O caminho não foi longo mas a Joana adormeceu e eu tive de a transportar ao colo até o seu novo quarto.

- Tudo bem?- a minha mãe perguntou assim que eu fechei a porta.

- Sim. Tudo bem-sorri, claro que eu sabia que ela se referia ao Tiago.

- E sempre vais passar pelo escritório?

- Sim. Há muitas coisas que tenho de resolver por lá.

- Como desejares e quanto a esta trabalheira, começas por onde?- perguntou enquanto olhávamos para a cozinha, sala (...) vazios.

- Eu fico com o hall de entrada, com o escritório e com a sala. Tu ficas com a cozinha e com o teu quarto que é o único que não está montado.

- Ok, capitã!- sorriu a minha mãe

O hall de entrada estava pintado de amarelo torrado então não me preocupei muito, como era apenas um pequeno corredor, coloquei na parede ao lado da porta uma pequena mesa branca, com uma gaveta no meio e enfeitei com algumas jarras e anjos, e isso que a minha mãe gosta. Com uma espécie de taça no meio para colocar chaves, telemóveis e esses afins... pendurei alguns quadros pelas paredes e coloquei um tapete. Próximo passo seria o escritório e deixaria a sala para o fim. Por fim, teria tempo para passar no escritório e resolver algumas coisas pendentes com Henri.

Assim que terminei as arrumações vesti-me para ir em direcção aos escritório. Não podia ser nada provocante, era o meu local de trabalho por isso fiquei-me por um vestido elegante até ao joelho. De côr escura e com pequenas golas brancas.

- Mãe, já vou indo.

- Como vais? A estas horas não tens autocarros por aqui.

- Não te preocupes, tenho táxis.

- Bom trabalho.

-Obrigada.- Peguei no casaco e saí.
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- Tio Henri.- cumprimentei assim que o vi.

- Sophia. Já estava com esperanças que não viesses.- sorriu enquanto se aproximava para me beijar a testa.

- É, já devia saber que quando se fala de negócios eu falo a sério.

- Já sei, pois. E o que fazer?

- Eu queria ter uma reunião contigo. Mas sem outros advogados ou secretárias intrometidas. Quero dar-te uma ideia, mas só a ponho em prática com a tua ajuda ou se tiver uma opinião. Ou consentimento. Ou alguma coisa que tu fizeres que me diga que devo deixar isso ir para a frente.

- Tem de ser hoje?

-Não, eu só o estou a avisar. Mas como não tem nenhum caso neste momento, que tal amanhã? Depois do almoço?

- Tenho de ver se tenho alguma coisa, mas assim de repente não devo ter.

- Combinado então. Vens almoçar lá na nova casa, e assim até podemos já ir falando pelo caminho até cá.- olhei para o relógio, era hora de ele sair.- tens a morada?

- Tenho, sim.

- Pronto, então falamos melhor amanhã.

- Boa noite Sophia.

- Boa noite Henri.

Sorri. Virei costas e entrei no meu escritório. Tinha uma vista magnífica e como estava a anoitecer já se diferenciava as várias luzes. Quando era mais nova o meu pai levava-me com ele á noite. Já sabia que eu me colava aquela janela e ninguém me tirava de lá para além dele. Com Joana, o meu pai não teve tanta proximidade como é obvio. De qualquer das formas ele amava a minha irmã.

Sorri mais uma vez, mas desta vez por causa de boas recordações do meu pai que me passeavam pela cabeça e uma boa lágrima de saudade preencheu os meus olhos. Porém não chorei. Desde que ele falecera que eu me habituei a guardar essas lágrimas para mim. Eu não podia ser fraca. Eu tinha de ser forte para a minha mãe se segurar no meu ombro e chorar sempre que não aguentasse mais, ou ser uma irmã com um sorriso para mostrar a Joana que o facto de ela ter cancro não é sinal de que a vida não presta, mas sim de que ela é uma guerreira e tem de lutar para mostrar que é vitoriosa!

Arrumei umas coisas em cima da secretária e voltei para casa, também com um táxi.

Não tive tempo de pensar em nada. Simplesmente vesti o pijama e entrei na minha nova cama. Adormeci

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.