Notas iniciais
Amigo secreto da Casa da Árvore -?“ Para Tatty

Mais um dia ensolarado amanhece no Platô, os aventureiros se reúnem na cozinha para tomar café da manhã e o som dos diversos pássaros ecoa pela casa.

— Vejamos, Malone e Roxton combinaram ontem a noite de sair para caçar, Challenger me ajudará no laboratório, precisamos terminar o experimento que planejamos. – Arthur Summerlee comenta alegremente entre mordidas em seu pedaço de pão.

— Só sobraram vocês, minhas caras, para a exilerante missão de colher as ervas faltantes. – Challenger acrescenta, tentando conter a vontade de rir, já imaginando a reação da herdeira.

Marguerite, que se sentava ao lado direito de Summerlee, o olha espantada. Mas antes de ter a chance de protestar, Veronica questiona:

— Não buscamos plantas suficientes há poucos dias atrás?

— Sim, sim! Verônica está completamente certa! – Argumenta à morena.

— Infelizmente, não colhemos a erva que precisamos. Ela se encontra em uma plantação ao leste da aldeia Zanga.

— Ora professor, por favor, não pense que caminharei até lá para buscar uma planta para mais um dos experimentos mirabolantes de Challenger.

Malore e Roxton se entreolham e riem enquanto colocam o chapéu e conferem se as munições das armas estavam em ordem.

— Nós já vamos indo, até logo pessoal. – Se despede Malone, indo em direção ao elevador.

— Voltaremos à tardinha e professor... – Roxton olha brevemente para a mulher sentada de braços cruzados ao lado do botânico. – Boa sorte! – Acena com o chapéu e logo após o repórter e ele acionam a alavanca, descendo em direção à mata.

— Eu preferiria ir caçar com Roxton a passar pelo trabalho chato de andar atrás de plantas! – Marguerite reclama.

— Eu aposto que sim – Verônica cochicha ao lado de Challenger e ambos começam a rir.

— O que você disse? – Marguerite se levanta explosiva

— Ora vamos, minha cara, não será chato de forma alguma... E Verônica a acompanhará! – Arthur tenta manter o clima o mais leve possível.

— Como se caminhar até a esquina do fim do mundo não fosse ruim o suficiente – Marguerite resmunga e sai em direção ao quarto.

— Aonde você vai? Se pretendermos voltar ainda hoje, temos que partir agora! – A essa hora da manhã e Verônica já estava completamente sem paciência.

— Calçar minhas botas, você se importa? – Marguerite sentia que hoje não era seu dia, seus sentidos estavam aguçados e algo lhe dizia que algo ruim estava prestes a acontecer.

Challenger e Summerlee se despedem das mulheres e rumam para o laboratório, concentrados em achar as medidas e ingredientes certos para um experimento de sucesso.

Ao contrário de Marguerite, Verônica amava longas caminhadas, sentir o vento soprar em seus cabelos cacheados, o sol aquecendo sua pele bronzeada, sentir o cheiro da terra recém-molhada pela chuva da noite anterior. As mulheres nunca tiveram uma relação muito próxima e evitavam ao máximo situações em que estivessem sozinhas.

Muito tempo se passou, e salvo pelas ocasionais bufadas insatisfeitas de Marguerite, o único som que se ouvia era o da floresta ao seu redor.

— Já passamos da aldeia Zanga a horas, onde está essa maldita plantação? – Marguerite quase grita tamanha sua irritação com essa tarefa.

— SHHHHHHHHHHHHH – Vêronica tampa a boca da morena e a puxa para trás de uma árvore.

— O que pensa que está fazendo? – A herdeira entende que algo está errado e sussurra suas palavras, apesar de questionar a garota.

— Olhe Marguerite, a plantação que Arthur fala é aquela – A garota aponta para um pedaço de terra a uns quilômetros à frente em um vale. – Mas como pode ver, está cercado por dinossauros.

— Veja só se Arthur não nos mandou para a cova de leões. Como passaremos por todos eles?

— Acho que esperamos, vamos ver se estão de passada ou não.

O dia passou lentamente, poucos dinossauros realmente se afastaram dali. Os que ficaram pareciam ser herbívoros e ao estudar um pouco mais o terreno, as duas formaram uma estratégia para se aproximarem sem serem notadas.

Caminharam cuidadosamente na trilha até se aproximarem da beirada do vale, logo mais a esquerda havia uma pedreira, que seria perfeita para a descida. Marguerite foi à frente, seguida por Verônica.

