Notas iniciais
Olá pessoas, como vão? Esta é minha primeira one-shot de Magi, espero que gostem (:

Uma boa noite de sono

A situação de Kou não era nada boa, a produção em massa de alimentos já havia sido iniciada e sem a abertura da Companhia de Comércio de Kou, o colapso era iminente. Já trabalhavam as ideias de Alibabá, espalhando informações positivas a respeito de Kou, mas o progresso ainda era quase insignificante. Uma das ideias de Alibabá para melhorar a imagem de Kou perante os outros países era a realização de um baile em Rakushou, onde os grandes líderes mundiais seriam convidados a participar. Era uma estratégia arriscada, faria uso de um recurso precioso para uma nação em crise e a chance de boicote era grande, mas Alibabá se encontrava confiante, as informações positivas estavam se espalhando e a hesitação dos povos diminuía aos poucos.

A data do baile coincidia com o aniversário da imperatriz Kougyoku, ela não mancharia uma data de tamanha importância para ela com um banho de sangue, Alibabá contava com esta ideia para diminuir a desconfiança dos líderes.

Convites enviados e preparativos finalizados, a grande noite chegara.

Kougyoku estava nervosa. Era uma noite muito importante, não somente para ela, mas para todo o império Kou. O destino da nação dependia do sucesso deste baile. Olhou-se mais uma vez no espelho antes de sair do quarto. Estava particularmente bonita naquela noite, o vestido que escolhera era especial, gostaria de passar uma boa impressão para os convidados e além do mais, no fundo ainda não abandonara seu sonho de se apaixonar de verdade, quem sabe sua alma gêmea não estivesse na festa hoje? Era o que ela, bem no fundo mesmo, gostaria.

Mas isso não importava no momento, Kou vinha em primeiro lugar. Enquanto andava em direção ao salão principal, afundava-se em pensamentos a respeito do que vinha acontecendo nos últimos tempos. Era impossível demonstrar tamanha gratidão que sentia por Alibabá por tudo o que ele vinha fazendo por Kou, mas isso a fazia se sentir um tanto pequena, afinal, ela era a imperatriz e não tinha tanto talento e voz para política. Suspirou uma última vez antes de entrar no salão e colocou um sorriso no rosto.

Todos os líderes estavam lá, até mesmo Sinbad. Foi inevitável a vontade de matá-lo naquele momento, mas se conteve, precisava passar a melhor imagem possível agora. Não acreditava que ele fosse fazer algo ruim para Kou no momento, haviam muitas testemunhas, qualquer passo em falso e sua imagem seria degradada. Ver Hakuei ao seu encalço também não lhe fez bem, se sentiu ainda mais traída, mas tudo o que fez foi dar um sorriso acolhedor.

Riu com as farpas trocadas entre Sharrkan e Yamraiha, da dança desajeitada de Spartos com Pisti e da rejeição de Alibabá por qualquer garota que ele tentasse cantar, ele definitivamente não era popular.

Apesar dos risos, das palavras gentis trocadas e da comida deliciosa, Kougyoku estava destruída por dentro. Era seu aniversário, deveria estar feliz, não? A verdade é que estava se sentindo muito sozinha naquele baile. Apesar de Koumei não estar mais no exílio, pela segurança de todos, ele não participava do baile naquela noite. Sentia falta dos irmãos, de Aladdin, Hakuryu, Morgiana e dele, apesar de todas as provocações, o magi de Kou lhe fazia muita falta.

— Ei, Kougyoku! – era Alibabá. – Por que está tão quietinha aí? Vem dançar!

Alibabá a tirou para uma dança que foi recebida com vários aplausos de quem se encontrava na festa, afinal, era aniversário dela. A imperatriz sorriu tímida, na dança com seu melhor amigo e tratou de ignorar os pensamentos tristes de outrora e se concentrar na festa. Por um momento, não se sentia como uma imperatriz com um grande fardo nas costas, mas como uma garota simplesmente comemorando seu aniversário e finalmente se permitiu aproveitar a festa, mas durante aquela dança, sentiu que era observada, mas não sabia por quem.

