Uma Viagem Perfeita
41 Capítulo 38 - Um lindo e triste dia ensolarado...
Notas iniciais
Um capitulo que vai precisar tanto de insulina para aqueles se tornarão diabeticos de doçura do amor quanto alguns lencinhos... ^^
O sol aparecia pela lateral de uma janela, acordando devagar as pessoas pelo navio, chamando-os para curtirem mais um dia. E, foi deste modo, com um dos fios dourados caindo em seus olhos, convidando-o a levantar para trabalhar, que Apolo piscou os cílios varias e varias vezes, um pouco tonto e a esperar que seus olhos azuis cristalinos se adaptassem. Só fora preciso dois segundos para recordar onde se encontrava e fitar abaixo, para seus braços. Sorriu, seu coração a errar dois pulsos. Encolhida, com uma mão no peito dele, a respirar calmamente no ombro do deus, estava Artemis, os cabelos negros escorrendo pelo braço dele a sua volta, um sorriso fixo nos lábios finos e delicados da deusa da caça. Outra vez mais, ele suspirou, agraciado por tê-la ali, por tê-la amado na noite anterior, por ter a outra metade de seu coração junto de si. Sem dores. Sem raiva consigo mesmo. Só com aquele delicioso repuxar de ansiedade para assisti-la acordar pela primeira vez desde que estavam juntos, não só no emocional como também no físico. Unidos.
Com suavidade, Apolo escorregou um dedo pelo rosto de porcelana da garota a sua frente, apreciando a pele gelada dela sob seu calor, relembrando cada mínimo instante de como fora amá-la. Foi como se pela primeira vez Apolo conhecesse como era estar na cama com uma mulher: ingênuo, calouro e excitado por cada suave roçar de pele. E ele não tinha duvida que tudo aquilo se tornara tão mais mágico com o amor que nutria por ela e que cada vez tornava-se mais e mais forte. Depois de tudo, via como ambos lutaram por aquilo, cada um a sua maneira, fazendo o possível e o impossível para se verem outra vez, ainda que não admitissem.
Sorriu. Amava-a mais do que podia dizer. E adorava essa submissão pelo sentimento.
Escorregava devagar o polegar pelo lábio entreaberto e macio da deusa, divagando em pensamentos pela mesma, quando ergueu os olhos para apreciar a forma como o fio negro caia pelo rosto de Artemis, assustou-se ao ver olhos tão azuis que chegavam ao prateado fitando-o, analisando-o com aquele sentimento que reconhecia tão bem agora tecido à prata amoroso da deusa.
Ela sorriu um pouco sonolenta para ele. Os lábios dele esticaram-se no sorriso feito para ela.
- Bom dia, Bela Adormecida – murmurou ele, trazendo-a para mais perto de seu peito, acomodando-a melhor entre seus braços de modo a vê-la.
- Bom dia – ela deslizou um dedo pelo maxilar dele. — Você acertou a personagem dessa vez.
Ele sorriu.
- Eu só poderia usá-lo... Bem, agora.
Apolo acariciou o cabelo da mesma, maravilhado com o tom deles. Por pouco tempo, ficaram apenas a se encarar, lendo as recordações da noite passada um pelo olhar do outro. E não demorou muito para a deusa corar, a esconder o rosto no pescoço dele. Apolo riu, adorando a inocência que via naquele coração, puxando-a para mais perto ainda, ordenando que o sol raiasse mais forte para assim os fios dourados tocarem a pele pêssego dela, aquecendo-a. Escutou-a suspirar com isto. E estava no céu.
Devagar, voltou a escorregar os dedos pelas costas da deusa, sentindo-a, às vezes, arrepiar.
- Acho que não perguntei ontem... – sussurrou no ouvido dela. – Mas... Eu te machuquei?
Mãos pousando delicadamente no peito dele. Tremeu.
- Apolo – ela encontrou seu olhar, corada. – Você jamais seria capaz de me machucar. Sabe disso, não sabe?
Ele sorriu.
- Isso é tão...
- Estranho – supôs ela. Ele negou.
- Perfeito. – suspirou – Pensei que fosse te machucar quando libertei meus poderes. Afinal, você está humana. E... — Ela riu, fazendo-o franzir o cenho, apesar de adorar escutar sua risada melodiosa. – Que foi?
Artemis lhe deu um selinho, deixando-o pasmo, e viu-se sendo acarinhado por ela. Os olhos prateados brilhavam, mais do que ele um dia já havia visto, e um sentimento de orgulho cresceu em seu peito ao saber que era ele o causador daquela felicidade da qual ela compartilhava consigo.
- Eu nunca havia te visto tão preocupado – ela sorriu – E você fica lindo assim.
Pego de surpresa, pela segunda vez, sentiu-se corando, ainda que não desejasse que isto ocorresse. Ela jamais havia lhe elogiado assim. Sorriu, apesar de tudo.
- Agora, eu estou rosa – ele disse. Ela riu – Agora você vai pagar por me deixar rosa.
