Uma admiração adolescente
1 único
No verão é comum haver pancadas de chuvas como daquela tarde. Assim que o tempo voltou a abrir, paramos de correr e ficamos na beira do rio. Nos sentamos na terra molhada e você sorriu para mim, dizendo que estava ensopada.
— Você também, idiota.
Você continuou a rir, deixando a mochila de lado, enquanto passava os dedos nos seus cabelos platinados e compridos, juntando cada fio sobre um ombro só. Eu olhei os seus piercings na orelha exposta e pensei o quanto te achava legal.
Perguntou por que sorria bobamente; obviamente porque seu sorriso é lindo, eu pensei. Mas não respondi, apenas continuei sentada e corada, observando uma libélula pousar na superfície do rio. Você se aproximou mais de mim, se queixando do espaço entre a gente, disse que cabia mais uma pessoa e, de perto, eu vi seu sutiã se sobressair da camisa molhada do uniforme.
A saia rodada bagunçada e exibindo mais a sua pele alva, sentia vontade de passar a mão na sua coxa.
Não sei por que você se tornou tão atraente. Eu pensava que era por conta do seu espírito irreverente, uma admiração adolescente, um modelo para seguir. Mas o seu corpo me excitava.
Me tornei esquisita, foi o que você disse por eu evitar de te encarar e ficar bons segundos em silêncio.
Você tombou a cabeça para o lado e fez beicinho, tentando saber o que me incomodava, mas resolveu envolver meus ombros com o seu braço. Ouvi suas pulseiras caindo uma atrás da outra, enquanto meu rosto esquentava.
Cheirava a sol e disse a mim para não esconder nada de você, afinal, somos quase irmãs. Eu sorri, sentindo dor.
— Sim, somos quase irmãs.
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