A festa fora um sucesso, a maioria dos convidados já havia se retirado e com melhores impressões sobre Kou, agora as chances de um acordo de comércio pareciam maiores e isso deixou a antiga princesa bastante aliviada. Restavam apenas uns poucos convidados que se encontravam tão bêbados que não pareciam ter percebido que a festa já se encontrava no fim, Alibabá era um deles, Yamraiha e Sharrkan dançavam como se fossem o casal mais feliz do mundo, com certeza não estavam sóbrios e Kougyoku sorriu ao ver isso, mas uma leve melancolia a abateu, no fim, não encontrou sua alma gêmea na festa.

A imperatriz voltou então para seu quarto sentindo o peso de todo o trabalho dos últimos tempos nas costas, mas nesta noite, depois de tanto tempo, sentia que finalmente conseguiria dormir em paz. Ao abrir a porta, notou uma sombra estranha se projetando no chão e ao erguer os olhos, soltou uma exclamação surpresa ao reconhecer a figura na janela.

— Judal-chan?!

— E aí, bruxa velha.

Kougyoku não conseguiu se conter de emoção e correu para abraça-lo, assustando o magi negro, que não correspondeu.

— Ei! Qual é a sua?! – Ele tentou afastá-la do abraço, mas gelou ao ver lágrimas brotando em seus olhos. – Eh? Kougyoku?

— Me desculpe, só estou feliz em te ver. – ela secou as lágrimas e lhe deu um sorriso gentil. – O que faz aqui?

— Achou que eu perderia o aniversário da minha princesa favorita?

O rosto de Kougyoku quase entrou em combustão pelo tom galante que o magi usara. Quem era esse Judal? Não se parecia nem um pouco com aquele que a provocava sempre que possível e pelo tom que usara, ele parecia até mais... charmoso?

— O-O que?!

— Agora posso dizer que está ainda mais velha, bruxa velha!

— Ora, seu! Eu não sou uma bruxa velha! – Definitivamente era Judal. – Veio aqui só pra me provocar?

O magi ignorou a pergunta e se jogou na cama da imperatriz.

— Vi que andou se divertindo esta noite. O que o idiota do Sinbad fazia aqui? E porque, de todas as pessoas, você teve que dançar com aquele loiro imbecil? O nível das festas daqui andou caindo, pelo visto.

— Judal-chan, não precisa ser tão mal...

Ambos ficaram em silêncio por um momento. Vendo que o magi não diria mais nada (e estava quase dormindo em sua cama), Kougyoku pigarreou.

— Agora, se me der licença...

— O que foi?

— Vou me trocar para dormir, oras! Já viu que horas são?

— Se troque então, bruxa velha.

— Judal-chan!

Nenhum dos dois se mexeu, e o magi não fazia nem menção de que pretendia sair do quarto. Kougyoku começou a ficar vermelha com isso, queria dormir logo, estava cansada, mas não faria isso na frente dele, não mesmo!

— O que foi? Precisa de ajuda para se trocar? – ele sorriu malicioso com a pergunta e ela ficou ainda mais vermelha.

— C-Claro que não! Agora sai daqui!

— Oh? Não há nada pra ver, está com vergonha de mim?

Judal finalmente levantou da cama, achando a situação divertida. Ele começou a andar na direção da imperatriz e esta começou a recuar, cada vez mais corada. Havia algo diferente no olhar do magi, não sabia o que era, mas isso fazia o coração da imperatriz disparar. Antes que percebesse, logo suas costas encontraram a parede do quarto e imediatamente foi cercada pelos braços do magi. Kougyoku se encolheu e se escondeu nas mangas do vestido de vergonha, mas o riso de Judal lhe chamou a atenção.

— Você fica tão fofa quando está com vergonha, bruxa velha.

— Não me chame assim!

— Relaxa, não precisa ficar desse jeito, eu não vou lhe fazer nenhum mal.

Com uma delicadeza que Kougyoku não sabia que tinha, Judal levantou levemente seu queixo e depositou um singelo beijo em seus lábios. A garota se assustou com a atitude, jamais esperava isso vindo de Judal. Logo ele se afastou e ela continuou estática olhando para ele.

