Uma Vida Complicada
7 Capitulo 7
No dia seguinte as coisas sempre estariam melhor. Era oque minha mãe me dizia. Mas as vezes eu discordava disso. Eu não estava melhor, eu estava extremamente piro. Acho que tinha esquecido como se respira porque a todo o momento me dava falta de ar no meio da noite, ou eu simplesmente levantava suando como se algo de ruim acontecesse. Isso sim era horrível.
Eu levantei pela manhã, estava totalmente desanimada. E quando eu olhei para o lado e percebi que era sábado, já estava na hora de levantar-me. Olhei para o espelho e estava acabada, com os olhos inchados e meu rosto suavemente rosado. Aquilo sim era horrível. O que meu professor de boxe diria? Claro, que fui fraca e não soube me defender de qualquer coisa. Ele sim era machista, mas aquilo pouco me importava cada um tem suas crenças.
Coloquei minha roupa de treino e não pedi para meu pai me deixar no clube, eu fui andando devagar para o clube, pensando se valeria a pena sofrer tanto por causa dele. Vamos comparar a todos os meninos que já gostei.
Frantiesco: Era um menino loiro, dois olhos azuis. Totalmente pegador, na escola ele pegava todas as meninas e inclusive ficou comigo, claro! Era loucamente apaixonada por ele. Mas ele simplesmente me usava como qualquer outra menina. Eu e o Frantiesco sempre brigávamos muito, e o pior não eram briguinhas quaisquer. Nós saiamos no tapa E nós no meio de nossas brigas a gente sempre se pegava, mas nunca era nada serio. Na verdade com ele, ele me tirou o primeiro
Carlos: Carlos era um menino meio bobo, mas também cafajeste. Pegava tantas na escola, mas esse eu não fiquei com ele, era só meu amor platônico, gostava dele de longe. Mas não queria nada com ele também e nem ele comigo.
Ramon: Um menino gente boa. Jogava muito bem futebol e era extremamente bonito. Era um menino moreno do olho verde, coisa mais fofa do mundo. Sempre foi muito legal comigo, mas não muito...
Gustavo: Era um menino um ano mais velho, com os olhos cor de mel e o cabelo também. Ele queria ficar comigo, mas eu tinha muito medo de ficar com alguém, nunca tinha ficado com ninguém daquela escola e seria muito estranho. Não sei porque.
Ricardo: Nós namoramos 8 meses. Ele era o namorado mais fantástico que eu já havia tido, cuidava tanto de mim, era fofa, mas na hora das brigas nós dois saiamos no tapa, mas cinco minutos depois já estávamos nos beijando de novo.
Brendo: Eu queria algo mais com ele, ele era gente boa não ia rolar. Quando nós estávamos apenas ficando nem namorando nem nada, apenas dando uns pega, eu fui a casa dele e peguei ele com outra menina, aquilo me deixou muito brava. Nós discutimos e no final que foi embora comigo foi ela.
Luiz: O Luiz era um menino simpático que praticava todos os tipos de esporte. Dizia que gostava muito de mim, mas normalmente não me dava atenção alguma.
Renan: O Renan era um amigo meu do meu curso de musica, ele era gente boa, me paquerava muito, mas eu nunca dei bola. Era um japonês super simpático e maconheiro, mas eu o adorava nada contra.
Depois disso eu não havia gostado de mais ninguém, mas será que eu estava mesmo gostando do Victor? Será que ele gostava mesmo de mim ou será que não? Nenhum daqueles meninos tinha nada haver com ele. O Victor era um menino tão simpático, bonito, gente fina, me tratava muito bem, era extremamente fofo e skatista. Além disso, nós sempre nos dávamos muito bem e nunca havíamos brigado, não briga de parar de se falar, apenas discussões que resolvíamos na hora. Na verdade ele era fofo, muito fofo comigo, às vezes eu até estranhava tanta fofura, mas mesmo assim eu gostava não, eu amava aquilo.
Depois de comparar todos aqueles meninos com o Victor e notar que nenhum deles era parecido com ele. Victor era totalmente diferente do que qualquer um daquela lista metal que havia feito.
Quando eu percebi que já havia chegado ao clube, entrado e estava indo a minha aula de boxe foi que vi alguns colegas a minha frente. Eram o Breno e o Macedo. Eles chegaram em mim e disseram:
– E ai dona Sofia? – Disse o Macedo
– Algumas novidades Sofia? – Disse o Breno
– Ah, nenhuma meninos. O de sempre, estudos e essas coisas.
– E os namorados? – Disse o Macedo.
– Nenhum – Apenas sorri e olhei para baixo. Fiquei meio envergonhada de falar a verdade mas logo ele percebeu que eu tinha sim um amorzinho e disse:
– Qual o nome dele?
– Oi?
– Fala Sofia, qual o nome do seu Love. – Disse o Breno dando um sorriso bem grande.
– Ai gente, não é meu Love, somos amigos, não tenho certeza acho que estou começando a gostar dele, mas tenho certeza que ele não sente o mesmo.
– Por quê? – Continuou o Breno
– Porque ele faz parecer que gosta de mim também, mas quando ele tem chance de demonstrar de verdade, cara a cara ele não faz nada. Apenas me trata mal ou como amiga.
