Uma Viagem Perfeita
27 Capítulo 24 - Passado e segredo.
Notas iniciais
Apolo estava assustado. Nunca em sua vida, havia a visto chorar assim. Muito menos quando fazia algo que parecia... Agradá-la. Mas aquelas lágrimas, o matavam. Com cuidado, rodou em suas costas e, puxando uma coberta para cobri-la, pois tremia, sentou com ela em seu colo, encolhida, chorando. Muito delicadamente, passou a delinear aqueles cabelos negros, em choque.
– Está tudo bem, shh, passou — murmurou contra seu ouvido, aqueles soluços o agoniando em sua alma. Odiava mais do que qualquer outra coisa aquilo que a havia feito chorar. Devagar, com os seus carinhos, as suas unhas grandes saíram de sua pele, deixando para trás prováveis cortes. Teve certeza de que se machucara, assim pegou uma de suas mãos e fitou o Icor, sangue dos deuses, em seus dedos. Ela havia o machucado! E isso só o deixou mais preocupado. — Shh, está tudo bem.
– Eu... Eu...
– Não tente falar, shh, tudo ok.
E a apertou contra si, sem acreditar que outra vez a consolava, dessa vez, não por um sonho. Mas, sim, por algo vivido e que a incomodava em alguma parte de seu coração. Algo profundo. Algo... Ele nem sabia o que pensa, até que a voz dela, baixa, sobre seu ouvido, parou de falhar:
– Eu quero contar para você.
Acarinhou suas costas nuas.
– Pode me contar qualquer coisa, Artemis, qualquer coisa.
Seu corpo tremeu mais uma vez, antes de ela conseguir falar.
– Você se lembra quando eu virei caçadora? — ele soltou um "uhum" — Você sabe o motivo de eu me tornar uma deusa casta? — sem esperar resposta — Ninguém sabe, nem mesmo papai. Eu... Não podia contar o que havia ocorrido. Eu não podia... Nem mesmo ter a coragem disso. Eu tremia só de pensar. Só de me imaginar falando isto a ele.
– Ninguém vai saber — prometeu. — Vai me contar?
– Vou — um soluço — Foi logo depois de você ter ido aprender algumas partes de sua visão com a Mnemosine, a titã da memória, como planejar e fazer sua cabeça funcionar direito quando ocorresse de ver o futuro, recorda?
– Sim, eu até te dei um colar antes de ir.
– Uhum, se lembra também que eu namorava? — Apolo engoliu a seco e o máximo que fez foi assentir. — Era Orion. Eu o imaginava como perfeito, lindo e totalmente perfeito. Todos me diziam para tomar cuidado, para ficar longe dele... E eu sempre preferi ignorar tudo. Até você mesmo odiava.
– Eu odiava o modo como ele falava com as ninfas, era um grosso.
Ela assentiu.
– Eu via isso, mas sempre dizia "Ele é um amor comigo, me ama de verdade, nada vai acontecer" — suspirou — E aqui entra o meu medo. Não me interrompa ou eu paro, já estou abrindo meu coração a você, Apolo. — outro suspiro, mais profundo — Fora poucos dias depois de você ir para casa da titã, Afrodite ficara ocupada em fazer Ares se apaixonar por ela perdidamente, e eu fiquei sozinha, longe de vocês, do nosso trio. Os deuses falavam comigo, claro, até me faziam rir, mas era você e Afro que me mantinham na linha, sem fazer bobeira. Eu estava com raiva de você por ter me deixado, algo ridículo, mas impossível de impedir. Você sempre esteve lá e depois havia sumido. Jamais direi que foi sua culpa, eu só era muito... Dependente de você e da Dite. Eu precisava de vocês para ser alguém, e me vi perdendo isso. E Orion viu a oportunidade perfeita. Lembro-me nitidamente do momento em que ele entrou pelas portas do meu quarto e mostrou que havia pegado ambrosia com alguma mistura, que seria o mesmo que drogas mundanas talvez, para usarmos e curtimos a noite.
"Me senti sem nenhuma barreira, livre, feliz e com alguém que eu... — engoliu a seco — Alguém que eu confiava e que eu pensava amar. Sem pensar duas vezes, aceitei, me arrumei e juntos fomos par a festa... Ficamos até tarde, bebemos muito, misturamos a droga (quer dizer, acho que só eu bebi com a droga), e ficamos loucos... Como sempre, apos isso, fiquei feliz. E estava acostumada com você me deixando em casa, cuidando de mim... Mas... Dessa vez..."
As lágrimas vieram, e Apolo a apertou contra, de coração preso.
– Não precisa terminar Artemis. Esquece. Te faz mal.
