Uma breve víagem
1 Oneshot
Notas iniciais
Tem tanta pouca coisa desse ship, que eu mesma, esse cão humano, tive que escrever uma fic. Mas foi divertido então tá de boas.
O único som era o estalar que as rodas da bagagem faziam em contanto com o chão pedregoso. Franziska observava cada passo que dava, olhando para o chão a promotora estava cabisbaixa. Algo surpreendente para todos que a conheciam, isso é, se algum deles estivesse ali.
“Tola” murmurou para si, desejar a companhia de alguém...
Justo ela, que era uma Von Karma. Deveria saber melhor do que esperar por tolices como uma criança. E ainda mais, nesse momento, quando perdeu pela segunda vez para aquele homem, Phoenix Wright, não estando em posição alguma para desejar coisas. Nem ao menos de poder se nomear uma “Von Karma”.
Franziska achou que conseguiria facilmente lidar com sua derrota e seus sentimentos. Porém, mesmo assim, ela se encontra parada, como uma estátua, em frente do portão do aeroporto. Sem saber que caminho seguir. Apertando o gancho da bagagem e forçando-se a olhar para frente, lhe vem imagens de um futuro incerto. Como ela poderia continuar como promotora? Franziska fitou a porta sentindo uma falta de confiança incomum.
E nesse momento, para adicionar mais um elemento a todas as coisas inesperadas que aconteceram naquele dia. Franziska ouve um grito. Um chamado, e reconhecendo aquela voz ela se virou. Forçando um olhar destemido em seu rosto enquanto Maya Fey vinha correndo em sua direção, completamente desastrada, e quase tropeçando em um cesto de lixo. “Típico” Pensou Franziska. Finalmente chegando, ofegante, ao lado de Franziska.
Enquanto Maya arfava, com as mãos nos joelhos, Franziska se perguntava o por que diabos de ela a ter seguido até aqui. Será que queria esfregar aquelas derrotas em sua cara? Zombar da promotora por ter sido tão fraca? ela pensou, sua testa franzindo.
Porém, logo uma médium a tirou de seus pensamentos.
“Oi!” Maya falou de repente. Atraindo atenção da outra. Que ficou rígida em resposta. E sem coragem para olhar nos olhos da outra, a promotora preferiu encarar o chão.
“Olá... Maya Fey” Ela respondeu seca, tentando manter sua voz firme, evitando o olhar da outra “Ao que devo o prazer?”
Maya hesitou brevemente, um leve rubor em suas bochechas, sua personalidade animada dando espaço a uma nova timidez.
“Eu vim te agradecer”.
Franziska, não esperando por isso, arregalou os olhos deixando sua instância defensiva para trás. Enquanto encarava Maya sem saber o que dizer, sem perceber, ela soltou sua mala, que caiu com um baque surdo no chão.
Percebendo o susto de Franziska, Maya imediatamente tentou elaborar.
“Ah! É que... eu estava falando com o Nick sabe?” Maya começou falando desornamente, fazendo gestos com as mãos, sem saber direito como se explicar “E bem, ele me falou que se não fosse por você interrompendo o tribunal com aquelas novas evidências... eu não teria sido salva”.
Há cada palavra dita por Maya, Franziska sentiu sua imagem defensiva se quebrando, e em seu lugar, seu peito parecia encher com um novo sentimento. Um que ela não sabia nomear. E pela primeira vez, Franziska não sabia o que dizer, afinal, ela havia perdido. Por que estava recebendo uma “obrigada”? com a sensação que as palavras lhe faltavam, ela levantou seu olhar do chão para fitar a garota em sua frente. E por um segundo, elas se encararam, completamente sem saber o que dizer. Franziska sentiu seu rosto corar.
“Eu... Muito obrigada” Franziska desabafou, “Mas eu não mereço seus agradecimentos agora. Eu... perdi, Maya. É simples assim.” Ela falou resignada. Com um olhar severo. Juntando sua mala do chão, Franziska se voltou à entrada do aeroporto, já não vendo motivo para prolongar essa conversa.
