uma dor comparada a física e sim uma dor marcada em minha alma e quando lembrada dos mais mínimos detalhes arde incansavelmente até ser preenchida por outra coisa ainda maior. No final, o melhor de tudo é melhor seguir em frente mesmo que às vezes doa, apesar do luto que é inevitável, mas possui sua importância, contudo, o seio acolhedor de quem o apóia sem julgar é o melhor remédio para libertar a alma do sofrimento quase eterno.
Certo dia Rangiku-San e eu formamos um breve passeio nas proximidades do distrito 6 de Rukongai que fica às margens do rio Tokuyochi, a conversa estava demasiadamente agradável, a tenente do décimo primeiro esquadrão é bem animada e divertida e compartilhava comigo as maravilhas do mundo humano moderno, de suas roupas extravagantes, comidas extremamente deliciosas e feitas em máquinas industriais e dos monstros de aço que engoliam pessoas, pelo que parece elas pediam para serem engolidas, QUE MEDO!
A conversa estava maravilhosa, fazia um bom tempo que não ria tanto e as caras de bocas da tenente Matsumoto não tinham preço, no entanto, minha amiga ruiva para nossa caminhada e me encara intensamente, aquela reação me fez engolir o seco, já que, não sabia o que estava acontecendo e sinceramente não esperava que ela fosse tão direta. Nas palavras de Rangiku-San havia a insinuação romântica entre eu e Aizen, aquilo me deixou bastante chocada confesso, nunca havia olhado meu ex capitão de outra forma a não ser aquela autoritária, mesmo assim, compreendo o lado dela, Rangiku-San nunca entendia o que o capitão Gin pensava e talvez ela tentasse se espelhar na relação que eu e o capitão tínhamos, éramos inseparáveis e querendo ou não aquela união me levou a decadência, já que fui um alvo fácil para suas maldades.
Bem estou estendendo minha escrita hoje, porém preciso terminar de empacotar o restante dos objetos do capitão Aizen, fazia um bom tempo que não visitava esse local, desde sua partida seu quarto está fechado, só eu como tenente da divisão 5 tinha o direito de entrar, mas não o fiz e foi melhor assim. Fui informada da vinda do próximo capitão, pelo que os oficiais me relataram ele estaria de volta retomando seu antigo posto, não sabia ao certo se o mesmo indicou alguém como seu novo tenente ou eu iria continuar no cargo, tudo parecia tão incerto que nem me dei ao luxo de não preparar minha coisas caso for substituída daqui para frente.
As cartas foram uma maneira positiva de expressão, meu hábito de leitura e escrita sempre foi muito bem incentivado, fazendo com que meu amor pela leitura, a caligrafia e a escrita florescem aos poucos, quando observo minhas cartas anteriores percebo um avanço significativo e amadurecimento do que era antes. Minhas pinturas também obtiveram a transformação desejada desde o incidente, passando de frias e sem vida para coloridas e ardentes, realmente estou orgulhosa de mim.
Assinado: Momo Hinamori
Finalizei a carta a deixando dobradinha sob a mesa de estudos encostada na parede listrada, precisava focar e voltar ao trabalho, me restava pouco tempo até a chegada do quarto esquadrão para a limpeza e troca de colchas, por mim eu o faria com muito gosto, mas preciso preparar minha divisão pela última vez para a chegada do novo capitão.
Observando o quarto novamente, percebo que de agora em diante tudo parecia tão só, não havia mais nada para lembrar de sua existência, isso é bom, não precisarei mais me preocupar com o fantasma de Aizen a me cutucar novamente, a retirada de seus pertences foi libertadora para mim, só espero que daqui para frente se tenha um novo começo e o mais importante que…
Sou arrancada de meus pensamentos por um bombardeio de luz direta em meu olho, aquilo me incomoda a vista então tento observar de outro ângulo para saber o que de fato seria, agora abaixada entre a cômoda e a cama noto que se tratava de objeto esquecido, um pequenino e delicado globo de neve que comprei a 80 anos atrás em uma missão no mundo dos vivos que foi dado em comemoração ao aniversário de 416 anos do capitão Aizen.
Por alguma razão, confesso que meu coração enche de ternura, a lembrança daquele belo dia de inverno traz-me muitas recordações boas…
Fale com o autor