– Eu. Eu — respirou, um soluço — Eu preciso contar... — suspirou e o fitou, dor nos olhos prateados. — Não chegou a me trazer para casa. Eu estava realmente bêbada, e quando ele me beijou, eu mal o correspondia de tão mal que estava. Eu preferiria que... Que... Essa droga me fizesse esquecer — acarinhou com o polegar o rosto de Apolo — Eu queria tanto esquecer. Eu faria tudo para isso. Mas, não ocorreu. E eu recordo. Ele me beijou, colocando-me em cima do balcão, onde todos viam e. só haviam homens. — soluçou — Orion tirou minha roupa, ali mesmo, e no instante em que eu percebi o que ocorreria, meu corpo reagiu. Gritei, tentei me soltar, mas minhas mãos, como eu descobri, estavam presas em algo. E ele tampou minha boca com uma mão. Lembro-me como ele... Como ele... — lagrimas caíram e respirou fundo — Ele sussurrou em meu ouvido "Sua Cadela" — e então não se agüentou, chorou em seu peito, até se acalmar. Apolo sentia seus músculos se contraindo, sua ira com tudo o que ela dizia, quando foi puxado de volta com a voz dela — Ele me chamou de cadela, e os outros... Riram. Riram de mim! E então ele... Ele me estuprou. Eu gritei. Tentei me soltar, me cortei — fitou seu próprio pulso — Sangrei muito. Fiquei com marcas no corpo. E depois, ele me deixou lá... Nua e machucada para todos verem. Até que um deles me ajudou. Era o garçom. Cuidou de mim até o suficiente para mim... Voltar. — Artemis se apertou contra ele, chorando, procurando consolo, implorando que a protegesse. E Apolo prometeu a si mesmo que nunca mais a deixaria. Sentia-se culpado. Se não houvesse ido ver a Titã, se a tivesse deixado aos cuidados de alguém confiável, ou se tivesse a levado junto... E Orion (seus músculos se contraíram) não teria a usado, a machucado... Sua pequena Artemis, não tão intocável, mas tão cheia de machucados em sua alma. Suspirou, e beijou sua têmpora, escutando os seus soluços e sentindo seu corpo pequeno tremer entre seus braços. Ela estava mais quebrada do que um dia imaginara. Com cuidado, ergueu-se com ela em seus braços e andou até a varanda onde se sentou em um dos divãs, a aninhando bem. O vento frio, a luz da lua e o cheiro de local selvagem sempre a faziam melhor, ele sabia. E não tinha certeza se seguraria mais se ela continuasse a chorar e fosse, em pessoa, acabar com Orion. Pela primeira vez, Apolo viu aquela camada de frieza antiga com ele como uma proteção, uma segurança de que ninguém a machucaria.
Sua Artemis.
Com todo o amor que tinha, depositou seus lábios sobre os delas com suavidade e encarou seus olhos triste, magoados, inseguros... Tudo por causa de Orion.
– Eu vou te ajudar a superar isso. Vou te proteger, prometo que vou, Artemis. Nunca mais vou ficar longe.
– Só não me deixa — implorou, fazendo-o ver o que aquelas palavras, entoadas mais de uma vez por ela, realmente significavam. — Fique comigo.
E a apertou contra si, de olhos fechados, seu coração junto ao dela.
Ali, descobriu o momento certo de dizer a frase que sempre quis dizer, desde que reconheceu o que sentia. Agora, não seriam ditas da boca para fora. Seriam ditas pelo seu coração que doía de vê-la daquele modo.
– Eu te amo, Artemis, e não vou deixá-la. Nunca. — Artemis o olhou nos olhos, sem acreditar, era obvio, ou era isso que pensava. — Eu te amo, Artemis.
Sem explicar nada, a deusa o beijou. Seu coração se completou com sua alma, e se viu caindo em um abismo que só ela poderia segurar. Só ela teria seu coração. Fora um beijo rápido, pouco menos que um beijo comum, mas que fez o suficiente para o deus ficar de olhos fechados, admirando o gosto dela e suspirar, sem acreditar.
– Eu te amo, Apolo — foram as palavras ditas em seu ouvido.
E a ultima coisa que percebeu, era que a beijava outra, e outra, e outra vez. Até estarem sem ar. Apesar da tristeza da sua historia, aqueles olhos prateados sorriam para ele e teve a certeza de que a amava mais do que sua vida. Poderia dar seu coração pulsando a ela.
Então, Artemis bocejou e seu corpo ficou cansado. Depois de horas de viagem, junto de poucas paradas e lágrimas, o seu sistema queria repouso. E foi isso que Apolo deu a ele. Protegendo-a do frio fraco que se estabelecia, embolou-a em seu edredom e aninhou-a contra seu peito, a deixando perto de seu coração que pulava de alegria e também por vingança.
– Eu cuido de você — murmurou em seu ouvido, também sonolento. Artemis não chegou a responder e ele teve a certeza de que dormia. E, abraçado a ela, ali, com a pessoa que amava, caiu no reino de Morfeu.
Ela me ama, foi seu ultimo pensamento.
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Notas da Garota Chata.
Tensa a historia de Artemis =s Odeio muiiiito Orion, mesmo que nas historias em geral ele seja o par perfeito da Art (o que eu discordo), mas, enfim... O que acharam? Hoje vou ser mais legal e vou postar outro capítulo ^^ Finalmente, as coisas ficam lindas...
*Nivea suspira* Apolo disse que a ama *----* Tem algo mais lindo que isso? Ai ai Apolo ^^
Ps: E obrigada novamente Victoria e Keylla pela recomendação. :D
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