— Cuidado com as cobras Marguerite, elas adoram se esconder entre as pedras.

— Corais, falsas corais, me lembro bem da diferença... Graças a você – Marguerite olha para a loira sente que pela primeira vez em muito tempo, o sorriso dela foi realmente genuíno.

Ao final da escadaria formada pela própria natureza, depois de uma breve caminhada silenciosa, havia um lago e como não tinha como contornar sem chamar atenção das diversas espécies de feras ali presente, as duas bravas mulheres nadaram até a margem do outro lado.

— Verônica, a plantação está logo ali! – Ambas correram e se aproximaram da erva tão cobiçada.

Marguerite pega a mochila e coloca no chão e com o auxilio da faca começa a cavar em volta da planta, tentando colher com a raiz.

— Anda logo Marguerite – Verônica que estava de costas para a companheira vigiando envolta, a uns metros dali, não viu quando uma mão cobriu sua boca enquanto outra pessoa passava uma corda prendendo seus braços junto ao seu tronco.

— Vou me assegurar de não ter que voltar tão longe por uma planta de novo – Ao se levantar e virar, Marguerite se depara com uma pessoa apontando uma faca para ela. Com um movimento de cabeça ele indica para ela soltar a faca que usava para colher a erva e ela assim o faz.

— Vamos manter a calma, tudo bem? – Marguerite levanta às mãos, se rendendo a ameaça e ao olhar para Verônica, percebe q o outro homem aperta ainda mais a corda enquanto a puxa por uma trilha escondida entre as árvores. Logo ela se vê seguindo pelo mesmo caminho, sentindo a ponta gelada da faca tocando suas costas por cima da camisa.

Anoiteceu e eles continuavam andando pela trilha que agora parecia um mundo totalmente diferente de tudo que ela já vira no Platô. Uma mata fechada os rodeava, nenhuma luz passava entre os galhos, nem mesmo da lua cheia dessa noite. Poços de lama mal cheirosa se espalhavam por todos os lados e não havia som de nenhum animal, parecia que tudo estava morto ao derredor.

Marguerite já não sabia há quantas horas caminhavam, ela estava exausta e imaginava que Verônica também. O dia tinha sido longo e o trajeto até a plantação já tinha sido torturante o suficiente, acrescentando esse desvio de horas, ela já não aguentava mais a dor nas pernas e tudo que queria era tirar as botas e relaxar com uma ducha, mas a conversa em um dialeto diferente a fez acordar para a realidade.

Os três homens pararam e dois deles se afastaram para discutir alguma coisa que Marguerite não conseguia escutar muito bem. Enquanto isso um deles vigiava as duas.

— Consegue entender o que estão falando?

— Acho que tão falando sobre a chegada à tribo... – Marguerite sussurrava e tentava escutar o que mais eles diziam. – Algo sobre uma raiz sagrada.

— Devem estar falando da planta que pegamos.

— Não me diga Sherlock – Marguerite ironiza e Verônica apenas revira os olhos. – O que me diz de escaparmos daqui? — Elas se entreolham e sorriem, e como se estivessem lendo a mente uma da outra, a herdeira cautelosamente puxa da parte de trás do cinto um canivete que estava escondido e sorrateiramente o coloca nas mãos da garota. Em um segundo a herdeira sabe exatamente o que fazer para distraí-lo a fim de dar tempo para Verônica cortar as cordas que estão em volta do seu pulso e escapar.

Marguerite se aproxima lentamente do guerreiro jovem e distraído a sua frente, ele mais se preocupava em tentar escutar a conversa dos outros do que vigia-las.

— Você poderia... – Ela da um passo em direção ao rapaz, que agora volta sua atenção pra ela – dar uns minutos... – A morena da mais um passo sedutoramente em direção a ele. – para uma dama... – Ela sorri e de uma maneira única, enfeitiça o jovem, que agora não se lembra da existência de mais nada, a não ser ela.

O rapaz a interrompe falando em sua língua que não a estava entendendo e Marguerite, que já estava bem próxima dele, repete mesmo que tinha dito no dialeto diferente enquanto tocava suavemente o braço do garoto, mas antes de completar a frase, Verônica consegue se soltar e Marguerite deposita um soco na face do garoto, que cai no chão com um gemido alarmante.

