O meu nome é Sophia, tenho 19 anos e sou de uma família típica de Londres. Tenho uma irmã com cancro, irmã mais nova que eu amo. A Joana.
Todos os dias está presa a um monte de medicamentos que segundo ela não fazem alteração nenhuma, mas se não fossem eles ela ainda não estaria junto de nós.

A minha mãe deixou de trabalhar para passar 24 horas junto de Joana e eu herdei o escritório do meu pai quando este faleceu á 7 anos num acidente. Mesmo sendo muito nova ele deixou tudo para mim.

Deixei que o meu tio Henri tomasse conta de tudo até eu atingir a maior de idade. Quando fiz 18 anos deitei as mãos ao trabalho e tornei-me a verdadeira dona, mas Henri continuou a trabalhar para mim.

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— Tens a certeza que isto é o melhor mãe?- perguntei-lhe séria após ela me ter contado que nos íamos mudar para uma casa maior e com mais condições para Joana.

- Eu espero que sim. Mas tu não precisas de vir a menos que não queiras, eu entendo se não quiseres vir por ficar mais longe do escritório.

- Tenho autocarro para ir trabalhar?

- Penso que sim.

- Então eu mudo-me. Não vou ficar aqui...- sorri

- Obrigada por me entenderes.

- Sempre...- sorri

- E quando nos mudamos?

- Para a semana é muito cedo?- a minha mãe perguntou cansada. Há duas noites que ficava á cabeceira de Joana a chorar. Ela pensava que eu não sabia.

- Está bom para mim...- sorri.- Agora vai lá dormir porque eu arrumo a cozinha.

Recebi um sorriso fraco de resposta e fiquei em cima do balcão a olhar para a minha mãe a afastar-se para o meu antigo quarto. Eu e ela tínhamos trocado de quartos para ela ficar mais perto de Joana caso ela chama-se.

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- Mana, amanhã vamos embora. Já sabias?- disse-me Joana animada na véspera das mudanças.

- Já sabia...e tás animada?

- Nem sonhes em imaginar...nada se compara. Fazer novos amigos, sonhos novos...- ela respondeu entusiasmada mas rapidamente se entristeceu.- Pena que isto vá durar pouco...

- Porque dizes isso?- perguntei quase a chorar

- Ora Sophia, tu sabes bem...já não é novidade nenhuma que tenho apenas alguns meses de vida

- Não! Nunca mais digas isso, estás a ouvir? És forte e vamos provar aos médicos de que eles estão errados!

- Deixa Sophia, eu não me importo...o céu está em paz e talvez o meu desespero termine...

- Ora...

Ia continuar a falar mas ela fugiu a correr.

- Isto passa-lhe...- Tiago abraçara-me pela cintura e apertara-me contra o seu peito.

- O pior de tudo é que ela é tão novinha...- sossurei

- Mas é forte....

Tiago era o meu namorado á 3 anos, foi o único que quando soube da situação da minha irmã não se afastou. Ele esteve sempre lá quando precisei e mesmo quando não queria ninguém por perto. E como qualquer cunhado carinhoso ajudava a minha irmã, defendia-a, tentava a todo o custo realizar os seus sonhos...

- E por falar em forte, como vou viver sem ti aqui, mocinha?- ele continuou tentando atenuar a minha dor

- Ora eu venho visitar-te e não me vou mudar para a China...podemos sempre encontrar-nos pelo meio da rua.

- De qualquer das formas...preciso de ti...- ele sorriu

- Lamechas

- Mas tu gostas...

- E não posso reclamar.

-Ora vês?- ele sorriu vitorioso

- Meninos, hora de dormir... Tiaguinho, tu casa...- a minha mãe disse com um sorriso da porta da cozinha.

- Vamos só despedir-nos.- respondi

- Amanhã queres ajuda com a mudança?- perguntou antes de se despedir de mim (Tiago).

- Acho que não é necessário, mas se quiseres vir...

- Eu vou ver se apareço por cá então...boa noite...tenta descansar e alguma coisa...

- Ligo, já sei amor, obrigada...- interrompi.

- Isso...- respondeu baixinho antes de me dar o beijo de boa noite.- Te manhã

- Te manhã.