– Sofia é o seguinte, você da uns pega e já era. Chega, beija rapidinho e se ele quiser mais ele que venha atrás. Mas faça valer a pena! – Disse o Macedo dando risos e ao mesmo tempo falando bem serio.
Eu pensei muito naquilo, chega, beija e corri. Na verdade quem sempre me dizia isso era a Esther. Ela falava que era para eu parar de besteira e beijar logo, porque com toda enrolação da parte dele ele retribuiria o beijo e provavelmente nós começaríamos a namorar de verdade. Mas eu estava quase fazendo aquilo, só para ver a reação dele, só para ver se ele retribuiria. Será? Bem, não sei. Mas só teria um jeito de descobrir e eu não ia pagar para ver esse jeito.
Fui à aula e percebi que não consegui correr nada de nada. Depois da aula eu estava exausta, mas se eu não corresse iria pegar o costume, portanto dei apenas três voltas no clube metade do que eu costumava dar. Na volta eu estava muito cansada e tinha uma caminhada de meia até em casa, foi quase no meio do caminho que desisti de ir a pé e peguei um taxi. Ele me deixou na porta de casa e entrei, peguei o dinheiro para paga-lo e ele se foi.
Não sabia oque pensar direito. Sabia que tudo aquilo me dói um pouco, mas não sabia como o Victor e suas atitudes me confundiam muito. Mas eu estava cansada demais para pensar nisso.Ele era uma ótima pessoa, mas acho que não para mim. Não sei ao certo.
Será que compensava todo aquele sofrimento por nada? Será que ele sentia o mesmo, mas queria saber até onde meu sentimento iria? Será que ele se quer gostava de mim assim? Com certeza não. Ele devia ver apenas mais uma amiga que se ele precisasse conversar estaria de prontidão para ouvir tudo que ele havia a dizer. Meu deus! Como isso dói. Não saber ao certo o sentimento que tem por uma pessoa. Não saber se ela tem a mesma incógnita no coração. Como dói.
Eu entrei pensando em tudo aquilo. Era tanta angustia. Até que meus pensamentos foram interrompidos pela minha mãe dizendo:
– Sofia tem comida em cima do fogão.
– Obrigada mãe.
Claro que eu agradecia minha mãe nunca fazia comida para mim. Na verdade quem fazia era eu mesma a vida é difícil quando sua mãe cisma que você não é mais uma criança. Pois bem. Eu almocei e fui tomar um banho. Quando eu fui perceber minhas lagrimas no meio do banho já estavam descendo, se misturando com as gotas de água do chuveiro. Como dói.
Nesse mesmo momento eu ouvi minha mãe saindo de carro com meu padrasto. Eles demoraram em cerca de cinco minutos para sair de vez e foi quando eu já estava saindo do banho. Nesse momento me olhei no espelho. Meus olhos já estavam inchados e eu estava com dor de cabeça, me olhei no espelho e pensei: “O que fiz de tão mal, para estar sofrendo desse jeito”. Foi quando eu desabei.
Eu amava aquela pessoa. Que nem mesmo sonhava que eu tinha aquele sentimento por ela. Como eu podia ser tão boba assim. Como eu o amava. E tanto que nem mesmo eu sonhava como. E o pior de tudo eu não podia contar nada daquilo para ele, ou podia? Sim eu podia. Corri até o quarto praticamente seminu. Peguei meu celular e comecei a digitar a maior mensagem da historia.
Eu não sei como esse sentimento começou, apenas sei que é a coisa mais forte que já senti por alguém. Acho que nunca conheci alguém como conheço você, ou como já fui conhecida. Você sabe cada atitude que vou tomar por mais que eu seja imprevisível, você sabe o jeito até mesmo como eu gosto da coberta quando vou dormir. Sabe de como eu cozinho, sabe os temperos que eu utilizo e acho que sei tudo isso de você também. Nunca pensei que fosse saber tantos segredos de alguém como eu sei os seus. Eu nunca imaginei que fosse contar tanto de mim para uma pessoa até mesmo meus segredos mais íntimos e aqueles que tinham tanto medo de contar para qualquer pessoa. Como dói pensar assim. Parece até mesmo que você é meu irmão, mas não é. Se fosse eu não teria esse sentimento que tenho certeza que tenho por você. Victor Cordeiro eu nunca pensei que algo fosse sair tão simplesmente de mim assim, mas eu te amo. Amo muito e não tenho coragem de negar isso. Não sei se já consigo ficar sem dizer isso para você. Victor eu te amo. Com todas as letras, eu amo e muito. Demais. Não sei mais como esconder. Você deve achar que eu sou uma boba porque tenho certeza que está explicito no meu rosto que eu te amo, mas mesmo assim. Eu não tenho vergonha de dizer. Amo, amo sim e muito. Demais. Gritaria para mundo se ele fosse me escutar. Mas tenho certeza que esse sentimento não é recíproco.
Eu digitei tudo aquilo e comecei a ler e a chorar. Nada naquelas palavras chegava perto do que eu sentia pelo Victor. Nem mesmo um eu te amo. Nada chega. Nada. Era um sentimento tão forte, tão bom, que me fazia sentir mais viva. Muito viva, mais do que nunca. Só que na hora de mandar eu estava quase clicando para enviar. Mas não enviei. Tinha medo do sentimento não ser recíproco e perder a melhor amizade que eu já havia tido. Mas eu não mandei a mensagem. Ou não?
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