As mulheres saem correndo na direção contrária da que estavam indo, tentando achar uma saída daquele pântano fedorento. Os outros dois guerreiros perdem alguns minutos tentando reanimar o jovem, o que da uma vantagem a ela, mas parecia que quanto mais corriam, mais longe estavam da saída.

Elas conseguiram despistar os homens e se esconderam atrás de uma grande árvore para recuperar o fôlego.

— Há algo errado nesse lugar Verônica.

Ao voltar para trilha, após alguns passos, se depararam com uma enorme árvore que bloqueava a passagem de um lado ao outro.

— Marguerite, essa árvore não estava aqui antes, estava?

Antes que alguém pudesse dar outra palavra, laços caíram sobre as duas e as prenderam revelando guerreiros diferentes ao final do outro extremo da corda. Logo de cara decifraram que os guerreiros pertenciam a mesma tribo, suas tatuagens e pinturas na pele mantiam a mesma ordem e padrão de cores, suas vestes primitivas cortadas e costuradas todas no mesmo formato, o que pode-se perceber ser o traje geral da tropa do pântano.

— Quem são vocês? — Marguerite gritava com o rapaz que a segurava enquanto se debatia para tentar se soltar.

Em um movimento veloz, Verônica consegue golpear seu agressor, um corte profundo rasga a pela grossa do braço musculoso do homem atrás dela, e apesar de recuar, outras mãos ágeis a prendem no lugar novamente. Uma delas tampa sua boca com uma flor e o perfume doce e suave da planta é um alívio para as narinas da garota, que já não aguentava mais o cheiro pútrido daquele lugar escuro e sem sol. Um cansaço toma conta de seu ser enquanto o corpo amolece e fica sem forças, caindo em um sono profundo. Marguerite vê a cena com espanto, horrorizada com o que pode ter acontecido com a amiga, gritos desesperados saem de sua boca na tentativa de acordar a moça, mas logo a pressão ao redor de sua boca e nariz trazem o terno alívio que seu corpo precisava.

Suas pálpebras estavam pesadas, sentia todos seus músculos doerem do cansativo dia que tiveram, as bolhas em seus pés latejavam, mas seu corpo agradecia pela cama quente em que estava. Quase não dava vontade de acordar. QUASE. Em sobressalto Marguerite se senta na cama, sente sua cabeça rodar e precisa parar um segundo, mas rapidamente olha para os lados a procura de Verônica.

— Marguerite, Marguerite, estou aqui! Calma! — Verônica estava amarrada em sua cama no outro extremo da cabana.

— Verônica, onde estamos?

— Ainda não sei, quando acordei já estávamos aqui. Não entendo, nunca vi ninguém como eles antes no Platô.

— Sabe o que acho estranho? Em nenhuma das vezes que arriscamos fugir, eles tentaram nos agredir de alguma forma.

— Notei isso também.

— Você ainda está com o canivete? Pode nos tirar daqui! — Perguntou Marguerite.

— Não, ele caiu enquanto me apagavam. — Respondeu Verônica, mas logo a conversa foi interrompida quando dois homens apareceram na tenda e as soltaram de suas camas, as arrastando para fora.

As árvores grossas e espessas cobriam toda a visão do céu, nem um faixo de luz transpassava as folhas enormes e a escuridão tomava conta do lugar. Toda a iluminação era provida por uma única fogueira colossal e abastecida de muita lenha, localizada bem ao centro do que parecia ser a aldeia deles, com inúmeras tendas ao redor. Uma mulher de longos cabelos negros caminhou até elas:

— Por que vocês roubaram nossa planta? – Ela falou de forma dura, mas sua voz era suave e tranquilizante.

— Não era nossa intenção roubar algo, não sabíamos que tinha dono. – Falou Verônica confrontando a mulher.

— Sim, olha só... Nós entregamos a planta e você nos deixa ir, ninguém precisa se machucar. – Marguerite se adiantou em tentar remediar a situação.

— Não iremos batalhar com vocês, somos um povo pacífico. – A mulher deu as costas as duas e se afastou. – Joguem-nas na fogueira! – Ordenou ela, mas a tristeza em sua voz pesava.

Verônica e Marguerite gritaram e tentaram impedir, se debateram enquanto ainda estavam nos braços dos guerreiros da tribo, usaram todas as brechas e segundos para tentar alguma vantagem e escapar, mas nada pareceu funcionar. Ambas estavam amarradas juntas a um largo tronco de madeira, uma em cada lado, próximo à fogueira principal. Galhos e folhas estavam sendo colocados a volta delas enquanto as horas se passaram e elas esperavam ali por seu momento final.