Ao som de seus risos que ele a deixou por baixo, brincando com a mesma que tentava fugir. Assim que a teve presa, parou o que fazia, sorrindo e assistiu-a rir, apreciando o modo como duas covinhas suaves apareciam em suas bochechas.
Devagar, desacelerando sua respiração, ela parou de rir e o encarou, acima de si, fitando-a com intensidade. Um rubor espalhou-se pelo seu rosto ante a analise e viu-se a caçar algo naqueles olhos dourados pelo filete de sol que atravessava a janela. Estavam sérios, mas movimentados como um mar azulado, brilhando para ela com aquele mesmo amor e carinho que haviam na noite anterior. E aquilo a deixou um pouco ansiosa.
Ainda com os dedos trançados acima de sua cabeça, Artemis deixou seu sorriso desaparecer devagar, dando lugar a algo tão mais profundo que seu coração fez seu ar faltar por dois segundos.
- Apolo?
Então, devagar, o viu soltar uma das mãos da sua, deixando-a sentir saudade de seu toque, e seus dedos quentes, acarinhando-a com o polegar, segurarem seu rosto que pareceu pequeno. Ela parecia pequena perto dele e teve esta confirmação ao vê-lo debruçar-se muito lentamente sobre si, sem soltar o peso, e parar a centímetros de seu rosto, de olhos fechados, forçando-a a imitá-lo, apenas a sentir a respiração com grande diferença térmica de um na pele do outro. Ela suspirou ao ter os lábios cobertos pelo dele. Eram macios e másculos, acariciando de uma maneira delicada os seus, com amor, sem qualquer traço de luxuria que seria inerente dele. Pela segunda vez, pois a primeira fora na noite anterior, sentiu muito mais do que desejo. Havia um sabor na boca dele que era novo e pouco conhecido por ela, mas que a fazia amá-lo muito mais, e a fez sorrir quando, muito lentamente, ele aprofundou o beijo. Seu coração recebeu outro choque com o toque suave da língua dele em seu lábio inferior e assim ficou, a beijá-lo, sem desejar mais que isso. Nada alem daquele amor que a fazia ter as mãos tremulas enquanto descia os dedos pelos ombros dele ou daquele repuxar de adrenalina em seu estomago quando seus peitos nus se tocaram ou o seu coração que jamais se acalmavam.
Pararam arfantes, com os rostos extremamente perto, fitando um o olho do outro, afogados naquela sensação. Sorriram, bobos com aquele sentimento.
- Eu te amo – murmurou ele, deslizando o dedo pela maça do rosto da deusa.
Artemis corou, inerte naquele olhar, agora, dourado como sempre ficavam quando o mesmo estava segurando seu poder. Devagar, ela escorregou a mão pela face mais bonita que a mesma já havia visto em toda a sua vida.
- Eu te amo mais – sussurrou ela, de volta.
O sorriso do deus ampliou, outra vez o orgulho escorregando para seu coração.
- Sim – insinuou os lábios pelos dela, só roçando, segurando uma ou duas vezes em um selinho. – Você me ama mais, mas vou mudar o jogo.
Ela riu, abrindo os olhos, para depois receber outro beijo rápido enquanto suas mãozinhas seguravam o rosto dele com carinho.
- Você sabe que eu vou vencer.
Foi a vez dele rir.
- Então será uma disputa acirrada. Mas... – outro selinho, outro riso dela – eu... – outro -... Vou ganhar.
Ela iria rebater, mas ainda que risse, vendo-o fitá-la com aquele sorriso maroto, uma batida na porta fez a bola de ar estourar. Apolo revirou os olhos, ignorando as pancadinhas, voltando-se para beijá-la mais uma vez. Eles já desconfiavam de quem era.
- Abre essa porta agora – a voz da deusa do amor pode ser escutada por trás da porta da cabine.
Eles, que se beijavam, riram. De novo, Apolo fingiu não ouvir e continuou a morder de leve o pescoço da deusa da caça que ria, de olhos fechados, de leve arrepiando em seus braços.
Uma batida mais alta. O deus suspirou.
- Estou ocupado, Afrodite – gritou para a deusa Barbie que insistia em bater e forçar a maçaneta.
Eles puderam ouvir um suspiro indignado.
- Ok, você que pediu por isso, Apolo – e então Afrodite estava dentro, os braços cruzados, tentando se fazer de durona, mas se traia ao sorrir e quase pular de tanta felicidade. Surpresos, Apolo tratou de sentar e esconder Artemis atrás de si que apoiara as mãos em seus ombros, ambos com o cabelo um pouco desgrenhado pelos agarros que davam agora. Apolo respirou fundo, louco para matar a Barbie que só deu de ombros para o olhar mortal dourado do deus. – Avisei para abrirem.
Artemis suspirou, aproximando-se dele para afastar o frio da suave brisa que só agora sentira adentrar o local.
- O que você quer, Dite? – sorriu a deusa da caça, tentando ser a mais precisa possível para que pudesse estar outra vez sozinha com seu irmão.
Afrodite olhou para as unhas, como quem não está com pressa, e sorriu.