— Feliz aniversário, bruxa velha.

Kougyoku nada respondeu, apenas continuou encarando o nada bastante vermelha, tentando processar o que aconteceu. Quando Judal ameaçou se afastar ainda mais, um súbito pânico tomou conta de Kougyoku e imediatamente agarrou o magi.

— O que foi? Quer mais? – ele perguntou malicioso.

— Seu bobo. – ela afundou o rosto no pescoço dele. – Não vai embora.

— Hum?

— Você não tem noção do quanto eu senti sua falta, Judal-chan! – ela o abraçava com força e tremia, o que assustou ainda mais o magi. – Por favor, não me deixa sozinha.

— Está bem. – disse um tanto contrariado, não esperava esse pedido da imperatriz e ficou feliz por não poder ver o rubor que surgiu em seu rosto. – Venha, vou te colocar na cama.

Ela estava tão cansada e tão feliz que nem se importou se continuava com o vestido de festa, quando ele a colocou na cama, ela o puxou para junto de si num abraço apertado, que levou o magi a fazer uma careta, não era acostumado a demonstrações de afeto.

— Só esta noite, está bem?

— Judal-chan?

— O que foi?

— Obrigada pelo presente. – ela se aconchegou mais nos braços dele. Judal corou com isso, mas logo relaxou, abrindo um sorriso discreto antes de cair no sono. Kougyoku soltou um último suspiro antes de dormir, sabia que, depois de muito tempo, finalmente teria uma boa noite de sono.

[...]

No dia seguinte, Ka Kobun estava estranhando o atraso da imperatriz, havia muita coisa a ser feita e ela não era de se atrasar. Foi então até o quarto de Kougyoku com Alibabá com cara de ressaca e Koumei ao seu encalço.

— Vossa majestade!

Não houve resposta. Então decidiu abrir a porta e entrar, mas imediatamente foi acertado em cheio no rosto por um sapato. Alibabá começou a rir, mas se arrependeu imediatamente pela ressaca e Koumei olhou para o quarto com os olhos arregalados.

Kougyoku, ainda com as mesmas roupas de ontem, completamente amassadas, dormia num sono profundo enquanto Judal abaixava o braço (por ter tacado o sapato na cara de Ka Kobun) e se ajeitava nela como se fosse um enorme travesseiro.

— MAS O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI?! – Berrou Ka Kobun, mas teve sua boca tapada imediatamente pela mão de Koumei.

— Deixe-os dormir mais um pouco.

— Mas-

— Vamos.

[...]

Assim que acordou, Kougyoku se assustou por Judal estar em sua cama, e pior, por estar agarrado a ela como um travesseiro.

— Judal-chan?!

— Fica quieta, você é muito escandalosa. – ele se afundou ainda mais em seus seios, o que a deixou bastante corada e imediatamente o empurrou para fora da cama.

— EI!

— O que estava fazendo na minha cama?!

— O que?! Você me pede pra ficar com você, me puxa pra sua cama e depois me trata assim? Como você é cruel, Kougyoku!

— O que?!

Ela começa a olhar desesperadamente as roupas, mas é interrompida pelo riso do magi.

— Relaxa, não aconteceu nada, você só estava carente e não queria ficar sozinha.

A garota suspirou aliviada e logo retomou a postura de imperatriz.

— Muito bem então, obrigada Judal-chan, mas se me der licença...

— Ah, qual é! Depois de ter sido bonzinho e aceitado o papel de bichinho de pelúcia, é assim que você me retribui?!

Num movimento rápido, o magi negro a jogou sobre a cama e se posicionou sobre ela com um sorriso malicioso. Kougyoku estava corada, o coração estava disparado, completamente surpresa pela atitude de Judal, mas não protestou.

— Agora, seja uma boa menina e trate de me recompensar.

— Hai.

Notas finais
Eu particularmente shippava muito o Judal com o Hakuryu, mas de uns tempos pra cá, Jokou tem ganhado meu coração ♥ Espero que tenham gostado!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!