Uma carta de adeus
1 adeus, mamãe
Oi mãe, sou eu, a Marina.
Acho que agora a senhora deve estar sentada no chão, desesperada, se perguntando onde foi que errou, se culpando de mil maneiras possíveis.
Eu só quero que você saiba que não errou, em nenhum momento. Que sempre foi uma pessoa maravilhosa, e eu não exigiria ninguém mais do que tu és. Eu quero que saiba que você sempre foi uma pessoa presente, mais do que o necessário.
Mãe, por favor, para de pensar que poderia ter feito diferente, que poderia ter me visto com outros olhos, me entendido mais. Nós duas sabemos que nem você, nem o papai seriam capazes disso.
Eu sei que apesar de tudo que eu estou dizendo, por meio dessa carta, você não vai mudar de ideia. Mas mãe, não faz isso, não quero que a senhora faça qualquer besteira.
Tenho muito a te agradecer, por ter me dado a luz, cuidar de mim, me dar banho, trabalhar todos os dias pra poder me dar o que comer. Eu pareço tao egoísta agora, e talvez eu seja mesmo. Obrigada por ser sempre tão presente, preocupada, gentil, minha melhor amiga.
OBRIGADA POR TUDO.
Mas eu não aguentava mais, todo o bullying, todas as risadas, xingamentos, empurrões, horas chorando sozinha no quarto, cortes tão profundos que a senhora entrava no meu quarto chorando, me segurava no colo e me obrigava a usar faixas por dias. Parte de mim sempre esteve morta, e eu sabia disso.
Pensei muito antes disso, em como a senhora e o papai se sentiriam, se alguém sentiria minha falta. Será que muita gente vai aparecer no meu funeral? Será que alguém além de você vai sentir culpa?
Mãe, desculpa, de verdade, eu só não aguentava mais viver. E eu sinto muito que sua ultima lembrança seja de mim usando um vestido branco e sapatilhas pretas, com os pulsos escorrendo de tanto sangue e uma corda em volta do meu pescoço. Eu sinto muito que sua ultima visão de mim seja tão assustadora e triste.
Eu te amo.
Mariana, 15 anos.
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