- Só queria que agradecessem pelo amor de vocês – revirou os olhos – Obvio.
Apolo se segurou para não estrangular a deusa de roupa rosa choque a sua frente.
- Você veio interromper o que eu faria... – o deus sorriu malicioso. Artemis corou forte. – Para me pedir que eu agradeça?
Afrodite sorriu como uma criança.
- Sim, por que mais eu viria?
Apolo suspirou, jogando a cabeça para trás de modo a deitá-la no ombro de Artemis, fazendo-as rir.
- Alguém faça essa garota compreender que eu iria agradecer depois, mas que eu estava ocupado no momento?
Afrodite riu, sem sentir-se incomodada quando Artemis passou os braços pelo peito dele e o beijou, ainda que risse.
- Ok, ok, Apolo, vou te deixar curtindo esse amor perfeito que eu... – jogou o cabelo liso pelo ombro -... Fiz regado de sexo – Artemis corou – Mas, vou cobrar depois o “obrigado, Afrodite diva, deusa mais perfeita das perfeitas que existem”.
- Exibida – sussurrou Apolo, levando Artemis a rir, ambos a se encarar. – Também já vou deixar claro que nunca vou te chamar de “deusa mais perfeita das perfeitas que existem”, Afro. Quem sabe a segunda mais perfeita? – sorrindo, Apolo acariciou o rosto de Artemis. – Porque Artemis já tem o primeiro lugar.
Artemis sorriu.
- Ownt – Afrodite suspirou, feliz – Se não fosse tão lindo, eu estaria te amaldiçoando agora, Apolo.
O casal riu da cara de choro de pura felicidade da deusa do amor. Sutilmente, Afrodite secou duas lágrimas que escorreram, sem deixar que elas retirassem sua maquiagem.
- Mas não, não vim aqui para avisar isto – como se uma nuvem passassem ali, Afrodite ficou seria de repente, fitando Artemis – Papai, sabe. Ele descobriu sobre Orion.
- Ele... Orion... E-ele...
Só de escutar o nome do caçador de Artemis, Apolo virou-se para olhá-la e o que viu, o fez querer despedaçar a alma de Orion. Os olhos prateados da deusa, antes felizes, agora brilhavam em lágrimas, que só com leve bater de cílios dela escorreram deixando um rastro no rosto em choque. De imediato, Apolo a trouxe para seus braços e a apertou firme, sentindo o corpo da mesma tremer. Sob os cabelos dela, o deus fitou Afrodite que desviara o olhar.
- Como ele soube? – questionou o deus sol, frio, outra vez apertando mais Artemis, afagando de leve os fios.
Afrodite suspirou.
- Papai havia mandado vocês se separarem. Funcionou o plano dele quando ele conseguiu instigar você a terminar com Artemis lá em Crescent City. – Afrodite voltou o olhar para Apolo – Papai sempre... Você sabe... Jamais aceita amores assim, o que é totalmente irônico por um lado, uma vez que é casado com a irmã. Mas, por outro, eu compreendi o que ele havia feito. – suspirou – Até ele ver você, Apolo, chegar e fazer toda aquela barreira fria de Artemis construída em dois meses, se despedaçar. Papai simplesmente entrou em pânico. Como ultima escolhe, ele pediu ajuda para Hades e... – outro suspiro – Conseguiu falar com Orion. O problema foi que Orion estava para ser levado ao “inferno”, o pior lado dos campos de Hades, e disse tudo para Zeus. E agora... Papai... – a deusa deixou uma lágrima escorrer.
Desviando o olhar para Artemis que procurava consolo em seus braços, Apolo respirou fundo, sentindo o coração doer. Seria mesmo Zeus capaz de exilar sua segunda filha mais querida por causa de um voto? Apolo não duvidava, e ver a mulher que ele amava em tal situação o deixava de cabeça cheia.
- Afro, por favor, poderia nos deixar a sós? – uma voz rouca e sem sentimentos, disse o deus.
- Claro – suspirou, parecendo conter as lágrimas – Mas, sejam rápidos. Temo que não tenha muito tempo.
Com essa fala que a deusa do amor, triste, se desfez em pó rosa.
Assim que estiveram sozinhos, Apolo puxou Artemis para mais perto, afundando o rosto no cabelo negro dela e a abraçando mais forte, como se sua vida estivesse ali em seus braços. E era exatamente isto que ocorria. A única mulher que tocara seu coração, estava, agora, ameaçada de ir para o exílio pelo próprio pai. Sem perceber, uma lágrima de pura raiva escorregou de seu rosto para os fios negros da deusa que o abraçava com força, pedindo proteção para tudo àquilo que acontecia.
- Eu estou com medo, Apolo – sua voz tremente sussurrou ao ouvido do deus – E se...
Apolo a interrompeu.
- Vou dar um jeito. Nós vamos dar um jeito.
Não sabia se era verdade, mas, fosse o que fosse preciso fazer, Apolo iria fazer. Não importava-lhe o que teria de dar em troca. Era a sua Artemis, e por ela, iria fazer tudo.
- Vamos dar um jeito, Artemis.
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