— Acho que nunca passamos tanto tempo juntas não é mesmo Marguerite?

— Me lembre de que se sairmos daqui, nunca mais olhar na sua cara – Marguerite ironizou e tentou olhar para a garota ao seu lado. – A verdade é que você é a irmã que eu nunca tive e parece certo morrer ao seu lado. – Os olhos das duas estavam cintilando com as lágrimas que estavam prestes a escapar. Ao fundo ambas escutam alguém gritar “fogo”, as duas deram as mãos e cerraram os olhos entendendo que aquele talvez fosse um dos seus últimos suspiros.

O fogo começou a percorrer uma carreira de pólvora jogada por um breve caminho da fogueira principal até a que elas estavam quando um trovão soou forte e vívido no céu e poucos segundos depois uma chuva torrencial começou a cair apagando ambas as fogueiras e tomando o lugar por uma escuridão sem fim.

— SOLTEM ESSAS MULHERES IMEDIATAMENTE! – A mulher que parecia ser a líder da aldeia gritou e prontamente Marguerite e Verônica foram desamarradas e levadas para a tenda da mulher.

— Lembra-se do poço? Fomos salvas pela água mais uma vez. – Merguerite cochicha para Verônica enquanto esperavam a mulher se pronunciar.

— Nunca, em todo tempo que estou aqui, vi o Universo fazer algo assim. Com certeza há um plano grandioso para vocês aqui. – Ela mais falava para si mesma, do que para as duas em sua frente.

— Isso quer dizer que vão nos deixar ir? – Verônica interrompe a confusão de pensamentos que passavam pela cabeça da líder.

— Você podem até tentar ir, não iremos impedir... Mas não conseguirão.

— O que quer dizer? – Marguerite e Verônica já estavam se levantando para tentar escapar.

— Este não é um lugar comum do Platô, como já devem ter percebido. Estamos em um espaço separado pelo Universo. – A mulher acende mais algumas velas dentro da tenda e elas finalmente conseguem ver com detalhes a mulher que estava à sua frente. – Os poucos que aparecem aqui, chegam por alguma maneira, algum propósito específico que só o tempo dirá qual é.

— Lamento informar, mas não ficaremos tempo suficiente para descobrir... Vamos Verônica.

As duas pegam suas mochilas que estavam na tenda da mulher e saem correndo para longe dali. Caminharam por horas e sempre acabavam de volta na aldeia. Na última tentativa apareceram ali novamente, mas desta vez ela estava esperando.

— O QUE VOCÊ FEZ? POR QUE NÃO CONSEGUIMOS SAIR DAQUI? – Verônica partiu pra cima da mulher, mas Marguerite segurou seu braço bem a tempo.

— Venham, vamos conversar. Vou apresentar a aldeia para vocês.

Enquanto caminhavam, as mulheres podiam notar a precariedade do lugar, a falta de estrutura e de mantimentos básicos.

— Meu nome é Lily e, assim como vocês, não sou desse lugar. Nasci na França e quando minha expedição chegou ao Platô, acabei me perdendo e tentei comer aquela planta... Depois disso, quando cheguei aqui e entendi o que deveria fazer, só espero realizar meu propósito.

— O que você está falando? Não podemos ficar aqui, nossos amigos devem estar enlouquecendo tentando nos encontrar.

— Não se preocupem com eles, vocês os verão novamente.

— Escuta Lily, talvez possamos chegar a um acordo, pois há uma forma de sairmos daqui certo? – Marguerite intervém.

— Somente depois de cumprir o propósito.

— Nós nunca iremos parar de tentar! – Verônica fala.

— Eu não esperava nada menos de você, Salvadora. – Com esse último comentário a mulher aponta para a tenda que seria o aposento delas.

Anos se passaram, os cabelos grisalhos já apontavam entre a cabeleira negra da herdeira e as mãos de Verônica já não eram mais tão ágeis e versáteis como uma vez foram. Elas nunca deixaram de tentar escapar daquele lugar, nos primeiros meses as tentativas de fugas eram diárias e resultavam sempre na mesma forma, voltando ao centro da aldeia. Nos próximos anos os planos ficaram mais elaborados, mas o resultado continuava o mesmo.