Maya demorou alguns momentos para reagir. Ela não percebia que havia salvado uma vida!? Imediatamente preenchida com uma determinação que nem ela mesma entendia. Maya decidiu que não aguentava ver Franziska desse jeito. Simplesmente, não ia deixar ela ir embora nesse estado.
Determinada, agarrou as mãos da promotora. Chamando sua atenção, Maya sentiu seu rosto esquentar. Porém olhou firmemente para a promotora, que retornava o olhar, surpresa, mas mesmo assim. Maya notou como ela se aproximou, em um movimento tão sútil que quase passou despercebido.
Ela não sabia por que, mas ver Franziska assim. Trazia um instinto anormalmente protetor em si mesma, “Deve ser porque ela sempre é tão forte...” Maya raciocinou. “Eu só quero fazer ela voltar ao normal, sim, deve ser isso”.
“Franziska, não diga isso!”
“Eu perdi, Maya.”
“Eu sei, mas...” Ela apertou levemente as mãos da promotora, que tremeu ligeiramente ao toque “No fim, tudo terminou bem. Você livrou Adrian da cadeia, fez o monstro que é Engarde ser preso e, você me salvou.”
“Eu sei” Disse firme, mas logo adicionou em um tom delicado, “mas eu sou uma Von Karma. Eu sou...deveria ser perfeita, porém no final. Não só perdi, como merecia perder. Eu não mereço o nome Von Karma.”
“Não merece mesmo! “Maya gritou, para o espanto da outra “Você é... mais. Franziska você poderia não ter feito nada, mas trouxe as evidências mesmo que isso significasse que iria perder”.
Franziska não respondeu, o que Maya falou repetia em sua cabeça. Realmente, ela não conseguia ver nem seu pai nem o Edgeworth de antigamente, fazendo algo tão prejudicial ao próprio caso. Perdida nesse emaranhado de pensamentos, de repente, Franziska sentiu algo novo. O que ela fez foi certo? Mesmo insegura, ela desconfiava saber a resposta. Graças à Maya. Pois se não tivesse feito aquilo. A garota em sua frente não existiria mais.
Ela voltou seu olhar para Maya, que a fitava com uma mistura de paciência e ansiedade, e não pode deixar de sorrir. Um sorriso que deixou Maya completamente fora de guarda. E naquele momento, Franziska percebeu que seu desejo foi realizado.
“Franziska...” Ela começou, mas logo foi interrompida, pois foi puxada em um abraço.
“Obrigada”.
Em um chocado silêncio, Maya se deixou afundar naquele abraço. Colocando seus braços envolta da cintura de Franziska e deixando o tempo passar, e para sua surpresa, o corpo da outra era macio, contrastando com sua personalidade tão firme. Esse fato fez Maya se aprofundar ainda mais em Franziska, que, para sua surpresa. Não a repeliu. Percebeu que não queria que a promotora fosse embora. Sentiu seu coração apertar.
Lentamente, Maya saiu do abraço e olhando para a outra ela teve uma enorme vontade de pedir que não fosse embora. Mas, sabia que não era possível.
Porém ainda tinha uma coisa que ela podia fazer.
Havia um sorriso travesso no canto de seus lábios, e assim, inesperadamente Maya se lançou para frente e deu um selinho, na bochecha de Franziska. Que sentiu uma corrente elétrica passando pela sua espinha. Deixando sua mala cair pela terceira vez.
Instintivamente, a promotora levou sua mão ao rosto tocando a parte em que Maya a havia beijado. E logo, se perguntou se era normal seu rosto estar tão quente.
Abriu a boca para perguntar, mas logo Maya a interrompeu.
“Um beijo de boa viagem!” Maya se explicou, risonha. Um tom escuro de vermelho pousando em suas bochechas.
E com essas poucas palavras, ela se virou e foi embora correndo, e Franziska jurou que ouviu ela sussurrando algo como “AhmeudeuseubeijeiaFranziska”, mas, atônita como estava, talvez tenha sido apenas a sua imaginação.
E com um pequeno sorriso, que Franziska achava tolo, mas que, por algum motivo, não conseguia tirar do rosto. Franziska se virou para o portão do aeroporto. de repente, ir embora não lhe parecia tão aterrorizante.
“Afinal, eu sempre posso voltar”.
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