Eventualmente elas acabaram se envolvendo com os habitantes daquele lugar. Poucos falavam a língua deles, então Marguerite começou a ensiná-los e logo ela já tinha vários alunos e não os ensinava só o idioma, como também diversos outros assuntos. Verônica os ensinou a se defender, a cultivar a terra e a construir coisas.

As escapadas viraram tentativas semestrais com planos não tão elaborados e sem esperança de sucesso, ambas atarefadas diariamente com os afazeres e melhorias na aldeia, onde o que antes era um ambiente escuro e desconfortável, agora era uma aldeia alegre e ensolarada. Ao lado de Lily, as três revolucionaram o local.

Certo dia, um homem chega a aldeia e passa pelo mesmo processo de negação que elas, Verônica o ajuda a encontrar seu lugar e eventualmente ele toma o coração da moça e por muitos anos eles vivem felizes, até que por alguma razão inexplicável ele desaparece. Lily explica que ela deve ficar feliz, pois ele cumpriu o seu propósito e talvez um dia eles se encontrem novamente.

Marguerite não teve a mesma experiência, afinal seu coração já pertencia à outra pessoa e por mais que quando estava fora não entendesse... Agora ela sabia. E no fundo do seu coração, sempre que uma nova pessoa era trazida a aldeia, ela secretamente esperava que fosse John. Então, ao lado de Lily, ela dedicou a vida a gerenciar e melhorar o local onde moravam.

Com o passar do tempo o lugar e as pessoas só cresciam em afeto para as mulheres, assim como seus novos hábitos e rotinas. Marguerite e Verônica eram inseparáveis, não havia mais brigas bobas nem provocações, e juntamente com outras quatro pessoas, faziam parte do conselho. Certo dia, em uma reunião rotineira, notaram que não havia nenhuma ideia nova ou alteração a se fazer, a aldeia estava bem encaminhada e organizada, todos estavam felizes e tudo corria bem.

— Marguerite, Verônica... Nunca as contei qual era meu propósito aqui certo? – Lily comentou e as duas, que agora já eram senhoras de idade, acenaram negativamente. – Me foi dado um dom, eu fui posta aqui para liderar esse povo com a habilidade de conseguir ver além do que vocês realmente são e entender suas essências. – Lily se aproxima de Verônica, pega suas mãos e continua:

— V, sua força e determinação tomou conta desse lugar e por isso a chamamos de Salvadora. Você nos ensinou a nos proteger e evoluir. Obrigada. – Lily se vira para Marguerite e toma suas mãos – Minha doce Marguerite, chegou aqui como um furacão, transtornada e não querendo dar o braço a torcer e seguir seu propósito, mas quando se entregou, você realmente se doou. Na nossa língua, a chamamos de Equilíbrio, pois o que trouxe para nós foi o progresso, as melhorias e conhecimentos, mas em nenhum momento tentou tirar do povo a real essência deles, sempre conseguiu balancear e enquanto se doava, também recebia.

As três mulheres choravam, entendendo que aquela seria a despedida. Enquanto as três se abraçavam, Lily comenta:

— Foi uma honra conhecê-las e servir o povo ao lado de vocês. Amo muito vocês. – E com um leve toque na testa das mulheres, uma forte sonolência toma conta delas e então apagaram.

— Onde estamos? – Marguerite abre os olhos lentamente, o forte sol do meio-dia impossibilitando a visão.

— Marguerite, olha pra mim. – Verônica a olhava espantada. – Nós estamos jovens!

— Verônica, estamos na plantação! – Elas se abraçam, comemorando o fato inusitado e saem correndo em direção da casa da árvore.

Alguns dias se passaram e todos estranhavam o comportamento das duas e Roxton foi o primeiro a comentar durante o café da manhã:

— O que aconteceu com vocês duas durante a busca da planta? Ficaram foram somente metade de um dia, voltaram com uma planta qualquer, mas ao chegar aqui estavam calmas e cooperando com tudo.

— Roxton, quantas vezes vamos ter que falar? Nada aconteceu. Caminhamos até a plantação, pegamos a erva e voltamos. – Verônica respondeu enquanto Marguerite trançava seus cabelos.

— Mas vocês estão serenas e agindo como se fossem amigas – Malone comenta, estranhando o ato na sua frente.

— Tivemos uma vida inteira de novos hábitos, meu caro... Vocês não entenderiam. – Com esse comentário, Marguerite e Verônica se retiram.

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